terça-feira, 31 de março de 2015

CAMINHOS PARA UMA ESPIRITUALIDADE TRANSFORMADORA HOJE, NO CAMPO PESSOAL, COMUNITÁRIO E SOCIAL



Por 
Romildo Gurgel


Atualmente, o tema espiritualidade parece ser um tema bastante recorrente em nossa cultura. Ele aparece tanto no âmbito religioso, ambiente este com múltiplas apresentações e percepções bastante variadas, encontrando aí o seu ambiente natural como o campo mais amplo, como também nas mais diversas áreas onde o ser humano se encontra.  Hoje tanto jovens, como adultos, estudiosos filósofos e cientistas, empresários e executivos e aqueles que estão sobre o poder econômico incorporam em suas ações certo tipo de espiritualidade.  Há também aqueles que pensam que espiritualidade tem a sua pauta em retiros de meditação, e aqueles que suas famílias optaram para que seus filhos estudassem em colégios religiosos, ou ainda, os monges em suas enclausuras, passando por experiências isoladas. Poderemos afirmar que todo ser humano tem sede de se encontrar com sigo mesmo e com Deus para achar a respostar do porquê estamos aqui. Não há quem fique de fora dessa realidade pessoal, quer seja ela intencional, percebida ou não.  O apóstolo Paulo escrevendo a Igreja de Éfeso traduz com veracidade declarando dois tipos de pessoas no mundo: as que estão “em Cristo” e as que não estão em Cristo (cf. Efésios 2:1-2). A queda reduziu a humanidade a um estado de espiritualidade independente, onde predomina alienação ao curso do mundo, ao seu príncipe como sendo o da potestade do ar, do espírito que age naqueles que não obedecem ao evangelho de Jesus Cristo, inclinados a vontade da carne e dos pensamentos. A escritura sagrada, classifica esta classe de humanos como uma classe independente (híbrida) – caracterizada como morta nos seus delitos e pecados (v.1) e viva aos que mediante a fé está unida com Cristo, através da Sua graça salvadora (v.5).  
            Sendo assim, todos nós incorporamos quer queiramos ou não algum estado de espiritualidade, consciente ou inconscientemente.  Veja o que (Droogen, p.124) observou sobre essa possibilidade:
 A espiritualidade elabora uma atitude, um comportamento que concretiza simbolicamente com o sagrado. Estas relações com o sagrado têm consequências para as suas relações com o mundo e com os outros homens.

O homem é o reflexo da relação do estar sem ou com Cristo. O estar em Cristo, o Espírito Santo assume a posição inspirando-o para criar esse vínculo relacional e simbólico. Ao criar símbolos, o homem se mostra sujeito ativo ao invés de objeto passivo. Por isso, ele possibilita a abertura do mistério. O invisível fica invisível, misterioso, mas deixa-se conhecer e tornar-se visível.
            O apóstolo Paulo valida esta ideia ao escrever a igreja de Corinto, comunidade fraca em diversas áreas, que como comunidade de Deus seus pecados poderiam ser observados sem muito esforço. Ele ensinou a esta comunidade que ela poderia trazer a imagem do espiritual da mesma forma que estavam trazendo a imagem do terreno, ao escrever:
E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial" (1Coríntios 15:49)
“...todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito” (2Coríntios 3:18).

Conforme os textos citados acima, a imagem do celestial se torna possível através da educação contemplativa, ocorrendo de uma forma enigmática, como um reflexo de um espelho. Se observarmos nossa imagem frente a um espelho, contemplaremos a nossa aparência, o espelho refletirá a nossa imagem. A imagem é o reflexo de uma realidade visual, sem que ela mesma seja uma realidade, mas apenas uma transmissão visionária da aparência, como se uma pessoa descrevesse você através dos seus próprios olhos. Pela imagem refletida, muitos detalhes poderão ser observados da nossa aparência, é aí que surge uma conversa consigo mesmo e com o próprio coração, porém, o reflexo da amostragem dessa realidade visionária fala que algo pode ser mudado, é a partir daí que a imagem serve de condutor a possíveis transformações e mudanças. O retoque natural é como um reboco aparente de uma maquiagem exterior, que pode ser também uma camuflagem, mas não temos o recurso para as transformações de tal dimensão transformadora. O ensino no Espírito é refletir a glória da imagem de Deus como por um espelho. É um grande milagre! O espelho revela duas imagens a sua e ao mesmo tempo a imago Dei. A imagem de Deus se perdeu no homem, ela foi desfigurada com a queda na transgressão da vontade do pecado. Mas a imagem do homem, frente a imagem de Deus, o Espírito Santo faz com que percebamos essa diferença mostrando-nos a impossibilidade natural de qualquer retoque que possa ficar ao menos parecido com a Sua imagem. Os olhos humanos são abertos e aguçados, para perceberem alguma mudança feita pelo Espírito Santo, quando comparada a imagem do seu próprio ser, perceberá algo parecido, transformação essa que foi incluída no velho reflexo.  A imago Dei no ser humano continua intacta no coração de Deus. Deus se fez carne em Jesus Cristo onde 100% foi homem e Deus. Esta realidade de Deus só é revelada por e través do Espírito Santo que habita em nós, cujo reflexo transmite com precisão, a imagem de Deus, transformando-nos pela imagem contemplada de glória em glória através do espelho.
O ensino espiritual parte da observação desse reflexo obscuro, mas real. Contemplar o nosso rosto, é perceber pela imagem a nossa condição de pecadores, é contemplar a exposição da nossa natureza caída e desfigurada que foi alterada, e a partir daí, se evidencia a norma da lei, que encerra todos debaixo do pecado. O reflexo que é espiritual, poderá servir de um condutor a Cristo, que na relação entre mestre e discípulo poderá transformar o coração e aformosear o rosto.  O ensino de Cristo, é feito por esta pedagogia através do Espírito Santo.
Tiago ao escrever sua epístola explicita melhor essa ideia, associando o retoque do espelho através da prática da palavra para que haja a possibilidade de haver a manifestação da imagem do espiritual. O princípio de encarnar as palavras das escrituras sagradas, significa para nós um reflexo de Deus na nossa face, uma imago Dei, que revela o caráter de Deus e ao mesmo tempo do ser humano transformado através dessa imagem. Tiago escreveu:
"Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência". (Tiago 1:23-24)
A prática da palavra altera toda imagem velha alienadora. Não se pode pensar em espiritualidade sem pensar em transformação, conversão pessoal e serviço. A transformação da vida, a conversão do coração e o serviço ao outro. É característica de alguém que possui um genuíno relacionamento com Deus: a) Andar em novidade de vida, refletida na sua forma de viver os valores do Reino de Deus (2 Co. 5.17); b) Haver conversão genuína do seu coração, que agora coloca todas as suas emoções sob o controle do Espírito de Deus (Fl 4. 4-9); e c) Ter uma vida de serviço e altruísmo ao próximo (Jo. 13.1-17), refletindo de maneira concreta e real o caráter de Cristo.
Frente a um espelho pode acontecer de tudo. Como frisa muito bem (Droogen, p.126):
 “Quanto aos meios de expressão, cada espiritualidade faz uma seleção de um leque de possibilidades. Ela pode usar o corpo ou negá-lo, apelar a toda a personalidade ou só a uma parte. Ela usa todos os cinco sentidos ou só alguns. Ela pode ter um caráter emocional ou, ao contrário, racional. O corpo pode ser usado de muitas maneiras. A espiritualidade pode exigir uma certa atitude do corpo, certos movimentos e gestos”. 
Apoia e muito o que comenta Droogen e que é bem compatível com o que o apóstolo Paulo escreveu a igreja Romana:
(v.12) - “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais ás suas paixões;
(v.13) - Nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado como instrumento de iniquidade; mas oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus como instrumento de justiça” (Romanos 6:12-13)
Os membros do nosso corpo podem pela perseverança da tentação, forçar o corpo a ser instrumento do pecado; do mesmo modo, tais membros podem estar disponíveis a Deus para a prática da sua vontade através da Sua Palavra em justiça revelada por meio da fé.
Penso que o tema espiritualidade tem a ver com a pessoa toda e a vida toda. Excluindo uma forma de expressão individualista, pois o homem é um ser social. Acredito que nada disso acontece sem que haja um processo contínuo e radical de discipulado na fé para que isso se suceda, uma vez que é através do ensino que ocorre a transformação do coração. Somos desafiados a incorporar no nosso modus vivendi um discipulado radical, contínuo e transformador.

