segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO


Por                                 Atualizado em 05.05.2013
Romildo Gurgel


Leitura Bíblica: (Lucas.15:11-32)

II - Pano de fundo histórico
Em (Lucas 15), Jesus teceu três parábolas que poderemos chamá-las de tri-gêmeas . O criticismo dos fariseus ao relacionamento sincero de Jesus com conhecidos pecadores e com os rejeitados socialmente foi o motivo que ocasionaram estas três parábolas deste capítulo. As parábolas ilustram o amor de Deus e a preocupação com os pecadores. Sua atitude é nitidamente oposta à dos autojustificados.
Os fariseus correspondem às 99 ovelhas, às 9 dracmas e ao irmão mais velho.
Os publicanos (Dic. Aurélio - homem de negócios e cobrador de rendimentos) e pecadores correspondem à ovelha, à dracma perdida e ao filho pródigo (esbanjador) .
A parábola revela o amor de Deus tanto pelo seus  filhos, tanto para o rebelde como para o obediente.

III – Interpretação da parábola.

1 - O FILHO MAIS NOVO.
a) Pediu ao pai a parte da fazenda que lhe cabia na herança por nascimento - Na morte de um pai, a lei judaica dividia 1/3 dos bens para o filho mais novo e 2/3 para o mais velho – (Dt.21:17).Aqui revela a astúcia dos desvantajosos quanto a lei, solicitou antecipação de sua herança.

b) Em poucos dias o filho mais novo juntou todos os seus pertences e foi para uma terra longínqua e ali desperdiçou sua fazenda vivendo dissolutamente (dissolver, romper contrato, perverter-se de costumes). Ele começou  a  entrar em um processo rumo a apostasia e a praticar pecados contra sua própria consciência. (v.13)

c) Gastou tudo o que tinha e começou a ter necessidades – (v.14) 
- Não estava preparado para a vida
- Não entendia nada sobre planejamento
- Não tinha a mínima noção de investimento

d) Pediu um emprego a um cidadão daquela terra e virou apascentador de porcos – Trabalho esse que era contrário aos ensinos e cultura da sua família  (v.15)
§ Os porcos são animais imundos – (Lv.11:7) – Representa trabalhos de corruptos desse mundo.
§ Desejou saciar sua fome com as bolotas que os porcos comiam e ninguém tinha sensibilidade as suas necessidades, pois ninguém lhes dava nada – (v.16) . O seu orgulho e obstinação aprisionava-o  longe e separado de sua família.
e) A lembrança do Pai, dos seus empregados, da integridade e justiça praticadas  praticada pelos pais no ambiente da família  foi o instrumento utilizado pelo Espírito  Santo para levar o arrependimento para este jovem. Isto  aparece na frase "caindo em si". Cair em si, é uma conversa mental-espiritual-pessoal que vez com que este jovem pudesse comparar a vida que tinha coma que estava tendo. Ele falava consigo mesmo assim: "Quantos trabalhadores do meu pai têm pão com fartura e eu aqui morro de fome"! - (v.17).

Verdade aplicada: Se o seu filho saiu de casa, é rebelde, teimoso, contrário a Deus e ao senso comum da sociedade. O bom porte da família, sua integridade com Deus e o seu bom testemunho, será uma voz poderosa no coração desses jovens, pode acreditar, Deus tocará no coração deles pelo Espírito Santo e se lembrará dos padrões assistidos em sua casa paterna.

ENFIM O JOVEM É CONVENCIDO PELO ESPÍRITO SANTO E SE ARREPENDE E TOMA UMA ATITUDE.
(LC 15:18) - Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti;
(LC 15:19) - Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.
(LC 15:20) - E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
(LC 15:21) - E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.
è Aqui, a mente do filho esta no Pai, lembrando-se constantemente de sua casa. Imagino as inúmeras formas e os paralelos que o Espírito Santo entre sua situação presente e as realidades desfrutadas na casa de seu pai.

§ Temos aqui a ação do Espírito Santo levando-o ao arrependimento, a avaliar suas atitudes e comportamentos errados e pecaminosos, o remorso e a inquietação da consciência tomaram conta do rapaz, quando aparecia tudo acabado,  veio a luz. O Espírito Santo é um socorro bem presente na hora da angustia, é conselheiro interior.  O jovem diante disso admite os seus erros, humilha-se e parte para uma  reconciliação e volta para casa de seu pai. Ele sabia do caráter do pai, do seu amor, da sua flexibilidade, da sua tolerância e do seu caráter perdoador. 

Verdade aplicada: Vemos aqui um secreto poder sobrenatural modificando o coração pecaminoso, fabricando uma profunda alteração nas atitudes e disposições do rapaz. O novo Testamento Interpretado  de  R.N. Champlin), tece os seguintes tópicos sobre esse arrependimento:

§ O pródigo caiu em si mesmo
§ Reconheceu seu próprio eu
§ Viu os seus próprios males,
§ Viu que os seus males o deixou naquela situação de miséria
§ Esse conhecimento e pensamentos, levou o rapaz ao arrependimento.
§ O arrependimento levou o rapaz voltar mais humilde, sem pretensão de posição paterna.
§ O rapaz queria alcançar o lar do pai e trabalhar ali como um jornaleiro.

AS FUNÇÕES DO ESPÍRITO SANTO

(JO 16:8) - Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo:
(JO 16:9) - do pecado, porque não crêem em mim;
(JO 16:10) - da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais;
(JO 16:11) - do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.
(JO 16:12) - Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora;
(JO 16:13) - quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.
(JO 16:14) - Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.
(JO 16:15) - Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.

 FUNÇÃO DO ESPIRITO SANTO A LUZ DESSE TEXTO :

1 – Convenceu o rapaz do seu pecado, da justiça e do juízo
• Do pecado porque não crêem em mim
• Da justiça porque vou para o Pai (assentar-se a sua direita na Glória, até que todos os inimigos sejam posto em baixo de Seus pés)
• Do juízo porque o príncipe deste mundo já esta julgado. Onde o príncipe deste mundo foi julgado ? Na morte do Senhor.
(JO 12:31) - Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso.
(JO 12:33) - Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer.
(JO 12:32) - E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.

2 – Ele guiou o filho na longa distância de sua casa, fazendo-o lembrar de sua casa –
(JO 16:13) - quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.

3 – Ele glorificará, porque recebe o que é do Pai. - O Espírito Santo trabalhou com a fidelidade cultural existente na família do rapaz, convencendo-o a olhar para a sua paternidade e rememorar dias felizes  (v.21) –  O Espírito Santo lembra a realidade do bem contemplado e quando este passou a considerar e a admitir essa voz interna, gerou  uma forma de louvor e glorificações quando disse ao seu Pai: "..Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho" (v.21) 

4 – Ele fez lembrar todas coisas boas da casa de seu Pai –
(JO 14:26) - mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.

5 – Ele falou no coração do filho, mesmo quando estava longe e sem ninguém por perto –
(JO 16:13) - quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.

Ø Jesus foi quem levou a cabo a vontade de Deus em mandar o outro Consolador.

6 – Ele fez entender a bondade de Seu Pai –
(1CO 2:12) - Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente.
(1CO 2:13) - Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais.
(1CO 2:14) - Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

7 – Ele faz o filho ser um com o Seu Pai  Ele disse: “Não sou digno de ser chamado de filho...” (v.21)

(1CO 6:17) - Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele.

8 – Ele salvou o filho pela lavagem da regeneração do Espírito Santo – Isto acontece com meditações e instruções devocionais diárias. O poder dessa prática é curador e transformador.

(TT 3:5) - ... ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,

(JO 16:13) - quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir

(Salmo 119:105) - Lâmpada para os meus pés é a sua palavra e luz para os meus caminhos.

