Romildo Gurgel
Entendo que a ceia do Senhor envolve alguns aspectos que
devemos considerar:
a) O aspecto profético
b) O aspecto substitutivo
c) O aspecto vicário
d) O aspecto do ofício
e) E o aspecto da monitoração
ASPECTO PROFÉTICO
O profeta Isaías parece nos dar a verdade central quando
declara que Deus fará de sua alma (Cristo) uma oferta pelo pecado (Is.53:10). A compreensão dessa declaração se extrai o entendimento da
expiação. Esta declaração profética traduz que os sacrifícios veterotestamentário
era uma figura de Jesus como O cordeiro de Deus.
ASPECTO SUBSTITUTIVO
Os sacrifícios da velha aliança eram repetitivos, muitos animais
eram mortos. Na nova aliança é um único sacrifício. Aqueles sacrifícios apenas
cobriam os pecados, este remove os pecados.
(Hebreus 10:4-5) – “Porque é
impossível que sangue de touros e de bodes remova pecados. Por
isso ao entrar no mundo diz: Sacrifício
e ofertas não quiseste, antes corpo me formaste;”.(grifo meu)
(Hebreus 10:9) – “Então
acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Remove o primeiro
para estabelecer o segundo”.
(1Co.3:14) – “Mas os sentidos deles se embotara. Pois até
ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu
permanece, não lhes sendo revelado que em Cristo é removido” . (grifo meu).
è O
corpo de Cristo é o véu, pois quando Jesus deu sua vida, o véu do templo foi rasgado,
traduzindo para nós que o caminho de acesso a Deus foi removido através deste sacrifício
que foi superior aos de animais da velha aliança.
Está escrito:
“Ora, todo sacerdote se
apresenta dia após dia a exercer o serviço sagrado e a oferecer muitas vezes os
mesmos sacrifícios, que nunca jamais podem remover pecados;” (Hebreus
10:11). (grifo meu).
(Colossenses 2:14) – “Tendo
cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças,
o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz”. (Isto ocorre no coração na consciência). Jesus
purificou nossa consciência de obras mortas. “muito
mais o sangue de Cristo que, pelo Espírito eterno, a si mesmo ofereceu sem
mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servirmos ao
Deus vivo!” (Hebreus 9:14).
Podemos dizer que ele morreu em nosso lugar como verdadeiro
cordeiro pascal (Êxodo 12 e
1Corintio 5:7) e foi a
verdadeira oferta pelo pecado (Isaias
53:10), visto que aqueles
sacrifícios oferecidos no velho testamento eram nada mais nada menos do que
tipos de uma sacrifício que haveria de vir com mais perfeição (cf.Lv.6:24-30; Hebreus 10:1-4).
ASPECTO VICÁRIO
Este aspecto trata-se do sofrimento pelo qual passa uma
pessoa em vez de outra, isto é, em nosso lugar. Isto supõe que nós somos
isentos quanto ao sofrimento e a penalidade do castigo pelos nossos pecados.
Jesus foi o vigário, o substituto que assumiu o nosso lugar, assumindo a nossa
culpa e condenação.
Diz as escrituras:
“Mas Deus prova o seu próprio
amor para conosco pela fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda
pecadores” (Romanos 5:8).
“Pois também Cristo morreu,
uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus”
(1Pedro 3:18).
Disse o próprio Jesus: “Eu sou o bom pastor. O bom
pastor dá a vida pelas ovelhas” (João 10:11).
