Leiamos (Hebreus 9:12-15) v.12 – não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção. v.13 – Portanto, se o sangue de bode e de touros, e a cinza de uma novilha, aspergida sobre os contaminados, os santifica, quanto à purificação da carne, v.14 – muito mais o sangue de Cristo que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo! v.15 –Por isso mesmo, ele é mediador da nova aliança a fim de que intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados. Prestemos atenção sobre três pontos extremamente importante deste texto: v.12 - ...eterna redenção. – não existirá outro meio que venha substituí-lo v.14 -...Espírito eterno... – Foi uma providência de Deus antes da fundação do mundo em perfeita concordância (a trindade). v.15 - ...eterna herança – A transitória ocorreu na velha aliança (promessa de uma terra, semente e bênção) como figura e sombra daquela que iria substituí-la pela eterna. Portanto, Deus considera a redenção pela cruz de Cristo, insubstituível e eterna. Então, qualquer argumentação que venha desnortear o sentido, a intenção e a interpretação da cruz, da redenção, do acesso a Deus, da remissão e confissão de pecados, do perdão concedido por Deus por intermédio de Jesus Cristo não deve ser substituído por esse evangelho barato que se vê pregando por aí e que não salva os homens da sua natureza pecaminosa, e nem os torna nova criatura nascidas do Espírito Santo de Deus. A CRUZ E OS SEUS EFEITOS NA ATUALIDADE Muitas pessoas empurram a cruz para 20 séculos atrás e a consideram como velha, antiquada e obsoleta. Querendo fazer um encontro da era passada com a futura, observa-se os povos da antiga aliança olhando para o futuro, utilizando animais como substituto e figura do Cristo que viria e ofereceria o sacrifício eterno. Enquanto aqueles da nova aliança crêem em uma cruz que já veio, e com facilidade se olha para trás. Na verdade não existe distinção de tempo e época. A cruz do AT estava embutida na morte de animais sacrificados, a do NT esta na radicalidade absoluta, insubstituível no tempo e no espaço tendo como selo a sua palavra de “esta consumado” por aquele que a si mesmo se ofereceu. Portanto é imutável e insubstituível. No Antigo Testamento (AT) Cristo é chamado duas vezes de o Cordeiro (Is 53:7; Jr.11:19). Nos evangelhos e em Atos é mencionado como o Cordeiro três vezes (cf. Jo 1:29, 36; At 8:32). Nas Epístolas é mencionado como o Cordeiro uma vez (cf 1Pe 1:19). Mas, já em Apocalipse é mencionado como o Cordeiro vinte e oito vezes! Isto traduz que a glória da cruz do Senhor excederá em brilho por todas as eras! Até mesmo Deus chama o Seu Filho de Cordeiro neste livro. O Cordeiro aqui é visto como havendo sido recém morto. A ferida ainda esta ali! A ferida eterna garante a salvação eterna. A cruz nunca deveria ser abandonada dos nossos púlpitos!!!! Jamais podemos se esquecer disto. Todos os salvos, devem incorporar esta mensagem e não abrir mão dela, pois não foi com prata ou ouro que fomos resgatados da nossa vã maneira de viver, mas pelo precioso sangue de Jesus Cristo. Isto jamais poderá ser esquecido, por isso que devemos trazer a memória sempre a morte e a ressurreição do Senhor, como esta escrito: “Fazei isto todas as vezes que beberdes em memória de mim” (cf. 1Co.11:25). A palavra “todas as vezes”, significa “freqüentemente”. A razão do Senhor estabelecer a ceia é para que os seus santos se lembre Dele freqüentemente em Sua morte. Ele sabia que os negócios desse mundo, as distrações, e as tentações viriam e iriam secretamente roubar de nós a atualidade da cruz. A cruz deveria ser amplamente retratada diante dos nossos olhos o tempo todo (cf. Gl.3:1). Alguém pode descrever a condição espiritual de um santo apenas pela sua atitude em relação a cruz. Se ele considera a cruz como algo velho, mostra que está separado da fonte de sua força. Para encerrar, quero fazer uma pergunta: Por que razão as hostes celestiais glorificam ao Senhor? “Digno é o Cordeiro que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória e ações de graça” (cf. Ap. 5:12). Naquele dia, também louvaremos ao senhor para sempre por causa da Sua cruz. A cruz é o assunto da Bíblia na terra hoje. Ela será o motivo do louvor na glória no futuro. Pense nisso. Deus abençoe. Romildo Gurgel
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
A EXPERIÊNCIA DA CRUZ
