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quinta-feira, 19 de julho de 2012

A VISÃO É TURVA



Sonho com uma igreja onde o discipulado não seja visto essencialmente como um método de fazer crescer numericamente. Onde não sejam estabelecidas metas e cronogramas de crescimento e multiplicação, como fazem os gerentes de marketing das grandes corporações comerciais.

No Evangelho de Mateus, capítulo 10, quando Jesus enviou seus discípulos pelas cidades para pregar, ele não disse nada sobre quantidade ou taxa de sucesso. Não estabeleceu nenhuma estratégia de abordagem, a não ser a de quando entrassem em alguma casa, declarar: "paz sobre esta casa!", e se houvesse algum filho da Paz ali, ela repousaria sobre a pessoa. Jesus não fez grandes campanhas publicitárias, não disse nada para agradar as pessoas simplesmente com a intenção de atraí-las. Embora Jesus curasse muita gente e expulsasse demônios, não fazia propaganda disso. Ele apenas disse que era para anunciar a chegada do Reino de Deus e que haveria lugares que receberiam a Palavra e outros não. Simples assim.

O discipulado aprendido com Jesus e os apóstolos por todo o Novo Testamento não tem seu foco ou ênfase na multiplicação do número de pessoas alcançadas, mas no ensino da Palavra. As "células", ou reuniões nas casas, aconteciam na igreja primitiva com a finalidade de promover profunda comunhão e aprendizado prático entre a irmandade. Sim, eram uma grande família. Estavam mais para grupos de convivência do que simples reuniões de estudo superficial do texto bíblico e chá com biscoito. Tudo lhes era comum, inclusive as necessidades que alguns passavam. As ofertas eram recolhidas não para comprar terrenos, construir templos ou bancar a vida luxuosa dos líderes, mas para suprir as carências que os irmãos mais pobres tinham.

Muitos sinais e prodígios eram feitos pelos apóstolos, mas nem os milagres físicos eram tão prodigiosos quanto o amor vivido e proclamado naqueles dias pelos discípulos de Jesus, de forma contínua e verdadeira. Havia profundo temor no coração de todos, era um só o sentimento de comunhão e o Senhor acrescentava, todos os dias, os que iam sendo salvos.

Não tenho nada contra o crescimento numérico. É claro que eu quero que o Evangelho alcance muitas pessoas; se possível, todos os que estão a minha volta. Mas nem sempre os números frios sintetizam realidades espirituais muito para além das estatísticas. O problema é quando se faz do crescimento um deus e aí passa a valer qualquer estratégia, qualquer método e desculpa para atrair as pessoas. O foco passa de pregar o que É certo para pregar o que DÁ certo.

Vejo muitas igrejas cheias, lotadas de gente vazia, escravizadas por seus próprios interesses e desejos mesquinhos. Crentes não em Deus, mas no milagre prometido que às vezes demora para chegar, nas correntes infinitas de orações e sacrifícios pessoais.

São lugares onde as reuniões de oração agora são chamadas de campanha e têm, em alguns casos, sete dias ou sete semanas para fazer acontecer o milagre. Quem decreta o milagre não é Deus, mas o "homem de Deus", emocionado e eufórico. E "Deus" fica como que "obrigado" a realizar o que pedem através do ato profético e do sacrifício deixado no altar.

Nesses lugares, quem chega, e vai sendo chamado de discípulo, vai aprendendo a arte do proselitismo religioso/denominacional. São transformados em corretores da fé na plaquinha da igreja, o que é muito diferente da consciência de um só corpo e um só batismo pregado pelo apóstolo Paulo. Este modelo de igreja exige muito entretenimento, muita mudança exterior e asséptica, muito falso moralismo, mas que pouco tem a ver com as mudanças mais profundas  até alcançar a mente de Cristo.

Será este o fim? Infelizmente, para este modelo de "igreja mercado", não vejo um futuro diferente. Queria estar errado, mas este modelo vai crescer muito ainda e se alastrar porque há uma demanda e um propósito para isso. A intenção é transmitir uma falsa sensação de conversão, sem compromisso real com a Palavra. As pessoas são carentes deste misticismo, e quando ele é feito em nome de "Jesus", parece que ganha validade. Suas mentes estão cauterizadas. São cegos guiando cegos. Pensam estar agindo em nome de Deus, mas o que é adorado nestes lugares é o poder dos seus próprios líderes.

Entretanto, a verdadeira igreja é de Deus. É invisível. Não tem fronteiras. As portas do inferno não prevalecem contra ela. Os discípulos de Jesus são identificados não pelo nome no letreiro de suas comunidades, mas pelo amor vivido e praticado visceralmente. O Evangelho não fica só no discurso, mas é ensinado e pregado com a própria vida, mesmo que seja preciso perdê-la.

A santidade ensinada não é externa, mas faz sentido e morada na vida, na caminhada dia após dia, mudando o caráter verdadeiramente. O compromisso com o outro não é o tapinha nas costas de quem diz: "estamos juntos", mas não se envolve até as últimas consequências. Este discipulado não acontece somente entre os que estão debaixo de uma "cobertura espiritual", não acontece somente na "célula", entre um grupo restrito ou em uma hora delimitada. O encontro com Deus não está marcado para um lugar isolado do mundo exterior. O Peniel de verdade é o Evangelho praticado na rua, no trabalho, na família e também fora da igreja.

O verdadeiro discipulado se aprende espiritualmente e não emotivamente. O fruto deste ensino até pode vir de forma numérica também, mas vem essencialmente na mudança provocada na vida dos discípulos.


O Deus que disse: "vá e faça discípulos de todas as nações" te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

Extraído do blog:
www.ovelhamagra.blogspot.com

terça-feira, 3 de julho de 2012

MARCAS DA INSTITUCIONALIZAÇÃO




A igreja tem duas dimensões: organismo e organização, corpo místico de Cristo e instituição religiosa, que convivem e se misturam enquanto fenômeno histórico e social. O grande desafio é fazer a dimensão institucional diminuir para deixar o organismo espiritual crescer. O que se observa hoje, entretanto, é um movimento contrário, no qual muitas comunidades cristãs caminham a passos largos para a institucionalização, sem falar naquelas que estão com os dois pés fincados no terreno da religiosidade formal. Senão, observe o que eu chamo de marcas da institucionalização da igreja.


1. Liderança personalista. Quando a comunidade acredita que algumas pessoas são mais especiais do que outras, abre brecha para que alguém ocupe o lugar de Jesus Cristo e se torne alvo de devoção. Ocorre então uma idolatria sutil e, aos poucos, um ser humano vai ganhando ares de divindade. Líderes que confundem a fidelidade a Deus com a fidelidade a si mesmos se colocam em igualdade com Deus e, em pouco tempo, pelo menos na cabeça dos seus seguidores, passam a ocupar o lugar de Deus. Eis a síndrome de Lúcifer.


2. Ênfase na particularidade do ministério. Uma vez que o projeto institucional se torna preponderante, a ênfase não pode recair nos conteúdos comuns a todas as comunidades cristãs. A necessidade de se estabelecer como referência no mercado religioso conduz necessariamente à comunicação centrada nas razões pelas quais “você deve ser da minha igreja e não de qualquer outra”. Torna-se comum o orgulho disfarçado dos líderes que estimulam testemunhos do tipo “antes e depois de minha chegada nesta igreja”.