ESPIRITUALIDADE COMUNITÁRIA E SOCIAL

            Aprecio a clareza elucidativa de Leonardo Boff quando trata do assunto entre o reino de Deus e a comunidade da fé, a Igreja. Ele escreveu:
“O cano da água não é água e o que ilumina é a chama não a vela acesa” (BOOF, p.39).
            Com essas palavras, Boff está afirmando que Jesus não anunciou uma Igreja, ele anunciou o Reino de Deus e a transformação interior (conversão). Posteriormente, no seu lugar, surgiu a Igreja como comunidade de fieis que crêem em Jesus.   Não são poucas as comunidades que infelizmente identificam o Reino de Deus com a Igreja. Este erro tem feito com que a maioria das nossas concentrações de serviços ministeriais fiquem centralizadas no púlpito, no clero, no domingo e no templo. A igreja, ao invés de se apresentar como agência sinalizadora do caminho de salvação, se apresenta como um fim em si mesma.  O que deve contar como relevância e singularidade é a experiência que a comunidade tem com Jesus de Nazaré. Somos herdeiros de Deus não pelo fato de estarmos em uma instituição cristã e seguimos os seus dogmas e preceitos. A verdade disso é que estaremos sujeitos a esta herança se continuamente tentarmos reviver a experiência de Jesus como prática e regra de nossa fé. Desta maneira, estaremos demonstrando que somos filhos e filhas de Deus como quem contempla seu rosto reverentemente enquanto nossos pecados são perdoados.
            Se uma comunidade cristã produz essa forma eclesial, frisa Boof, ela se transforma em caminho espiritual.
(Droogen, citando Hermann Brandt, p.112), definiu como espiritualidade comunitária o exemplo de uma lâmpada em cima de uma mesa: ela ilumina a mesa, mas serve também para ver fenômenos ao redor desta mesa. Nesta mesma linha de raciocínio o apóstolo Paulo escreveu:
“...quem é espiritual discerne todas as coisas e de ninguém é discernido.” (1Co.2:15).
Este pensamento transcreve a influência iluminadora que a espiritualidade conduz, discernindo aquilo que está em volta, bem como ao mesmo tempo, refletindo a imagem da glória de Deus. Na conecção Deus/Homem, a glória de Deus passa pelo ser do homem na vivência das virtudes cristãs (MULLER, p.34)
As palavras de Jesus sobre este assunto são;
“Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha Ao contrário coloca-a no lugar apropriado, assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus”. (Mateus 5:14-16).
Jesus aqui tenciona em dizer que somos os portadores dessa luz para trazer as cores de Deus ao mundo. Deus não deve ser um segredo para ser ocultado, ele deve ser mostrado publicamente através dos nossos gestos, atitudes e ações. Deus nos fez ser portadores de luz com a finalidade de que essa luz brilhe. Nós não temos luz própria. Sem Cristo somos apagados, aparece só a imagem do terreno, mas, uma vez acesos, não se pode ocultar tal luz da imagem de Deus em nossa união com Jesus Cristo de Nazaré.
Concordo com (RENDERS, p.95), quando diz que o cristianismo é essencialmente uma religião social, e tratar de torna-la uma religião solitária é, na verdade, destruí-la. De maneira nenhuma pode existir sem a sociedade, sem conviver e falar com outros seres humanos. A fé precisa ser operada em amor, existindo uma conecção da comunidade da fé com a que não tem fé. A missão é na fronteira e no contexto do reino de Deus, não é nossa, é de Deus. A oração ensinada por Jesus é chave quando mencionou essas palavras: “teu reino”, “tua vontade”, percebe-se ainda que nada é individualizado quando mencionou ainda estas: “Pai nosso”, “pão nosso”, “nossas dívidas”, “nossos devedores” (cf. Mateus 6:9-13). Sendo assim, penso que deva existir um lado interno, comum para que haja o acontecimento de um autêntico discipulado e, o lado da comunidade em sua volta que não abraçou a fé ainda. Até acontecer uma transformação como diz (Moltmann, p.87):
 “O Espírito de Deus que vivifica não somente liberta a alma de seu amor acidentado, mas também o corpo de suas contorções e intoxicações”.
Finalizando, quero colocar o seguinte: a espiritualidade não é um monopólio das religiões, nem tão pouco um caminho codificado a trilhar. A espiritualidade é uma dimensão de um encontro do homem com Deus. Essa dimensão se revela pelo diálogo consigo mesmo e com o próprio coração. Neste encontro com Deus, nos encontramos e somos aceitos e perdoados, voltamos ao nosso estado de originalidade perdida em Adão e nos encontramos em Deus através do Seu Filho Jesus Cristo “ultimo Adão”, tornando-nos sal e luz do mundo. Acredito que um dos maiores desafios da espiritualidade missional de hoje é fazer com que as comunidades tenham uma experiência real com Deus e não com o fenômeno evangélico, através de suas doutrinas, dogmas, ritos, celebrações que são apenas caminhos institucionais sinalizadores capazes de nos ajudar na espiritualidade, mas que só acontece, a experiência, depois da espiritualidade e não antes, como se é nomeado hoje. A Igreja como comunidade é o resultado de um encontro com Deus. Ela nasceu através do encontro com a verdade, cujo fundamento é a revelação do Cristo filho de Deus (cf. Mateus 16:13-18).

