segunda-feira, 17 de junho de 2013

EXERCÍCIO DE LIDERANÇA, SUBMISSÃO E MISSÃO


Romildo Gurgel

“Digo-lhe a verdade: Quando você era mais jovem, vestia-se e ia para onde queria; mas quando for velho, estenderá as mãos e outra pessoa o vestirá e o levará para onde você não deseja ir” (João 21:18).

Estas palavras ditas por Jesus a Pedro, é o cerne da liderança cristã. Aqui fala da capacitação de servir e seguir o caminho da vontade de Deus sem resistência. Para que isso venha acontecer faz-se  necessário uma postura prontificada de humildade.
O mundo ensina que um jovem deve lutar pela sua independência, e enquanto não adquire, não pode ir onde deseja ainda, mas quando crescer e ficar maduro será capaz de tomar suas próprias decisões, seguindo seu próprio caminho e controlando o seu próprio destino. Mas Jesus ensinou de forma diferente para Pedro revelando que a maturidade está na capacidade de abandonar e deixar-se levar para onde você preferiria não ir. Maturidade ensinada por Jesus envolve submeter sua própria vontade e de forma humilde, subjulgar essa vontade própria a uma atitude de leveza de se deixar ser conduzido com facilidade ao propósito da vontade de Deus.
Quando Jesus chamou a Pedro para ser um líder de Suas ovelhas, Ele deixou bem claro  ao confrontá-lo com a dura verdade, de que o líder deve ser um servo guiado para lugares desconhecidos, indesejáveis e muitas vezes dolorosos. O caminho de um líder cristão não é um caminho de ascensão, mas revela-se em um caminho descendente até a crucificação.

·         Maturidade cristã reside na capacidade de dizer não a si mesmo. E de aceitar ir aonde tem que  ir, mesmo quando não se quer ir.
·         Maturidade cristã aparece quando é o que se deve ser, mesmo que não seja este o nosso natural interesse.
·         Maturidade cristã se destaca quando se faz aquilo mesmo que seja a contragosto.

O maior líder é aquele que tem o maior dos líderes, Jesus Cristo como Senhor.

Não precisa ir muito longe para se observar quem são os lutadores da arena da alma. Conflitos de vontades, disputas de poder, este é o cerne das batalhas travadas ali: Sua vontade e a vontade de Deus. O resultado dessa luta será a “vontade que prevalecer” que será a dona de nossas intenções, ações e propósitos.
Sendo assim, dois termos aparecem nas Escrituras Sagradas. O primeiro é o esvaziamento, e o outro é o enchimento. A verdade é que não há como encher algo que esteja plenamente cheio.

Está escrito:
“...deixem-se encher do Espírito Santo” (Efésios 5:18b).

Deixar-se encher, consiste em você fazer a sua parte, permitindo que haja um esvaziamento, para que o Espírito Santo ocupe o lugar que estava cheio de sua vontade anteriormente. A sua parte esta na palavra do versículo “deixem-se” e nessa arena da alma, o Espírito Santo assumirá o enchimento simultaneamente na medida em que houver um esvaziamento.

Entenda isso:  Fora da sua vida, Deus é um juiz, dentro de sua vida e assumindo a sua vontade, ele é seu Salvador. Salvação sem senhorio é deixar Deus de fora. Se não houver uma transformação, serão meras informações. Se não houver uma transformação para que Deus assuma a nossa vontade, a nossa vontade própria no céu, seria manifestação de demônios, pois ela é por demais corrompidas.

Entenda que não existe um plano B que venha substituir a vontade de Deus. A santificação bíblia é um processo de humilhação da nossa vontade e apropriação da vontade de Deus em cima dessa vontade corrupta.

A Bíblia diz: “Sem santificação ninguém verá o Senhor”(Hebreus 12:14b).

Uma vontade que não se rende é o mais serio de todos os obstáculos para saber a vontade de Deus.

Que o Senhor nos ajude.

Romildo Gurgel

FONTE:
1 – Extraído e compilado do livro de WANDERLEY, Sergisfredo. Cristianismo Diabólico. Editora Danprewan, 1ª Edição; Rio de Janeiro, 2011 pp.130-134.
2 – Bíblia Sagrada NVI
3 – Chave Bíblia – SBB





sábado, 15 de junho de 2013

VIDA ATRAVÉS DA MORTE


 Romildo Gurgel

Se você morrer antes de morrer, não haverá a mínima chance de morrer depois.