3. Ministração quase exclusiva à massa sem rosto. Ministérios institucionalizados estão voltados para o crescimento númerico e valorizam a ministração de massa, que se ocupa em levar uma mensagem abstrata a pessoas que, caso particularizadas e identificadas, trariam muito trabalho aos bastidores pastorais. Parece que os líderes se satisfazem em saber que “gente do Brasil inteiro nos escreve” e “pessoas do mundo todo nos assistem e nos ouvem”, como se transmitir conceitos fosse a única e mais elevada forma de dimensão da ministração espiritual. Na verdade, a proclamação verbal do evangelho é a mais superficial ministração, e deve ser acompanhada de, ou resultar em, relacionamentos concretos na comunhão do corpo de Cristo.


4. Busca de presença na mídia. Mostrar a “cara diferente”, principalmente com um discurso do tipo “nós não somos iguais os outros, venha para a nossa igreja”, é quase imperativo aos ministérios institucionalizados. A justificativa de que “todos precisam conhecer o verdadeiro evangelho”, com o tempo acaba se transformando em necessidade de encontrar uma vitrine onde a instituição se mostre como produto.


5. Projetos ministeriais impessoais. Ministérios institucionalizados medem seu êxito pela conquista de coisas que o dinheiro pode comprar. Pelo menos no discurso, seus desafios de fé não passam pelos frutos intangíveis nas vidas transformadas, mas em realizações e empreendimentos que demonstram o poder das coisas grandes. Os maiores frutos da missão da Igreja são a transformação das pessoas segundo a imagem de Jesus Cristo e da sociedade conforme os padrões do reino de Deus, e não a compra de uma rede de televisão ou a construção de uma catedral.

6. Exagerados apelos financeiros. Consequência de toda a estrutura necessária para sua viabilização, os ministérios institucionalizados precisam de dinheiro, muito dinheiro. As pessoas, aos poucos, deixam de ser rebanho e passam a ser mala-direta, mantenedores, parceiros de empreendimentos, associados.


7. Rede de relacionamentos funcionais. A mentalidade “massa sem rosto” somada ao apelo “mantenedores-parceiros de empreendimentos” faz com que as relações deixem de ser afetivas e se tornem burocráticas e estratégicas. As pessoas valorizadas são aquelas que podem de alguma forma contribuir para a expansão da instituição. Já não existe mais o José, apenas o tesoureiro; não mais o João, apenas o coordenador dos projetos Gideão, Neemias, Josué, ou qualquer outro nome que represente conquista, expansão e realizações.


8. Rotatividade de líderes. Não se admira que muitos líderes ao longo do tempo se sintam usados, explorados, mal amados, desconsiderados e negligenciados como pessoas. O desgaste de uns é logo mascarado pelo entusiasmo dos que chegam, atraídos pela aparência do sucesso e êxito ministerial. Assim a instituição se torna uma máquina de moer corações dedicados e esvaziar bolsos de gente apaixonada pelo reino de Deus. O movimento migratório dos líderes de uma igreja para outra é feito por caminhões de mudança carregados de mágoas, ressentimentos, decepções e culpas.


9. Uso e abuso de conteúdos simbólicos. A institucionalização é adensada pelos seus mitos (nosso líder recebeu essa visão diretamente de Jesus), ritos (nossos obreiros vão ungir as portas da sua empresa) e artefatos (coloque o copo de água sobre o aparelho de televisão), enfim, componentes de amarração psíquica e uniformidade da mentalidade, onde o grupo se sobrepõe ao indivíduo e a instituição esmaga identidades particulares. Os símbolos concretos (objetos, cerimônias repetitivas, palavras de ordem) afastam as pessoas do mundo das ideias. Quanto mais concretos os símbolos, mais amarrado e dependente o fiel.


10. Falta de liberdade às expressões individuais. Ministérios institucionalizados, personalistas, dependentes de fiéis para sua manutenção financeira e psicologicamente amarrados pelos conjuntos simbólicos não são ambientes para a criatividade e a diversidade. Todos brincam de “tudo quanto seu mestre mandar, faremos todos” e, inconscientemente, acabam se vestindo da mesma maneira, usando o mesmo vocabulário, gestos e linguagens não verbais. Seus rebanhos são compostos não apenas por “massa sem rosto” e “mantenedores-parceiros de empreendimentos”, mas também por “soldadinhos uniformizados”, o que aliás, é a mesma coisa.