Romildo Fernandes Gurgel Filho

Bibliografia:
1 – BOFF, Leonardo. Espiritualidade um caminho de transformação. 1ª Edição. Editora Sextante. 2001. p.39.
2 – MUELLER, Ênio R. Espelho, Espelho Meu. Reflexões sobre os fundamentos de uma Espiritualidade Evangélica. Texto 1 unidade 1. p.34.
3 -  http://crendoepensando.blogspot.com.br/2007/06/misso-integral-e-espiritualidade.html -  Acessado em 25/03/2015 as 11:36 h.
4 – www.discipulosdecristoprromildo.blogspot.com.br - acessado em 27/03/2015.
5 – DROOGEN, André. Espiritualidade: O problema da definição. Texto 2 da unidade 1. p.112.
6 – BOFF, Leonardo. Espiritualidade um caminho de Transformação. 1ª Edição. Editora Sextante. 2001. Pr.38-39.
7 – RENDERS, Helmut. O Plano para a vida e a Missão e sua Espiritualidade correspondente. Um novo olhar numa questão essencial. Unidade 8 apostila (1). p.95.
8 – MOLTMANN, Jürgen. A Fonte da Vida, O Espírito e a Teologia da Vida. Editora Loyola – p.87.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

INTEGRALIDADE DA MISSÃO



Por
Romildo Gurgel
MISSÃO

A missão tem como base toda a escritura sagrada, muito embora, a grande comissão de (Mateus 28:19-20) traduz uma forma direta, como um dos mandatos mais significativos de encarnar a vontade de Deus como instrumento reconciliador.  Em primeiro lugar, trata-se do último apelo convocativo do mestre aos seus discípulos, que podemos afirmar como um mandato de proclamação (kerigma) do evangelho de uma forma pedagógica e contínua até reproduzir discípulos reprodutores. Em segundo lugar, é uma chamada radical a todos os seus eleitos, não especialmente aos oficiais da igreja, mas a todos que são verdadeiramente seus seguidores que agradecem pela salvação seguindo-o participando da Sua missão de uma forma que o glorifique através de palavras, gestos, atitudes e ações.
Mateus relata ainda  em seu evangelho  uma "comissão menor" anterior a esta, menos abrangente, direcionada apenas para os doze, (cf. Mateus 10:5-42), geograficamente apenas para as "ovelhas perdidas da casa de Israel" cuja instrução é bem detalhada abrangendo: o foco da proclamação, o cuidado da aparência simples, o cuidado com o peso da bagagem, não serem exigentes quanto a dieta e a hospedagem, serem cuidadosos quanto a possíveis resistências, etc... é  aqui que o Senhor profere uma de suas mais famosas frases, "Não vim trazer a paz, mas a espada", isto devido ao contraste daquilo que ele encarnava, diferentemente das religiões da sua época.
Quanto aos resultados da proclamação desta comissão menor, são percebidos através das parábolas ensinadas por Jesus e por aquilo que sucedeu na história.  O endurecimento dos corações dos judeus, frente a salvação do seu messias, estava claramente declarado. O reino seria tomado e entregue a outros povos. Como por exemplo a parábola dos dois filhos de (Mateus 21:28-32), onde Jesus teceu a história de um homem que tinha dois filhos, chegando para o primeiro (judeus) pediu que fosse trabalhar na sua vinha, onde este prometeu ir, porém não foi. Por sua vez, chegou também para o segundo (gentios) fez o mesmo pedido, sendo que este respondeu que não queria trabalhar na vinha, mas depois arrependido do que disse, foi trabalhar. Jesus finaliza a parábola com estas palavras:
“Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus. Porque João veio a vós outros no caminho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanos e meretrizes creram” (vs.31-32).
Sequencialmente Jesus em outra parábola em (Mateus 21:33-46) parábola dos lavradores maus), precisamente aponta para esta transição de encargo missional. No entanto, esta segunda é bastante crucial em sua ênfase. Ele começa dizendo que um dono de uma casa plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, construiu um lagar, edificou uma torre e arrendou-a a uns lavradores (Judeus) ausentando-se subsequentemente deste país. Chegando ao tempo da colheita enviou alguns servos para receber os frutos do trabalho dos lavradores, sendo seriamente maltratados, espancados um a um levando alguns a falecerem por esses maus tratos. O dono da vinha enviando outros servos (profetas) foram tratados de igual modo.  Comovido pelo ocorrido e pela dureza dos arrendatários, decidiu enviar o seu próprio filho achando que por ser filho, eles iriam respeitá-lo e recebê-lo como deveriam receber. Mas os lavradores vendo-o disseram:  ‒ É o filho, matemo-lo porque esse é o herdeiro e nos apoderemos da herança. Assim procederam.
A conclusão da parábola está nos (vs.42-43) que diz:
“A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra angular; isso procede do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos”.
Diante dessas passagens e suas incumbências à missão que Deus destinou para nós (gentios), a igreja tem a tarefa de trabalhar nesta lavoura na posição de serva obediente, comprometida em engajar-se trabalhando e ao mesmo tempo colhendo e cuidando dos frutos até que venha a prestação de contas quando o dono da casa pedir que apresente o relatório de sua administração.
A ação missional da igreja é diretamente proporcional a fidelização daquilo que ela proclama. (Barth, p.11) diz que não se pode saber sobre pregação, proclamação (kerigma) sem se tomar conhecimento sobre os sacramentos. Comenta ele que:
“Não há pregação se o sacramento não vier e esclarecer”.
Muito interessante esta forma dele enxergar a proclamação, penso que aqui ele está observando os dois lados de um caminho de mão dupla, conciliando o lado interno da proclamação e o lado externo, proclamação e discipulado.
Não há como pensar sobre missão sem que percebamos que exista uma associação ao cumprimento da proposta em cumpri-la através da igreja. Veja o que (Zwestsch, p.85)   escreveu em sua tese de doutorado sobre esse assunto:
“...Missão é um conceito atrelado à igreja cristã; serve aos seus ministérios ordenados e afins, que desenvolvem programa e criam projetos no intuito não só de manter, mas principalmente de expandir a igreja...”.
Seguindo essa mesma linha, de missão, igreja, não há como pensar sobre missão desassociando-se do exercício pastoral, da igreja e da comunidade em sua volta.
(Barro p.121-123), comentando sobre essa realidade, fala do exercício pastoral que peregrina em duas vertentes missionais que ele denomina como eclesiocentrismo ed intra (pastoral para dentro) e a eclesial ed extra (pastoral para fora). Ele traduz que a pastoral eclesial é aquela que vive para fora dela mesma, valoriza a missão do povo, do sacerdócio universal de todos os crentes, enquanto a pastoral eclesiocêntrica, refere-se apenas as atividades dentro da igreja.
Entendo que a missão da Igreja embarca dois lados, é tráfego de mão dupla, tem como base o vinde e o ide, é tanto interna, percebida como ambiente de reunião e preparação dos santos, como externa, mundo onde as pessoas são escravizadas pelo sistema corrupto pecaminoso. A missão interna é conectiva, agregadora e socializadora do reino, comunhão e o tudo em comum. A missão externa, é proclamação somada à ação de contextualizar a mensagem frente as realidades espirituais e sociais além de suas fronteiras, “se existir”. O apóstolo Paulo nos ajuda muito a entender essa parte escondida, como sendo uma forma intencional de empoderar os santos para a obra do ministério, conforme escreveu a igreja de Éfeso:
  (Efésios 4:11-13) – “Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,”
Percebo que neste texto, os dons e ministérios possuem duas pautas, uma interna e outra externa: a) Interna - ‘pastores e mestres’. b)  externa ‘apóstolos, evangelistas e profetas’.
 É aqui do lado da pastoral eclesiocêntrica que acontece o diálogo da igreja consigo mesma, frente as realidades do contraste da vida comunitária que estão em volta dela. Como disse (Berkhof, citado por Devid Bosch, p.463):
“A igreja só pode ser missionária se seu estar-no-mundo é, concomitantemente, um ser-diferente-do-mundo”.
É aqui que aparece o caráter diferente transformador que contrasta com as comunidades não transformadas. É aqui em que há o encontro da fé onde não há sinalização de fé explícita e é nesse encontro que a missão acontece. É aqui que entra também a evidência dos dons e ministérios que foram distribuídos aos santos e a capacitação e o encorajamento missional floresce. É aqui onde o discipulado ganha a sua força e o treinamento se dá como aconteceu com o treinamento dado por Jesus aos seus discípulos, mesmo de uma forma desinstalada, artesanal e isolada (dentro).  É aqui que os corações são confrontados e encorajados a saírem da sua zona de conforto e perceberem que todos que são verdadeiros discípulos, são convocados a serem empoderados, através do (discipulado) do lado de dentro e frutificar para o lado de fora.
  Entendo ainda que assim como a queda veio através do desejo humano de comer o fruto proibido, a restauração do homem advém de uma contemplação do desejo de comer do fruto produzido por Deus. Porque a missão nasce pela proposta que contrasta, reino de Deus e mundo.
 Para efeito de ilustração, perceba na (figura 1) abaixo que a raiz de uma grande árvore é o alicerce de sustentação de toda arvore. Quanto mais a raiz se expandir e se aprofundar, maior será a probabilidade dela ser frondosa e cheia de frutos. Todo processo multiplicador sai do lado interno para o externo. Em outras palavras nossa missão é dá tempero a terra e iluminar o mundo (cf. Mateus 5:13-14).