2 – O PAI.
a) De acordo com o desenvolvimento da parábola, o Pai é demonstrado como aquele que tem um relacionamento extraordinário com os filhos

b) Ele não se opôs ao pedido de divisão dos bens requerido pelo filho mais novo.

c) O Pai consentiu que o filho se tornasse independente. Mas não deixou de perceber que ele somente iria aprender alguma coisa na escola prática da vida.

d) Possivelmente o Pai tenha tentado descobrir onde vivia o filho. As notícias sobre a fome onde o filho estava devia ter chegado ao seu conhecimento pois ele constantemente olhava ao longo do caminho por onde esperava que ele regressasse.

e) Ele conhecia bem o filho, e a possibilidade dele se arrepender, cair em si, confessar o seu pecado e voltar para casa buscando a reconciliação. Estas práticas foram ensinadas na vida da devoção familiar.

f) O pai tinha o controle da situação e não o filho. Famílias de fé controla tudo, porque a fé descansa no poder de Deus.

g) O pai ao ver o retorno do seu filho, encheu-se de compaixão, correu ao encontro e abraçou-o e beijou-o – (Lc.15:20) . Que sena fantástica. Esta sena traduz muitas verdades: 

- Deus é fiel a sua palavra e as devocionais ensinadas no âmbito do lar.
- A fé e a esperança pode muito em seus efeitos.
- O testemunho da fidelidade do pai tem o seu auto grau de importância.
- A administração da fazenda e o tratamento com os seus funcionários, teve peso no retorno do rapaz.

h) O Pai veste o filho da melhor roupa – (v.22)
(IS 61:10) - Regozijar-me-ei muito no SENHOR, a minha alma se alegra no meu Deus; porque me cobriu de VESTES DE SALVAÇÃO e me envolveu com o manto de justiça, como noivo que se adorna de turbante, como noiva que se enfeita com as suas jóias.

ESTA ROUPA É REVESTIR-SE DO SENHORIO DO PAI, DE CRISTO.

(RM 13:14) - mas REVESTI-VOS do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.

(CL 3:12) - REVESTI-VOS, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.

(AP 7:9) - Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos;

(AP 3:17) - pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e NU.
(AP 3:18) - Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.

(AP 16:15) - (Eis que venho como vem o ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande NU, e não se veja a sua vergonha.)

(AP 3:4) - Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas.
(AP 3:5) - O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.

i) Colocou no seu dedo um anel de ouro – (aliança)

j) Mandou colocar sandálias nos seus pés, o jovem estava descalço – (v.22) – preparação do evangelho – (Ef.6:15)

k) Mandou matar o novilho sevado – (v.23) fez um banquete.
(Ap.3: 20) - Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele [cearei], e ele comigo.

l) O pai comemora a salvação do filho –
(v.24) – Porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se.
èOs termos falam que o jovem estivera espiritualmente morto, mas que agora vivia, conforme também se vê em (Lc.9:60) e (19:10) e repetido no (v.32). Estar perdido equivale a estar morto. E ser achado ou salvo, significa estar vivo. O trecho de (Nm.11:34) fala de sepulcros da concupiscência, enquanto o apóstolo Paulo escreveu: “...entretanto, a que se entrega aos prazeres, mesmo viva, está morta” (1Tm.5:6). (R.N.Champlin, in loco)

3 – O FILHO MAIS VELHO (o outro filho pródigo que permaneceu em casa)

a) O filho mais velho estava trabalhando no campo. Tudo indica que ele estava trabalhando em uma parte distante da fazenda, porque parece que ele foi o ultimo a saber do retorno do seu irmão. – (v.25-26)
b) O filho mais velho sente indignação pela atitude do pai – (v.27-30)
c) O pai tenta conciliá-lo e levá-lo a participar da festa – (31-32)

Romildo Gurgel

domingo, 13 de fevereiro de 2011

PARÁBOLA DO ADMINISTRADOR INFIEL


Por
Romildo Gurgel

I – LEITURA BÍBLICA: (Lc.16:1-9)

II – INTRODUÇÃO:
Nas três parábolas anteriores estudadas em Lucas 15, falam com relação a salvação de um pecador. Já nesta, Jesus discursa sobre o serviço do crente em como servir ao Senhor como servo prudente.
De todas as parábolas ensinadas por Jesus, a parábola do administrador infiel é a mais enigmática. Por esta razão, numerosas interpretações têm sido dadas. Cada uma delas tentando explicar o ensinamento da parábola à luz de suas implicações éticas.

III – Pano de fundo histórico

Jesus fala de um homem rico que escolheu um administrador para os seus negócios. Ele tinha inteira confiança no escolhido, mas quando soube que ele estava dissipando seus bens, chamou-o e disse-lhe para apresentar seus livros e prestar contas de sua administração, pois estava despedido ou seja, não precisava mais de seus serviços de administração e poderia procurar outro emprego de sua própria vontade.
O administrador sabia que as acusações contra ele eram verdadeiras, que tinham abusado da confiança de seu Senhor, e que não poderia pedir misericórdia. Sabia que um sucessor tomaria seu lugar. O que o futuro reservava para aquele administrador? Tinha que depender de sua própria engenhosidade. Não era fisicamente capacitado para o trabalho braçal, e mendigar estava fora de questão. Ele arrazoava consigo mesmo, considerando possibilidades e alternativas. De repente exclamou: “Eu sei o que farei!” Controlaria os negócios de modo que os devedores de seu senhor ficassem lhe devendo obrigações, para que, depois de sua demissão, o recebessem em suas casas.
Chamou os devedores, um a um. Dois exemplo são dados. O primeiro veio e o administrador lhe perguntou quanto devia ao senhor. Ele respondeu: “cem cados de azeite”. O total do azeite devido viria de uma plantação com 10 árvores. O administrador disse ao devedor para apanhar a conta que registrava o valor devido e que o reduzisse à metade.
Ao devedor seguinte, fez a mesma pergunta: “Tu quanto deves?” E ele respondeu: “Cem coros de trigo”. O administrador disse-lhe para apanhar sua conta e reduzir o total em vinte medidas.Os dois exemplos, largas somas de dinheiro estavam envolvidas. Assim mesmo, com a permissão do administrador, que já tinha sido comunicado de sua demissão, os devedores mudaram os números das contas. Podemos presumir que outros devedores fizeram o mesmo.
Os devedores alteraram os totais porque sabiam que a taxa de juros para o azeite emprestado era de cem por cento e para o trigo emprestado vinte e cinco por cento. Satisfeitos mudaram o total para a soma que realmente, deviam ao Senhor. Não falsificaram os números, antes, de próprio punho, indicaram quanto tinham que pagar. Resumindo, porque os juros da usura tinham sido retirados, prevaleceu a honestidade.
Quando o administrador apresentou os livros a seu senhor, que a seguir tomou conhecimento das alterações, ele foi elogiado por ter agido com astúcia. O administrador, não o senhor, manteve a situação sob controle. Palavras de louvor foram proferidas porque administrador tinha assegurado para si mesmo a hospitalidade e generosidade dos devedores, tinha preparado o caminho para o seu sucessor.O Senhor elogiou o servo pela sua esperteza.

IV – Observando o ensino da parábola

a) Os cristão como mordomos do Senhor – (v.1) – A imagem de um mordomo que JESUS usará antes, era utilizada em referência à função dos apóstolos e de todos que são chamados para ministrar a outros.

ISTO REQUER:
 Dá alimentação – (Lc.12:42)
 Ser achado fiel – (1Co.4:1-2)
 Ter boa administração dos dons que Deus lhe concedeu – (1Pe.4:10)

b) Jesus não aprovou a fraude do mordomo, por isso que ele é considerado infiel –

(LC 16:2) - E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo.
(LC 16:3) - E o mordomo disse consigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a mordomia? Cavar, não posso; de mendigar, tenho vergonha.

