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sábado, 30 de março de 2013

FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO?



Essa frase pode estar buscando revelar o cuidado que devemos ter para mantermos ‘mãos limpas e coração puro’ em nossa adoração 

Esta frase foi dita por Cipriano de Cartago no terceiro século de nossa era e acabou se tornando dogma na Igreja Católica Romana, mas creio que tem sido adotada por muitas igrejas e denominações evangélicas. Neste caso, o sentido da frase até pode ser ampliado para "Fora da igreja não há Cristianismo!" implicando, entre outras coisas, em que Cristianismo e igreja sejam a mesma coisa. 

Em primeiro lugar é preciso deixar claro que a existência da igreja não pode ser colocada em dúvida, mas isso não significa que ela deva ser um fim em si mesma e, creio, que é isso que tem acontecido em alguns casos. Pois quando entendemos que textos como "buscai em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça (Mt.6:33) são interpretados como "buscar em primeiro lugar as atividades e ocupações na igreja" estamos reduzindo o reino de Deus e o Cristianismo às atividades eclesiásticas em vez de considerarmos a igreja como um meio que Deus instituiu para ser um ambiente fértil para o desenvolvimento da vida cristã, da piedade, da capacitação do crente para ser cristão no mundo e desenvolver os seus dons de serviço. Também um meio para ser uma comunidade terapêutica, de capacitação na compreensão da vida, das doutrinas, da Bíblia, uma comunidade – a família de Deus, etc. 

Transformamos a igreja num fim em si mesma quando entendemos que a vida cristã se resume em atividades e mais atividades freneticamente desenvolvidas no domingo, que deveria ser um dia de celebração, descanso e passa a ser "dia do cansaço" e da agitação, como se o Cristianismo de sete dias pudesse ser vivido apenas em um dia. Mesmo porque igreja passou a ser um lugar, um estatuto, um organograma, em vez de pessoas pelas quais Cristo morreu na cruz. Sem dúvida o estatuto, o organograma são necessários, mas também são meios e não fins. 

A igreja de Jesus Cristo é um meio, um instrumento para levar o evangelho ao mundo, para capacitar os salvos à vida em comunhão e lealdade ao Senhor. A igreja não pode ser confundida com o reino de Deus, mas deve ser considerada um instrumento de Deus para seu reino, dando ao crente condições para viver o reino no mundo, no seu dia-a-dia, como cristão. E ser cristão não é só pregar que Cristo salva, mas viver a salvação que Cristo nos dá. 

Quando a igreja se considera um fim em si mesma acaba nutrindo a entropia, fechando-se em torno de sua própria existência. Não sendo sinérgica, deixa de cumprir a sua missão integral que tem como ponto de partida levar cada pessoa a viver para a glória de Deus. 

Lourenço Stelio Rega é teologo, educador e escritor.

Um comentário:

  1. DIALOGANDO, PENSANDO E COMPARTILHANDO:

    FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO?

    A resposta depende do estado que a pessoa se encontra. Se entendermos que a Igreja é estrutura física, espaço geográfico, tijolo, madeira, alvenaria, podemos responder a luz da palavra de Deus que a salvação não é o local estrutural, o espaço geográfico propriamente dito. Agora, se temos a interpretação escriturística de que a salvação é o resultado de sermos constituídos Igreja autêntica de Deus, através do evangelho do sacrifício vicário de Jesus Cristo, essa pessoa torna-se parte da comunidade alicerçada na pedra angular que é Jesus, passando a ser um tabernáculo móvel, constituído templo que é a habitação de Deus no Espírito, que caminha e trafega constantemente pelo mundo, se reunindo como Igreja coletiva em diversos locais. Uma pessoa que não é igreja, não entendeu o evangelho, não é salvo e nem é discípulo de Jesus Cristo. Para que ela seja genuinamente igreja, ela precisa ser salva (pregação do evangelho, graça de Deus), nascer de novo (conforme evangelho de João 3:1-6).
    Frequentar uma reunião da comunidade da igreja, sem ser igreja, ainda é um desigrejado, pois a pessoa passa a ser igreja não pela adesão de um local de reunião. Não é a reunião que o torna igrejado, mas o encontro com Cristo, envolvendo confrontação do seu estado pecaminoso e distante de Deus, através do arrependimento dos seus pecados e abraçando pela fé o perdão e a reconciliação que Deus fez através de Jesus Cristo, resultando em uma pessoa renascida de novo. Entendo ainda que, muito embora esta pessoa pela frequência junto com os igrejados, poderá ser bem provavel que se torne um igrejado, pelos motivos da força da operação de Deus na reunião junto aos igrejados. Repetindo, entendo que, os que são comunidade de Deus são os igrejados, logo os desigrejados, precisam de novo nascimento salvação, para a partir da aí, ter comunhão com Deus e os irmãos.

    Romildo Gurgel

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