                                                                                    Externo
                                                                                  (ad extra)
                                                                                   (Mt.5:13-16)









            (ad intra)
                                    (Efésios 4;11-13)            (figura 1)




A grande comissão tem como base a ação trinitária, no sentido de colocar todas as pessoas no Pai, no Filho e no Espírito Santo. A trindade incuba-se na ação transformadora do aumento e crescimento e desenvolvimento da lavoura, através da ação da igreja na proclamação pedagógica do evangelho. A abrangência do campo agora é bem maior: É o mundo todo, envolve todas as raças, tribos e nações em toda situação social em que as pessoas se encontram, devemos confirmar nossa obediência proclamando a redenção do Filho como herdeiro da lavoura e da casa.
Na grande comissão, Jesus não deu uma grande sugestão, mas uma grande “missão”, “remeter”, “enviar” que só pode ser obedecida desinstaladamente, informalmente, relacionalmente e permanentemente. Fomos chamados a “ir” e não somente a “vir” (Mateus 11:28).  Como sita (David Bosh, p.462 1952):
“A igreja é, sempre e ao mesmo tempo, chamada para fora do mundo e enviada para dentro do mundo”.
 Pelo menos duas vezes Jesus insiste enfatizar essa verdade: (João 20:21) - Jesus lhes disse mais uma vez: “A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, Eu também vos envio.”
Deus nos chama para fora (ekkesia) e é Aquele que nos remete de volta para o mundo em missão. Somos desafiados a ver em cada passo da caminhada uma oportunidade para partilhar do amor de Deus revelada em Cristo. A melhor maneira de participar dessa vida é empregando-a em algo que tenha implicações eternas.
Todo discípulo é convocado por Jesus a erguer seus olhos para além de suas próprias fronteiras, compreendendo que o projeto divino de transformação inclui nossa participação e empenho, na abrangência não só comunitária, mas também em todas “as tribos, línguas, povos e nações” (Apocalipse 5:9). O Cristo que abraçou o mundo pelo seu amor (João 3:16), nos ordena a fazer o mesmo de maneira sábia, engajadora e responsável. Missão não pode ser divorciada da vida e do exemplo. O evangelho que pregamos deve ser encarnacional.  Jesus criticou duramente os fariseus exatamente por isso quando disse: “Portanto, tudo o que vos disserem, isso fazei e observai; mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não praticam” (Mateus 23:3).

INTEGRAL

O significado da palavra integral possui algumas definições. (Barro, p.2 unidade 2) diz:
“É o que compreende todos os aspectos ou todas as partes necessárias para estar completo: uma educação integral, uma reforma integral”.
Como a palavra integral tem a intenção de não deixar absolutamente nada de fora, continua ainda (Barro, p.2) definindo mostrando a dimensão dessa palavra:
“Que com outros elementos forma uma unidade ou conjunto: os órgãos integrais do corpo humano”.
É a partir dessa ideia que surge a missão integral, ou seja, a missão de Deus é integral, incorpora todas as coisas criadas visíveis e não visíveis.
A missão integral foi gerada no seio da fraternidade Teológica Latino-Americana a pelo menos pouco mais de 20 anos. Desde então a sua intenção tem sido colocar a Igreja dentro de um marco teológico mais bíblico do que o tradicional movimento missionário moderno (Padilla, p.13-14).
Escrevendo sobre a amplitude da missão integral aplicada ao reino de Deus, (Cunha, p.24-29) tece o seguinte comentário:
“Quando Deus criou todas as coisas, ele tinha propósito para todas as áreas da vida do homem e para a criação como um todo”.
Seguindo nesta linha, ele declara que Deus demonstra sua intenção de ter comunhão com o homem, de promover relacionamento entre as pessoas, de vê-lo se relacionando de forma correta com a natureza e de ter tudo caminhando dentro da ordem da própria criação.  Sua abordagem consiste em quatro aspectos das intenções de Deus na sua criação, envolvendo a área espiritual, relacional, físico e sabedoria. Tanto a queda como na restauração pela redenção de Jesus Cristo, essas quatro áreas da vida humana são integralizadas e recuperadas na restauração.
O apóstolo Paulo ajuda a essa ideia dizendo:
“... havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus” (Colossenses 1:20).
(Matthew Henry, Bíblia de estudo.p.1953), comentando este versículo diz:
“Deus por Cristo, reconciliou todas as coisas. Ele é o mediador da reconciliação que proporciona a paz e o perdão aos pecadores, que os traz a um estado de amizade e favor no presente, e levará todas as criaturas a uma gloriosa e bendita sociedade no final”.
(BARRO,  p.3 unidades 2), dá a sua definição de missão integral:
“Missão integral é a proclamação e manifestação (demonstração) do Evangelho do Reino de Deus em todas as dimensões da vida para restaurar (transformar) os relacionamentos corrompidos pelo pecado das pessoas com Deus, com elas mesmas, com seu meio ambiente e suas situações e realidades visando a glória de Deus”
            Sendo assim, nutrido com esse embasamento, acho suficiente em dizer que a integralidade da missão envolve toda a necessidade que os homens passaram a ter depois de sua queda, desde o afastamento de Deus, os sofrimentos em busca de seu próprio alimento, suas condições de abrigo, saúde, física, mental e espiritual e a recuperação integral ao estado de originalidade na criação tendo a igreja de Jesus Cristo como instrumento do cumprimento da missão integral na (missio Dei).