A ATITUDES DO MORDOMO INFIEL

Elaborou o seguinte plano:
 “ser recebido na casa de seus devedores quando perdesse o cargo de mordomo na fazenda”- (v.4)
 Perdoou os juros dos devedores de seu Senhor que havia acrescido em 100% do primeiro e 20% do segundo.
 O administrador infiel pensou no futuro. Agiu enquanto estava na fazenda e de posse ainda da mordomia.

c) Jesus não elogiou a trapaça, mas sim a astúcia e a sua agilidade enquanto havia ainda tempo de agir. A motivação do mordomo foi ímpia, porque estava visando lucro para si mesmo perdendo a mordomia e retirando os juros. Jesus ensina com a parábola a ilustração que deve existir na vida de verdadeiros discípulos. O cristão deve investir nas pessoas para ser recebido e louvado pelo Senhor - (Mt.25:31-46)

V – APLICAÇÃO DO ESINO.

a) Devemos ser bons mordomos –
(Lc.12: 42) - Respondeu o Senhor: Qual é, pois, o [mordomo] fiel e prudente, que o Senhor porá sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração?

(1CO 9:16) - Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!
(1CO 9:17) - Se, pois, o faço de vontade própria, tenho recompensa; mas, se não é de vontade própria, estou apenas incumbido de uma [mordomia].
(1CO 9:18) - Logo, que prêmio tenho? Que, evangelizando, proponha de graça o evangelho de Cristo para não abusar do meu poder no evangelho.

b) Devemos primar pelo investimento espiritual que o Senhor colocou em cada um de nós. – (Lc.19:11-27)

c) O povo de Deus deve usar suas posses materiais para fazer um investimento espiritual, assim como o filho do mundo usa seu dinheiro para obter lucros materiais.

(MT 11:12) - E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele.

(HB 11:24) - Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó,
(HB 11:25) - Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado;
(HB 11:26) - Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.

d) Devemos se concentrar na nossa casa celestial e não terrestre – (Mt.6:19-20)

e) A honestidade compensa tanto na terra como nos tabernáculos eternos -

(LC 16:4) - Eu sei o que hei de fazer, para que, quando for desapossado da mordomia, me recebam em suas casas.

(LC 16:9) - E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.

(LC 19:16) - E veio o primeiro, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu dez minas.
(LC 19:17) - E ele lhe disse: Bem está, servo bom, porque no mínimo foste fiel, sobre dez cidades terás autoridade.
(LC 19:18) - E veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas.
(LC 19:19) - E a este disse também: Sê tu também sobre cinco cidades.
(LC 19:20) - E veio outro, dizendo: Senhor, aqui está a tua mina, que guardei num lenço;
(LC 19:21) - Porque tive medo de ti, que és homem rigoroso, que tomas o que não puseste, e segas o que não semeaste.
(LC 19:22) - Porém, ele lhe disse: Mau servo, pela tua boca te julgarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tomo o que não pus, e sego o que não semeei;
(LC 19:23) - Por que não puseste, pois, o meu dinheiro no banco, para que eu, vindo, o exigisse com os juros?
(LC 19:24) - E disse aos que estavam com ele: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas.

f) O descanso e a acomodação dos filhos da luz foram previstos por Jesus –

(LC 16:8) - E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz.
(LC 16:9) - E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.

g) Jesus disse que usaria o dinheiro da injustiça como teste para depois conferir o espiritual ?
(LC 16:11) - Pois, se nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras?
(LC 16:12) - E, se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso?

h) O dinheiro pode ser como um senhor e levar o crente a perder a mordomia das riquezas de Deus –
(Mt.6: 24)- Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às [riquezas].

(Mt.13: 22) - E o que foi semeado entre os espinhos, este é o que ouve a palavra; mas os cuidados deste mundo e a sedução das [riquezas] sufocam a palavra, e ela fica infrutífera.

(Mc.10: 23) - Então Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm [riquezas]!

TEMOS QUE DESCOBRIR AS RIQUEZAS DE NOSSA HERANÇA NO SENHOR
(Ef.1: 18 ) - sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as [riquezas] da glória da sua herança nos santos,

PAULO ANUNCIAVA AS RIQUEZAS DE CRISTO
(Ef.3: 8) - A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar aos gentios as [riquezas] inescrutáveis de Cristo,

A RIQUEZA DA GRAÇA DE CRISTO COMO SENDO O DESFRUTE DO CRISTÃO
(Ef. 3:16) - para que, segundo as [riquezas] da sua glória, vos conceda que sejais robustecidos com poder pelo seu Espírito no homem interior;

AS RIQUEZAS DE CRISTO COMO SUPRIMENTO
(Fp.4:19) - Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas [riquezas] na glória em Cristo Jesus.

(1Tm.6:17) - manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a sua esperança na incerteza das [riquezas], mas em Deus, que nos concede abundantemente todas as coisas para delas gozarmos;

i) O critério para ser recebido nos tabernáculos eternos será a fidelidade –

(LC 16:9) - E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos

(AP 2:10) - Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.


Pr. Romildo Gurgel

PARÁBOLA DAS OVELHAS E DOS BODES


Por
Romildo Gurgel

Leitura Bíblica: (Mt.25:31-46)

I - INTRODUÇÃO:
Estritamente falando, a passagem a respeito do juízo das nações é muito uma profecia . Apenas a parte que fala das ovelhas e dos cabritos pode ser considerada uma parábola.

II – PANO DE FUNDO HISTÓRICO

Jesus se refere a uma cena comum em seus dias. O pastor reúne ovelhas e cabritos em um rebanho. Em áreas onde a grama é escassa por causa da seca, os cabritos preferem comer as folhas os rebento mais do que pastar. Eles ficam no mesmo rebanho com as ovelhas, mas nem os cabritos nem as ovelhas se misturam. Ao entardecer , as ovelhas atendem ao chamado do pastor, mas os cabritos, muitas vezes, o ignoram. Quando cai noite, as ovelhas preferem ficar ao ar livre, ao contrário dos cabritos, que não suportam o frio e precisam se abrigar.
O pastor põe as ovelhas à direita e os cabritos à esquerda. As ovelhas valem mais que os cabritos, e sua lã branca não se confunde com a pele malhada dos cabritos.

III – QUE ENSINA O TEXTO

a) O bode sempre é associado com o mal. O Velho Testamento retrata o bode como o portador do pecado, que é enviado para o deserto .

(LV 16:20) - Havendo, pois, acabado de fazer expiação pelo santuário, e pela tenda da congregação, e pelo altar, então fará chegar o bode vivo.
(LV 16:21) - E Arão porá ambas as suas mãos sobre a cabeça do bode vivo, e sobre ele confessará todas as iniqüidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, e todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem designado para isso.
(LV 16:22) - Assim aquele bode levará sobre si todas as iniqüidades deles à terra solitária; e deixará o bode no deserto.

b) O lado direito sempre da uma conotação significando algo que é bom, porém o lado esquerdo pode se referir a algo sinistro, sombrio, mau e vil.

 O tema de separação e do juízo se desenvolve através de todo o Evangelho de Mateus.
Exemplos:

 O trigo é ajuntado no celeiro, mas a palha é queimada em fogo que não se extingue – (Mt.13:12)
 O joio é separado do trigo e atado em feixes para ser queimado, enquanto o trigo é recolhido no celeiro – (Mt.13:30)
 No final dos tempos, os anjos separarão os justos dos maus, e os ímpios serão lançados na fornalha acesa – (Mt.13:49-50)
 As cinco virgens néscias encontram a porta fechada e ouvem a voz do noivo dizer: “Não vos conheço”- (Mt.25:12)
 O servo negligente, que enterrou seu único talento, é lançado fora,na escuridão – (Mt.25:30)
 E agora nesta parábola da ovelha e dos cabritos, o princípio da separação e do julgamento é claramente aplicado como as outras demais.

c) Todas as nações do mundo são comparadas as ovelhas e cabritos que são separados pelo pastor no fim do dia.

d) Ao comando divino, os anjos reunirá os eleitos dos quatro ventos e os apresentarão diante o trono do juízo

(MT 13:41) - Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade.
(MT 13:42) - E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.