“Ou, porventura, ignorais que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Romanos 6;3-4).

Somos chamados para morrer. Morrer para nós mesmos e viver para Deus. O que está na moda e faz tempo é o que chamo de graça barata, sem cruz, sem dor, sem arrependimento e sem novo nascimento. Favorecer esse cristianismo barato não é o cristianismo legítimo proposto e ensinado por Jesus Cristo e seus apóstolos.
Cada um de nós vive uma tensão entre metanóia (arrependimento, conversão) e paranoia (sentimento de desconfiança e mal funcionamento). Caminhamos na pista estreita entre fidelidade e a traição. Nenhum de nós está imune de um discipulado falsificado. O evangelho da graça barata dilui a fé  numa mistura morna da Bíblia, espiritualidade essa que não  traz nenhuma semelhança com o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo.

O batismo é uma figura simbólica que traduz o testemunho da nossa morte e ressurreição em Jesus Cristo.

A nossa justificação poderá ser lida através de um testemunho publico de um batismo nas águas, pois em  Jesus Cristo  morremos  a sua morte  e ressuscitamos pela sua vida. As escrituras nos diz: 
"Esta palavra é digna de confiança: Se morremos com ele, com ele também viveremos" (1Timóteo2:11); 

"Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus" (Colossenses 3:3).

E ainda diz as sagradas escrituras:
“porquanto quem morreu, justificado está do pecado.  Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos” (Rm.6:7).

Qual é a nossa atitude frente a esta verdade?
Temos que considerar ou levar em conta essa verdade, fazendo com que mediante a  fé, venhamos a viver para Cristo. A fé em Cristo, opera tanto a morte como a vida. Como está escrito:
“Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus” (Romanos 6:11).

Como essa verdade se processa em nossas vidas?

Trazendo consigo o morrer de Jesus mediante a fé!!  Morrendo através dessa consideração, faz com que levemos essa morte em nosso corpo, para que também a sua vida se manifeste através daquilo que morremos nEle. 
“Levando sempre no corpo o morrer de Jesus para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. De modo que em nós opera a morte; mas em vós, a vida” (2Coríntios 4:10-12).

Que o Senhor tenha misericórdia de nós
e faça com que essa verdade seja a nossa vida.


Romildo Gurgel

segunda-feira, 3 de junho de 2013

PARÁBOLA DO TRIGO E DO JOIO (2)

Romildo Gurgel

Leitura Bíblica: (Mateus 13:24-30)

Os discípulos ao ouvirem esta parábola, ficaram intrigados pelo fato de serem dirigidas estas palavras para eles. As incógnitas ficaram formadas no coração do grupo de discípulos. Deixou-os extremamente pesaroso.   Porque Jesus lhes dirigiu esta parábola? O que ele quis transmitir para os seus discípulos?  Na primeira oportunidade  quando iam para casa, o grupo em peso encurralou Jesus com a mesma interrogação:  ‒ Senhor, explica-nos a parábola do Joio no campo (Mt 13:36). Foi quando Jesus começou a sua explicação em (Mt.13:36-43).

Jesus respondeu:
A boa semente é o Filho do homem - (v.37)
O campo é o mundo - (v.38)
A boa semente são os filhos do Reino - (v.38)
O joio são os filhos do maligno – (v.38)
O inimigo que o semeia é o diabo- (v.39)
A colheita é o fim desta era – (v.39)
Os encarregados da colheita são os anjos- (v.39)
O modo da colheita: “Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim desta era. O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz tropeçar e todos os que praticam o mal.  Eles o lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mt.13:40-42).
Os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos ouça – (v.43)

Esta parábola interpretada por Jesus deixa bem claro que o diabo é o que semeia camufladamente a semente maligna no campo do Senhor. Esta semente são seres humanos que cumprem o propósito do diabo frutificando através de seus intentos. Eles são os que praticam escândalos e cometem iniquidade, são os que fazem tropeçar os pequeninos do reino, e que fazem toda sorte de malícia, são os que dissolvem e adulteram a palavra da verdade, são os que causam dissimulação entre os irmãos, são os criadores de toda sorte de contendas, são mestres no roubo e na adulteração.  O apóstolo João diz que estes podem ser identificados pela forma que vivem no seu testemunho.

(1 Jo 3:10) – “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, também aquele que não ama a seu irmão”.

