Porque João batista vinha batizando com água???
Porque o Consolador? E ainda: Porque batismo com o Espírito Santo como promessa
do Pai?
Promessa do Consolador, e promessa do Batismo com o
Espírito Santo, são as mesmas promessas? Essa resposta você mesmo concluirá ao
ler este pequeno artigo.
Vejamos sequencialmente a resposta literal das
escrituras sagradas ipsis litteris:
BATISMO NAS ÁGUAS
“Eu mesmo não o conhecia, mas a fim de que ele fosse manifestado a
Israel, vim, por isso, batizando com água. E João testemunhou dizendo: Vi o
Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele. Eu não o conhecia:
aquele, orem, que me enviou a batizar com água, me disse: Aquele sobre quem
vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo.
Pois eu de fato vi, e tenho testificado que ele é o Filho de Deus” (João 1:31-34).
Observa-se que
a legitimidade do batismo nas águas praticada por João Batista está no fato de
ter recebido diretamente de Deus esta tarefa. Um outro ponto de extrema importância é que
da medida que ele vai batizando, ficasse atento na observação em quem o Espírito
Santo iria repousar.O pouso do Espírito indicaria a João quem realmente seria o
messias.
Um outro ponto
de grau importante está também no batismo que Jesus iria batizar diferentemente
do que João Batista vinha praticando. Batismo nas águas é símbolo exterior do
arrependimento, do que aconteceu em um coração transformado em nova criatura.
Batismo no Espírito Santo tendo Jesus Cristo como o batizador, trata da
promessa do Pai que Jesus iria receber depois de consumar todas as etapas da
redenção até a posição de glorificação, momento esse que iria receber essa
promessa para poder derramá-la aqueles que lhes pertence.
Vamos
perceber esta verdade passo a passo:
O CONSOLADOR
ENVIADO POR JESUS.
Leiamos:
“Mas eu
vos digo a verdade: Convém-vos que eu vá, porque se eu não for, o Consolador
não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei” (João 16:7).
AGORA VEJA BEM: O
espírito consolador, pelo menos em termo de função é diferente do Espírito prometido pelo Pai (batismo no Espírito Santo). O espírito
consolador, trata-se de habitação, consolação permanente, enquanto a promessa
do Espírito Santo (promessa do Pai), investe e introduz o batizando em uma função. Aqui se
trata de duas bênçãos, tendo Jesus como catalisador se assim podemos falar, como o agente que irá derramar essas bênçãos. Vejamos
ainda mais alguns detalhes:
ESPÍRITO
CONSOLADOR
a.1 – Convencerá
o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8)
a.2- Guiará a
toda verdade – (Jo.16:13)
a.3 – Ele me
glorificará porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar – (Jo.16:15)
a.4 - Ele nos
ensinará e nos fará lembrar todas as
coisas que Jesus tem dito – (Jo.14:26)
a.5 - Ele nos
fará entender as escrituras sagradas – (1Co.2:12-14)
Quando foi que o
Espírito consolador prometido por Jesus e não pelo Pai veio para ser derramado?
(JO 16:7) - Mas
eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o
Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei.
Note que o verso 7 acima diz que a condição para que venha o
consolador teria que o Senhor ir.
Quando é que Jesus foi ? Ele foi quando entregou o Seu espírito ao
Pai na cruz (Lc.23:46). O consolador diz respeito ao Espírito da verdade que o mundo não pode receber e não
o vê, nem o conhece, isto acontece quando o neófito nasce de novo (cf. João 3:1-6) . No evangelho de João 14:16 diz
que quando Ele for, Ele rogará ao Pai, e
ele vos dará outro Consolador. Se Jesus iria mandar outro Consolador, quem era
o primeiro consolador? O primeiro era Ele mesmo o verbo encarnado (cf.João 1:1 e vs.14). Aqui Ele esta dizendo que
quando Ele for não deixaria os discípulos desfrutando de abandono e de solidão,
mas enviaria o outro Consolador que assim como Ele consolara aos seus, este
estaria com eles também a consolar. Em (João
14:17) diz que o espírito da verdade o mundo não o conhecia e que eles
conheceriam porque estavam com os discípulos. Como poderia o Espírito da
verdade estar com os discípulos se Jesus disse que o Espírito da verdade só
viria quando Ele fosse? Aqui, trata-se do Espírito da sua própria
pessoa, porque se os discípulos conheciam a Jesus e as suas consolações como
pessoa, conheceriam também o Espírito que por Ele seria enviado, isto porque o
Espírito falaria e testemunharia do que era Seu (cf. Jo.16:14)
e habitaria com eles assim como Jesus encarnava este espírito e era percebido
pelos seus discípulos. Perceba que aqui se trata de outro consolador e não do
Espírito Santo da Promessa prometido
pelo Pai, estas promessas são bem distintas..
