sexta-feira, 13 de setembro de 2013

DIÁLOGO SOBRE A CEIA DO SENHOR


Romildo Gurgel


Entendo que a ceia do Senhor envolve alguns aspectos que devemos considerar:

a)      O aspecto profético
b)      O aspecto substitutivo
c)      O aspecto vicário
d)     O aspecto do ofício
e)      E o aspecto da monitoração

ASPECTO PROFÉTICO

O profeta Isaías parece nos dar a verdade central quando declara que Deus fará de sua alma (Cristo)  uma oferta pelo pecado (Is.53:10). A compreensão dessa declaração se extrai o entendimento da expiação. Esta declaração profética traduz que os sacrifícios veterotestamentário era uma figura de Jesus como O cordeiro de Deus.

ASPECTO SUBSTITUTIVO
Os sacrifícios da velha aliança eram repetitivos, muitos animais eram mortos. Na nova aliança é um único sacrifício. Aqueles sacrifícios apenas cobriam os pecados, este  remove os pecados.

(Hebreus 10:4-5) – “Porque é impossível que sangue de touros e de bodes remova pecados. Por isso ao entrar no mundo diz:  Sacrifício e ofertas não quiseste, antes corpo me formaste;”.(grifo meu)

(Hebreus 10:9) – “Então acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Remove o primeiro para estabelecer o segundo”.

(1Co.3:14)  – “Mas os sentidos deles se embotara. Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que em Cristo é removido” . (grifo meu).

è O corpo de Cristo é o véu, pois quando Jesus deu sua vida, o véu do templo foi rasgado, traduzindo para nós que o caminho de acesso a Deus foi removido através deste sacrifício que foi superior aos de animais da velha aliança.

Está escrito:
“Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia a exercer o serviço sagrado e a oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca jamais podem remover pecados;” (Hebreus 10:11). (grifo meu).

(Colossenses 2:14) – “Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz”. (Isto ocorre no coração na consciência). Jesus purificou nossa consciência de obras mortas. “muito mais o sangue de Cristo que, pelo Espírito eterno, a si mesmo ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo!” (Hebreus 9:14).

Podemos dizer que ele morreu em nosso lugar como verdadeiro cordeiro pascal (Êxodo 12 e 1Corintio 5:7) e foi a verdadeira oferta pelo pecado (Isaias 53:10), visto que aqueles sacrifícios oferecidos no velho testamento eram nada mais nada menos do que tipos de uma sacrifício que haveria de vir com mais perfeição (cf.Lv.6:24-30; Hebreus 10:1-4).


ASPECTO VICÁRIO

Este aspecto trata-se do sofrimento pelo qual passa uma pessoa em vez de outra, isto é, em nosso lugar. Isto supõe que nós somos isentos quanto ao sofrimento e a penalidade do castigo pelos nossos pecados. Jesus foi o vigário, o substituto que assumiu o nosso lugar, assumindo a nossa culpa e condenação.

Diz as  escrituras:
“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pela fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8).

“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus” (1Pedro 3:18).

Disse o próprio Jesus: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (João 10:11).

ASPECTO DO OFÍCIO

Esta prática inicialmente foi feita por Jesus em uma ceia junto com os seus discípulos (cf. Mateus 26:26-30). É bom lembrar que Jesus nesta celebração está deixando bem claro que o seu dia esta se aproximando. A intenção aqui é preparar o coração dos discípulos para sua hora que estava prestes a acontecer trazendo revelação  desta realidade que iria ser descortinada.  Perceba que esta ceia é uma celebração da páscoa que lembra a passagem dos judeus pelo Egito. Os discípulos sabiam muito bem o significado desta celebração.  Se a celebração da páscoa era uma forma de festejar a saída do Egito para a terra prometida, Jesus  aqui se insere na celebração pré-inaugurando a nova aliança como ele mesmo sendo o cordeiro de Deus oferecendo a sua carne e o seu sangue, tendo o pão e o vinho como símbolos da sua morte e ao mesmo tempo um oficio a ser celebrado como memorial pelos seus discípulos.  No entanto esta celebração ocorreu antes do sacrifício, como se deu com o povo de Deus no exílio antes da saída para a terra prometida, e esta celebração ainda será realizada novamente na sua segunda vinda,  como se deu com os israelitas ao serem inseridos na terra prometida a celebração da pascoa.  Por sua vez, a  a boda do cordeiro se dará na segunda vinda de Cristo, onde haverá nova celebração. Da mesma forma que a celebração da páscoa é importante para o judeu, a ceia é importante para o cristão que celebra a passagem da vida das trevas de pecado para a maravilhosa luz da vida em Cristo Jesus.

