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sexta-feira, 10 de maio de 2013

RECALCITRANDO CONTRA OS AGUILHÕES



Romildo Gurgel

No livro histórico de Atos dos apóstolos, encontramos três relatos da conversão do apóstolo Paulo.   O primeiro foi registrado pelo autor Lucas em (9:1-19), e os outros dois foram relatados pelo próprio Paulo em (22:4-16; e 26:12-18).  Na terceira passagem as palavras de Jesus a Paulo são proferidas de forma completa: “ Saulo, Saulo, por que me persegues?  Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões” (Atos 26:14).
Recalcitrar segundo o dicionário de Aurélio significa: resistir, desobedecer, teimar, revoltar-se contra.
Aguilhão -  Ponta de ferro fixada na extremidade de um bastão, para picar os bois.
Isto lembra um cavalo relutando-se contra o seu cavaleiro, ou um boi no arado resistindo às cutucadas das varadas do agricultor, ou tentar tanger ovelhas para o aprisco e elas resistem fortemente por todos os meios a entrada.
O que significa esta definição quanto à aplicação? Três interpretações parecem bem plausíveis:

1 – Pode referir-se ao aguilhão da ignorância do próprio entendimento. Ele não permitia que  algo viesse contra toda instrução religiosa, tradicional,  judaica que havia recebido. Paulo conhecia Deus muito bem pelos livros, pelas tradições da religião que sustentava. E, pelo zelo, perseguia, mas não pode resistir ao poder do resplendor da manifestação da glória do Senhor, como sendo uma pontada forte que o destronou do controle da sua vontade própria. A partir dalí, o Senhor levou a Paulo conformar-se em viver em plena submissão.

2 – Pode referir-se à sua perseguição à Igreja. Por esse procedimento, ele tinha sido como um boi tentando lutar contra seu verdadeiro mestre, Jesus Cristo. Quem persegue a igreja, persegue o dono dela. Jesus como um general poderoso, defende sua igreja, tanto no mundo visível como no invisível. O aguilhão de Jesus tem efeitos espirituais e naturais.

3 – Por ultimo, poderia referir-se a dúvidas e agulhadas da consciência que Paulo poderia vindo tentando suprimir ao continuar perseguindo a igreja, a despeito da sensação de que esses cristãos podem, afinal de contas, estar certos. Talvez isto tenha processado em sua consciência ao observar a visão da coragem e amor de Estevam, quando orou por aqueles que o estavam apedrejando até a morte (cf.Atos 7:60). Muito embora não conste essa dúvida de Paulo, mas o Senhor pode ter posto sua mão na consciência e agiu no seu coração, dando-lhes pontadas a partir daquele dia. Quando Jesus disse para ele: “duro para ti é recalcitrar contra os aguilhões”, em outras palavras, Jesus estava dizendo que estava trabalhando na consciência de Paulo, da mesma forma  que os homens fazem ao colocar estribos na cabeça dos cavalos para que esses lhe obedeçam ao simples toque do seu cavaleiro, ou tanger um boi com pontadas sucessivas obrigando-o a obedecer.  A partir daí, Paulo passou a ter uma percepção clara e definida da direção que deveria tomar, mas para isso, teve que ser  espetado diversas vezes e ainda por cima ser derrubado.  Depois de estes fatos terem acontecido, Paulo passou três dias jejuando, se desmontando interiormente e se refazendo, no temor e no senhorio de Jesus Cristo. É aquilo que ele fala nos seus escritos "despojar-se do velho homem e das suas práticas, e renovar revestindo-se do novo que se renova". Acho que foi um banquete profundo, de dores e alegrias. Três dias sendo quebrado e reconstruído. Que comunhão profunda e transformadora.  Sua consciência estava se enchendo de admiração e plenitude de Jesus Cristo.

Quem tem um encontro real com Jesus Cristo passa a ser uma nova criatura. transformações internas e externas acontecem radicalmente. Ele morreu e ressuscitou para ser Senhor tanto de vivos como de mortos.


FONTE.
Compilado e adaptado do livro
Homens com uma mensagem. John Stott.
Editora Cristã Unida, 1996. Pp.89

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