Extraido do blog:
www.juninhoacura.blogspot.com.br

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

As cem (sem?) razões de meu desencanto

Por Ricardo Gondim
Não perdi o juízo. Minha espiritualidade não foi a pique. Minhas muitas tarefas não me esgotaram. Entendo que meu texto, “Já sei por onde não ir”, causou espécie . Para alguns pareceu vago, para outros, inconsistente. Várias pessoas me avisaram que intercediam diante de Deus pedindo que Ele me acudisse nesse momento delicado de minha vida. Calma! Não há motivos para espantos!
Minha peregrinação cristã está, há muito, marcada por rompimentos. O primeiro, deu-se com a igreja católica, onde nasci, fui batizado e fiz a primeira comunhão. Em minhas premonitórias inquietações com os dogmas religiosos, pedi explicações a um padre sobre algumas práticas que não faziam muito sentido para mim: a veneração dos santos, as rezas diante de imagens de escultura e, principalmente, a transubstanciação da eucaristia, na missa. O sacerdote deu-me as costas, mas advertiu: “Meu filho, afaste-se dos protestantes, eles são um problema!”.
Lendo a Bíblia, decidi sair do catolicismo; um escândalo para uma família que tinha padres e freiras na árvore genealogia e nenhum “crente”. Acabei participando da Igreja Presbiteriana Central de Fortaleza porque meus únicos amigos crentes eram de lá. Enfronhei-me totalmente como membro atuante: freqüentei sua escola dominical, trabalhei com outros jovens na impressão dos boletins, organizei retiros e acampamentos, tentei cantar no coral, liderei a União de Mocidade; enfim, fiz tudo o que podia dentro daquela estrutura. Fui calvinista e acreditei, por muito tempo, que Deus, ao criar todas as coisas, ordenou que o universo inteiro se movesse de acordo com sua presciência e soberania, inclusive as pessoas que vão para o céu e para o inferno. Essa doutrina fazia muito sentido para mim, até porque acreditava ser um dos eleitos. Numa situação bem confortável, podia descansar: minha salvação estava segura. Mesmo que caísse na gandaia, no último dia, de um jeito ou de outro, a graça me resgataria. O propósito de Deus para minha vida nunca seria frustrado, me garantiam.
Mas, numa determinada noite, o Espírito Santo visitou-me com sua ternura. Senti-me imerso no amor de Deus e causei escândalo em nossa comunidade reverente e bem comportada. Sob o impacto daquele batismo, fui intimado a comparecer a uma versão moderna da Inquisição. Numa minúscula sala, pastores e presbíteros exigiram que eu negasse minha experiência, sob pena de ser estigmatizado como pentecostal e sofrer o primeiro processo de expulsão da igreja desde seu estabelecimento, no século XIX. Ainda adolescente e debaixo daquele escrutínio opressivo, ouvi um xeque mate pouco misericordioso: “Peça para sair, evite o trauma de um julgamento sumário. Poupe-nos de nos transformarmos em algozes”. Às duas da madrugada, capitulei e pedi minha saída. A partir daquele momento, não seria mais presbiteriano.
De novo, encontrava-me no exílio. Meu melhor amigo, presidente da Aliança Bíblica Universitária, pertencia a Assembléia de Deus e desembarquei lá. Em meu êxodo, procurava abrigo, sequioso por uma comunidade onde desenvolvesse minha fé. Cedo, vi que a Assembléia de Deus estava engessada. Sobravam legalismo, politicagem interna e ânsia de poder temporal. Não custou reparar que a instituição se achava acorrentada por uma tradição farisaica e, pior, iludia-se com sua grandeza numérica. Já pastor da Betesda, atentei que eu me tornava um estorvo para os processos que mantinham um espírito de boiada. Eu denunciava a gerontocracia assembleiana que amordaçava os crentes e inibia o senso crítico, produzindo uma geração de pastores parecidos com vaquinhas de presépio: sempre a balançar a cabeça em aprovação aos desmandos dos que se encastelavam no poder. Mais uma vez, encontrava-me numa sinuca e precisei romper com a maior denominação pentecostal do Brasil. Dessa vez, caminhei na companhia de minha querida Betesda.
Agora, que sinto necessidade de me distanciar do movimento evangélico, já não tenho tanto medo. Minhas rupturas anteriores não foram suficientes para azedar minha alma e nem tão fortes que me roubassem a fé – “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso”.
Quem me conhece, principalmente os membros da Betesda, minha comunidade de fé, não precisa temer. Estou cada dia mais empolgado com as verdades bíblicas que revelam o Jesus de Nazaré; aumenta minha vontade de caminhar ao lado de gente humana que ama o próximo; sinto-me estranhamente atraído à beleza da vida. Procuro mentores, busco mais amigos que me inspirem a alma.
Então, por que uma ruptura radical se não quero nutrir a intolerância e evito tornar-me um casmurro rabugento? Não desejo ser um crítico que não cabe em lugar nenhum. Não me considero dono da verdade, nem palmatória do mundo. Pelo contrário,cresce minha consciência de como sou imperfeito. Luto para não deixar que minha covardia me afaste de confrontar meus próprios paradoxos. Não nego que sou incapaz de viver tudo o que prego - reconheço que a mensagem que anuncio é muito mais excelente do que minha vida. Sei que o modelo de igreja que pastoreio ainda tem grandes dificuldades. Contudo, insisto com a necessidade de rescindir, pelas seguintes razões:
1. Vejo-me incapaz de tolerar que o Evangelho se transforme em negócio e o nome de Deus vire uma marca que vende bem. Não posso aceitar passivamente que tentem converter os cristãos em consumidores e a igreja, num balcão de serviços religiosos. Entendo que o movimento evangélico nacional se apequenou e não consegue vencer a tentação de lucrar como empresa. Não vou continuar esmurrando pontas de facas.
2. Não consigo mais admirar a enorme maioria dos formadores de opinião dentro do movimento evangélico (principalmente os que usam da mídia). Conheço muitos deles fora dos palcos e dos púlpitos. Sei de histórias horrorosas, presenciei fatos inenarráveis e testemunhei decisões execráveis. Sei que muitas eleições nas altas cupulas denominacionais aconteceram com casuísmos eleitoreiros imorais. Estive em uma eleição para presidente de uma enorme denominação e vi quando dois zeladores do centro de convenção foram aliciados por dinheiro, receberam crachás, e votaram como pastores. Já ajudei em “cruzadas” evangelísticas cujo objetivo não passava de filmar a multidão para mostrar nos Estados Unidos, levantar dinheiro, e manter os evangelistas em luxos nababescos. Sou testemunha ocular de pastores que, depois de orarem por gente sofrida e miserável, debocharam, às gargalhadas, das mesmas pessoas. Horrorizei-me com o programa da CNN em que algumas das maiores lideranças do mundo evangélico americano apoiaram a guerra do Iraque. Naquela noite revirei na cama sem dormir. Parecia impossível acreditar que homens de Deus colocariam a mão no fogo por uma política beligerante e mentirosa de bombardear um país, principalmente porque ela vinha, satanicamente, apoiada pela indústria do petróleo.
3. Concordo que no momento em que o sal perde seu sabor, para nada presta senão para ser jogado fora e pisado pelos homens. Não desejo me sentir parte de uma igreja que perdeu sua credibilidade por centralizar sua mensagem na promessa irresponsável de prosperidade; que busca se especializar na mecânica de fazer preces poderosas; de ensinar a virtude como mero degrau para o sucesso. Não suporto conviver em ambientes onde se geram culpa e paranóia como pretexto de ajudar as pessoas a reconhecerem sua necessidade de Deus.
4. Não consigo identificar-me com o determinismo teológico que impera na maioria das igrejas evangélicas e que enxerga tudo como parte da providência. Há algum tempo, repenso algumas categorias teológicas que me serviram de óculos para a leitura da Bíblia e entendo que esse meu exercício se tornou ameaçador para muitos. Portanto, preciso de lateralidade para contemplar as contribuições das ciências e de outros ângulos para ler as Escrituras. Não agüento cabrestos, patrulhamentos e cenhos franzidos. Desejo a companhia amiga de qualquer pessoa que molde sua vida, consciente ou inconsciente, pelos valores do Reino de Deus e não tenha medo de pensar, sonhar, sentir, rir e chorar. Desejo muito construir minha espiritualidade sem a canga pesada do legalismo, sem o hermetismo fundamentalista dos dogmáticos e sem a estreiteza ideológica de quem gosta de rótulos.
Não, não vou deixar de ser pastor, não abandonarei minha comunidade e nem desistirei de minha vocação missionária. Posso não saber ainda para onde vou, mas estou cada dia mais certo dos caminhos por onde não devo ir.
Soli Deo Gloria.
Fonte: www.vidaacademica.net

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

JESUS NÃO DEIXOU UMA IGREJA INSTITUCIONALIZADA, MAS ENSINOU QUE SEUS DISCÍPULOS DEVERIAM ASSUMIR E SE ORGANIZAR EM COMUNIDADES