VEJA COMO JESUS DERRAMOU O
ESPÍRITO CONSOLADOR
·
Foi entregue após a sua ressurreição – (Lucas.24)
No
primeiro dia da semana, Maria Madalena e outras Marias, foram ao sepulcro de
Jesus na alta madrugada e viram a pedra removida e entrando ali, não viram o corpo de
Jesus ficando assim perplexas e
atemorizadas. No local apareceram dois varões com vestes resplandecentes falando-as: “por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está mais aqui, ressuscitou”. Então elas, se lembraram das palavras que o
Senhor havia dito antes de tais
acontecimento e foram para os apóstolos e relataram tudo quanto lhes tinha
acontecido. Pedro então sabendo da notícia ainda escuro, se levanta e vai ao
sepulcro e abaixando-se vê somente os
lençóis de linho e retirando-se dali, vai para casa maravilhado. No mesmo dia,
dois discípulos indo a caminho de Emaús, conversavam a respeito do que havia
sucedido. Enquanto conversavam, o próprio Jesus aproxima-se e vai com eles e os
interroga: O que é isso que vos preocupa e vades tratando? O interessante neste
texto, é que os discípulos não conseguiram identificar que era Jesus que esta
falando com eles (Lc.24:16). E um dos discípulos
chamado Cleópas responde discorrendo tudo o que aconteceu e que os principais
sacerdotes e as autoridades
entregaram Jesus para ser
condenado a morte crucificando-o, declarando ainda esperar que fosse Ele que haveria de redimir
a Israel, e que já se fazia três dias que tais coisas haviam acontecido.
Depois disso, Jesus começa
a lhes expôs as escrituras começando por Moisés e por todos os profetas
enquanto se aproximavam da aldeia. Os discípulos vendo que já era tarde,
convida-o para entrar e ficar com eles. E sentado a mesa, Jesus toma o pão e os
abençoa, e, tendo-o partido dá aos discípulos; foi exatamente aqui que foram abertos os olhos dos discípulos para
reconhecer que quem estava com eles era Jesus (Lc.24:31).
Mostrar a pessoa de Jesus é função do Espírito do Senhor (Jo.14:26). Entender é elucidação concedida pelo
espírito consolador.
Em (Lc.24:36-45)
mostra outra ocasião, Jesus aparecendo no meio dos discípulos deixando-os
surpresos e atemorizados pensando eles ver algum espírito. Jesus teve que
mostrar as mãos e os pés levando-os a verificar que um espírito não tem carne
nem ossos, demonstrando que Ele tinha. Depois lhes pediu o que comer e comeu na
presença de todos falando-lhes logo em seguida que convinha que se cumprisse
tudo o que estava escrito na Lei de Moisés e nos profetas e nos Salmos. Veja o
que diz o (v.45) depois de Jesus discorrer a
palavra – “Então
lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras”. Levar
as pessoas a compreenderem as escrituras é função do Espírito do Senhor
(espírito consolador). Este espírito é o Espírito Consolador prometido por
Jesus. Porque no (v.49) do mesmo capítulo, Jesus diz que envia sobre eles a promessa
de Seu Pai; dizendo: permanecei, pois na
cidade, até que do alto sejais revestidos
de poder. A promessa do Pai é aquela profetizada pelo profeta Joel em (Joel 2:28-29).
