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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

PARÁBOLA DO JUÍZ INIQUO


Por
Romildo Gurgel

1 – LEITURA BÍBLICA: (Lc.18:1-8)

2 – INTRODUÇÃO.

Esta parábola também é conhecida como a parábola da mulher persistente. É companheira daquela de (Lc.11:5-8). Lucas apresenta as duas como relatos semelhantes: uma sobre um homem, a outra sobre uma mulher. Além disso, o assunto oração aparece na parábola do fariseu e do publicano (Lc.18:9-14) que vem logo a seguir.

3 – PANO DE FUNDO HISTÓRICO

Jesus contou a seus discípulos sobre uma viúva de certa cidade, que não tinha ninguém para apoiá-la contra seu adversário, a não ser um juiz iníquo. Seu adversário não tinha nem mesmo que comparecer no tribunal, o que é indício de que se tratava de uma questão de dinheiro. Ela não podia pagar um advogado. Então, se dirigiu diretamente ao juiz e queria que ele lhe servisse de advogado e juiz.
Em vez de ir ao tribunal da comunidade, ela procurou o juiz, que era conhecido por todos pela sua má reputação. De acordo com a lei dos fariseus, o judeu estava proibido de procurar tribunais não judaicos. Paulo revela que na igreja primitiva esta mesma regra devia ser seguida (1Co.5:12; 6:8). Muitas vezes, o povo procurava juízes gentios “se por esse intermédio, apelando para algum argumento político ou fiscal, pudessem ter frustrados os direitos de seus oponentes ou pudessem forçá-los a fazer o que a lei ordinária deixara de fazer”. Este juiz não tinha princípios religiosos e se mostrava imune à opinião pública. Simplesmente não dava a mínima importância ao que falasse Deus ou o homem. Assim era o juiz que a viúva procurou.

4 – INTERPRETAÇÃO

a) Apenas duas pessoas representam os papéis principais: a viúva importuna e o juiz injusto. O adversário apenas é mencionado.

b) Quando procuramos dividir a parábola temos:

 A viúva importuna
 O juiz injusto
 O juiz Divino e Justo

c) Parece que as viúvas, em Israel, passavam por grande dificuldade; as numerosas leis protetoras indicam que eram oprimidas e passavam grande privação. (Êx.22:22-24)

 O próprio Deus defende a causa da viúva –

(DT 10:17) - Pois o SENHOR vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas;
(DT 10:18) - Que faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa.

 Amaldiçoa o homem que perverter seu direito –

(DT 27:19) - Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva. E todo o povo dirá: Amém.

 A viúva tomava o lugar do marido falecido e, no tribunal, era considerada como tendo os mesmos direitos de um homem –

(NM 30:9) - No tocante ao voto da viúva, ou da repudiada, tudo com que ligar a sua alma, sobre ela será válido.

(SL 68:5) - Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no seu lugar santo.

 As viúvas eram maltratadas. O profeta Isaías queixa-se de que os governantes da terra são rebeldes e ladrões –

(IS 1:23) - Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva.

 O profeta Malaquias diz que Deus será testemunha veloz contra aqueles que oprimem a viúva e o órfão –

(ML 3:5) - E chegar-me-ei a vós para juízo; e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente, contra os que defraudam o diarista em seu salário, e a viúva, e o órfão, e que pervertem o direito do estrangeiro, e não me temem, diz o SENHOR dos Exércitos.

 Na nova Aliança, a religião pura inclui o cuidado para com as viúvas em sua aflição –

(TG 1:27) - A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.

d) O juiz iníquo – A conduta desse juiz testifica:

 A desorganização e corrupção generalizadas da justiça que prevaleciam sob o governo da Galiléia e Peréia na época.

 O que temos aqui era um homem que não tinha Deus.

 Não era religioso nem humanitário.

 Cuidava apenas de si mesmo.