1 - O PERCURSO DA IGREJA DE JESUS NA HISTÓRIA
A igreja cristã em todas as épocas, quer na passada, presente ou futura, é formada por todos aqueles que crêem em Jesus de Nazaré, como Filho de Deus e salvador. No ato de crer está implícita a humildade de segui-lo como salvador, obedecê-lo como o príncipe do reino de Deus sobre toda a terra. A Igreja teve seu início na historia como um movimento de caráter mundial, no dia de Pentecostes, no fim da primavera do ano 30, cinqüenta dias após a ressurreição do Senhor Jesus, e dez dias depois de sua ascensão ao céu. Durante o tempo em que Jesus exerceu seu ministério, os discípulos criam que Jesus era o almejado Messias de Israel, o Cristo. Messias é palavra hebraica e Cristo é palavra grega. Mas ambas significam “O Ungido”. Apesar de Jesus haver aceito esse título de seus seguidores mais chegados, contudo proibiu de proclamarem essa verdade entre o povo antes que ele ressuscitasse de entre os mortos. Antes, eles deveriam esperar o batismo do Espírito Santo, para então serem testemunhas em todo o mundo. Percebe-se que o efeito do dia de pentecostes nos que estavam reunidos foi tríplice: a) Iluminou a mente dos discípulos dando-lhes um novo conceito do reino de Deus. b) Compreenderam que este reino não era um império político, mas um reino espiritual, na pessoa de Jesus ressuscitado, que governava de forma invisível a todos aqueles que nasciam para Deus (novo nascimento). c) Aquela manifestação revigorou a todos, repartindo com eles o fervor do Espírito, e o poder de expressão que fazia de cada testemunho um motivo de convicção naqueles que os ouviam. Depois destes fatos acontecerem, o Espírito Santo, desde então ficou morando permanentemente na vida dos cristãos, e não em sua organização e mecanismos, mas como possessão individual e pessoal do verdadeiro cristão.
A igreja teve seu início na cidade de Jerusalém e suas atividades nos primeiros anos limitavam-se àquela cidade e aos arredores dela. Não se tem registro na história que indique as reuniões das primeiras comunidades como organização, nem o reconhecimento de tais grupos como instituição. As sedes gerais da igreja (como comunidade) eram o Cenáculo, Monte de Sião, e o Pórtico de Salomão, no Templo.
A leitura dos primeiros seis capítulos do livro dos Atos dos Apóstolos dá a entender que durante esse período o apóstolo Simão Pedro era o dirigente daquela comunidade em Jerusalém. Em todas as ocasiões era Pedro quem tomava a iniciativa de pregar, de operar milagres e de defender a igreja que então nascia. Sob a direção de Pedro, Paulo e seus sucessores imediatos, a igreja (como comunidade) foi estabelecida no espaço de tempo de duas gerações, em quase rodos os países, desde o Eufrates até ao Tigre, desde o Mar Negro até o Nilo.
Durante o período que se seguiu à Era Apostólica, e que durou duzentos anos, a igreja (como comunidade) esteve sob a espada da perseguição. Portanto, durante o segundo, terceiro e parte do quarto século, o império Romano exerceu todo o seu poder e influência para destruir aquilo que chamava de a “superstição cristã”. Durante sete gerações, um enorme exército de mártires conquistou suas coroas sob as espadas de seus inimigos, das feras nas arenas e nas ardentes fogueiras e crucificações. Contudo, em meio a tantas mortes e perseguições, os seguidores de Cristo aumentavam em número, até alcançar metade do Império Romano. Finalmente, o imperador Constantino subiu ao trono e por meio de um decreto conteve a onda de mortes. A igreja perseguida passou a ser a igreja imperial. A Cruz tomou o lugar da Águia como símbolo da bandeira da nação e o Cristianismo converteu-se em religião do Império Romano. O imperador cristão exercia autoridade suprema, cercado de uma corte formada de cristãos professos. Dessa forma passaram os cristãos, de um momento para outro, do anfiteatro romano onde tinham de enfrentar os leões, ocupar lugares de honra junto ao trono que governava o mundo. Com tal fato, o cristianismo foi beneficiado e muito com a atitude do governo do império:
a) Cessaram todas as perseguições.
b) Alguns templos nos períodos das perseguições foram recuperados e novamente abertos em toda parte.
c) Todos os templos que ainda existiam quando Constantino subiu ao poder, foram restaurados e aqueles que tinham sido destruídos, foram pagos pelas cidades em que estavam.
d) Em todo o império os templos dos deuses do paganismo eram mantidos pelo tesouro público, mas com a mudança que se operaram, esses donativos passaram a ser concedidos às igrejas e ao clero cristão. Em pequena escala a principio, mas logo depois de maneira generalizada e de forma liberal, os dinheiros públicos foram enriquecendo as igrejas, e os bispos, os ministros, todos os funcionários do culto cristão eram pagos pelo Estado. Era uma dádiva bem recebida pelo igreja, porém, de benefício duvidoso.
e) Muitos privilégios foram concedidos ao clero, onde pouco depois se transformou em lei esses benefícios.
f) O primeiro dia da semana (domingo) foi proclamado como dia de descanso e adoração, que em pouco tempo se generalizou por todo o império.
g) A crucificação foi abolida.
h) As lutas dos gladiadores foram abolidas.
Apesar dos triunfos do Cristianismo haver proporcionado boas coisas ao povo, contudo a sua aliança com o Estado, inevitavelmente devia trazer, como de fato trouxe, maus resultados para a igreja. Se o término da perseguição foi uma bênção, a oficialização do Cristianismo como religião do Estado foi, não há dúvida, maldição.
Todos queriam ser membros da igreja e quase todos eram aceitos. Tanto bons como os maus, os que buscavam a Deus e os hipócritas buscando vantagens, todos se apressavam em ingressar na comunhão. Homens mundanos, ambiciosos e sem escrúpulos, todos desejavam postos na igreja, para, assim, obterem influência social e política. O nível moral do Cristianismo no poder era muito mais baixo do que aquele que distinguia os cristãos nos tempos de perseguição. Os cultos de adoração aumentaram em esplendor, porém eram menos espirituais e menos sinceros do que no passado.
Hoje, a Igreja de Jesus Cristo esta sendo questionada e discutida praticamente em todas as denominações e até mesmo os que estão fora dela. O surgimento de milhares de denominações evangélicas, o poderio apostólico de igrejas neo-pentecostais, a institucionalização, a secularização das denominações no geral, a profissionalização do ministério pastoral, a busca de diplomas teológicos reconhecidos pelo estado, a variedade infindável de métodos de crescimento das igrejas tradicionais, o fracasso das igrejas emergentes – tudo isso tem levado muitos a se desencantarem com a igreja institucional e organizada. É verdade que Jesus Cristo não deixou uma igreja institucionalizada neste mundo. Todavia ele disse algumas coisas a seus discípulos a se organizarem em comunidades ainda mesmo no período apostólico e muito antes de Constantino.
(Lopes, Augusto Nicodemus, em seu artigo Os Desigrejados, Teceu alguns comentários bíblicos, que são suficientes para se constatar que a Igreja que Jesus Cristo fundou foi realmente organizada pela sua comunidade de discípulos, muito antes que a igreja fosse institucionalizada por Constantino.
FORMA PROPOSTA POR JESUS E OBEDECIDA PELOS SEUS DISCIPULOS QUANTO A ORGANIZAÇÃO DE SUAS COMUNIDADES.
1 – Jesus disse aos seus discípulos que sua igreja seria edificada sobre a declaração de Pedro, que ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16:15-19). A Igreja foi fundada sobre esta pedra que é a verdade sobre a pessoa de Jesus (!Pe.2:4-8) . Os que não aceitam esta verdade, não é igreja cristã. Os apóstolos estavam prontos para defender a comunidade de pensamentos gnósticos e judaizantes e libertinos desobedientes, como o seguidores de Balão e os nicolaítas (cf.2Jo10; Rm 16.17; !Co.5.11; 2Ts 3.6; 3.14; Tt 3:10; Ap 2.14; 2.6,15). Fica praticamente impossível nos mantermos sobre a rocha, Cristo, e sobre a tradição dos apóstolos registrada nas escrituras, sem sermos igreja, onde somos ensinados, corrigidos, admoestados, advertidos, confirmados, e onde os que se desviam da verdade apostólica são rejeitadas.