(MT 24:31) - E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.

(2TS 1:7) - E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder,
(2TS 1:8) - Como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo;

IV - ENTRE OS MUITOS JULGAMENTOS NA BÍBLIA, HÁ TRÊS QUE SÃO GERALMENTE CONFUNDIDOS UNS COM OS OUTROS E SÃO DISTINTOS:

a) O trono do julgamento de Cristo, que acontecerá quando o Senhor voltar nos ares. Esse julgamento está relacionado com a Igreja verdadeira. Somente os salvos estão presentes para a revisão e recompensa pelo serviço fiel prestado -
(RM 14:10) - Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo.

(2CO 5:10) - Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.

b) O julgamento das nações viventes (a parábola em estudo), que acontecerá quando Cristo retornar à terra e assumir o seu reino. Nessa sessão do tribunal todas as nações justas e injustas serão congregadas, quando serão anunciadas as recompensas e as rejeições.

c) O julgamento do Grande trono Branco que acontecerá no fim dos tempos, após o reino milenar de Cristo e a última rebelião de Satanás (Ap.20:11). Todas as almas perdidas serão convocadas a esse terrível julgamento, para ouvir a promulgação da sentença que lhes caberá.

Comentário:
Se participarmos do primeiro julgamento, não seremos julgados no segundo nem no terceiro. Se tivermos perdido o primeiro, deveremos comparecer ao segundo, se tivermos vivos quando Cristo voltar à terra; mas com toda certeza os que comparecerem ao terceiro ouvirão a sua condenação ser ratificada.

V - JESUS VIRÁ COMO JUÍZ, EM GLÓRIA COM OS SEUS ANJOS – (vs.31)

a) Juiz – Jesus será o juiz neste julgamento de âmbito internacional

 Ele estava assentado no trono de sua glória desde sua ascensão –

(HB 1:3) - O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;

 Ele estava no aguardo até que todos os seus inimigos fossem colocados com estrado de seus pés –
(Salmos Cap: 110)

(SL 110:1) - DISSE o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.
(SL 110:2) - O SENHOR enviará o cetro da tua fortaleza desde Sião, dizendo: Domina no meio dos teus inimigos.
(SL 110:3) - O teu povo será mui voluntário no dia do teu poder; nos ornamentos de santidade, desde a madre da alva, tu tens o orvalho da tua mocidade.
(SL 110:4) - Jurou o SENHOR, e não se arrependerá: tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque.
(SL 110:5) - O Senhor, à tua direita, ferirá os reis no dia da sua ira.
(SL 110:6) - Julgará entre os gentios; tudo encherá de corpos mortos; ferirá os cabeças de muitos países.
(SL 110:7) - Beberá do ribeiro no caminho, por isso exaltará a cabeça.

VI – O TEXTO USA TÍTULOS PARÁBÓLICOS QUE DESIGNAM A FUNÇÃO DE JESUS.

a) FILHO DO HOMEM – (vs.31 – “E quando o Filho do Homem vier em glória...”)
Aqui Ele Se assenta no trono de sua glória como Filho do homem

 Este título tem uma conotação RACIAL, pois ele representa muito bem a raça humana
(1CO 15:45) - Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.
(1CO 15:46) - Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual.
(1CO 15:47) - O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu.

 Ele esteve em pé diante de pilatos para ser julgado e condenado. Ele surge para emitir julgamento sobre todos os homens.

 Como Filho do Homem, toda a autoridade de Julgar lhe foi atribuída por seu Pai –
(JO 5:22) - E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo;
(JO 5:23) - Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.

(JO 5:27) - E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem.

 O Filho do Homem julgará as nações conforme as suas obras -
(MT 16:27) - Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras.

(Eu) tive fome, e não me deste de comer
(Eu) tive sede, e não me deste de beber
Sendo forasteiro, não me hospedastes;
Estando nu, não me vestiste;
Achando-me enfermo e preso, não foste ver-me - (vss.42 e 43)

b) PASTOR – (vs.32 – “...apartará uns dos outros COMO PASTOR aparta dos bodes as ovelhas.”)
Bode – O macho da cabra
Ovelha – Fêmea do carneiro. O cristão em relação ao seu pastor espiritual

 Aqui, a função é de um pastor como aparta as Ovelhas dos Bodes

 Enquanto esteve na terra, ele viu os homens como ovelhas sem pastor
(MT 9:36) - E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm PASTOR.

 O pastor tem os olhos em todo lugar contemplando maus e bons –
(PV 15:3) - Os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons.

 Ele não confundirá ao julgar as nações, porque ele vê o coração e não a aparência –
(1SM 16:7) - Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração.

c) REI – (vs. 34 – “Então dirá o Rei aos que estiverem a sua direita:...”)

 Aqui, este título é usado para aqueles que obedeceram a vontade de Deus e deixaram que Jesus reinassem sobre eles no período da grande tribulação.

 Os justos trataram Jesus como Senhor (vs. 37 –“Então os justos lhe responderão: SENHOR quando te vimos...”)

 Jesus é rei para aqueles que foram transportados do reino das trevas para o reino de sua Luz –
(CL 1:13) - O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor;

 Reinaremos com Cristo –

(1CO 6:2) - Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas?
(1CO 6:3) - Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?

(AP 1:6) - E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém.

VII - A COMITIVA DE JESUS NA SUA VINDA

a) OS ANJOS E OS SEUS SANTOS – (vs.31 – “... e todos os santos anjos com ele...”) –

 Todos os anjos irão servi-lo quando ele julgar as nações –
(HB 12:22) - Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos;
(HB 12:23) - À universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados;

(AP 19:11) - E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça.
(AP 19:12) - E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo.
(AP 19:13) - E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus.
(AP 19:14) - E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. (ESSES EXÉRCITOS SÃO OS ANJOS)
(AP 19:15) - E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso.
(AP 19:16) - E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.

(JD 1:14) - E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos;
(JD 1:15) - Para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele.

VIII - A SENARIO DO JULGAMENTO

a) O local é na terra, particularmente a região conhecida como Terra Santa –
(ZC 14:4) - E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul.
(ZC 14:5) - E fugireis pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azel; e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o SENHOR meu Deus, e todos os santos contigo.

b) Mas os que serão julgados são todos os povos de todas as nacionalidade –

(JL 3:1) - PORQUE, eis que naqueles dias, e naquele tempo, em que removerei o cativeiro de Judá e de Jerusalém,
(JL 3:2) - Congregarei todas as nações, e as farei descer ao vale de Jeosafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam entre as nações e repartiram a minha terra.

(JL 3:11) - Ajuntai-vos, e vinde, todos os gentios em redor, e congregai-vos. Ó SENHOR, faze descer ali os teus fortes;
(JL 3:12) - Suscitem-se os gentios, e subam ao vale de Jeosafá; pois ali me assentarei para julgar todos os gentios em redor.

 Parece que estas nações estarão ali reunidas com o propósito de sitiar Israel e subjugá-lo. Mas o Senhor intervirá isso com a sua vinda e ali mesmo ajuizará as nações pelos povos representados –
(ZC 14:1) - EIS que vem o dia do SENHOR, em que teus despojos se repartirão no meio de ti.
(ZC 14:2) - Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres forçadas; e metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será extirpado da cidade.
(ZC 14:3) - E o SENHOR sairá, e pelejará contra estas nações, como pelejou, sim, no dia da batalha.
(ZC 14:4) - E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul.
(ZC 14:5) - E fugireis pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azel; e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o SENHOR meu Deus, e todos os santos contigo.

(ZC 14:9) - E o SENHOR será rei sobre toda a terra; naquele dia um será o SENHOR, e um será o seu nome.