ASPECTO
DO OFÍCIO
Esta prática inicialmente foi feita por Jesus em uma ceia junto com os seus discípulos (cf. Mateus
26:26-30). É bom lembrar que Jesus nesta celebração está deixando bem claro que
o seu dia esta se aproximando. A intenção aqui é preparar o coração dos discípulos
para sua hora que estava prestes a acontecer trazendo revelação desta realidade que iria ser descortinada. Perceba que esta ceia é uma celebração da páscoa
que lembra a passagem dos judeus pelo Egito. Os discípulos sabiam muito bem o
significado desta celebração. Se a
celebração da páscoa era uma forma de festejar a saída do Egito para a terra
prometida, Jesus aqui se insere na celebração pré-inaugurando a nova aliança como
ele mesmo sendo o cordeiro de Deus oferecendo a sua carne e o seu sangue, tendo o
pão e o vinho como símbolos da sua morte e ao mesmo tempo um oficio a ser
celebrado como memorial pelos seus discípulos. No entanto esta celebração
ocorreu antes do sacrifício, como se deu com o povo de Deus no exílio antes da saída para a terra prometida, e esta celebração ainda será realizada novamente na sua segunda
vinda, como se deu com os israelitas ao serem inseridos na terra prometida a celebração da pascoa. Por sua vez, a a boda do cordeiro se dará na segunda vinda de Cristo, onde haverá nova celebração. Da mesma forma que a celebração da páscoa é
importante para o judeu, a ceia é importante para o cristão que celebra a
passagem da vida das trevas de pecado para a maravilhosa luz da vida em Cristo
Jesus.
A
palavra instrutiva como ofício aparece
somente em (Lucas 22:19) onde o médico escreveu esse evangelho de
uma forma mais apurada, acrescentou “Fazei isso em memória de Mim”.
Este
aspecto distinto traduz para os que participantes que devem trazer a lembrança,
não como algo em existência no momento presente, mas sim algo do passado que
esta sendo lembrado, sendo trazida a memória. A alegria da participação desta
celebração é que Jesus como cordeiro, não precisará mais sacrificar-se
novamente.
Este
ofício foi amplamente praticado pela igreja primitiva em suas residências (cf. Atos 2:42).
O
crente ao participar da Ceia do Senhor demonstra simbolicamente tudo o que a
morte de Cristo significa para ele.
Nos
é dito expressamente que a ceia do Senhor simboliza a morte de nosso Senhor como sacrifício pelos nossos pecados:
“Porque todas as vezes que
comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele
venha” (1Coríntios 11:26).
Podemos
dizer ainda que a ceia é uma reunião simbólica onde se traz a
memória o sacrifício vicário de Jesus Cristo, e espera-se que todos
participantes tenham sido beneficiados mediante a expressão de sua fé. Jesus
tanto é o nosso cordeiro pascoal, bem como o nosso sumo-sacerdote-eterno, entregou sua vida a morte afim de que
pudéssemos recebê-la; Ele é o doador é nós somos os receptores, (cf. João 12:24 “se
o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer,
produz muito fruto.), os
beneficiados pelo seu sacrifício em ter aberto a porta da comunhão com Deus
através do véu, isto é sua carne e receber o seu senhorio, como está escrito:
“Tendo, pois irmãos,
intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e
vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo
grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em
plena certeza, tendo os corações purificados de má consciência, e lavado o
corpo com água pura” (Hebreus 10:19-22).
Diante
do exposto entendo que a ceia do Senhor deve ser uma celebração de vida, cada
participante deve se alegrar nesta comunhão com Deus pelo caminho que lhes foi
aberto por Jesus Cristo. Neste ponto, o Senhor participa na comunhão, como Cordeiro,
doador de vida e Senhor. Aqui reside a importância da introspecção de uma
avaliação pessoal ao participar desta festividade (1Coríntios
11:28). A celebração é da comunhão.
ASPECTO
DA MONITORAÇÃO
Está
escrito:
“pois quem come e bebe, sem
discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós
mesmos fracos e doentes, e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a
nós mesmos, não seríamos julgados. Mas quando julgados, somos disciplinados
pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” (1Coríntios 11:29-32)
Amém
Romildo Gurgel
Fonte:
1 – Bíblia Vida Nova da editora Vida.
2 – Chave Bíblica, SBB.
3 – Concordância Bíblica, SBB
4 – Palestra em Teologia Sistemática, Henry
Clarence Thiessen; 1987; IBR.
5 – Pequena Enciclopédia Bíblica, O.S.Boyer;
1978; Editora Vida.