A palavra instrutiva como ofício aparece  somente em  (Lucas 22:19) onde o médico escreveu esse evangelho de uma forma mais apurada, acrescentou “Fazei isso em memória de Mim”.
Este aspecto distinto traduz para os que participantes que devem trazer a lembrança, não como algo em existência no momento presente, mas sim algo do passado que esta sendo lembrado, sendo trazida a memória. A alegria da participação desta celebração é que Jesus como cordeiro, não precisará mais sacrificar-se novamente.

Este ofício foi amplamente praticado pela igreja primitiva em suas residências (cf. Atos 2:42).

O crente ao participar da Ceia do Senhor demonstra simbolicamente tudo o que a morte de Cristo significa para ele.

Nos é dito expressamente que a ceia do Senhor simboliza a morte de nosso Senhor como sacrifício pelos nossos pecados:
“Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha” (1Coríntios 11:26).

Podemos dizer ainda  que a  ceia é uma reunião simbólica onde se traz a memória o sacrifício vicário de Jesus Cristo, e espera-se que todos participantes tenham sido beneficiados mediante a expressão de sua fé. Jesus tanto é o nosso cordeiro pascoal, bem como o nosso sumo-sacerdote-eterno,  entregou sua vida a morte afim de que pudéssemos recebê-la; Ele é o doador é nós somos os receptores, (cf. João 12:24 “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz muito fruto.),  os beneficiados pelo seu sacrifício em ter aberto a porta da comunhão com Deus através do véu, isto é sua carne e receber o seu senhorio, como está escrito:
“Tendo, pois irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza, tendo os corações purificados de má consciência, e lavado o corpo com água pura” (Hebreus 10:19-22).

Diante do exposto entendo que a ceia do Senhor deve ser uma celebração de vida, cada participante deve se alegrar nesta comunhão com Deus pelo caminho que lhes foi aberto por Jesus Cristo. Neste ponto, o Senhor participa na comunhão, como Cordeiro, doador de vida e Senhor. Aqui reside a importância da introspecção de uma avaliação pessoal ao participar desta festividade (1Coríntios 11:28). A celebração é da comunhão.

ASPECTO DA MONITORAÇÃO

Está escrito:
“pois quem come e bebe, sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós mesmos fracos e doentes, e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” (1Coríntios 11:29-32)

Amém
Romildo Gurgel

Fonte:
1 – Bíblia Vida Nova da editora Vida.
2 – Chave Bíblica, SBB.
3 – Concordância Bíblica, SBB
4 – Palestra em Teologia Sistemática, Henry Clarence Thiessen; 1987; IBR.
5 – Pequena Enciclopédia Bíblica, O.S.Boyer; 1978; Editora Vida.








domingo, 1 de setembro de 2013

A LEI DO ANTIGO PACTO X A LEI DO NOVO PACTO

Por  Romildo Gurgel

(Hebreus 8:10) – “Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”.

Aqui está revelado a diferença entre o novo pacto e o antigo pacto.  No velho pacto, a lei estava fora do homem, foi escrita em tábuas de pedra.  No novo pacto, a lei é escrita em nossos corações.  Logo os que estão sujeitos à lei da velha aliança, estão debaixo da lei do pecado e da morte, pois a lei não aperfeiçoava ninguém, antes encerrava a todos  como pecadores transgressores. Os observadores da lei são chamados como sendo aqueles que estão na superfície da letra, pois essas leis estão do lado de fora das vida humana, enquanto que a lei do novo pacto é inscrita na profundidade, nos corações, conforme  está escrito: “...não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações” (2Co.3:3); e ainda continua o apóstolo: “o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica” (2Co.3:6). Percebe que somos colocados como ministros do novo pacto tendo como base a vida e não leis do velho pacto.