2 - A declaração de Jesus acima, que a sua igreja se ergue sobre a confissão acerca de sua Pessoa, nos mostra a ligação estreita, orgânica e indissolúvel entre ele e sua igreja. Em outro lugar, ele ilustrou esta relação com a figura da videira e seus galhos (João 15). Esta união foi muito bem compreendida pelos seus discípulos, que a compararam à relação entre a cabeça e o corpo (Ef. 1.22-23), a relação marido e mulher (Ef. 5.22-33) e entre o edifício e a pedra sobre o qual ele se assenta (1Pe. 2.4-8). Os que estão sem igreja(comunidade), querem Cristo, mas não querem sua comunidade (igreja). Querem o noivo, mas rejeitam sua noiva. Mas, aquilo que Deus ajuntou, não o separe o homem. Não podemos ter um sem o outro.
3 - Jesus instituiu também o que chamamos de processo disciplinar, quando ensinou aos seus discípulos de que maneira deveriam proceder no caso de um irmão que caiu em pecado (Mt.18.15-20). Após repetidas advertências em particular, o irmão faltoso, porém endurecido, deveria ser excluído da “igreja” – pois é, Jesus usou o termo – e não deveria mais ser tratado como parte dela (Mt.18.17). Os apóstolos entenderam isto muito bem, pois encontramos em suas cartas dezenas de advertências às igrejas que eles organizaram para que se afastassem e excluíssem os que não quisessem se arrepender dos seus pecados e que não andassem de acordo com a verdade apostólica. Um bom exemplo disto é a exclusão do “irmão” imoral da igreja de Corinto (1Co. 5). Como pode um cristão ter o cuidado de ser punido para a recuperação estando fora de uma comunidade?
4 - Jesus determinou que seus seguidores fizessem discípulos em todo o mundo, e que os batizassem e ensinassem a eles tudo o que ele havia mandado (Mt.28.19-20). Os discípulos entenderam isto muito bem. Eles organizaram os convertidos em igrejas, os quais eram batizados e instruídos no ensino apostólico. Eles estabeleceram líderes espirituais sobre estas igrejas, que eram responsáveis por instruir os convertidos, advertir os faltosos e cuidar dos necessitados (At.6.1-6; At.14.23). Definiram claramente o perfil destes líderes e suas funções, que iam desde o governo espiritual das comunidades até a oração pelos enfermos (1Tm. 31-13; Tt. 1.5-9; Tg. 5.14).
5 - Não demorou também para que os cristãos apostólicos elaborassem as primeiras declarações ou confissões de fé que encontramos (cf. Rm. 10.9; 1Jo 4.15; At. 8.36-37; Fp 2.5-11; etc.), que serviam de base para a catequese e instrução dos novos convertidos, e para examinarem e rejeitarem os falsos mestres. Veja, por exemplo, João usando uma destas declarações para repelir livres-pensadores gnósticos das igrejas da Ásia (2Jo 7-10; 1Jo 4.1-3). Ainda no período apostólico já encontramos sinais de que as igrejas haviam se organizado e estruturado, tendo presbíteros, diáconos, mestres e guias, uma ordem de viúvas e ainda presbitérios (1Tm.3.1; 5.17,19; Tt.1.5; Fp.1.1; 1Tm.3.8,12; 1Tm.5.9; 1Tm.4.14). O exemplo mais antigo que temos desta organização é a reunião dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém para tratar de um caso de doutrina – a inclusão dos gentios na igreja e as condições para que houvesse comunhão com os judeus convertidos (At.15.1-6). A decisão deste que ficou conhecido como o “concílio de Jerusalém” foi levada para ser obedecida nas demais igrejas (At.16.4), mostrando que havia desde cedo uma rede hierárquica entre as igrejas apostólicas, poucos anos depois de Pentecostes e muitos anos antes de Constantino.
6 - Jesus também mandou que seus discípulos se reunissem regularmente para comer o pão e beber o vinho em memória dele (Lc. 22.14-20). Os apóstolos seguiram a ordem, e reuniam-se regularmente para celebrar a Ceia (At.2.42; 20.7; 1Co.10.16). Todavia, dada à natureza da Ceia, cedo introduziram normas para a participação nela, como fica evidente no caso da igreja de Corinto (1Co.11.23-34). Não sei direito como os desigrejados celebram a Ceia, mas deve ser difícil fazer isto sem que estejamos na companhia de irmãos que partilham da mesma fé e que crêem a mesma coisa sobre o Senhor.
7 - É curioso que a passagem predileta dos desigrejados – “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt.18.20) – foi proferida por Jesus no contexto da igreja organizada. Estes dois ou três que ele menciona são os dois ou três que vão tentar ganhar o irmão faltoso e reconduzi-lo à comunhão da igreja (Mt.18.16). Ou seja, são os dois ou três que estão agindo para preservar a pureza da igreja como corpo, e não dois ou três que se separam dos demais e resolvem fazer sua própria igrejinha informal ou seguir carreira solo como cristãos.
8 O meu ponto é este: que muito antes do período pós-apostólico, da intrusão da filosofia grega na teologia da Igreja e do decreto de Constantino – os três marcos que segundo os desigrejados são responsáveis pela corrupção da igreja institucional – a igreja de Cristo já estava organizada, com seus ofícios, hierarquia, sistema disciplinar, funcionamento regular, credos e confissões. A ponto de Paulo se referir a ela como “coluna e baluarte da verdade” (1Tm.3.15) e o autor de Hebreus repreender os que deixavam de se congregar com os demais cristãos (Hb.10.25). O livro de Atos faz diversas menções das “igrejas”, referindo-se a elas como corpos definidos e organizados nas cidades (cf. At.15.41; 16.5; veja também Rm.16.4,16; 1Co. 7.17; 11.16; 14.33; 16.1; etc. – a relação é muito grande).
9 No final, fico com a impressão que os desigrejados, na verdade, não são contra a igreja organizada meramente porque desejam uma forma mais pura de Cristianismo, mais próxima da forma original – pois esta forma original já nasceu organizada e estruturada, nos Evangelhos e no restante do Novo Testamento. Acho que eles querem mesmo é liberdade para serem cristãos do jeito deles, acreditar no que quiserem e viver do jeito que acham correto, sem ter que prestar contas a ninguém. Pertencer a uma igreja organizada, especialmente àquelas que historicamente são confessionais e que têm autoridades constituídas, conselhos e concílios, significa submeter nossas idéias e nossa maneira de viver ao crivo do Evangelho, conforme entendido pelo Cristianismo histórico. Para muitos, isto é pedir demais.
Conclusão.
A Igreja como corpo de Cristo, esta espalhada nos quatro cantos da terra, porém quanto a sua forma de aparecer, traz no seu testemunho os seus traços culturais incorporadas conjuntamente com as verdades da palavra de Deus, que foram recebidas pela comunidade. Não existe comunidade perfeita, estamos no caminho e a caminho da perfeição, no entanto, estamos ainda trafegando através de uma comunidade fraterna onde despejamos os nossos dons e funções em prol do corpo de Cristo (sua Igreja). Todo cristão que se diz ser cristão, deve se reunir com outros que tenha a mesma regra de fé e confissão. Todos nós como discípulos de Jesus precisamos que outros irmãos lavem também os nossos pés. Estou vendo que a toalha e a bacia do Senhor Jesus esta sendo desprezada atualmente por muitos cristão que não se reúnem mais, mas o que autentica a nossa união com Cristo é a comunhão com o seu corpo seja qual for a forma que a comunidade esteja organizada. Todos nós que estamos na esperança da segunda vinda de Jesus, aguardamos em humildade o seu retorno como discípulos obedientes as suas instruções. Precisamos enquanto estamos a caminho e no caminho, ser corrigidos, instruídos, moldados, conduzidos, exortados, edificados, consolados, desvendados por muitos outros que estão lado a lado com a mesma carreira que nos foi proposta. Que Deus nos ajude a entender onde estamos ao cumprir os propósitos de Deus como sua Igreja.
No amor de Cristo,
Romildo Gurgel
Bibliografia:
1 - Hurlbut, Jesse Lu[yman - História da Igreja Cristã. Editora Vida, 13ª edição, 2001. 2 - Augusto Nicodemus Lopes – artigo Os Desigrejados