COMENTÁRIO:
Pode-se entender que o Rei convocará todas as nações para que se reúnam, possivelmente fazendo esta convocação através de seus representantes, a fim de eliminar as fronteiras existentes. A ONU (organização das Nações Unidas) com sede em Nova Yorque será o veículo para reunir todos os representantes de quase todas as nações do mundo onde tratam ali os assuntos de nível nacional e internacional. Portanto, parece que o julgamento das nações viventes será como se fossem colocadas à parte e julgadas nas pessoas de seus governantes e representantes. (Comentário de Herbert Lockyer pg.284 do livro Todas as parábolas da Bíblia, Editora Vida)

c) As nações dessa época não serão tão populosas como os dias de hoje –

 Os profetas referem-se às desolações e às mortes mundiais –
(SL 46:6) - Os gentios se embraveceram; os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e a terra se derreteu.
(SL 46:7) - O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. (Selá.)
(SL 46:8) - Vinde, contemplai as obras do SENHOR; que desolações tem feito na terra!
(SL 46:9) - Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo.
(SL 46:10) - Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra.

 João mostra como a vasta população mundial será reduzida a um número mínimo, em conseqüência das intervenções divinas –
(AP 6:8) - E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra.

(AP 8:9) - E morreu a terça parte das criaturas que tinham vida no mar; e perdeu-se a terça parte das naus.

(AP 8:11) - E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas.

(AP 9:15) - E foram soltos os quatro anjos, que estavam preparados para a hora, e dia, e mês, e ano, a fim de matarem a terça parte dos homens.

(AP 9:18) - Por estes três foi morta a terça parte dos homens, isto é pelo fogo, pela fumaça, e pelo enxofre, que saíam das suas bocas.


 De Israel restará nada menos de que um pequeno remanescente -
(IS 1:9) - Se o SENHOR dos Exércitos não nos tivesse deixado algum remanescente, já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra.

(ZC 13:8) - E acontecerá em toda a terra, diz o SENHOR, que as duas partes dela serão extirpadas, e expirarão; mas a terceira parte restará nela.
(ZC 13:9) - E farei passar esta terceira parte pelo fogo, e a purificarei, como se purifica a prata, e a provarei, como se prova o ouro. Ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: É meu povo; e ela dirá: O SENHOR é o meu Deus.

d) Qual será o critério do julgamento das nações –

 Campbel Morgan, teceu o seguinte comentário:
Acredita ele que a pergunta feita a Pilatos deve ser feita, de um ponto de vista nacional: “Que farei então com Jesus ? Essa deve ser a pergunta as nações: O que estão fazendo com Jesus ? O que estão fazendo com a sua mensagem ? O que estão fazendo com os seus mensageiros ? O que estão fazendo com todas as forças morais que ele liberou, e devem operar através de seu povo, nessa dispensação ? Será com esse critério que o seu julgamento será emitido.

 Tudo quanto deixaram de fazer aos irmão de Jesus, deixaram de fazer a Jesus
(Eu) tive fome, e não me deste de comer
(Eu) tive sede, e não me deste de beber
Sendo forasteiro, não me hospedastes;
Estando nu, não me vestiste;
Achando-me enfermo e preso, não foste ver-me - (vss.42 e 43)

(MT 25:40) - E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

 Por se recusarem a socorrer os seguidores de Cristo, os ímpios da tribulação se colocam fora da esfera das bênçãos de Deus. Recusaram a ver a Cristo quando os seus seguidores chegaram até eles. Fecharam seus olhos e endureceram seus corações, quando os seguidores de Jesus estavam precisando de ajuda para suas necessidades básicas. –
(MT 25:45) - Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.

 A compreensão da palavra pequenino irmão do (vs.40 e 45) –

IRMÃO É UM DISCIPULO UM SEGUIDOR DE JESUS
(MT 25:40) - E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

(MT 12:46) - E, falando ele ainda à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe.
(MT 12:47) - E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te.
(MT 12:48) - Ele, porém, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?
(MT 12:49) - E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos;
(MT 12:50) - Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe.

(MT 23:8) - Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos.

 Os Irmãos do rei, também estão presentes no julgamento. Quem são eles ?
(MT 19:28) - E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel.

 A parábola encerra-se descrevendo o futuro depois dessa grande divisão entre ovelhas e bodes
(MT 25:46) - E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.

Pr.Romildo Gurgel

PARÁBOLA DA FIGUEIRA ESTERIL



Por Romildo Gurgel


1 – LEITURA BÍBLICA: (Lc.13:1-9)

2 – INTRODUÇÃO:
Esta parábola não deve ser entendida ou confundida com o milagre parabólico da figueira que Jesus amaldiçoou (Mt.21:18-22; Mc.11:12-26). O único vinculo que há entre as duas é o fato de que não havia figos em ambas as árvores. Sabemos que Jesus constantemente usava a figueira como ilustração (Mt.24:32-33; Mc.13:28-29; Lc.21:29-30).

3 – O MOTIVO DA PARÁBOLA
A parábola surgiu depois que alguns analisavam o que Jesus acabara de dizer em (Lc.11:59). Eles estavam a comentar com Jesus sobre a matança dos galileus que foram mortos por Pilatos. Parece que alguns homens da Galiléia tinham subido para Jerusalém para adorar, e foram mortos pelo governador enquanto estavam no ato de oferecer sacrifício e o sangue deles se misturou ao do sacrifício (vs.1). O motivo da matança não se sabe ao certo, mas pressupõe-se que estes estavam revoltosos e se rebelaram contra a opressão romana. Os seus ouvintes pensavam que esta matança foi um juízo de Deus contra os pecadores galileus que tinham mais pecados que aqueles que ficaram vivos. A resposta de Jesus foi taxativa, “pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas ? Não eram, eu vo-lo afirmo: se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis”.(Lc.13:2-3)
A parábola ressalta tanto a necessidade do arrependimento quanto a longanimidade de Deus quanto a castigar. O texto enfatiza a importância do arrependimento, e esta ilumina o fato de que a oportunidade não dura para sempre.

4 - PANO DE FUNDO HISTÓRICO

O proprietário da vinha é este certo homem a que Jesus aludiu. Este homem tinha uma figueira em sua vinha, coisa muito comum em Israel. Depois de ter sido plantada, ele teve que esperar três anos até que a árvore começasse a produzir. Por causa da sua localização, deduzimos que a árvore tinha sido muito bem cuidada. Ela ocupava uma certa área do terreno que podia ter sido usado para as videiras. Cada ano a árvore permanecia estéril significava prejuízo para o lavrador. Ela absorvia umidade e nutrientes que serviam para as videiras. A figueira era como uma dívida que aumentava à medida em que se passavam os anos. Outra árvore ou videira poderia ser plantada ali e, dentro de alguns anos, produzirem frutos. Há um tempo limite para a paciência do fruticultor. Então basta !
O proprietário deu instruções ao homem que cuidava da vinha para que cortasse a figueira. Mas ele pediu ao dono que tivesse ainda um pouco mais de paciência. Queria dar mais um ano à árvore, durante o qual cavaria o solo ao seu redor e a adubaria. “Se vier a dar fruto, bem está, se não, mandarás cortá-la”.

5 – A EXPLICAÇÃO DA PARÁBOLA

a) A figueira tinha um papel importante na vida de um israelita, representava prosperidade e abastança –

ERA MUITO COMUM PARA CADA ISRAELITA TER PELO MENOS UMA EM SUA CASA
(1RS 4:25) - E Judá e Israel habitavam seguros, cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, desde Dã até Berseba, todos os dias de Salomão.

(MQ 4:4) - Mas assentar-se-á cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a boca do SENHOR dos Exércitos o disse.

b) O contrário também era verdadeiro. Quando Deus se desagradava de seu povo por causa de sua infidelidade, tornava isso conhecido, referindo-se à falta de fruto na videira e na figueira – Os textos abaixo elucida essa verdade.

(JR 8:13) - Certamente os apanharei, diz o SENHOR; já não há uvas na vide, nem figos na figueira, e até a folha caiu; e o que lhes dei passará deles.