Qual é a lei que pode ser colocada em nossos corações e qual a sua natureza?

a)      Não é a lei da letra, ou seja, a lei do velho pacto, velha aliança ou lei mosaica, mas a lei da vida. A lei que Deus põe em nossos corações é a lei da vida que ele nos dar, por intermédio do Espírito Santo. A vida de Deus vem do Seu Espírito.
b)      O apóstolo Paulo nos diz que a lei da nova vida, nos livra da lei do pecado e da morte, interpretando para nós que a lei do velho pacto da velha aliança, foi abolida por essa nova lei de vida.
(Romanos 8:2) – “Porque  a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte”.
Com isso entendemos que a lei do Espírito de vida é uma única só lei enquanto que a lei do antigo pacto contém muitos artigos. A grande questão não consiste em ser observador de inúmeras leis, preceitos, regras e assim tentar obedecê-las, mas possuir dentro de si a  própria vida do filho de Deus em nossos corações e ser livrado da lei do pecado e da morte.

Todos nós estávamos enfermos e mortos por causa da lei do velho pacto. Então Deus colocou em nossos corações o Espírito Santo afim de que a vida do Seu Filho seja impressa em nossos corações. Isto traduz para nós que esta é a lei do Espírito de Vida, como está escrito: “Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Romanos 8:3).

Deus colocou dentro de nós a lei da vida, e esta lei foi dada pelo Espírito Santo que imprime a vida de Jesus Cristo em nossos corações. 

c)      Observe que o texto menciona que o novo pacto foi destinado para a casa de Israel.  Devido Israel ter desprezado este novo pacto pelo endurecimento em não reconhecer Jesus Cristo como messias e introdutor do novo pacto, foi-nos aberta a porta dessa graça, afim de que as bênçãos que eram destinadas para eles, viessem para o desfrute dos gentios, revelando no entanto o grande parêntese do mistério oculto de Deus que é a sua Igreja conforme está escrito:
“Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justificação vieram a alcançá-la, todavia a que decorre da fé, e Israel que buscava a lei de justiça não chegou a atingir essa lei. Por quê? Porque não decorreu da fé, e, sim, como que das obras. Tropeçaram na pedra de tropeço, como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nela crê não será confundido” (Romanos  9:30-33).

Com a rejeição de Israel, veio a esperança para os gentios. Quando os seus ramos foram quebrados, nós como oliveira brava, fomos enxertados e nos tornamos participantes da raiz e da seiva da oliveira (cf. Romanos 11:17). A mesma escritura ainda diz que se eles considerarem o novo pacto elaborado e concluído em Jesus Cristo seria também reenxertados nesta mesma oliveira que faziam parte antes quando era vigente o velho pacto (cf. Romanos 11:23-24). Mas enquanto eles permanecerem alheios e desconsiderarem este novo pacto, permanecem cortados até o dia de hoje.

Sejamos, pois agradecidos pela tão grande salvação.

Romildo Gurgel


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

PRESERVANDO A VITALIDADE ALMÁTICA


“Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e, sim, poderosa em Deus, para destruir fortalezas; anulando sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2Coríntios 10:3-5).

O texto apresenta uma batalha  cujas armas de apetrechos de guerra são utilizadas em um conflito mental onde todos nós somos imbuídos como coadjuvantes.  O campo de batalha é travado aqui, na nossa mente. Frente  às linhas de combate estas armas  se encontram opondo-se umas contra as outras e  o nosso arbítrio consiste em se aliar a uma delas. Não há como ficar na neutralidade ou como mero expectador, como um  boneco no conforto das  arquibancadas mentais e emocionais, pressentindo ou assistindo os fleches do que vai acontecer, alimentando nossas emoções com diversos sentimentos na medida que as linhas de frente vão se desenvolvendo, tomando ali suas posições.  

Experiencialmente, percebe-se que isso acontece as vezes de uma forma rápida e outras como que as milícias vão se aglomerando, construindo uma formação bem agregada até que uma milícia se configure convencendo o nosso coração a apoiar e se alistar.
Duas forças de milícias são formadas para que haja uma batalha para uma possível sujeição ou erradicação.   