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

AS INTERFACES DA IGREJA COMO DENOMINAÇÃO E A IGREJA DE JESUS CRISTO


Por Romildo Gurgel

O rosto das denominações aparecem através dos seus costumes, crenças, doutrinas, tradições que foram escritas, estudadas, debatidas e aprovadas por intermédio de reuniões a luz da interpretação que seus líderes tiraram da Bíblia sagrada. Todo material juntado nestas reuniões se transforma em estatuto (instrumento normativo que dita a regra do seu funcionamento e o porque da sua existência). Os estatutos na sua grande maioria difere uma das outras, porque nelas estão explicitadas as normas de convivência e de interagir com os seus membros. Geralmente as denominações possuem sede própria ou não. Os segmento denominacionais, cresceram de tal forma que se tornaram quase impossível de se enumerar a enorme quantidade que existem ao redor do mundo inteiro. Elas vão desde as mais antigas, tradicionais, como a Igreja católica, protestante (dissidente da católica), evangélicas (diversas e na sua grande maioria dissidente uma das outras evangélicas, até as mais modernas. È impossível citá-las pois são muitas espalhadas por todos os lugares. Cultuar a Deus nelas, apesar de ser bom, se nota uma verdadeira concorrência, elas pregam a Cristo, mas se defendem uma das outras. Umas são extremamente fechadas, guardadora das suas tradições, outras são dogmáticas, rígidas quanto a sua doutrina e forma de se fazer culto, já outras são abertas, outras são mais liberais, outras são modernas, outras pós-moderna, algumas a ênfase esta no louvor, outras na pregação expositiva, outras no estudo da palavra, outras em ação social, outras no evangelismo, outras na captação de recursos, outras funcionam como máquina de comercialização da fé, outras vendem os seus produtos. Sendo que várias outras são verdadeiros impérios, não precisa nem citar o nome delas, outras são tão pobres, que olham para as mais forte copiando seus modelos de sucesso, se não optarem em criar outra denominação. Diante de tantas faces denominacionais, doutrinas, concorrências, divisões, surge a grande indagação: Onde esta a Igreja que Jesus Cristo fundou? Porque Existe tantas doutrinas acerca da verdade em Jesus Cristo? O que os homens convertidos estão fazendo com a verdade? Para se ter estas respostas, é preciso sair da zona de conforto teológico denominacional interpretativa e olhar para a Bíblia sem a roupagem hermenêutica denominacional e extrair exclusivamente das escrituras essas respostas e comparar para saber se o que estão confessando e pregando, é o evangelho de Jesus Cristo! Não pretendo nesta pequena reflexão, criticar as denominações em si, mas fazer uma amostragem sobre as faces das igrejas, principalmente as históricas, e conviver entre elas com amor, diálogo e abertura mantendo assim a comunhão entre o povo de Deus que transita por elas.
O evangelho de Jesus é o d’Ele, as denominações perdem muito da verdade quando ela prega ela mesma e diz que a solução é entrar para ela. Não tem nada demais se filiar a uma denominação, desde que haja a liberdade do diálogo, sem que a verdade ensinada por Jesus concorra com os estatutos impostos por homens. O Caminho a verdade e a vida esta em Jesus Cristo. O que vemos por aí é Jesus sendo pregado como salvador só para colocarem o maior número possível de pessoas para dentro das igrejas. Não vejo também nada demais nisso, mas não deveríamos colocá-las primeiramente dentro da pessoa de Cristo, que é bem mais fácil? Dois fatos acontecem na conversão, um nos céus e o outro na terra. Muitas pessoas estão com os seus nomes arrolados nos céus e muitas estão arroladas como rol de membro. Qual será o mais importante para o cristão? Com isso não estou afirmando que o cristão arrolado no livro da vida do cordeiro não precisa se membrar a uma igreja. Pode até pertencer não somente a uma, mas a muitas. O que vale é ter comunhão com todas as outras denominações, seja qual for, visto que elas são ambientes onde o povo de Deus trafega. Ela serve somente para transitar o povo para comunhão. Os dois ofícios ensinados por Jesus para o seu povo é o batismo nas águas (testemunho exterior do que aconteceu no interior do cristão, novo nascimento, nova vida, participação de um novo reino, tendo Jesus como cabeça e fundador). Enquanto a igreja como denominação não é um fim em si mesma, a igreja como habitação de Deus no Espírito humano é o resultado da salvação de Jesus para a humanidade, (como fim e consumação salvívica). Deixar de trafegar por uma ou outra, não significa de que esta pessoa esteja desviada de Jesus Cristo.Porque o caminho é Cristo e o andar do cristão é em Cristo. Trafegar nas igrejas ou fora dela, deve ser bênção e oportunidade para o cristão revelar a quem pertence. Os homens podem até tirar o nome de algum cristão do rol de membros, mas será que o nome deles são apagados também no livro do cordeiro de Deus? Essa discussão deixa transparecer que não existe cristão sem denominação. Ou será que as denominações tornam as pessoas genuinamente cristãs? O que torna uma pessoa cristã é CRISTO, e por sua vez o homem em resposta obediente deve segui-lo como discípulo. As igrejas não existiriam se não existisse o membro confessional nelas. Então com que direito as igrejas que julgam que o cristão que não esta nela esta desviada? O que se espera de uma pessoa membro de uma igreja é o fato dessa pessoa ter um envolvimento genuíno com Jesus Cristo, ou seja, ter nascido de novo (o novo nascimento é promovido por Deus) e se tornar um seguidor de Jesus através de seus ensinos (lado de Deus), ter comunhão com os irmãos dentro e fora dela (mesa do Senhor, ceia, resposta de nossa obediência a Cristo). Mas será que isso sempre acontece? É fácil deixar a obediência principal (Missão de Jesus) e se apegar a obediência secundária (missão das igrejas). Jesus é o salvador de todos os cristão mas quem ganha crédito maior é as igrejas, que divide o povo na sua fidelidade missional com a do Senhor. A Igreja não deveria represar o povo no intuito de focar toda mão de obra evangelística em prol dela mesma. Ou você já viu se ganhar almas para Jesus e colocá-las em uma outra que não seja a sua denominação? Os seus líderes iriam se chocar com tal cristão e ainda mesmo censurá-lo.
AS DENOMINAÇÕES É UMA QUESTÃO DE INTERFACES
Acredito que as igrejas (denominacionais) não precisariam ter sua missão. Isto porque a igreja não precisa fazer uma elaboração da sua missão própria, para concorrer com a proposta por Cristo.Muitas das nossas atividades de manter os crentes freqüentando iria desaparecer, você não acha? A verdade sobre esse assunto é que a igreja no seu ato de obediência deve abraçar a missão que vem de Deus (Missio Dei) e não a focada por ela. O que ocorre neste assunto é que ela se esquece que o que leva a igreja a cumprir a missão de Deus é o movimento livre de seus membros no cumprimento de seus dons. Mas, existe até problemas no que diz respeito a esse tema, visto que as interpretações ministeriais são muito divergentes quanto aos minstérios que Jesus distribui a seu povo. Como resolver esses problemas?
A missão da Igreja, é uma questão de interface, é só olhar para o aspecto funcional das sete igrejas da Asia em apocalipse e a Igreja de Jerusalém e de Antioquia, bem como as outras implantadas pelo apóstolo Paulo em suas viagens, que cada uma delas possuíam problemas que eram bem comuns e outros problemas mais específicos, entretanto possuíam suas peculiaridades no testemunho, isto dá para se observar com uma simples leitura. A Igreja esta o tempo todo lançando para fora a sua vida, o Ide de Jesus é para fora sem se conformar com esse mundo. A forma que a igreja mostra a sua cara é a revelação da sua interface. Abaixo estão enumeradas algumas mais comuns entre as igrejas.