(OS 9:10) - Achei a Israel como uvas no deserto, vi a vossos pais como a fruta temporã da figueira no seu princípio; mas eles foram para Baal-Peor, e se consagraram a essa vergonha, e se tornaram abomináveis como aquilo que amaram.

(HC 3:17) - Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;

c) A nação de Israel não correspondeu ao privilégio e o que é pretendido pelo dono da figueira, foi pretendido pelo dono da vinha. Veja contraste dos textos abaixo -

(LC 13:7) - E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho. Corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente?

(Isaías Cap: 5)
(IS 5:1) - AGORA cantarei ao meu amado o cântico do meu querido a respeito da sua vinha. O meu amado tem uma vinha num outeiro fértil.
(IS 5:2) - E cercou-a, e limpando-a das pedras, plantou-a de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre, e também construiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, porém deu uvas bravas.
(IS 5:3) - Agora, pois, ó moradores de Jerusalém, e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha.
(IS 5:4) - Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? Por que, esperando eu que desse uvas boas, veio a dar uvas bravas?
(IS 5:5) - Agora, pois, vos farei saber o que eu hei de fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derrubarei a sua parede, para que seja pisada;
(IS 5:6) - E a tornarei em deserto; não será podada nem cavada; porém crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela.
(IS 5:7) - Porque a vinha do SENHOR dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das suas delícias; e esperou que exercesse juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor.


d) Os desastres não provam uma culpa ou um estado de maior pecaminosidade das vítimas –
JESUS NA PORÁBOLA DIZ:
(LC 13:4) - E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém?
(LC 13:5) - Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.

JOÃO BATISTA (O QUE PREPAROU O CAMINHO DO SENHOR)
(MT 3:2) - E dizendo: ARREPENDEI-VOS, porque é chegado o reino dos céus.

(MT 3:8) - Produzi, pois, frutos dignos de ARREPENDIMENTO;


JESUS
(MT 4:17) - Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: ARREPENDEI-VOS, porque é chegado o reino dos céus.

(MT 9:13) - Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao ARREPENDIMENTO.

(MC 2:17) - E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao ARREPENDIMENTO.

O APÓSTOLO PEDRO
(AT 2:38) - E disse-lhes Pedro: ARREPENDEI-VOS, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;

(AT 3:19) - ARREPENDEI-VOS, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do SENHOR,

e) A parábola ensina que o homem que não se arrepende perecerá no juízo de Deus – “...se, porém não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis”.(vs.3b)

“...se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis”. (vs.5b

 Após a morte, segue-se o juízo –
(HB 9:27) - E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,

 Os que sem motivo se encolerizar contra o seu irmão será réu no juízo -
(MT 5:22) - Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de JUÍZO; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.

 Da medida com que medirdes sereis medido no juízo -
(MT 7:2) - Porque com o JUÍZO com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.

 Os que não se arrependerem de seus pecados por uma palavra evangelística, serão rigorosamente ajuizados -
(MT 10:12) - E, quando entrardes nalguma casa, saudai-a;
(MT 10:13) - E, se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz.
(MT 10:14) - E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.
(MT 10:15) - Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para o país de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.

f) A parábola ensina que o proprietário da vinha (certo homem) tinha um projeto na sua plantação –
 Ter lucro garantido em tempo determinado
 Fazer com que todas as plantações produzissem seus frutos. Para isso, ele supervisionava a terra, adubava as arvores, etc.

 Assim como Israel tem uma conotação de ligação com uma videira ou uma figueira, Deus esta ligado em Jesus bem como Jesus esta ligada com a sua Igreja. - (vd. Jo.15:1-6: Sl. 1) – Deus é o agricultor e Jesus a videira.

 Paulo diz que era cooperador com Deus. fazia um trabalho de agricultor e os homens que recebia o tratamento do agricultor, eram conotados como lavoura –

Lavoura – (dic. Aur.) - 1. Preparação do terreno para a sementeira ou plantação;

(1CO 3:9) - Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois LAVOURA de Deus e edifício de Deus.

g) A parábola ensina que há um tempo designado por Deus para que o homem se arrependa e produza frutos – Havia um objetivo que dominava o homem que plantou a figueira na vinha, que era o de colher o fruto no seu devido tempo

 Por três anos seguidos o agricultor procurava os frutos ansiosamente – (vs.7)
 Se estivermos ligados com o Senhor, produziremos frutos –
(JO 15:4) - Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.
(JO 15:5) - Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
(JO 15:6) - Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.

(SL 1:3) - Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.

 Há tempo de plantar e tempo de colher –
(EC 3:2) - Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de PLANTAR, e tempo de arrancar o que se plantou;

 A um tempo designado para tudo, até para ser um mestre na palavra de Deus –
(HB 5:12) - Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento.

h) A parábola ensina também que o proprietário mandou o viticultor cortar a figueira que não produzia frutos – “...pode cortá-la; poque está ela ainda ocupando inutilmente a terra ?”. (vs.7b)

UMA PESSOA QUE CHEGA A FALECER, É VISTA NAS ESCRITURAS COM UM CORTE
(Jó:27:8) – “Porque qual será a esperança do ímpio, quando lhe for cortada a vida, quando Deus lhe arrancar a alma ?

(MT 3:10) - E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.

(MT 18:8) - Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno.

(RM 11:22) - Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado.

(1CO 11:30) - Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem.

I) A parábola ensina que o viticultor que cuidava da lavoura pediu ao agricultor que não cortasse – “...Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la. (vs.8-9)

 A arvore estéril é uma advertência para um crente infrutífero –

(MT 3:8) - Produzi, pois, FRUTOS dignos de arrependimento;

(MT 7:16) - Por seus FRUTOS os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?

(JO 15:8) - Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos.

(JO 15:16) - Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.

(GL 5:22) - Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.

J) O apóstolo Paulo nos ensina que um é o que planta, outro o que rega, mas Deus é o que dá o crescimento. Tudo isso está dentro de um tempo designado. Vale salientar que Deus é soberano sobre todas as coisas e muito rico em misericórdia, atribuindo sempre novas chances para que os homens arrependam-se de seus pecados e produzam frutos para a sua glória.

(1CO 3:6) - Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.
(1CO 3:7) - Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.
(1CO 3:8) - Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho.
(1CO 3:9) - Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