Todos nós estamos convocados quanto a participar desta luta interior no campo de nossas almas.

A metodologia desta batalha não depende das táticas utilizadas deste mundo. O que o texto sugere é que apelemos para o uso das poderosas armas de Deus para derrotar as fortalezas da linha de frente inimigas da verdade. Elas (fortalezas inimigas) deverão ser neutralizadas e serem levadas cativas a obediência de Cristo. E nisto consiste a nossa vitória interior.

Sugere ainda o texto que a revelação da pessoa de Cristo é o que forma a milícia poderosa contra as argumentações especulativas intelectuais. Se a luta é no campo da mente, é de suma importância que a revelação da verdade, que é o poder de Deus, haja contra essas linhas inimigas mentais  levando-as cativas a obediência da verdade da pessoa de Jesus Cristo. 

Como coadjuvantes, o apelo apostólico reside em utilizamos as armas poderosas em Deus para destruição destas fortalezas mentais. Se assim fizermos no final, depois de ter vencido tudo, a vitória será nossa.
No entanto, devemos nos submeter à Deus, resistir às forças malignas mentais para que possamos ficar firmes. Deveremos ter ânimo pronto, acreditando que a palavra de Deus seja o guardião de nossos corações. Sendo assim, a paz de Deus que excede todo entendimento poderá guardar nossos corações em Cristo Jesus.
 A palavra de Deus  é conhecida como espada de dois gumes, penetra nas juntas, medulas, faz separação entre alma e espírito e é apta para discernir os intentos e os propósitos do coração (Hb.4:12). Ela é arma defensiva e ofensiva ao mesmo tempo, é radar esquadrinhador, não se quebra, não se fragmenta pelo uso ou se desgasta, ela é eterna.

Deus o grande general, em Cristo é o Rei da milícia da verdade...
Ele mesmo disse: "Eu sou o caminho a verdade e a vida" (João 14:6). 

E ainda mais  disse: "O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito, são espírito e são vida"(João 6:63).

No entanto, não há como desertar desta luta interior. Devemos acreditar na verdade da palavra de Deus e deixar que ela assuma a liderança desta batalha.

Ao Exemplo de Jesus quando estava para decidir entre a sua vontade e a de seu Pai,  Ele disse:

" A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo" (Mateus 26:38)

Disse ainda:

"Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai: Se possível passe de mim este cálice! Todavia não seja como eu quero, e, sim, como tu queres" (Mateus 26:39).

Concluo com o salmo de Davi, que nos faz refletir tudo o que reportamos aqui nesta reflexão. O rei Jesus tem que reinar interiormente dentro de nós.

"Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da glória, quem é o rei da Glória.  Quem é o Rei da Glória? o Senhor dos Exércitos, Ele é o Rei da Glória" (Salmo 24:9-10).

Amém,

Romildo Gurgel

13:11 h. do dia 14/08/2013 atualizado em 29/08/2013

segunda-feira, 17 de junho de 2013

EXERCÍCIO DE LIDERANÇA, SUBMISSÃO E MISSÃO


Romildo Gurgel

“Digo-lhe a verdade: Quando você era mais jovem, vestia-se e ia para onde queria; mas quando for velho, estenderá as mãos e outra pessoa o vestirá e o levará para onde você não deseja ir” (João 21:18).

Estas palavras ditas por Jesus a Pedro, é o cerne da liderança cristã. Aqui fala da capacitação de servir e seguir o caminho da vontade de Deus sem resistência. Para que isso venha acontecer faz-se  necessário uma postura prontificada de humildade.
O mundo ensina que um jovem deve lutar pela sua independência, e enquanto não adquire, não pode ir onde deseja ainda, mas quando crescer e ficar maduro será capaz de tomar suas próprias decisões, seguindo seu próprio caminho e controlando o seu próprio destino. Mas Jesus ensinou de forma diferente para Pedro revelando que a maturidade está na capacidade de abandonar e deixar-se levar para onde você preferiria não ir. Maturidade ensinada por Jesus envolve submeter sua própria vontade e de forma humilde, subjulgar essa vontade própria a uma atitude de leveza de se deixar ser conduzido com facilidade ao propósito da vontade de Deus.
Quando Jesus chamou a Pedro para ser um líder de Suas ovelhas, Ele deixou bem claro  ao confrontá-lo com a dura verdade, de que o líder deve ser um servo guiado para lugares desconhecidos, indesejáveis e muitas vezes dolorosos. O caminho de um líder cristão não é um caminho de ascensão, mas revela-se em um caminho descendente até a crucificação.