ESTRUTURAS DAS INTERFACES DAS IGREJAS FRENTE
AO CUMPRIMENTO DA MISSÃO

1 – UMAS ENTENDEM MISSÃO COMO EVANGELISMO.
Esta é a igreja que evangeliza e leva a salvação de Jesus na sua proclamação. Todo o mover dessa igreja gira em torno do tema da salvação. A ênfase é no que traz resultados, no discurso da transformação dos indivíduos. Os que entram nessa igreja são os salvos com forte tendência para o isolacionismo. A ênfase local é tão forte que o membro pensa que se sair dessa igreja voltou para o mundo. Sair da comunidade resulta em apostasia. Permanecer nela, é perseverar na fé.
2 – OUTRAS ENTENDEM MISSÃO COMO AÇÃO SOCIAL
Esta igreja entende como missão fazer transformações sociais. Para isso fazem uma lista enorme de ações sociais. A maioria dos membros dessa igreja, são os pobre alcançados por intermédio desses programas sociais. Geralmente são poucos os salvos genuinamente, pois a convivência e os programas é que fazem com que o grupo se mantenha unido, ou vivo. Ocupar o povo e fazer parte dela é o seu lema principal.
3 – ALGUMAS ENTENDEM MISSÃO COMO EVANGELISMO E AÇÃO SOCIAL
Esta forma de missão se resume na gestão de unir evangelismo e ação social. Não se pode separar a proclamação da demonstração, ou o evangelismo da ação social. Pode parecer que isso seja possível, mas não é. Os dois são inseparáveis. Os dois é o que dá sentido a teologia da missão integral. Uma panificadora em um artigo comercial dizia que o pão integral é o pão de onde nada foi retirado. A proclamação e o envolvimento social são elementos essenciais da missão ou tarefa da igreja. Se deixarmos um desses elementos de fora, a atividade deixa de ser uma verdadeira“missão”. Tulo Raistrick, comentou que a face de uma igreja possuidora da missão integral são enumerados por oito atitudes.
1. Necessidades básicas supridas – atendendo as principais necessidades básicas das pessoas, assim como por alimentos, água, saneamento, saúde, moradia, educação e informação.
2. Participação e empoderamento – criando condições para que as pessoas pobres façam escolhas, participem em ações e decisões que afetam as suas vidas e se tornem agentes de transformação.
3. Bom gerenciamento de recursos – usando e distribuindo recursos ambientais de forma sustentável e compassiva, garantindo que as necessidades materiais de todos sejam supridas hoje e no futuro.
4. Defesa e promoção de direitos – engajando pessoas no trabalho de defesa e promoção de direitos para combater as injustiças estruturais e proteger as pessoas vulneráveis.
5. Mudança de valores – ajudando as pessoas a reconhecerem o seu verdadeiro valor por terem sido formadas à imagem e semelhança de Deus, desafiando e transformando os valores e a visão de mundo das mesmas.
6. Envolvimento da igreja local – incentivando comunidades cristãs sustentáveis em seu compromisso com Jesus Cristo através da adoração, da oração e do ato de servir as pessoas pobres.
7. Oportunidades para conhecer a fé cristã – criando oportunidades para que as pessoas encontrem, reconheçam e sigam o senhorio de Jesus Cristo.
8. Cristãos em funções de liderança – cristãos servindo as suas comunidades e ocupando funções de liderança e responsabilidade fora do contexto da igreja.

4 – MUITOS ENTENDEM MISSÃO COMO EVANGELIZ-AÇÃO-SOCIAL

Só entram os que se doam para o mundo e os que precisam. Os ministérios são voltados para a transformação do individuo (TI) e a transformação da sociedade (TS). Esta Igreja acredita que os indivíduos sendo transformados, a sociedade também se transformará.

A pregação do evangelho é uma tarefa de todos os salvos em Jesus Cristo e não somente dos oficiais da igreja. Jesus Cristo preparou doze homens e estes transformaram o mundo da sua época. A interface deles eram em ter comunhão, uns com os outros. Naquela época os cristão viviam a dinâmica da comunhão de uma forma bem mais ampla e aberta do que o que estamos experimentando na atualidade. O que diferenciava de um cristão do não cristão era a forma de se amarem e da transformação que Jesus fazia na vida de cada deles. Os cristãos daquela época não negociavam com a palavra de Deus, funcionavam como luz, resplandecendo a glória de Jesus nos seus gestos e atitudes. Eram preocupados com as necessidades dos santos e de ser instrumento de cumprir a missão de Deus. Ajudavam comunidades mais carentes, abrindo mãos dos seus bens, gostavam de orar,  gostavam de jejuar, de alcançar outras regiões onde Jesus não era conhecido, o uso dos dons do Espírito era a dinâmica da vida da igreja. Quando sofriam pela perseguição, não se intimidavam quando eram afrontados, colocavam suas vidas ainda mais em prol do evangelho e da obediência a Jesus Cristo.
Que Deus nos ajude a entender as faces da igreja na atualidade e a igreja e seus líderes estimulem os seus membros a amarem a Jesus e a obedecê-lo sem reservas.

Deus abençoe.

Romildo Gurgel

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mais Cristo, menos cristianismo