Fora da Igreja, não há a necessidade do joio ser colocado ou semeado. O texto elucida que a boa semente (são pessoas), que foram semeadas no seu campo. Perceba que o campo é a comunidade de Jesus Cristo, e enquanto dormiam, veio o maligno e semeou o joio (pessoas) no meio do trigo. A semeadura do inimigo é planejada por pessoas e com práticas. Jesus falou que o fermento dos fariseus é o da hipocrisia, fingimento e no geral encobrem-se através de práticas que escondem sua verdadeira identidade, pois parecem e muito com as práticas do trigo.  O joio se parece com o trigo  e só se diferencia quando o trigo amadurece e frutifica. Jesus ensinou: “ pelos seus frutos conhecereis” (Mt.7:16). O joio é como um fermento colocado na massa, com o tempo, a massa é alterada e se modifica. O joio se movimenta constantemente no meio da massa, com a intenção de inchá-la. Os filhos do maligno induzem a igreja a práticas bastardas, insinuando a ilegitimidade filial no exercício paterno de Deus. Ele é quem estimula a politicagem, a busca do exercício do poder manipulador do rebanho, é o sustentador de hierarquias religiosas, ele é o organizador de agrupar o joio com a intenção de anular os verdadeiros ministérios pautados pelo dom do Espírito Santo distribuídos pelo filho do trigo em todo o seu campo. Os filhos do maligno são os falsos cristãos, que jamais nasceram de novo pelo poder do Espírito Santo mediante a fé na palavra de Deus. Eles são reconhecidos como cristãos, pelo fato de terem se associado à igreja local, onde o trigo se reúne. Eles se destacam pela conduta moral e exterior como os religiosos faziam questão de se destacarem em praça pública.

CAUTELA NA DEPURAÇÃO

A depuração tem sido a tentação vigente na atualidade.  A grande questão é se o trigo pode ou não depurar? Claro que a disciplina do Senhor começa no próprio rebanho do Senhor, mas quais os critérios que normatizam o rigor disciplinar? Veja que a questão da disciplina não pode e não deve ser a forma de depurar a igreja, isso só compete ao Senhor. Esse ato depurador acontecerá no final quando os anjos ajuntarão o trigo em celeiro e o joio será  amarrado em feixes e queimado (Mt.13:25 e 41-42).
A disciplina na igreja visa a recuperação e não a condenação (cf. 1Co.11;32; 2Tm.2:25; Hb.12:9-11; Mt.18:15-17; 1Co.5:1-5), em nenhuma dessas citações ensina o corte ou a exclusão, mas sim a recuperação.

O CRISTIANISMO VIGENTE

Jesus Cristo é o fundador da igreja. Quem criou o cristianismo não foi Jesus foi o imperador romano chamado de Constantino no terceiro século da era cristã, obrigando todo o império adotar o cristianismo como religião oficial. Desde então, muito joio tem sido colocado no campo de Deus. Trigo e joio se misturam a dois mil anos e ambos são bem parecidos. No entanto uma só instituição é manifestada em dois seres, com a mesma forma, mas com a essência diferente. Uma é divina e outra é diabólica. E ambas ao mesmo tempo se mostram como igreja visível e institucional. Não é de se admirar que verdade e confusão se apresentem tão de perto!  

DESTA PARÁBOLA PODEREMOS AINDA TIRAR O SEGUINTE ENSINO:

No meio da comunidade, “no campo do Senhor”, pode ser apresentado tanto um  verdadeiro cristianismo como também o falso.
O Joio é parte do cristianismo diabólico, mas este está em um local apropriado que a qualquer momento poderá ser transformado, o joio poderá se transformar no mais puro trigo, são pessoas alcançáveis pela evangelização.
A igreja genuína deve ser distinguida do cristianismo. A Igreja é orgânica, fundada por Jesus Cristo “seu campo”, o cristianismo foi planejado e organizado a partir do terceiro século pelo imperador Constantino.
É por meio da Igreja que Jesus Cristo muda o mundo. A Igreja é a única agencia de transformação através do evangelho.
O diabo na promoção do falso cristianismo (evangelho sem cruz, sem arrependimento e novo nascimento) enche o “campo de Jesus” de não convertidos (pessoas que não nasceram de novo).