·         Maturidade cristã reside na capacidade de dizer não a si mesmo. E de aceitar ir aonde tem que  ir, mesmo quando não se quer ir.
·         Maturidade cristã aparece quando é o que se deve ser, mesmo que não seja este o nosso natural interesse.
·         Maturidade cristã se destaca quando se faz aquilo mesmo que seja a contragosto.

O maior líder é aquele que tem o maior dos líderes, Jesus Cristo como Senhor.

Não precisa ir muito longe para se observar quem são os lutadores da arena da alma. Conflitos de vontades, disputas de poder, este é o cerne das batalhas travadas ali: Sua vontade e a vontade de Deus. O resultado dessa luta será a “vontade que prevalecer” que será a dona de nossas intenções, ações e propósitos.
Sendo assim, dois termos aparecem nas Escrituras Sagradas. O primeiro é o esvaziamento, e o outro é o enchimento. A verdade é que não há como encher algo que esteja plenamente cheio.

Está escrito:
“...deixem-se encher do Espírito Santo” (Efésios 5:18b).

Deixar-se encher, consiste em você fazer a sua parte, permitindo que haja um esvaziamento, para que o Espírito Santo ocupe o lugar que estava cheio de sua vontade anteriormente. A sua parte esta na palavra do versículo “deixem-se” e nessa arena da alma, o Espírito Santo assumirá o enchimento simultaneamente na medida em que houver um esvaziamento.

Entenda isso:  Fora da sua vida, Deus é um juiz, dentro de sua vida e assumindo a sua vontade, ele é seu Salvador. Salvação sem senhorio é deixar Deus de fora. Se não houver uma transformação, serão meras informações. Se não houver uma transformação para que Deus assuma a nossa vontade, a nossa vontade própria no céu, seria manifestação de demônios, pois ela é por demais corrompidas.

Entenda que não existe um plano B que venha substituir a vontade de Deus. A santificação bíblia é um processo de humilhação da nossa vontade e apropriação da vontade de Deus em cima dessa vontade corrupta.

A Bíblia diz: “Sem santificação ninguém verá o Senhor”(Hebreus 12:14b).

Uma vontade que não se rende é o mais serio de todos os obstáculos para saber a vontade de Deus.

Que o Senhor nos ajude.

Romildo Gurgel

FONTE:
1 – Extraído e compilado do livro de WANDERLEY, Sergisfredo. Cristianismo Diabólico. Editora Danprewan, 1ª Edição; Rio de Janeiro, 2011 pp.130-134.
2 – Bíblia Sagrada NVI
3 – Chave Bíblia – SBB





sábado, 15 de junho de 2013

VIDA ATRAVÉS DA MORTE


 Romildo Gurgel

Se você morrer antes de morrer, não haverá a mínima chance de morrer depois.

“Ou, porventura, ignorais que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Romanos 6;3-4).

Somos chamados para morrer. Morrer para nós mesmos e viver para Deus. O que está na moda e faz tempo é o que chamo de graça barata, sem cruz, sem dor, sem arrependimento e sem novo nascimento. Favorecer esse cristianismo barato não é o cristianismo legítimo proposto e ensinado por Jesus Cristo e seus apóstolos.
Cada um de nós vive uma tensão entre metanóia (arrependimento, conversão) e paranoia (sentimento de desconfiança e mal funcionamento). Caminhamos na pista estreita entre fidelidade e a traição. Nenhum de nós está imune de um discipulado falsificado. O evangelho da graça barata dilui a fé  numa mistura morna da Bíblia, espiritualidade essa que não  traz nenhuma semelhança com o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo.

O batismo é uma figura simbólica que traduz o testemunho da nossa morte e ressurreição em Jesus Cristo.