 Como judeu ele agia em contradição a lei a qual decretava que se estabelecesse juizes nas cidades em todas as tribos, e proibia rigorosamente juízos distorcidos –

(DT 16:18) - Juízes e oficiais porás em todas as tuas cidades que o SENHOR teu Deus te der entre as tuas tribos, para que julguem o povo com juízo de justiça.
(DT 16:19) - Não torcerás o juízo, não farás acepção de pessoas, nem receberás peitas; porquanto a peita cega os olhos dos sábios, e perverte as palavras dos justos.
(DT 16:20) - A justiça, somente a justiça seguirás; para que vivas, e possuas em herança a terra que te dará o SENHOR teu Deus.

 O juiz era descaradamente corrupto, julgou o caso da viúva não pela justiça mas pela importunação e insistência da viúva.

e) O juiz divino e justo – Examinando como o Senhor aplicou essa sua parábola, torna-se surpreendente que ele tenha comparado os negócios de Deus não com os de um bom homem, mas com os de um homem mau e sem Deus.
 Há um contraste muito grande entre tudo o que o juiz era e o que Deus não é. Tudo o que Deus é, o juiz não era. Deus é exatamente o oposto em caráter a tudo o que o juiz era.
 Em algumas partes das escrituras sagradas observamos verdades ensinadas utilizando contrastes –

(LC 11:6) – pois que um amigo meu, estando em viagem, chegou a minha casa, e não tenho o que lhe oferecer;
(LC 11:7) - Se ele, respondendo de dentro, disser: Não me importunes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para tos dar;
(LC 11:8) - Digo-vos que, ainda que não se levante a dar-lhos, por ser seu amigo, levantar-se-á, todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará tudo o que houver mister.

(LC 11:11) - E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?
(LC 11:12) - Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
(LC 11:13) - Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?

5 - Ensinamentos da parábola –

a) Deus tem boa vontade em ouvir a oração dos seus filho –

 Para isso Ele nos ensinou a orar –
(Mt.6: 5) - E, quando [orar]des, não sejais como os hipócritas; pois gostam de [orar] em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.
(Mt.6:6) - 6 Mas tu, quando [orar]es, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

(Lc.11: 2) - Ao que ele lhes disse: Quando [orar]des, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu reino;

b) Ele tem prazer em responder quando oramos conforme a sua vontade –

(Mt.6: 8 ) - Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho [pedir]des.

(Mt.18: 19) - Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que [pedir]em, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus.

(Mt.21: 22) - e tudo o que [pedir]des na oração, crendo, recebereis.

(Mc.10: 35) - Nisso aproximaram-se dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: Mestre, queremos que nos faças o que te [pedir]mos.
(MC 10:36) - E ele lhes disse: Que quereis que vos faça?
(MC 10:37) - E eles lhe disseram: Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda.
(MC 10:38) - Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis; podeis vós beber o cálice que eu bebo, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado?
(MC 10:39) - E eles lhe disseram: Podemos. Jesus, porém, disse-lhes: Em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado;
(MC 10:40) - Mas, o assentar-se à minha direita, ou à minha esquerda, não me pertence a mim concedê-lo, mas isso é para aqueles a quem está reservado.

(Jo.11: 22) - E mesmo agora sei que tudo quanto [pedir]es a Deus, Deus to concederá.

(Jo.14: 13) - e tudo quanto [pedir]des em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
(Jo.14: 14) - Se me [pedir]des alguma coisa em meu nome, eu a farei.

(Jo.15: 16) - Vós não me escolhestes a mim mas eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto [pedir]des ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.

(Jo.16: 23) - Naquele dia nada me perguntareis. Em verdade, em verdade vos digo que tudo quanto [pedir]des ao Pai, ele vo-lo concederá em meu nome.

(Jo.16: 26) - Naquele dia [pedir]eis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai;

(Rm.8: 26) - Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de [pedir] como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis.


6 – A parábola tem também um aspecto escatológico –

 Os crentes perseguidos e injustiçados são incentivados a orarem confiantes a Deus, durante o intervalo que há entre a ascensão e a segunda vinda de Cristo

7 – Um outro aspecto escatológico da iminência da vinda de Cristo é : “Quando vier o Filho do Homem, achará fé na terra” ?

 A fé entregue aos santos será um artigo raro na volta do Senhor. Nosso dever supremo, apesar de toda oposição e tribulações, é manter a fé – Tende fé em Deus ( Mc. 11:22-24).

Elaboração
Romildo Gurgel