DESAFIOS DA PARÁBOLA PARA NOSSOS DIAS

- Não compete ao trigo arrancar o joio, isto porque muito das raízes do trigo esta emaranhada com a do joio.
- A igreja deverá rever o caso de cortes dos seus membros. A disciplina bíblica deve ser cultivada entre a comunidade, visando sempre a recuperação e não a exclusão.
- É um desafio enorme o trigo influenciar o joio no aspecto de uma reevangelização acompanhativa até que haja novo nascimento.
- O trigo deve ser identificado como pessoas que foram transformadas pelo poder da palavra de Deus e que passaram pelo novo nascimento, nasceu da semente da incorruptibilidade (cf. 1Pe.1:23; Tg.1:18; Jo.1:13-14; Jo.3:5). São os que foram plantados em Cristo Jesus para produzir trigo (cf. Ef.1:10).
- Somos desafiados a identificar o joio:
- O Joio são aqueles que querem cirandar como trigo (Lc.22:31). Não são regenerados, não nasceram de novo (João 3). Andam segundo o curso deste mundo, movidos pelo príncipe da potestade do ar. (cf. Ef.2:2). Andam segundo a inclinação da carne (Ef.2:3; Gl.5:19-21). Fazem a sua própria vontade, movido pela carne e pela maquinação dos pensamentos (Ef.2:3).
- O joio causa ainda:
- Moléstias – (Jó.1:5-10; Mt.9:33; 12:22)
- Distúrbios mentais – (Mc.5:4-5; Lc.8:35)
- Impureza moral – (Mc.5:2-13; At.5:16; 8:29)
- Dissemina  falsas doutrinas – (2Tss.2:2; 1Tm.4:1)
- É uma oposição aos filhos de Deus no seu progresso espiritual – (Ef.6:12) rouba-lhes os nutrientes necessários para o crescimento sadio.
- Seu líder se apossa do joio quando ver que este quer se posicionar em uma decisão para Cristo Jesus  – (Mt.4:24; Mc.5:8-14; Lc.8:2; At.8:7; At.16:16)
- São reprodutores de toda sorte de mentira – (Jo.8:44; 2Co.11:3)
- São promotores de seduzir a tentação – (Mt.4:1)
- São os que estimulam ao roubo (Mt.13:19)
- São atormentadores – (2Co.12:21)
- São os que  estorvam os santos (incomoda, dificulta) – (Zc.3:1; 1Tss.2:18; Ef.6:12)
- São os que foram colocados para passarem como peneira como trigo – (Lc.22:31)
- São  imitadores da verdade – (2Co.11:14-15; Mt.13:25)
- São acusadores do trigo – (Ap.12:9-10)
- São como feras devoradoras – (Jo.8:44; 1Pe.5:8)

Romildo Gurgel

FONTE:
1 - Palestras em Teologia Sistemática por Henry Clarence Thiessen
2 - As parábolas de Jesus – Simon J. Kistemaker
3 – Cristianismo Diabólico – Sergisfredo Wanderley
4 – Bíblia NVI
5 – Bíblia Vida Nova – Editora Vida
6 – Chave Bíblica - SBB

domingo, 2 de junho de 2013

EDUCAÇÃO NO ESPÍRITO


Romildo Gurgel

A educação ocorre de uma forma enigmática, como um reflexo de um espelho. Se ficarmos na frente de um espelho, observamos a nossa aparência, e ela refletirá a nossa imagem. A imagem é o reflexo de uma realidade visual, sem que ela mesma seja uma realidade, mas apenas uma transmissão visionária da aparência. Pela imagem refletida, podemos observar muitos detalhes, porém, o reflexo jamais poderá ser retocado ou alterado, apenas a realidade é que pode ser vista. O retoque é como um reboco aparente de uma maquiagem exterior, que pode ser também uma camuflagem. O ensino no Espírito é refletir a glória da imagem de Deus como por um espelho. Mas somente quem é mudado é que percebe a diferença e contempla esse reflexo, pois terá olhos aguçados, diferentes, e quando compara com o seu próprio ser, perceberá a transformação que foi incluída no velho reflexo.  A realidade de Deus é revelada por intermédio do Espírito Santo que habita em nós, cujo reflexo transmite como impressões da imagem de Deus.
O ensino espiritual parte da observação desse reflexo obscuro, mas real. Contemplar o nosso rosto, é ver nossa condição de pecadores, é expor o rosto que o espelho refletirá, a partir daí,  se evidencia a  norma da Lei, que encerra todos debaixo do pecado. O reflexo que  é espiritual, poderá servir de um condutor a Cristo, que na relação entre mestre e discípulo  poderá transformar o coração e aformosear o rosto.  O ensino de Cristo, é feito por esta pedagogia através do Espírito Santo.