A nossa justificação poderá ser lida através de um testemunho publico de um batismo nas águas, pois em  Jesus Cristo  morremos  a sua morte  e ressuscitamos pela sua vida. As escrituras nos diz: 
"Esta palavra é digna de confiança: Se morremos com ele, com ele também viveremos" (1Timóteo2:11); 

"Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus" (Colossenses 3:3).

E ainda diz as sagradas escrituras:
“porquanto quem morreu, justificado está do pecado.  Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos” (Rm.6:7).

Qual é a nossa atitude frente a esta verdade?
Temos que considerar ou levar em conta essa verdade, fazendo com que mediante a  fé, venhamos a viver para Cristo. A fé em Cristo, opera tanto a morte como a vida. Como está escrito:
“Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus” (Romanos 6:11).

Como essa verdade se processa em nossas vidas?

Trazendo consigo o morrer de Jesus mediante a fé!!  Morrendo através dessa consideração, faz com que levemos essa morte em nosso corpo, para que também a sua vida se manifeste através daquilo que morremos nEle. 
“Levando sempre no corpo o morrer de Jesus para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. De modo que em nós opera a morte; mas em vós, a vida” (2Coríntios 4:10-12).

Que o Senhor tenha misericórdia de nós
e faça com que essa verdade seja a nossa vida.


Romildo Gurgel

segunda-feira, 3 de junho de 2013

PARÁBOLA DO TRIGO E DO JOIO (2)

Romildo Gurgel

Leitura Bíblica: (Mateus 13:24-30)

Os discípulos ao ouvirem esta parábola, ficaram intrigados pelo fato de serem dirigidas estas palavras para eles. As incógnitas ficaram formadas no coração do grupo de discípulos. Deixou-os extremamente pesaroso.   Porque Jesus lhes dirigiu esta parábola? O que ele quis transmitir para os seus discípulos?  Na primeira oportunidade  quando iam para casa, o grupo em peso encurralou Jesus com a mesma interrogação:  ‒ Senhor, explica-nos a parábola do Joio no campo (Mt 13:36). Foi quando Jesus começou a sua explicação em (Mt.13:36-43).

Jesus respondeu:
A boa semente é o Filho do homem - (v.37)
O campo é o mundo - (v.38)
A boa semente são os filhos do Reino - (v.38)
O joio são os filhos do maligno – (v.38)
O inimigo que o semeia é o diabo- (v.39)
A colheita é o fim desta era – (v.39)
Os encarregados da colheita são os anjos- (v.39)
O modo da colheita: “Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim desta era. O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz tropeçar e todos os que praticam o mal.  Eles o lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mt.13:40-42).
Os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos ouça – (v.43)

Esta parábola interpretada por Jesus deixa bem claro que o diabo é o que semeia camufladamente a semente maligna no campo do Senhor. Esta semente são seres humanos que cumprem o propósito do diabo frutificando através de seus intentos. Eles são os que praticam escândalos e cometem iniquidade, são os que fazem tropeçar os pequeninos do reino, e que fazem toda sorte de malícia, são os que dissolvem e adulteram a palavra da verdade, são os que causam dissimulação entre os irmãos, são os criadores de toda sorte de contendas, são mestres no roubo e na adulteração.  O apóstolo João diz que estes podem ser identificados pela forma que vivem no seu testemunho.

(1 Jo 3:10) – “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, também aquele que não ama a seu irmão”.