GÊNESE DA IGREJA DE CRISTO


Pr.Romildo Gurgel

1 – IGREJA NOME E SIGNIFICADO
A palavra Igreja é proveniente do grego, ecclesia, significando os chamados para fora. Ecclesia trata-se de uma reunião ou assembléia de um grupo de pessoas em um determinado local com uma determinada finalidade. Como por exemplo em Atos 7:38 observa-se a congregação dos Israelitas com Moisés no deserto (Nm.14:3-4). Já em Atos 19:32, 40, ecclesia fala de uma assembléia, ajuntamento de pessoas contra o apóstolo Paulo em Éfeso. Das 115 ocorrências da palavra ecclesia no Novo Testamento, 111 referencia-se a igreja cristã. No entanto, só existem dois versículos apenas que citam o nome ecclesia nos evangelhos (cf. Mateus 16:18 e 18:17). Para Jesus, ecclesia é a comunidade de pessoas (discípulos) que possuem a revelação de que Jesus Cristo é o filho de Deus que se fez carne, e que esta revelação, fará com que as portas do inferno (qualquer idéia ou conceito fora da revelação da pessoalidade de Jesus Cristo) não prevaleça contra a Igreja ecclesia comunidade de discípulos. Então, qualquer conceito fora da verdade da revelação da ecclesia, é de fora. Ecclesia é o chamado para fora dos conceitos e definições dos de fora que não possuem a revelação acerca de Jesus no ajuntamento. Quando saímos para fora entramos para a revelação, a verdadeira ecclesia é chamada para fora e a entrada para dentro da verdade (revelação). A ecclesia se concretiza na encarnação do Verbo e na fé dos homens, que assumem os limites da comunidade dos que acreditam, no tempo, no espaço geográfico e na cultura. A Igreja ecclesia também é dom, porque ela parte de Deus e se inicia a partir de Deus, porque não é carne e sangue que trás a revelação, mas Deus. A Igreja não é só dom, mas também é aceitação humilde do homem desta revelação (este é o nosso arbítrio, nossa parte). A verdade deve ser considerada, pensada e assumida interiormente no coração. A fé é o ato que o homem se abre para Deus e acolhe a revelação, e os dois termos revelação e fé, juntos é igual à SALVAÇÃO. A fé é o homem assumindo a realidade constituidora da Igreja. Para uma pessoa salva, o inferno não prevalece.
O apóstolo Paulo emprega a mesma expressão Igreja de diversas formas:
a) No nível familiar como a igreja que se reúne nos lares – (Rm.16:3-5; Cl.4:15; Filemom 1:2; ICo.16:19).
b) No nível da cidade, a igreja que esta em Corinto, a igreja de Esmirna e Filadelfia – (1Co.1:7; 2Co.1:1; Apc.2:8; e 3:7).
c) No nível de uma província, como a igreja que esta na Galácia, em Macedônia, na Ásia – (1Co.14:34; 2Co.8:1; 1Co.16:19).
d) No nível de igrejas distribuídas em várias regiões do império – (Rm.16:23; 16:16; Cl.1:24). O significado mais profundo e menos admirado é a igreja universal, o corpo de Cristo. Nesta definição a igreja é o organismo espiritual composto de todos os regenerados através da fé em Cristo. Cristo é a cabeça da Igreja e a igreja é o seu corpo (Ef.1:22,23; 4:15-16).

Concluindo, a igreja, que é o corpo de Cristo, a comunidade da revelação, se realiza se manifesta concretamente de múltiplas formas, onde seus fiéis se reúnem para expressar sua fé, celebrar a presença do Espírito e comungar com os irmãos. A comunidade receptora da revelação do caminho, enveredou-se nela, e no caminho, ainda estão a caminho de forma imperfeita, porém santa e salva, sujeita a encurvamentos por seus pecados até que o seu Senhor venha buscá-la.

2 – COMUNIDADE DA FÉ E CULTURA

Conforme exposto acima, compreendemos que Deus deu a revelação, o homem reagiu a esta revelação (fé) e se reuniu criando assim uma cultura.
¹(Souza p.56), define cultura como sendo um complexo diverso e ao mesmo tempo unitário que inclui todo comportamento, capacidades e hábitos adquiridos por indivíduos que tomam parte de uma sociedade formalmente definida. Considera ainda que a realidade da fé de uma comunidade não pode ser confessada fora de uma mediação cultural, porém ao exteriorizar-se a comunidade corre o risco de demonstrar uma fé empobrecida, porque ela mescla-se com o indivíduo e o resultado é o aparecimento dos dois (testemunho). Para se enxergar claramente, é preciso conhecer os dois, tanto a revelação como o portador dela (discernimento).
Comenta ainda (Souza p.57) que no livro de Gênesis Deus incentiva o homem a produzir cultura na forma de permitir que ele institua atos, nomear nomes, exercer tarefas, classificar e dividir o tempo, inventar modos de exercer domínio sobre os outros seres. Dessa forma, uma cultura ou um comportamento instituído como: Santa ceia, batismo, ritos, liturgias, testemunho da fé, circuncisão, etc., podem ser inspirados por Deus, porém o modo e os meios de realização serão sempre uma decisão humana culturalmente influenciada.
A revelação bíblica como um bem a ser comunicado, acondiciona um mandato cultural sob diversos sentidos:
a) Não existe revelação sem mediação cultural – A medida que a revelação deixa de ser sentimento e torna-se linguagem simbólica, ela só assumirá identidade no mundo humano senão por meio dos recursos disponíveis no universo cultural na felicidade de ser compreendida, percebida para poder ser sentida. A crença só será veiculada por intermédio da cultura, intercâmbio dos fluxos. O Verbo, que era Deus, para revelar-se aos homens fez-se carne e manifestou-se culturalmente, trazendo o conhecimento da glória de Deus.
b) O testemunho cristão é comunicação - Não haverá contato com o mundo sem um sistema simbólico inteligível que permita a circulação da informação. Ela tem que assumir uma língua, um gesto, ela assume a ética e a moral.
c) A instituição da igreja socialmente organizada, por mais simples que seja, é inquestionavelmente um processo de aculturação - A Igreja ao instalar-se entre as cidades e nações não faz missão sem interagir com os padrões culturais de suas comunidades, ela ao mesmo tempo assimila, nega, transforma e assume tais padrões. A presença da Igreja no contexto cultural só acontece em processos de adaptação da revelação ao mundo da cultura.

3 – FÉ E INSTITUCIONALIZAÇÃO

Em Jesus temos a definição de fé como o exercício das possibilidades ilimitadas. Já no livro de hebreus define como sendo o firme fundamento das coisas que se esperam e a certeza de fatos que se não vêem. Instituir significa congelar comportamentos e disciplinar as ações dos indivíduos. Se entendermos que a fé é ilimitada, então ela não é objeto de institucionalização. A fé não expressa a institucionalização, mas a instituição dita as práticas e as ações coletivas, que nem sempre são coerentes com a fé, ou seja, a institucionalização não esta na ordem da fé. Na instituição as pessoas não precisam necessariamente de uma revelação para criar uma igreja. Igreja socialmente organizada, no contexto de uma cultura religiosa, não tem como garantir a canonicidade da revelação sem impor ao fato revelado uma perda de qualidade (Souza, p.60)¹. Concluindo, seja qual for a representação cultural da igreja de Jesus Cristo aqui, ela subtrai enormes quantidade de bens da natureza da revelação de Deus.