"E, assim  como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial" (1Coríntios 15:49)

“a todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito” (2Coríntios 3:18).

"Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência". (Tiago 1:23-24)



Romildo Gurgel

quarta-feira, 29 de maio de 2013

IMITADORES DE CRISTO

Romildo Gurgel

“Tornem-se meus imitadores,, como eu sou de Cristo” (1Coríntios 11:1)

A declaração do apóstolo Paulo a Igreja, parte do pressuposto da inadequação da confissão que ela professa, por achar que ela não é uma imitação confiável de Cristo.  O que o apóstolo contempla é um testemunho hibrido, que assume a liderança influenciadora, fragmentando a realidade da pessoalidade de Cristo na comunidade. De certa forma, todos nós nos sentimos inadequados para de uma forma confiante fazer uma declaração como esta. No entanto, Paulo não tem nenhum receio de utilizá-la e pronunciá-la.  Em outras igrejas e em ocasiões diferentes, ele faz uso dessa declaração com bastante liberdade, vejamos:

“Portanto suplico-lhe que sejam meus imitadores” (1Coríntios 4:16).

“Portanto sejam imitadores de Deus como filhos amados” (Efésios 5:1)

“Irmãos, sigam unidos o meu exemplo e  observem os que vivem de
acordo com o padrão que lhes apresentamos” (Filipenses 3:17)

“De fato vocês se tornaram nossos imitadores e do Senhor, pois, apesar de muito sofrimento, receberam a palavra com alegria que vem do Espírito Santo”(1Tessalonicenses 1:6).

A quem deveremos imitar em meio a tantos modelos de cristianismo na atualidade?  Hoje existem muitos líderes religiosos que levam multidões a imitá-lo, vestindo as mesmas roupas, falando do mesmo jeito, usando os mesmos métodos, frequentando os mesmos lugares, cantando as mesmas músicas, gostando das mesmas diversões, amando os mesmos dogmas e sistemas, etc. Não é para esse tipo de modelo que o apóstolo pretende ser. Ele não convida ninguém  a vestir a mesma roupa que ele. Ele não convida a abraçar seus métodos, mas a imitar a mesma pessoa que ele imita (JESUS CRISTO), a ser um exemplo daquilo que foi ensinado por Jesus e encontrado unicamente n’Ele.

A grande questão do momento é: Se você não imita a Cristo, a quem então você está imitando?

A fé para o apóstolo Paulo era uma realidade pessoal, envolvia toda sua existência, não existia nada de que ficasse de fora, sem que Cristo não viesse aparecer. Ele não se escondia atrás da academia, não se refugiava nos diplomas e não fazia da teologia apenas uma arma para defender suas convicções. Ele não teve o menor receio em afirmar que considerava tudo como esterco por causa da excelência de Jesus Cristo, conforme ele escreveu em (Filipenses 3:7-11): “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa de Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco  para poder ganhar Cristo e ser encontrado nele, não tendo a minha própria justiça que procede da Lei, mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se  baseia na fé. Quero conhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos”

 Paulo também não fazia uso da sua eficiência ou eloquência para dar visibilidade ao seu ministério, como é  tão comum entre nós. Paulo não convidou ninguém imitar seu sucesso ou sua competência. Ele deixou claro esta verdade em sua vida quando escreveu dizendo:

“Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana; e, sim, no poder de Deus” (1Coríntios 2:2-5).

A resposta a esse ensaio é:

  • Se não imitamos a Cristo, somos idólatras de nós mesmos, seremos egolátricos e orgulhosos da nossa própria projeção.
  • Não existe seguimento a Jesus sem que haja uma crucificação diária e constante - (Lucas.14:27)
  • Imitar Jesus é fazer a mesma mimica que Jesus fez.
  • Não se pode imitar a Jesus se não houver uma renúncia de nós mesmos e de tudo aquilo que valorizamos - (Lucas 14:33)
  • Nós somos uma carta. Carta não fala, é lida. - (2Coríntios 3:2)
  • Quando o envelope mortal for aberto, a carta será lida por todos.
  • Nós somos aroma constantemente de um único perfume (Cristo). - (2Coríntios 2:15-16)