No evangelho de João, também
trata da vinda do consolador, apresentando uma palavra que somente ele
conseguiu captar diferentemente do que é apresentado por Lucas no seu evangelho. João diz que Jesus após mostrar as mãos e os pés disse o seguinte: “assim como o pai me enviou , eu também vos envio e havendo
dito isto soprou sobre eles, e disse-lhe: Recebei o Espírito Santo”. Note que este sopro é a vinda do Consolador e não da
promessa do Pai. Já no evangelho de Lucas onde ele faz a mesma narrativa, mas
com linguagem própria, fala do efeito do sopro e não o modo como lhes fora
entregue dizendo: “então
lhes abriu o entendimento para compreenderem as escrituras”. Tanto o
relato de Lucas como também o de
João, ambos quiseram ensinar e expressar
a mesma realidade da vinda do Consolador.
Como sopro a ênfase esta na forma de como se chegou o
Consolador, já Lucas olhou para o
efeito, para o resultado dessa atitude de Jesus, enfatizando assim mais os resultados na vinda
da promessa aos discípulos (vide Jo.20:22).
Quando o Espírito Santo vem habitar conosco, Ele nos levará a entender as
escrituras. O Espírito no interior do homem sempre mostra aquilo que é
espiritual, abrindo-nos o entendimento
da palavra. Entender as escrituras é um
sopro divino. Leiamos ainda :
“Ora,
nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus,
para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também
falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo
Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do
Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas
se discernem espiritualmente. Porém o
homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por
ninguém. Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós,
porém, temos a mente de Cristo” (1Co.2:12-16).
NESTE
TEXTO DESTACO AS SEGUINTES OBSERVAÇÕES:
1 – Que recebemos o
Espírito para conhecermos o que por Deus nos foi dado gratuitamente.
2 – Que poderemos falar
palavras ensinadas pelo Espírito Santo.
3 – Que poderemos ter a
habilidade de conferir as coisas espirituais com espirituais - (voz do ensino do Espírito com a palavra escrita)
4 – Que o homem espiritual
(nascido de novo, regenerado), discerne bem tudo e de ninguém é discernido.
Com esses itens extraídos do texto, observamos
claramente, que trata-se do consolador agindo diretamente na vida intima do crente
A PROMESSA DO PAI
“ E
acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos
filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens
terão visões; até sobre os servos e
sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias”. (Joel 2:28-29).
MOMENTO EM QUE O FILHO RECEBE
DO PAI A PROMESSA
A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos
testemunhas. Exaltado (glorificado), pois, à destra de Deus, tendo recebido
do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis.
(At.2:32-33).
Ø Estes dois
versículos é parte do sermão de Pedro logo a após o derramamento do Espírito
Santo na festa de pentecostes.
NOTA DE ESCLARECIMENTO DE FATOS
A promessa de Deus em Joel, foi
feita primeiro que a do messias. As duas promessas foram derramadas pelo
messias. Pelo fato da promessa do pai ser a primeira, foi a ultima a ser
derramada, pois Ele só deu ao filho, quando ele foi glorificado e ter consumado
o projeto de salvação eterna. A promessa
do consolador por ser a ultima prometida, foi a primeira a ser derramada por
Jesus Cristo forme comentei.
MOMENTO EM QUE O FILHO DERRAMOU A
PROMESSA DO PAI
(AT 1:3) - A
estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas
incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas
concernentes ao reino de Deus.
(AT 1:4) - E,
comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem
a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes.
(AT 1:5) - Porque
João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito
Santo, não muito depois destes dias. (grifo meu)
Aqui Lucas esta discorrendo sobre a orientação que Jesus
deu aos seus discípulos para não se ausentar de Jerusalém até receberem a
promessa do Seu Pai. O interessante é que Jesus lembra aos discípulos esta
verdade que ainda não existiam ainda neles, mas que era uma promessa que eles
desfrutariam dentro de poucos dias quando Ele fosse para a glória do Pai. É
curioso observar que esta posição foi
solicitada na Sua oração sacerdotal (João 17:5).
O Filho quando foi exaltado na glória, recebeu do Pai a
promessa. E quando a recebe, derrama aos seus discípulos onde eles estavam
esperando em Jerusalém conforme sua
orientação como está escrito: “Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na
cidade, até que do alto sejais revestidos de pode”(Lc.24:49 grifo meu) .
Veja o que diz também em Atos 1:4-5 – “ E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem
de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele,
de mim ouvistes. Porque João, na
verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não
muito depois destes dias” (grifo meu).
Amém,
Romildo Gurgel