BIBLIOGRAFIA

1 BARRO, H. Jorge. Pastores Livres. 1ª Edição. Descoberta Editora Ltda. Londrina/PR. maio/2013. P.121-123.
2 – ZWETSCH, Roberto E. Missão como com-paixão, Por uma teologia da missão em perspectiva latino-americana. Editora Sonodal. 2008 p.85.
3.http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Comiss%C3%A3o#Relatos_no_Novo_Testamento; Acessado em 17/11/2014.
4-http://hernandesdiaslopes.com.br/2012/04/a-grande-comissao-uma-missao-inacabada/#.UmaGTPk05_k; Acessado em 18/11/2014.
5-http://www.allaboutjesuschrist.org/portuguese/a-grandecomissao.htm#sthash.FrbHHPiV.dpuf. Acessado em 21/11/2014
6 – PADILLA, René C. O que é Missão Integral. 1ª Edição.Editora. Ultimato. Viçosa/MG. setembro 2009 p. 13,14.
7 – BARTH, Karl. A Proclamação do Evangelho. Editora Novo Século. p.11
8 – Bosh J. David . Missão Transformadora. Editora Sinodal. São Leopoldo/RS. 1998. p.446
9 – Bosh J. David . Missão Transformadora. Editora Sinodal. São Leopoldo/RS. 1998.p.449-450.
10 - Bosh J. David . Missão Transformadora. Editora Sinodal. São Leopoldo/RS. 1998.p.463.
11 – BÍBLIA. Bíblia Vida Nova- Editora Vida.
12 – Chave Bíblica – CBB.
13 – BÍBLIA. Bíblia de Estudo Matthew Henry. Edição Almeida Revista e Corrigida.1ª Edição. Rio de Janeiro/RJ:  Editora Central Gospel Ltda., 2014  P.1953.
14 – BARRO, J. H. Apostila do Curso Missão Integral. EAD-FTSA Pós-graudação.
15 – CUNHA. Maurício J.S; WOOD, Beth A. O reino entre nós, Transformação de Comunidades pelo Evangelho Integral. 3ª  Edição:  Viçosa/MG : Editora Ultimato. Abril 2009 . p. 24-29.



quinta-feira, 26 de junho de 2014

FRUTO, ORAÇÃO E BÊNÇÃO


Por  
Romildo Gurgel


FRUTO ESTÁ ASSOCIADO DIRETAMENTE A ORAÇÃO, bem como oração anuncia a qualidade relacional do discípulo com algo ainda não estabelecido completamente. Sendo assim, a oração nasce pela necessidade de se concretizar algo já iniciado no interior do discípulos e que já começou a frutificar mas não ainda totalmente.
“...Eu vos escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome” (João 15:16b)
A origem da frutificação do discípulo vem de Deus, porque fomos escolhidos por ele para irmos, se não formos, a frutificação não acontecerá.  Deus não nega nada aos discípulos que estão fazendo a sua vontade na medida que estão indo. A resposta certa para Deus responder a oração consiste em frutificar na sua vontade, ir, até se tornar realidade completa experimental.
A finalidade do fruto permanente é que Deus pretende nos dar aquilo que viermos a lhes pedir. Na obediência de “irmos”, tudo ainda não é definitivo, devido a sua vulnerabilidade do enfrentamento dos processos de continuidade até definitivamente se transformar em fruto permanente.
Se estivermos em Cristo e suas palavras estiverem em nós, poderemos pedir estando certos de que nossas petições serão respondidas positivamente. Primeiro a sua palavra tem que residir em nossa consciência, onde frutificaremos na obediência. Consequentemente, Deus não irá ignorar nossas orações, pois guardamos sua palavra frutificando nelas enquanto Deus ouve nossas petições. A palavra, residindo em nossos corações, fará com que nada pratiquemos e peçamos que seja inadequado a sua palavra, por isso que seremos ouvidos por Ele. Sendo assim, saberemos o que iremos pedir, visto que a petição estará de acordo com o fruto da vida do discípulo. Por isso que não deixamos de ser ouvidos. As promessas estão prontas para serem transformadas em oração. Devemos não só conhece-las, mas torna-las nosso objeto de oração na medida que caminhamos obedientemente.
O início da oração do discípulo começa na prática das escrituras até a frutificação. A partir daí, a oração continua na medida que o grau da necessidade da frutificação dificulte na sua concretização. Deus vela pela sua palavra em cumpri-la. Ele a designou para que seja estabelecida sua vontade na terra como é estabelecida no céu.
Na medida que se pratica a palavra de Deus, se colhem frutos dela. Em determinado local, os frutos são colhidos facilmente, já em outros, é preciso orar para que isso aconteça e se torne algo permanente.  O apóstolo Paulo testemunha dessa experiência com a igreja romana quando escreveu-lhe dizendo: “Quero que vocês saibam, irmãos, que muitas vezes planejei visita-los, mas fui impedido até agora. Meu propósito é colher algum fruto entre vocês, assim como tenho colhido entre os demais gentios” (cf. Romanos 1:13).
Fruto se apresenta na manifestação da justiça. Qualquer obstáculo que impeça tal manifestação, o coração do discípulo perceberá isso. É aqui que a oração ganha sua força, até a concretização e ações de graças.  Sendo assim, serviços, orações é para o louvor de sua graça.  “Cheios do fruto da justiça, fruto que vem por meio de Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus” (Filipenses.1:11).
Louvor e gratidão é fruto de lábios de uma boa confissão. “Por meio de Jesus, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome” (hb.13:15).
Enquanto a injustiça impera, somos silenciados, entramos em processo de oração, buscando a intervenção divina, até que haja uma transformação permanente. Depois é só louvor e ações de graças, e a experiência de todo processo.