Que o Senhor nos ajude,

Romildo Gurgel

Fonte:
- Barbosa Ricardo. Identidade Perdida. Encontro Publicações, 2012 pp.63-65
- Bíblia NVI
- Bíblia Vida Nova – Editora Vida
- Chave Bíblica


quarta-feira, 15 de maio de 2013

RECRUTAMENTO DE TALENTOS NAS ORGANIZAÇÕES E NAS IGREJAS

Romildo Gurgel


Muitas organizações e Igrejas que existem por intermédio de serviços voluntários, requerem um bom exercício de sua liderança. O único incentivo que esses voluntários possuem vem do exercício de seus líderes, da boa amizade e dos vínculos de comprometimento de inúmeras atividades nessas organizações. Alguns verdadeiramente são dotados de talentos e já outros ocupam cargos pelo fato de não ter ministérios e mão-de-obra que venha acobertar os inúmeros serviços que exigem um bom funcionamento tanto nestas Igreja quanto nestas organizações. Diante disso, as dores e as consequências por falta de gente talentosa é enorme e os prejuízos irreparáveis.  Essas organizações na maioria das vezes não pagam salário e não oferecem benefício algum, já outras sensibilizadas  dão uma ajuda de custo de acordo com suas condições financeiras.
Diante desse impasse, a forma de funcionar estas organizações, tem como base o incentivo,  motivar é dar autonomia,  valorizar a independência dos funcionários ou ministérios, fazendo que cada um se sinta “como se fosse o dono” dentro daquilo que lhe cabe nas suas contribuições. O negócio é feito por todos remando na mesma direção. É importante reconhecer que todos gostam de ser bem tratados e de trabalhar num lugar alegre, descontraído.  Deve-se evitar gente de mau humor, ou no mínimo suportar em amor. Deve-se evitar excesso de manuais e normas, pois isso criaria o vício de muita justificativa e pouca ação. Para compreender a motivação  dos outros, é preciso se colocar sob seu ponto de vista, mesmo que não se concorde com ele. É preciso saber quais são suas necessidades, prioridades, desejos e até caprichos. Uma outra forma de motivar os subordinados é ter alta expectativa em relação a eles.
Uma pequena percentagem desses voluntários realmente é o que faz todo trabalho, por isso que precisam estar bem motivados, lembrando que não é um ato isolado, mas um processo que requer esforços continuados.  Em muitas igrejas, cerca de vinte por cento das pessoas, ou até menos que isso,  fazem oitenta por cento de todo labor. Diante de um número tão pequeno,o resultado final cai na qualidade desses serviços. Estas pessoas levam a carga de todos os eventos, programas, e ações que são realizadas ali. Daí, surge os questionamentos: Por que isso ocorre?  Por que tem que ser assim? E por que as pessoas não se envolvem e são sensibilizadas dessas necessidades? Existem muitas respostas e elas só serão descobertas através de uma visão de  toda organização como um todo. Todas as  ações  devem ser revistas e avaliadas, melhoradas e refeitas. Acredito que um planejamento estratégico (PE) ajudará e muito como ferramenta de fomentação e transformação desse quadro. Segue abaixo algumas etapas de alguns procedimentos que podem ser tomados para que haja uma mudança. Vejamos:

1 – Muito do potencial da Igreja e das organizações está ali, sentadas e ainda não foram descobertas.
2 – Muitos têm medo de assumir responsabilidades por falta de experiência e capacitação.
3 – Uma boa quantidade sofre por experiências doloridas do passado e é brecada pelo seu emocional achando que irá repetir-se os mesmos problemas traumáticos.
4 – Algumas são intimidadas por pessoas mais capacitadas.
5 – Por falta de treinamento e desconhecimento bíblico, não percebem ainda qual a sua função e sua utilidade na organização. Muitos passam anos a fio sem utilidade alguma.
6 – Outros estão ali só para receber a bênção e estão mais focados em sua atividade secular.
7 – Outras se sentem despreparadas, mal equipadas e desprovidas de qualquer dom.
8 – Um bom número não tem consciência das opções de trabalho que lhes estão disponíveis.
9 – Várias outras são egoístas, preguiçosas e indiferentes. Algumas não vão se envolver porque não se ocupam com nada mais além de si mesmas.