Fora da Igreja, não há a necessidade do joio ser colocado ou semeado. O texto elucida que a boa semente (são pessoas), que foram semeadas no seu campo. Perceba que o campo é a comunidade de Jesus Cristo, e enquanto dormiam, veio o maligno e semeou o joio (pessoas) no meio do trigo. A semeadura do inimigo é planejada por pessoas e com práticas. Jesus falou que o fermento dos fariseus é o da hipocrisia, fingimento e no geral encobrem-se através de práticas que escondem sua verdadeira identidade, pois parecem e muito com as práticas do trigo.  O joio se parece com o trigo  e só se diferencia quando o trigo amadurece e frutifica. Jesus ensinou: “ pelos seus frutos conhecereis” (Mt.7:16). O joio é como um fermento colocado na massa, com o tempo, a massa é alterada e se modifica. O joio se movimenta constantemente no meio da massa, com a intenção de inchá-la. Os filhos do maligno induzem a igreja a práticas bastardas, insinuando a ilegitimidade filial no exercício paterno de Deus. Ele é quem estimula a politicagem, a busca do exercício do poder manipulador do rebanho, é o sustentador de hierarquias religiosas, ele é o organizador de agrupar o joio com a intenção de anular os verdadeiros ministérios pautados pelo dom do Espírito Santo distribuídos pelo filho do trigo em todo o seu campo. Os filhos do maligno são os falsos cristãos, que jamais nasceram de novo pelo poder do Espírito Santo mediante a fé na palavra de Deus. Eles são reconhecidos como cristãos, pelo fato de terem se associado à igreja local, onde o trigo se reúne. Eles se destacam pela conduta moral e exterior como os religiosos faziam questão de se destacarem em praça pública.

CAUTELA NA DEPURAÇÃO

A depuração tem sido a tentação vigente na atualidade.  A grande questão é se o trigo pode ou não depurar? Claro que a disciplina do Senhor começa no próprio rebanho do Senhor, mas quais os critérios que normatizam o rigor disciplinar? Veja que a questão da disciplina não pode e não deve ser a forma de depurar a igreja, isso só compete ao Senhor. Esse ato depurador acontecerá no final quando os anjos ajuntarão o trigo em celeiro e o joio será  amarrado em feixes e queimado (Mt.13:25 e 41-42).
A disciplina na igreja visa a recuperação e não a condenação (cf. 1Co.11;32; 2Tm.2:25; Hb.12:9-11; Mt.18:15-17; 1Co.5:1-5), em nenhuma dessas citações ensina o corte ou a exclusão, mas sim a recuperação.

O CRISTIANISMO VIGENTE

Jesus Cristo é o fundador da igreja. Quem criou o cristianismo não foi Jesus foi o imperador romano chamado de Constantino no terceiro século da era cristã, obrigando todo o império adotar o cristianismo como religião oficial. Desde então, muito joio tem sido colocado no campo de Deus. Trigo e joio se misturam a dois mil anos e ambos são bem parecidos. No entanto uma só instituição é manifestada em dois seres, com a mesma forma, mas com a essência diferente. Uma é divina e outra é diabólica. E ambas ao mesmo tempo se mostram como igreja visível e institucional. Não é de se admirar que verdade e confusão se apresentem tão de perto!  

DESTA PARÁBOLA PODEREMOS AINDA TIRAR O SEGUINTE ENSINO:

No meio da comunidade, “no campo do Senhor”, pode ser apresentado tanto um  verdadeiro cristianismo como também o falso.
O Joio é parte do cristianismo diabólico, mas este está em um local apropriado que a qualquer momento poderá ser transformado, o joio poderá se transformar no mais puro trigo, são pessoas alcançáveis pela evangelização.
A igreja genuína deve ser distinguida do cristianismo. A Igreja é orgânica, fundada por Jesus Cristo “seu campo”, o cristianismo foi planejado e organizado a partir do terceiro século pelo imperador Constantino.
É por meio da Igreja que Jesus Cristo muda o mundo. A Igreja é a única agencia de transformação através do evangelho.
O diabo na promoção do falso cristianismo (evangelho sem cruz, sem arrependimento e novo nascimento) enche o “campo de Jesus” de não convertidos (pessoas que não nasceram de novo).