Por
Romildo Gurgel
Neste tempo moderno estamos vivenciando a banalização da cruz do Senhor. Basta prestar atenção as pregações que se prega hoje e você observará que o descaso da mensagem da cruz é enorme. A mensagem da prosperidade pessoal hoje esta em alta, desperta a atenção de uma boa parcela no cristianismo moderno. O apóstolo Pedro já advertia na sua época que não foi com prata ou ouro que nós fomos resgatados da nossa vã maneira de viver, mas pelo precioso sangue de Jesus Cristo. A cruz do Senhor parece que se tornou obsoleta para o evangelho prospero que ouvimos hoje. E o dinheiro “mamon” tornou-se o rei do negócio da religião. O sentido da cruz bem como a sua experiência, não tem nem espaço mais nas mensagens, pois acham que mutilam o povo ao invés de enobrecê-los por esse outro evangelho. Contudo parece até que ela se tornou velha, antiquada e ultrapassada, basta ter um pouco de sensibilidade que se percebe essa mentalidade mercadológica. Ser crente, hoje, virou negócio, um grande negócio, e o dinheiro fala mais alto do que o sangue de Jesus para muitas pessoas. Mas será que esse é o evangelho pregado e ensinado por Jesus e seus discípulos? O evangelho da “renuncia”, do “abrir mão” do “deixar” da “confissão de pecados” do “pedido de perdão” da “reconciliação” da “santidade sem a qual ninguém verá o Senhor” da “humildade”, tem sido esquecido, abandonado (apostasia) e substituído por outro evangelho que não é o Evangelho de Jesus Cristo. Evangelho sem cruz, sem renuncia, sem arrependimento, sem novo nascimento, sem transformação da alma, sem caráter, sem amor, sem compromisso e que faz da palavra de Deus fonte de negócios, não é o Evangelho, é um “outro evangelho” que não é o ensinado por Jesus Cristo. O apóstolo Paulo disse que se viesse até mesmo um anjo e pregasse outro evangelho que não fosse o dele, que fosse amaldiçoado. Como é que muitos cristãos abandonam o verdadeiro pelo falso, se é que experimentou ou teve alguma experiência com o verdadeiro? Como é que o que se vê pela aparência se deixa facilmente ser convencido como sinal de bênçãos. Parece até que o possuir embutiu o sentido da genuinidade da percepção do verdadeiro conceito de bênção. A gente vê por aí as propagandas da prosperidade nos automóveis: “Deus só faz assim”, “foi Deus quem me deu”, “propriedade exclusiva de Deus”. Os bens móveis e imóveis para eles, na propaganda pertencem a Deus, mas o coração dos proprietários estão longe de ser propriedade de Jesus! E o que dizer dos pobres e dos que andam a pé? Será que Deus os abandonou? Este falso evangelho que estamos ouvindo por aí desviam a percepção da verdadeira interpretação das escrituras, divide o corpo de Cristo e promove a separação do povo em classes dos abençoados e dos que vivem na linha da margem da pobreza, que podem até serem conhecidos como irmãos, mas ainda não estão na classificação dos abençoados, porque bênção, virou sinônimo de propriedade de consumo, e se não tem, esta debaixo da maldição.
A cruz também apenas se transformou em objetos decorativos, pendurados nas paredes das casas, escritórios, ou pescoços das pessoas e isto mais por uma superstição do que por crença. Carregar a cruz no pescoço embute a interpretação do carregar a cruz ensinada pelas escrituras! A cruz que precisamos carregar não é visível, aparente e temporal, mas a espiritual e eterna. Não temos que carregar um símbolo no pescoço, mas estar crucificado com Jesus ao ponto de se poder afirmar com entusiasmo: “estou crucificado com Cristo, e não sou eu mais que vivo, mas Cristo vive em mim”. Devemos sempre e por toda a parte, levar o morrer de Jesus, pois a cruz não é algo ultrapassado ou que perdeu a moda quanto a experiência no meio do povo de Deus, o seu frescor é renovador, revitalizador e prático. Uma das maiores fraquezas do povo de Deus é abandonar a experiência da cruz do Senhor por um evangelho de negócios que não transforma absolutamente o coração de ninguém. O poder e a vitória que Deus proveu para o seu povo, esta escondido na cruz do calvário, é ali que a verdadeira riqueza de Deus esta escondida.
Com estas poucas linhas, pretendo levar o amado leitor ao foco do sentido e da importância da cruz que foi prioridade para Deus antes da fundação do mundo. Portanto, aconselho que verifique cada versículo exposto neste artigo. Boa leitura.