O que é que poderá ser feito para que essas organizações mudem esse quadro? Tenho convicção dentro de mim que esses 10 itens alistados abaixo fará toda diferença se forem executados.

1 – Faça um (PE) e descubra os pontos fortes e fracos, as oportunidades e o potencial da organização junto as pessoas. Se não souber fazer, descubra um amigo que fez um curso de administração para que possa lhe dá uma luz quanto a essa ferramenta. Ou você poderá aprender através de livros e pesquisas pela internet.
2 – Agende entrevistas com novos membros para expor as oportunidades. Você poderá conseguir modelos de entrevistas em livros de Recursos Humanos, ou pela internet. Um bom critério para o recrutamento pode ser baseado no (Salmo 15:1-5).
3 – Visione toda organização quanto a sua missão e valores.
4 – Associe os talentos e os dons como oportunidades de trabalho.Sabendo que Deus escolhe e separa gente talentosa para assumir cargos e funções no seu corpo. (cf. Efésios 4:11-14)
5 – Faça funcionar um meio com que o novo membro passe por um desenvolvimento  na organização até ser alocado em uma função que saiba realizar com eficácia. Para isso é necessário criar vários níveis de responsabilidades que possa envolvê-lo e levá-lo ao amadurecimento de uma função futura permanente, criando processos que vá acontecendo já na prática com funções básicas. (cf. Êxodo 18:20-22).
6 – Ensine e exponha a visão do sacerdócio universal dos crentes. Todos têm um dom pelo qual podem participar de alguma atividade no corpo de Cristo. Descobri-los é chave.  Existe ferramenta apropriada para elucidar este descobrimento. (cf. 1Pedro 2:5-9;  Mateus 25:15; Romanos 12:6; 1Coríntios 12:4).
7 – Desenvolva séries de compromissos realistas para que as pessoas possam dividir essas responsabilidades. Divisão de tarefas e equipes focadas em ministérios é uma boa ideia. (cf.1Crônicas 18:14-17; Lucas 9:1-10)
8 – Promova o rodízio entre a liderança, sempre dentro do possível, para criar um espaço inovador e criativo para novas pessoas.
9 – Elogie as equipes e os ministérios. Se capacitem juntos, bem como tenham também sempre um período de lazer e descontração com todos que fazem a organização funcionar. Jesus tinha uma equipe (cf. Marcos 1:16-20; Lucas 5:1-11; João 1:35-42).
10 – Promova as pessoas de acordo com o seus dom e talento, e nunca por outro motivo. Prepare e empodere essas pessoas através de treinamento e o forjamento de um caráter integro e Deus abençoará pode ter certeza.

Romildo Gurgel


FONTE:
1 – Bíblia Liderança Cristã com notas de John C. Maxwell – SBB, pp.961
Extraída e estratificada com diversos acréscimos e modificações.
2 – Recursos humanos  Princípios e Tendências. Francisco Lacombe. Editora Saraiva, pp.143.
3 – Bíblia Vida Nova – Editora Vida
4 – Chave Bíblica – SBB
5 – Bíblia NVI – Editora Vida
6 – Concordância Bíblia – SBB.

terça-feira, 14 de maio de 2013

INTEGRIDADE PESSOAL NA IGREJA E NAS ORGANIZAÇÕES


Romildo Gurgel

O que a bíblia diz sobre integridade e qual a sua importância para a pessoa que queira viver de modo que agrade a Deus?  Esta resposta repercutirá diretamente  em todas as  áreas da vida, a começar da espiritual, pessoal, profissionais e social.

Os dicionários definem integridade como qualidade de conduta reta, pessoa de honra, ética, educada. Sua natureza de ação é demonstrada  na inocência, pureza e justiça. O integro revela pureza de alma e de espírito. Há quem defina como um conjunto das virtudes cristãs.