Amém,



terça-feira, 10 de junho de 2014

PASTOREANDO O REBANHO DE DEUS - 1 PEDRO 5:2-4



Por Marcos Aurélio dos Santos

Durante minha caminhada cristã pude observar o comportamento de alguns pastores quanto ao seu compromisso de pastorear o rebanho que nos foi confiado. Alguns deixaram para mim lições valiosas, especialmente como exemplo de vida, pastores imitadores de Deus, dignos de serem imitados, modelos do rebanho. Porém outros lamentavelmente nos trouxeram nada mais do que profunda decepção, no qual estes, eu não recomendaria ninguém a imitar. Essa experiência me levou a refletir nas escrituras, como se deve pastorear o rebanho de Deus. Suas implicações, desafios, como cuidar de ovelhas à maneira de Deus. O texto que nos chama para reflexão é 1 Pe.5.2-4 que diz: Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós , não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer, nem por sórdida ganância , mas de boa vontade nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o supremo pastor se manifestar, recebereis a inacessível coroa de glória.

        Pedro exorta os pastores a cuidar das ovelhas de Jesus, não por constrangimento, mas de boa vontade. Pastores que vivem queixando-se de seu ministério, que vêem no pastorado um fardo pesado, difícil de carregar, onde não há alegria no que faz, não estão aptos para pastorear o rebanho de Cristo, pois a chamada é para o serviço espontâneo, com liberdade, sentindo imenso prazer em pastorear o rebanho. Pastorear espontaneamente é amar o que faz, é amar a si mesmo, é a mar a Deus e seu rebanho, ensinando-as a caminhar pelas veredas da justiça, encaminhá-las pelo caminho da graça, levá-la nos ombros e cuidar de suas feridas. Dar para elas alimento saudável, nutrição espiritual, palavra de Deus. Ajudá-las em suas necessidades materiais, pois pastores que dizem ter fé mas não faz obras, sua fé é morta (Tg.2.17). Pastorear espontaneamente é ter profundo sentimento de compaixão, misericórdia, é deixar a graça transbordar. Devemos ser pastores cheios do Espírito, com desejo de servir.

       Pedro continua advertindo os lideres daquela comunidade cristã a exercer o pastorado não motivado pelo dinheiro, mas, de boa vontade. A advertência é para fugir da avareza 2 Pe.2.3 . Devem vigiar para que não vejam no rebanho uma fonte de lucro, uma maneira de se dar bem na vida. O mercenário não sente prazer em cuidar do rebanho. Em vez de cuidar, proteger, alimentar, sua intenção é tirar a lã, explorar, negociá-la por bom preço. Disse Jesus: O mercenário que não é pastor, a quem não pertence às ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e as dispersa. O mercenário foge porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas. (Jo.10.12-13).

      Certa vez um colega pastor me contou um fato que tem muito a ver com o texto acima citado. Um ”Irmão pastor” convidou-lhe para conhecer uma cidade onde se cogitava a possibilidade de implantar uma nova frente missionária. O pastor foi com boas intenções. Na ocasião negociava-se a compra de um terreno na cidade. Mas para surpresa e decepção do pastor, o “irmão pastor” propôs negociar também os irmãos juntamente com o terreno. Sua intenção era vender o pacote completo. Sua visão pastoral era puramente mercantilista. Para ele o que importava era dinheiro no bolso.

      Histórias como estas e outras bem parecidas, não são difíceis de encontrar em nosso meio. É o pastor que antes de ser contratado, sua primeira atitud  é verificar o rendimento mensal da igreja, se não tiver boa renda, ele não aceita a proposta, espera outra melhor. É o que não pensa duas vezes quando recebe uma proposta financeira melhor do que a que ele ganha e isso sem pensar nas consequências futuras quanto a igreja que pastoreia. É o que vende as ovelhas em troca de benefícios em período eleitoral. É o que centraliza, controla tudo que está ligado a área financeira da igreja. É lamentável.
       Nossa chamada é para servir, cuidar, e isso de boa vontade, pensando no rebanho e no seu crescimento e não no que ele pode render. Exercer a disciplina do contentamento, trilhar no caminho da piedade. Pastorear o rebanho de Deus é pastorear consciente de que as ovelhas nos foram confiadas, que na vinda do senhor haverá prestação de contas. Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto! diz o Senhor (Jr.23.1).
        A advertência agora é para que os pastores não sejam dominadores das ovelhas que Deus os confiou. Não devem dominar porque o rebanho não lhe pertence. O sangue derramado na cruz não foi o do pastor humano, mas do sumo pastor que se manifestará em glória (2 Pe.5.4).
      Podemos observar aqui algumas características de pastores dominadores. 1) Coloca-se sempre numa posição acima do rebanho, não aceita estar em pé de igualdade com as ovelhas. 2) Não admite ser questionado, julga-se dono da verdade. 3) Usa da psicologia para causar medo nas ovelhas, tira a liberdade de expressão do rebanho. 4)  Detém o poder a qualquer custo.5) Fica doente quando lhe é retirado o poder. 6) É centralizador em extremo.
       Podemos citar outras características aqui, mas creio que estas já definem por demais os dominadores de rebanho. Digo que pastorear é servir, pois foi este o exemplo de Cristo em seu estilo de pastorear. Se alguém pensa em pastorear, mas não se dispõe a servir aos irmãos, não está apto para cuidar de gente.
     Um versículo que nos chama atenção no texto é 1 Pe 5.1. Reconhecendo suas falhas e caminhando nos passos da maturidade, Pedro ao escrever esta carta demonstra um profundo espírito de humildade, pois sendo apóstolo se considera como um dos presbíteros desmentindo toda e qualquer honra que lhe foi atribuída de primeiro papa.  Quantos de nós pastores estamos dispostos a ser o menor na congregação que pastoreamos?
       Por fim, a advertência é para sermos modelos do rebanho. Então, é imprescindível que as ovelhas vejam em nós o exemplo de Cristo, que através de um relacionamento entre ovelha e pastor possa haver necessidade de imitar. Como diz Paulo: Sedes meus imitadores, como também eu sou de Cristo. Nisto o pastor deve se esforçar para viver um estilo de vida à maneira de Jesus, produzindo frutos, servindo, amando, para que possa receber a coroa de glória (1 Pe 5.4). Mais uma vez digo, pastorear é servir, pois Cristo, o Sumo  Pastor disse dele mesmo: Tal como o filho do homem, que não veio para ser servido mas para servir e dar a vida em resgate de muitos (Mt 20.28).


domingo, 27 de abril de 2014

O TESTEMUNHO CRISTÃO E O ESPÍRITO DA IGREJA

Por Fernando Camboim Filho

A parábola do Rico e Lázaro mostra que o questionamento do rico no Hades veio a partir de uma relação anterior com qualidades humanas, quando eles ainda estavam em vida, e com todas as oportunidades da prática do amor fraternal em Cristo. Depois dessa passagem era impossível qualquer tipo de auxílio de ambas as partes pois um abismo não permitia tal coisa. Estava fora da esfera do Evangelho de Jesus Cristo com suas propriedades eucarísticas, isto é, na carne e no sangue.