Toda religião está estruturada em dogmas, rituais e códigos morais. O Cristianismo também. Mas não são os dogmas, os rituais e os códigos morais que definem a experiência pessoal com Cristo. O apóstolo Paulo esclareceu que os seguidores de Jesus não podem ser reduzidos a observadores de rituais e padrões morais: Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das luas novas ou dos dias de sábado. Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo […] Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que, como se ainda pertencessem a ele, vocês se submetem a regras: “Não manuseie!”, “Não prove!”, “Não toque!”? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne [Colossenses 2.16,17,20-23].
A experiência mística do Cristo crucificado e ressurreto, comunhão com Ele, viver nEle, estar nEle, andar nEle [1Coríntios 1.9; Colossenses 1.2, 26,27; 2.6,7; 3.2], enfim, a devoção e a adoração a Cristo importam mais que a defesa do Cristianismo, isto é, dos dogmas, rituais e códigos morais considerados cristãos.
A imitação de Cristo é a essência do seguimento de Jesus, e importa mais que a adesão ao Cristianismo. Consta que Mahatma Gandhi teria afirmado a respeito dos protestantes ingleses: “Aceito seu Cristo, mas não aceito seu Cristianismo”. Eis aí uma constatação interessante: não poucas vezes a maneira como pretendemos servir a Cristo implica trair o espírito de Cristo. Talvez tenha sido isso o que Friedrich Nietzsche quis dizer ao afirmar que “se mais remidos se parecessem os remidos, mais fácil me seria crer no Redentor”.
O apóstolo Paulo estava ciente desse perigo e, por isso, recomendou aos cristãos: Vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador. Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita escravo e livre, mas Cristo é tudo e está em todos. Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito. Que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração, visto que vocês foram chamados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos. Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração. Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai [Colossenses 3.5-17].
Há muitas pessoas que se declaram adeptas da religião Cristianismo, mas não se comprometem a viver como Jesus Cristo viveu e ensinou. Não estão ocupadas em guardar (obedecer) todas as coisas que ele ordenou [Mateus 20.18-20], nem tampouco em andar como Ele andou [1João 2.6]. A respeito dessas pessoas, o próprio Jesus declarou: Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! [Mateus 7.21-23].
Cristo é maior que o Cristianismo. Por essa razão, a adoração a Cristo é mais importante que a defesa do Cristianismo, e a imitação de Cristo é mais importante que a adesão ao Cristianismo. Ser como Cristo e fazer mais por Cristo, eis as legítimas aspirações de todo aquele que se comprometeu com o caminho de Cristo.

Ed. Réne Kivitz

sábado, 28 de maio de 2011

OS DONOS DAS DENOMINAÇÕES


Certa vez, há muitos anos, ouvi falar que toda a igreja tinha donos. Então, pensei: "Deve ser o pai, o filho e o espírito!" Para minha surpresa, não era a trindade[1], mas; na maioria das vezes uma família que era muito influente na igreja ou um pastor que conseguiu conquistar e liderar essa família.

Depois de mais algum tempo descobri que também as denominações têm seus donos. Geralmente, eles deixam algumas impressões bastante perceptíveis. Segue, então; algumas dessas impressões sobre esses saduceus[2]. A primeira impressão é que eles são humanos, falhos e pecadores - e se não fosse à graça de Deus, até mesmo eles estariam perdidos! A segunda é que eles são políticos, e ainda que eles - pelo menos alguns - pareçam repudiar a política[3] partidária[4], eles fazem política partidária denominacional sempre... Se for preciso - tal qual o mestre Maquiavel[5] - seriam capazes de se unir aos piores inimigos só para continuarem no poder da região, da igreja local ou mesmo da denominação, o que é muito comum hoje em dia. A terceira é que eles dizem que cuidam de várias igrejas. - talvez a melhor palavra deva ser presidem[6] - Um deles me disse em certa ocasião: "Não sei por que os potiguares tem tanta dificuldade com os pastores que presidem várias igrejas ao mesmo tempo!?" Se pastorear[7] for semelhante a cuidar, talvez deva ser por isso. Conheço um dono de lojas que realmente de três filiais.

A prova é que ele sabe o nome de todos os funcionários, conhece parte dos familiares, e porque é gerente e não sacerdote[1], ele visita essas lojas todos os dias, exceto nos feriados. Sem falar que essas lojas estão abertas de segunda a domingo pelo menos oito horas por dia, e não apenas três vezes por semana cerca de uma hora e meia. Alguns, inclusive; distribuem parte da renda das empresas com os funcionários para estimular o crescimento. Imagine agora um pastor que ao invés de ceder ao apelo do capitalismo[2], resolvesse trabalhar com muitos auxiliares, um para cada pequeno grupo - diz-se que os fariseus[3] a cada pequeno grupo de dez pessoas começavam uma nova sinagoga[4]. Bem, deixando de lado esta comparação entre gerente de lojas e pastores de igrejas, voltemos às impressões que deixam esses saduceus.

Pareceu-me que eles, às vezes, meio que sem querer, é óbvio, podem até chegar a mentir! Não como os poetas, nem como os fariseus que Cristo tanto denunciou. Eles mentem como mentem os piores pecadores, nós que muitas vezes negamos ou inventamos verdades, na maioria das vezes para não perder autoridade. Alguns mentem porque é bem mais fácil e dá menos prejuízo. Na verdade, negar e negociar também faz parte das verdades que eles vivem ou dizem viver. Até mesmo as Escrituras podem ser interpretadas de modo particular, pois se um texto bíblico disser para um cristão pedir perdão e perdoar - baseado na lei do amor de Cristo - eles podem interpretar que o perdão deve ser apenas do outro ou para o outro, por exemplo.
E mais interessante é que eles falam em nome de Deus, ou seja; dizem o que devemos viver, mas apenas só conseguem dizer...
Outra peculiaridade dos donos da denominação é que eles fazem, ensinam e andam com os estatutos das igrejas em suas pastas de serviço! Parece muito com a tradição dos anciãos ou com algo aquém ou além dos testamentos. - Ou do Testamento.
Poderíamos ir muito mais longe observando essas impressões deixadas por esses saduceus, mas citarei apenas mais duas: "Eles também querem mais conforto e melhores salários!" Essa história de não ajuntar tesouros na terra e sofrer pela propagação do evangelho e ser agradecido a Deus por tudo... Deve ter ficado com os pais da igreja. Enfim, eles são capazes de disciplinar e até mesmo de excomungar[1] um rebelde, que se trata tão somente de alguém com a visão diferente, por falta de ensinos semelhantes aos de Cristo. – Na verdade, eles não têm eficácia na disciplina, pois disciplinar é o mesmo que educar, capacitar ou doutrinar, o que eles não conseguem fazer, haja vista tirar alguém das atividades do templo não é a mesma coisa que ensinar. Certamente que, atualmente; a excomunhão é diferente de outrora. Então, primeiro tenta-se calar o meliante, mas se não dá certo; mata-se o desobediente pelas várias formas possíveis: Realiza-se reunião e fala-se mal de terceiros sem a presença dos tais, duvida-se do chamado de muitos porque esses tais não aprenderam a falar o denominacionalês[2]; coam os mosquitos da aparência e deixam passar os camelos do dízimo, dão credibilidade a todos os submissos, mas expulsam os que perguntam o porquê disto... A razão daquilo ou que fazem quaisquer questionamentos.

Entretanto, um amigo me disse: "Você acha que vai há algum lugar produzindo textos assim?!" Ao que lhe respondi: "Bem, se minha intenção fosse ser igual aos donos das denominações, jamais poderia escrever coisas semelhantes! Mas tudo isso pode ser apenas mais um devaneio de um poeta. Talvez um protesto ou pretexto para escrever mais um texto!" E o meu amigo parecendo um tanto preocupado, insistiu: "Apenas isto?!" O mais

Interessante é que eles falam em nome de Deus, ou seja; dizem o que devemos viver, mas apenas só conseguem dizer...
Outra peculiaridade dos donos da denominação é que eles fazem, ensinam e andam com os estatutos das igrejas em suas pastas de serviço! Parece muito com a tradição dos anciãos ou com algo aquém ou além dos testamentos. - Ou do Testamento.

Impressionante é que ele não conseguiu descobrir de que denominação eu estava escrevendo... E eu espero que você não diga que deve ser sobre a que eu participo, por que na sua não tem nada disto!!!

Autor.
Félix Dantas, Poeta.