Vejamos algumas características de integridade baseadas no (Salmo 15). De antemão a introdução do salmo gira em torno de duas perguntas, e o salmista responde essas perguntas no restante dos quatro versículos seguintes, vejamos: “Quem habitará no santuário de Deus e quem poderá morar no seu santo monte?”. Tanto o santuário quanto o monte, são locais onde aparecem estas manifestações de uma forma mais nomeada dessas qualidades de caráter.  A resposta que o salmo transcreve, é o que Deus espera encontrar ali no coração dos que estiverem presentes.  Um dos fatores que prejudica mais as organizações é a corrupção, pois representa uma atividade ética reprovável abalando a legitimidade do testemunho organizacional. A corrupção afeta as decisões de investimentos produtivos, causam distorções e enfermidades na saúde relacional e prejudica a estabilidade do ambiente, e das suas representações na sociedade.
Entendo que os desafios pessoais e coletivos organizacionais,  tem que ser marcados na erradicação da corrupção.  No entanto, a resposta do (Salmo 15) consiste em determinar quem ficará do lado de dentro desta habitação solene, presencial, de uma Deus santo e justo, e  quem poderá permanecer morando nesta habitação divina?  O caráter integro é  o valor inegociável pela divindade, vejamos a resposta dos versículos seguintes do (salmo 15)

a)      Aquele que é integro em sua conduta e pratica o que é justo  (v.2)
b)      Aquele que de coração fala a verdade (v.2)
c)      Aquele que não usa a língua para difamar (.v3)
d)     Aquele que não faz nenhum mal para o seu semelhante (v.3)
e)      Aquele que não lança calúnia contra o seu próximo (v.3)
f)       Aquele que rejeita quem merece desprezo (v.4)
g)      Aquele que honra os que temem o Senhor (v.4)
h)      Aquele que mantém sua palavra, mesmo que saia prejudicado (v.4)
i)        Aquele que não empresta o seu dinheiro visando o lucro (v.5)
j)        Aquele que não aceita suborno contra o inocente (v.5)

Quem não desejaria uma pessoa com estas características para fazer parte do seu quadro de funcionários?   Tanto Deus, bem como sua Igreja, e as organizações sabem que pessoas com estas qualidades agregam não só valor como também aumentam a credibilidade e o testemunho popular organizacional.

Veja os resultados que o (Salmo 15) encerra:
Quem assim  procede, tanto a pessoa como a organização não serão abaladas.
A Igreja de Jesus Cristo é um organismo vivo que através do Espírito Santo, inibe a corrupção e a degeneração dos seus membros.  O integro é como uma luz  que ilumina em meio a escuridão e  é como sal que salga e dá sabor  a vida.

No (Salmo 112) o salmista aumenta ainda mais a lista destas qualidades  pessoais, senão, Vejamos:

a)      É feliz o homem que teme ao Senhor e tem prazer em suas instruções  (v.1)
b)      Seus descendentes serão poderosos na terra (v.2)
c)      Serão como geração abençoada de homens íntegros (v.2)
d)     Riquezas haverá na sua casa (v.3)
e)      Sua justiça durará para sempre (v.3)
f)       A luz raiará nas trevas para o integro, para quem é misericordioso, compassivo e justo (v.4)
g)      Ele empresta com generosidade (v.5)
h)      Com honestidade conduz os seus negócios (v.5)
i)        O justo jamais será abalado, para sempre será lembrado (v.6)
j)        Não teme más notícias, seu coração está firme e confiante no Senhor (v.7)
k)      Seu coração é seguro e nada temerá (v.8)
l)        No final ele verá a derrota dos seus adversários (v.8)
m)    Reparte generosamente com os pobres (v.9)
n)      Sua justiça durará para sempre (v.9)
o)      Seu poder será exaltado em honra (v.9)
p)      O ímpio verá  e ficará irado, rangerá os dentes e definhará. O desejo dos ímpios será frustrado (v.10)

Tanto as igrejas  bem como as organizações adotam normas de convivência daquilo que priorizam nas suas relações. Geralmente fazem uma declaração visível dos valores normativos de convivência para que toda corporação se adeque a elas. Trata-se de um conjunto de diretrizes e procedimentos que é incorporado com a finalidade de que todos os colaboradores  se comprometam tanto na conduta quanto nas políticas que integram esta organização.
Os que assimilam a integridade de Deus podem preencher todas essas exigências. Incorporar esses valores no caráter, é preciso ter um encontro pessoal com Jesus Cristo. As organizações criam regras e leis de procedimentos, Jesus Cristo legitima este caráter no coração e as imprime nos procedimentos e nas ações destas pessoas.

Quero finalizar incentivando que as organizações estão atrás de pessoas competentes e com este caráter integro para compor o seu quadro de funcionários. Por sua vez, as igrejas facilitam e dão aberturas para que pessoas integras façam parte do seu quadro ministerial.

Romildo Gurgel