A Igreja é uma comunidade de pessoas que a princípio se escolheram reunir em nome de Jesus Cristo e participam da Sua Mesa. Nessa comunidade temos vários tipos de pessoas, temos pessoas célebres, temos pessoas que tem certa condição financeira, temos pessoas bem simples e pobres, temos pessoas com excelente capacidade de expressão e temos aqueles que não falam muito. Todos são membros uns dos outros em Jesus Cristo na qual não faz acepção de pessoas.

Na prática, a função de um Pastor é unicamente nivelar todos os irmãos em Jesus Cristo. Se por acaso um irmão se sente constrangido porque se julga inferior aos demais, o pastor deve ter olhos para perceber isso e elevar aquele irmão até a estatura de Cristo. Se por acaso um irmão se julga importante porque colabora mais dos que os outros, o pastor deve fazer com que o irmão desça do pedestal e se posicione em Cristo. Por exemplo:

Digamos que houve uma enchente, e um irmão mais humilde perdeu a metade de sua casa por causa das águas, ficando apenas com um cômodo que serve para quarto e cozinha, e onde todos dormem à noite espalhados uns sobre os outros. Aí entra a questão do dinheiro da igreja, que não tem limites, todos contribuem para levantar de novo a casa do irmão, porque o amor fraternal faz com que todos se
vejam nele. Por sua vez, o irmão que está sendo beneficiado tem que entender que não está devendo favores a ninguém, está recebendo o benefício por causa de Cristo e dá Graças a Deus. Ele mesmo gostaria de estar numa situação inversa, gostaria de estar ajudando a outros, pois mais bem aventurado é dar do que receber, mas não pode fazer nada a não ser estar agradecido.

A continência pastoral tem que ser unânime para todos e sem nenhuma preferência. O pastor tem que saber que nenhum aspecto de departamento, seja escola bíblica, louvores, tarefas criadas com objetivos evangelísticos, retiro, jejuns, dons espirituais, qualquer coisa que se possa inventar e ainda que seja do agrado das pessoas, ninguém tem nenhuma obrigação com coisas, pois nunca deverá ser maior do que as considerações eucarísticas, que expressa a superioridade do amor que nunca passará.

Depois de feito tudo isso, esse cristão está pronto para agir com todas as pessoas da
circunvizinhança, tratando-as como se elas mesmas pertencessem a sua própria comunidade definida como igreja, levando Jesus no coração com atitudes que irá chamar atenção, ainda que não esteja preocupado com isso, pois é luz do mundo.

O contrário de tudo isso, é ver pessoas que se dizem pastores, apóstolos, bispos, se colocando como intermediários para tudo aquilo que se possa fazer de bom para Deus, como se Deus precisasse de dinheiro, desnivelando as pessoas para serem individualistas. Não estão cuidando do rebanho de Cristo.

Fernando Camboim Filho

terça-feira, 18 de março de 2014

PALAVRAS NÃO SÃO MERAS PALAVRAS!!!!


Romildo Gurgel

O rei Salomão nos ajuda a entender o que se encontra por trás de tudo aquilo que falamos. Os seus ensinos proverbiais ecoam até hoje elucidando o peso de cada silaba pronunciada, seja quem for que a pronuncie.

“As palavras carregam o poder da vida e da morte” (Pv.18:21).

Já em Jesus Cristo tiramos diversos ensinos sobre esse assunto:

1 – Ele nos ensina a discernir hipocrisia dizendo que existe uma raça de víbora falando um monte de coisas boas sendo pessoas extremamente más nas suas ações. Concluiu o seu discernimento assim:

“ a  boca fala do que está cheio o coração”.  (Mateus 12:34b).

Aqui está o discernimento de tudo. Prestem atenção e interpretem o que as pessoas falam.

2 - Jesus ensina ainda que as palavras revelam o caráter de quem as profere. Pelo frutos havemos de conhecer e pesar o que foi falado.

“O homem bom do bom tira do tesouro bom coisas boas; mas o homem mau do mau tesouro tira coisas más” (Mateus 12:35)

3 – As palavras determinarão nossa colheita, frutos e nossa recompensa, nosso destino. Tudo aquilo que o homem semear colherá, essas são as palavras do apóstolo Paulo. Jesus aqui declara qual será a recompensa de tudo aquilo que falamos.

“Digo-vos que toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado” (Mateus 12:36-37).

4 - Todas as pessoas pensam, maquinam, planejam e executam. Transformam pensamentos em ações. No entanto nada disso acontece sem que haja palavras.  Palavras são estruturas poderosíssimas. Deus fez os mundos pela palavra do seu poder e sustenta todas as coisas criadas por essa mesma palavra, como está escrito:

“... sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder...” (Hebreus 1:3b)

5 – Por meio da palavra de Deus, pessoas podem passar por uma transformação poderosa de mudança de vida. E sobre essa palavra (evangelho de Cristo) Deus dá aos que lhes pertence a palavra da reconciliação e da pregação.

“Ide ao mundo e anunciai o evangelho a toda criatura quem crer e for batizado será salvo, quem porém não crer será condenado” (Marcos 16:16).

6 – O apostolo Paulo entendeu que o evangelho é o poder de Deus que ainda opera  e produz milagres para aqueles que dão ouvidos –


“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...” (Romanos 1:16)

Concluo essa pequena reflexão afirmando que:
 Se você faz uso de boas palavras é porque do bom depósito que foram armazenados em seu coração, você está tirando coisas boas.Somado as palavras suas ações autenticam e formam o seu ser. Palavra e ações formam nossa aparência. Caso contrário, se você fala coisas boas e suas ações não correspondem com aquilo que você diz, você estará sendo hipócrita e a verdade não foi trabalhada em sua vida.