DESAFIOS DA PARÁBOLA PARA NOSSOS DIAS

- Não compete ao trigo arrancar o joio, isto porque muito das raízes do trigo esta emaranhada com a do joio.
- A igreja deverá rever o caso de cortes dos seus membros. A disciplina bíblica deve ser cultivada entre a comunidade, visando sempre a recuperação e não a exclusão.
- É um desafio enorme o trigo influenciar o joio no aspecto de uma reevangelização acompanhativa até que haja novo nascimento.
- O trigo deve ser identificado como pessoas que foram transformadas pelo poder da palavra de Deus e que passaram pelo novo nascimento, nasceu da semente da incorruptibilidade (cf. 1Pe.1:23; Tg.1:18; Jo.1:13-14; Jo.3:5). São os que foram plantados em Cristo Jesus para produzir trigo (cf. Ef.1:10).
- Somos desafiados a identificar o joio:
- O Joio são aqueles que querem cirandar como trigo (Lc.22:31). Não são regenerados, não nasceram de novo (João 3). Andam segundo o curso deste mundo, movidos pelo príncipe da potestade do ar. (cf. Ef.2:2). Andam segundo a inclinação da carne (Ef.2:3; Gl.5:19-21). Fazem a sua própria vontade, movido pela carne e pela maquinação dos pensamentos (Ef.2:3).
- O joio causa ainda:
- Moléstias – (Jó.1:5-10; Mt.9:33; 12:22)
- Distúrbios mentais – (Mc.5:4-5; Lc.8:35)
- Impureza moral – (Mc.5:2-13; At.5:16; 8:29)
- Dissemina  falsas doutrinas – (2Tss.2:2; 1Tm.4:1)
- É uma oposição aos filhos de Deus no seu progresso espiritual – (Ef.6:12) rouba-lhes os nutrientes necessários para o crescimento sadio.
- Seu líder se apossa do joio quando ver que este quer se posicionar em uma decisão para Cristo Jesus  – (Mt.4:24; Mc.5:8-14; Lc.8:2; At.8:7; At.16:16)
- São reprodutores de toda sorte de mentira – (Jo.8:44; 2Co.11:3)
- São promotores de seduzir a tentação – (Mt.4:1)
- São os que estimulam ao roubo (Mt.13:19)
- São atormentadores – (2Co.12:21)
- São os que  estorvam os santos (incomoda, dificulta) – (Zc.3:1; 1Tss.2:18; Ef.6:12)
- São os que foram colocados para passarem como peneira como trigo – (Lc.22:31)
- São  imitadores da verdade – (2Co.11:14-15; Mt.13:25)
- São acusadores do trigo – (Ap.12:9-10)
- São como feras devoradoras – (Jo.8:44; 1Pe.5:8)

Romildo Gurgel

FONTE:
1 - Palestras em Teologia Sistemática por Henry Clarence Thiessen
2 - As parábolas de Jesus – Simon J. Kistemaker
3 – Cristianismo Diabólico – Sergisfredo Wanderley
4 – Bíblia NVI
5 – Bíblia Vida Nova – Editora Vida
6 – Chave Bíblica - SBB

domingo, 2 de junho de 2013

EDUCAÇÃO NO ESPÍRITO


Romildo Gurgel

A educação ocorre de uma forma enigmática, como um reflexo de um espelho. Se ficarmos na frente de um espelho, observamos a nossa aparência, e ela refletirá a nossa imagem. A imagem é o reflexo de uma realidade visual, sem que ela mesma seja uma realidade, mas apenas uma transmissão visionária da aparência. Pela imagem refletida, podemos observar muitos detalhes, porém, o reflexo jamais poderá ser retocado ou alterado, apenas a realidade é que pode ser vista. O retoque é como um reboco aparente de uma maquiagem exterior, que pode ser também uma camuflagem. O ensino no Espírito é refletir a glória da imagem de Deus como por um espelho. Mas somente quem é mudado é que percebe a diferença e contempla esse reflexo, pois terá olhos aguçados, diferentes, e quando compara com o seu próprio ser, perceberá a transformação que foi incluída no velho reflexo.  A realidade de Deus é revelada por intermédio do Espírito Santo que habita em nós, cujo reflexo transmite como impressões da imagem de Deus.
O ensino espiritual parte da observação desse reflexo obscuro, mas real. Contemplar o nosso rosto, é ver nossa condição de pecadores, é expor o rosto que o espelho refletirá, a partir daí,  se evidencia a  norma da Lei, que encerra todos debaixo do pecado. O reflexo que  é espiritual, poderá servir de um condutor a Cristo, que na relação entre mestre e discípulo  poderá transformar o coração e aformosear o rosto.  O ensino de Cristo, é feito por esta pedagogia através do Espírito Santo.

"E, assim  como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial" (1Coríntios 15:49)

“a todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito” (2Coríntios 3:18).

"Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência". (Tiago 1:23-24)



Romildo Gurgel