4 – IGREJA, ESTRUTURA, MODELOS E APARÊNCIA

Não são poucos os pastores e estudiosos da Bíblia Sagrada que suspeitam que o modelo da igreja local dentro do senso comum existentes atualmente, não combinam com o que a igreja (eclésia) deve ser e fazer. Suspeitam que os costumes, estruturas e formas de igreja local às vezes tem sido uma barreira que vai de contra aos propósitos originais da sua gênese.
(Horrell, p.9), em um de seus textos intitulado “A essência da igreja”, comentou que um grupo de pastores chegou à conclusão que a igreja gira em torno de quatro conceitos centrais: O templo, o sábado cristão (que no nosso caso é o domingo), o culto e o clero.
a) Igreja como templo – É ter terreno, ter prédio, estar sediado no que chamamos casa de Deus, o templo. O que fazemos para Deus se faz lá.
b) Ser igreja é guardar o domingo, o dia em que se centraliza nosso culto e serviço ao Senhor. Quando se faz algo fora desse dia, parece até que se esta dando um brinde a Deus.
c) Ser igreja é ter culto, considerado como reunião principal dos crentes e também apresentar como palco Deus para o incrédulo. A idéia é que no culto é que encontramos Deus.
d) Ser igreja é ter clero, quem nos leva a Deus e traz Deus a nós. O pastor é o homem de Deus, profeta, intercessor pelo povo.
Sem esses quatro fundamentos não há igreja. Na realidade somos mais veterotestamentarios do que neotestamentários em nosso pensamento sobre a igreja. È de se admitir não tenha dúvida que certos elementos da igreja local são absolutamente prescritos no Novo testamento: no mínimo, deve existir uma liderança qualificada, o batismo e a ceia do Senhor. Esses são inegociáveis. Importante também salientar dentro de uma perspectiva prática que a forma da igreja local é necessária para que se concretizem os propósitos de Deus na vida de seus membros (grifo meu). Sendo assim ressalto que a igreja deva através de seus ministérios facilitar o aperfeiçoamento de cada membro para eles andarem como Cristo andou nesse mundo.
O propósito, o modelo e a aparência da igreja refletem, para o mundo, o tipo de Deus que adoramos. Deus é um ditador espiritual sobre suas ovelhas? È sorridente, buscando continuamente ser aceito pelo povo? Ele é austero, sempre negativo? Ele é animador de festas, com gritos, danças, sapateados e gritos de aleluias? Ele é desorganizado? È superorganizado? Só gosta do antigo? Só gosta do novo? È intolerante? Deus só quer nosso dinheiro? Ama só quem tem terno, gravata ou usa roupas da moda? Ama o favelado e o pobre? Por meios das formas e do funcionamento da igreja, a nossa aparência leva infinidades de informações sobre a natureza de Deus que a comunidade desfruta e diz servir. Infelizmente são justamente essas coisas que ofuscam as Boas Novas de Jesus Cristo no que tange ser a igreja de Jesus. As pessoas não conseguem enxergar a igreja criada por Jesus, ela foi substituída por outra, ao invés da revelação de Cristo, da verdadeira espiritualidade, do fruto amor, caráter, da ética, da moral, a ênfase dos propósitos da igreja voltam-se mais para a sua forma, seu dogma, sua tradição, sua aparência estética e seu modelo institucional. Relativizaram o absoluto e absolutizaram aquilo que é relativo.
Todos concordam que há certas distinções entre a maneira de que Deus operava através de Israel e através da igreja depois do pentecostes.
Adoração centralizadora - Com o estabelecimento da monarquia de Israel, a adoração e o serviço a Deus ficaram orientados em torno de Jerusalém. As nações foram convidadas a reconhecer Israel como o mediador de Deus na terra. Para cultuar o verdadeiro Deus, os gentios deveriam chegar a Israel, e não apenas a Israel, mas a Jerusalém. A partir disso, o culto foi orientado à cidade de Sião, ao templo e ao Santo dos Santos. Havia uma hierarquia de levitas, sacerdotes e sumo-sacerdotes que se tornaram os mediadores entre Deus e o homem. Eles eram os especialistas e profissionais tanto dos sacrifícios, cerimônias como também da lei mosaica. Havia dias especiais, festas religiosas e o sábado, que marcavam, diante dos povos, a aliança entre Isael e Deus. Para o israelita, pelo menos em princípio, o exterior era a concretização do interior. As realidades físicas era os meios de expressar vividamente sua fé e adoração ao Senhor Deus. Tudo isso, essa forma de adoração foi detalhadamente prescrita pelo próprio Deus na Lei, era o que Deus exigia. Portanto, essa era a maneira de cultuar e servir a Deus de uma forma centralizadora, ela centralizava-se racionalmente nos judeus, na geografia, na cidade de Jerusalém, no templo, no sábado e em certas festas religiosas, nas hierarquias religiosas mediadoras, pois sem sacerdotes era ilícito oferecer sacrifícios.
Adoração descentralizadora – Quando comparamos a Igreja do Novo Testamento, observa-se claramente a inversão desta forma antiga do reino de Deus.
a) Igreja povo de Deus – Ao invés de centralizar-se nos judeus, a Igreja se tornou aberta para todos os povos. De Judeus e gentios, Deus fez um povo só, não existe mais parede de separação, agora existe uma nova raça eleita, uma nova nação santa, uma comunidade espiritual (1Pe. 2:9). Temos filiação direta com Deus.
b) Igreja lugar - Ao invés de centralizar-se geograficamente em Israel, Jerusalém e templo, os cristãos foram mandados de Jerusalém para Judá e Samaria, até os confins da terra. Com isso, aprendemos que os cultos de hoje não devem unicamente se restringir ao prédio da igreja. Esquecemos que, na igreja primitiva as reuniões eram nas casas residenciais e quando acontecia no templo ou sinagoga, havia conflitos de interpretação e confusão. A geografia não é tão importante, pois onde há um cristão, ou dois ou três, o templo de Deus está ali (1Pe.2:5).
c) Dia – Ao invés de centralizar-se temporariamente no sábado e nas festas judaicas, a fé cristã se tornou algo a ser praticado no dia-a-dia, liberando o cristão para escolher quando adorar (Rm.14:5-6)
d) O clero – Ao invés de centralizar-se numa hierarquia sacerdotal, cada cristão é declarado sacerdote, com acesso direto ao Deus Pai através de Jesus Cristo (1Pe.2:5). O novo testamento destaca a necessidade de uma liderança através de bispos, presbíteros, pastores e anciãos (todos esses termos são sinônimos, confira (At.20:17,28; 1Pe.5:1-4), e também de diáconos (1Tm.3:8-11). Portanto o lider neotestamentário não afunila todos os esforços e recursos do rebanho para a igreja local (ou para os planos dele), no entanto é o que mais se vê por aí. O líder não assume uma posição de rei ou sacerdote, nem executivo ou chefão, ao contrário, a liderança foi concedida ao Corpo de Cristo para aperfeiçoar cada membro da igreja como sacerdote neste mundo (cf.Ef.4:11-16). Ela equipa e liberta os membros para servirem o Senhor nas diversas atividades da vida. Finalmente, ao contrário do Antigo testamento, a Igreja cristã é um organismo centralizado somente em Jesus Cristo e caracterizado cada vez mais no Novo Testamento. Então, o povo, o templo, o dia e de uma certa forma o clero são periféricos aos propósitos centrais da igreja.
Diante desta exposição, fica o desafio: Será que é assim que funciona a igreja evangélica de hoje? As suas formas estão equipando os santos para viverem Cristo no mundo? Será que estão sendo verdadeiros irmãos e irmãs espirituais de outros irmãos? Será que como pastores estamos mais preocupados em construir e aumentar nossos templos? Será que canalizar a energia dos membros para os cultos e programas da igreja local aos domingos é o ministério principal da igreja? Será que estamos crescendo pelo fato de assegurar a fidelidade dos membro na denominação? Isso deve ser respondido com embasamento bíblico, coragem e oração.

BIBLIOGRAFIA

¹ - HORRELL, J.Scott. Ultrapassando Barreiras: Novas opções para a Igreja Brasileira na virada do século XXI. 1ª Ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 1994.

BOOF, Leonardo. Eclesiogênese: A reivenção da Igreja. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.

Missão integral, Segundo Congresso Brasileiro de Evangelização, Editora Ultimato, Edição 2004.

domingo, 30 de janeiro de 2011

OLHOS, A CANDEIA DO CORPO



Certa vez, uma senhora ao perceber que as esposas dos pastores de uma igreja estavam todas juntas, comentou: “olha só que coisa, pensam que são melhores que as outras pessoas, não se misturam”. Outra senhora vendo a mesma cena comentou: “olha só que lindo! Todas as esposas sentadas juntas, isso que chamo de união”.
Em outra ocasião, a esposa do pastor estava bem arrumadinha e uma senhora comentou com a que estava a seu lado: “olha só, sempre arrumadinha, quer aparecer”. Uma jovem olhou para a mesma mulher e comentou: “quero ser como ela! Mulher de Deus, linda por dentro e por fora”.
Um dia, mudaram os pastores daquela igreja e a esposa de um deles chegou para a reunião, mas ela não havia tido tempo de ir em casa se arrumar. A mesma senhora olha para a “nova” esposa e comenta com a amiga: “olha só que coisa mais feia, que falta de consideração, nem se arrumou para vir à igreja. Envergonhando a Deus e ao marido dela!”. Uma jovem a olha e pensa: “ela parece cansada, que Deus lhe dê forças”.
Sabe qual a moral da história?
Se seus olhos forem bons, todo seu corpo será luminoso. – (Mt.6:22)
Os lábios falam do que está cheio o coração. – (Lc.6:45)
Diga-me com quem tu andas que direi quem és.
Olhos podres, lábios podres. Olhos bons, lábios doces.

Autor anônimo