Amém,
Romildo Gurgel



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A GRANDE COMISSÃO COMO UM MANDATO PROCLAMADOR E TRANSFORMADOR

Romildo Gurgel


A Grande Comissão de (Mateus 28:19-20) é um dos mandatos mais significativos para quem deseja servir ao Senhor e encarnar a sua vontade como instrumento reconciliador.  Em primeiro  lugar, a grande comissão é o registro da última instrução pessoal deixada por Jesus a seus discípulos. Em segundo lugar, é uma chamada especial de Jesus Cristo a todos os seus seguidores para praticarem enquanto estiverem aqui na terra.
Mateus  relatou também  em seu evangelho  uma "Comissão Menor" anterior a esta, apenas para os doze, (cf. Mateus 10:5-42), direcionada apenas para as "ovelhas perdidas da casa de Israel" sendo obedecida pelos seus discípulos  durante  e depois da estadia de Jesus aqui na terra. Nela, o Senhor profere uma de suas mais famosas frases, "Não vim trazer a paz, mas a espada".
Algumas parábolas  ensinadas por Jesus, retratam o endurecimento dos corações dos judeus frente a salvação do seu messias. O reino seria tomado e entregue a outros povos. Como por exemplo a parábola dos dois filhos de (Mateus 21:28-32) onde  Jesus teceu a história de um homem que tinha dois filhos, chegando para o primeiro (judeus)   pediu que fosse trabalhar na sua vinha, onde este prometeu ir, porém não foi. Por sua vez, chegou também para o segundo (gentios) fez o mesmo pedido, onde este respondeu que não queria trabalhar na vinha, mas depois arrependido do que disse, foi trabalhar. Jesus finaliza a parábola com estas palavras:

“Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus. Porque João veio a vós outros no caminho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanos e meretrizes creram” (vs.31-32).

Sequencialmente Jesus teceu outra parábola em (Mateus 21:33-46 parábola dos lavradores maus), que aponta para esta transição de encargo missional. No entanto, esta segunda é bastante crucial em sua ênfase. Ele começa dizendo que um dono de uma casa plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, construiu um lagar, edificou uma torre e arrendou-a a uns lavradores (Judeus) ausentando-se subsequentemente deste pais. Chegando ao tempo da colheita enviou alguns servos para receber os frutos do trabalho dos lavradores, sendo seriamente maltratados, espancados um a um levando alguns a falecerem por esses maus tratos. O dono da vinha enviando outros servos foram tratados de igual modo.  Comovido pelo ocorrido e pela dureza dos arrendatários, decidiu enviar o seu próprio filho achando que por ser filho, eles iriam respeitar e recebê-lo como deveriam receber. Mas os lavradores vendo-o disseram:  ‒ É o filho, matemo-lo porque esse é o herdeiro e nos apoderemos da herança. Assim procederam.
A conclusão da parábola está nos (vs.42-43)  que diz:

“A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra angular; isso procede do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos  frutos”.

Diante da realidade da missão que Deus nos entregou, a Igreja tem a tarefa de  trabalhar nesta lavoura na posição de serva obediente, comprometida em trabalhar trabalhando e ao mesmo tempo colhendo e cuidando  dos frutos que não  pertencem a ela até que venha a prestação de contas quando o dono da casa pedir que apresente o relatório de sua  administração.
A grande comissão tem também como base a ação trinitária, no sentido de colocar todas as pessoas no Pai, no Filho e no Espírito Santo. A trindade incuba-se na  ação transformadora do aumento e crescimento e desenvolvimento da lavoura, através da proclamação pedagógica do evangelho. A abrangência do campo agora é bem maior: É o mundo todo, envolve todas as raças, tribos e nações em toda situação social em que se encontram, devemos confirmar nossa obediência proclamando a redenção do Filho como herdeiro da lavoura e da casa.
Na grande comissão, Jesus não deu uma grande sugestão, mas uma grande “missão”, “remeter”, “enviar” que só pode ser obedecida desinstaladamente, informalmente, relacionalmente e permanentemente. Fomos chamados a “ir” e não somente a “vir” (Mateus 11:28), somos desafiados a ver em cada passo da caminhada uma oportunidade para partilhar do amor de Deus revelada em Cristo. A melhor maneira de participar dessa vida  é empregando-a em algo que tem implicações eternas.
O discípulo é convocado por Jesus a erguer seus olhos para além de suas próprias fronteiras, compreendendo que o projeto divino de transformação inclui todas “as tribos, línguas, povos e nações” (Apocalipse 5:9). O Cristo que abraçou o mundo (João 3:16) nos ordena a fazer o mesmo de maneira sábia e responsável.

A CONVOCAÇÃO É DE DEUS, A MISSÃO É DE DEUS
E A CAPACITAÇÃO TAMBÉM É DADA POR DEUS

“Sem mim nada podeis fazer” (João 15:5)

A obrigação de pregar o evangelho não depende da letra, mas do Espírito de Cristo.  A autoridade de Jesus provê a base para toda obediência do cumprimento da missão. Em  (Lucas 24:44-49), Jesus diz que todas as pessoas serão chamadas a se arrepender e pede aos seus discípulos que esperem em Jerusalém até que lhes seja investido o poder,  que historicamente aconteceu nos dias da festa de pentecostes em Jerusalém. No livro de (Atos 1:4-8). Lucas também relata Jesus enviando discípulos durante o seu ministério para todas as nações e dando-lhes o poder sobre os enfermos e os demônios (cf. Lucas 9:1-2). Em João, Jesus promete enviar-lhes o paracleto, o que também ocorreu em (João 20:19-23). Sendo assim, a igreja possui toda cobertura necessária para cumprir a missão que lhes foi conferida.
A maneira como a grande comissão deve ser levada a cabo pode ser vista pelos três gerúndios. Padilla (p.33-34) descreve muito bem:
1 – O ide é indo “poreuthentes” (v.19) – aqui aponta para uma atitude do discípulo em constante missão mesmo que não cruze uma fronteira geográfica.
2 – Batizando “baptizontes” (v.20) mostra que o fazer discípulos envolve a introdução dos novos crentes à comunidade cristã por meio desse rito de iniciação.
3 – Ensinando !didaskontes” (v.20) -  esclarece que o fazer discípulos  não pode ser dissociado de uma formação integral orientada à obediência da fé.

Podemos resumir que a ideia central da grande comissão consiste em:

a)      Conduzir as pessoas para o caminho (Jesus) para que vejam e entrem no reino de Deus através do (novo nascimento). Somos criadores de pontes para esta conexão.

b)      Levá-los a participar de uma transformação espiritual-almática-física e social. Somos cooperadores para que aconteça a reconciliação do homem em sua totalidade.
c)      Ensinar de uma forma pedagógica a guardar e praticar todos os ensinos que Jesus deixou para serem obedecidos. Não apenas as mais agradáveis, mas a verdade de toda palavra, não apenas o leite, mas também o alimento sólido.

Deus abençoe,

Romildo Gurgel


FONTES

1-http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Comiss%C3%A3o#Relatos_no_Novo_Testamento; acessado em 22/10/2013.
2-http://hernandesdiaslopes.com.br/2012/04/a-grande-comissao-uma-missao-inacabada/#.UmaGTPk05_k; acessado em 22/10/2013.
3-http://www.allaboutjesuschrist.org/portuguese/a-grande comissao.htm#sthash.FrbHHPiV.dpuf
4 – PADILLA, René C. O que é Missão Integral.Editora Ultimato. Viçosa/MG. 2009.
5 – Bíblia Vida Nova- Editora Vida.
6 – Chave Bíblica – CBB.