A CRUCIFICAÇÃO DE JESUS É ETERNA
A morte de Jesus para alguns é algo que aconteceu a muito tempo, e vinte séculos já passados, parece que não tem força nenhuma de atuação na atualidade. O tempo não corroe o poder da cruz e nem altera as transformações que ela opera no coração do povo de Deus. A cruz tem peso e valor eterno diante de Deus e as suas implicações não podem ser alteradas. A crucificação de Jesus ocorreu na soberania da trindade (fé), desde a fundação do mundo, o sofrimento na cruz foi planejado e selado como sendo o único caminho para a salvação de toda a humanidade e que Jesus Cristo, o filho de Deus, pelo espírito Eterno, sentiu e se ofereceu desde a criação do mundo para executar essa tarefa. Atualmente os efeitos da cruz estão profundamente mais intensos tanto na terra como nos céus, pois lá esta o cordeiro que havia sido morto e no ambiente do mundo derramou sua vida na morte e morte de cruz, e agora esta vivo nos céus, pelos séculos e séculos, com todas as marcas da crucificação em seu corpo ressuscitado. AMÉM! Então, o valor e o poder da cruz de Jesus foram eficazmente experimentados nas eras da criação do mundo se estendeu por toda a criação sem sofrer alteração do seu poder e eficácia na experiência humana, pois na encarnação Jesus elevou o status humano por intermédio de sua cruz ao estado de vida ressuscitada igual ao Seu status eterno. Jesus se tornou o caminho do status da ressurreição, isto é salvação. A MORTE DE JESUS CRISTO NA VELHA E NA NOVA ALIANÇA
Na velha aliança como na nova, os homens pecam da mesma forma. Se existiu pecados na velha como existe na nova, então se faz necessário de um salvador. Se um homem pecou e não recebeu o perdão de Deus, ele estará carregando o seu próprio juízo de julgamento de pecado. Por esta razão, Deus estabeleceu o caminho da substituição na Velha aliança, Ele usou muitos sacrifícios e ofertas para fazer a expiação do pecado dos homens. A partir daí, Deus usou o sacrifício de muitos animais que morreram para substituir e representar o homem, para que ele recebesse o perdão de Deus para os seus pecados cometidos. A palavra expiação tem o significado de cobertura. Na Velha aliança a expiação era apenas uma cobertura dos pecados dos homens com o sangue dos animais, como diz as escrituras: “porque é impossível que o sangue de touros e de bodes tire pecados” (Hb.10:4) . Jesus, é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo.1:29). A morte de Jesus Cristo como o cordeiro de Deus, assinalou uma grande mudança na história, Ele dividiu a era do Antigo Testamento da era do Novo Testamento. Antes da sua morte existia a era do antigo testamento, após a sua morte, houve a inauguração da era do Novo Testamento. Os sacrifícios de animais do VT cobriam os pecados, já o sacrifício de Jesus na cruz, REMOVE os pecados.
Na Velha aliança os animais oferecidos em holocausto representavam o sacrifício vicário do Senhor Jesus, mas não era Ele o oferecido, era um animal, que servia de substituto, porém, não removia o pecado do povo. Deus perdoava os pecados deles, porque via a distância o sangue de seu filho Jesus Cristo. Da mesma forma, o sacerdote olhava para frente, para aquele que iria vir e redimir definitivamente toda a humanidade. Todavia, os sacrifícios oferecidos pelos pecados não eram removidos, eram simplesmente acobertados. Somente o sacrifício de Jesus é que remove o pecado dos homens como esta escrito: Jesus, é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo.1:29). “porque é impossível que o sangue de touros e de bodes tire pecados” (Hb.10:4). Sem a morte de Jesus, não haveria nem a Velha nem a Nova Aliança. O VT não é o corpo de Cristo, mas a sombra do corpo, a sombra do onipotente eles descansavam naquele que haveria de vir e remover os pecados, Já os da Nova aliança, descansam na experiência do corpo de Cristo, da comunidade redimida e que anda em novidade de vida movidos pelo Espírito Santo. A Bíblia diz que Jesus Cristo consumou a obra da redenção oferecendo a si mesmo (Hb.7:27), Ele é Deus, por isso que pode transcender o tempo para redimir aqueles que existiram milhares de anos antes Dele assim como aqueles a milhares de anos depois Dele. Uma vez que Ele consumou a sua obra, Ele a fez para sempre, sem poder ser alterada nem anulada.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
As cem (sem?) razões de meu desencanto
Por Ricardo Gondim
Não perdi o juízo. Minha espiritualidade não foi a pique. Minhas muitas tarefas não me esgotaram. Entendo que meu texto, “Já sei por onde não ir”, causou espécie . Para alguns pareceu vago, para outros, inconsistente. Várias pessoas me avisaram que intercediam diante de Deus pedindo que Ele me acudisse nesse momento delicado de minha vida. Calma! Não há motivos para espantos!
Minha peregrinação cristã está, há muito, marcada por rompimentos. O primeiro, deu-se com a igreja católica, onde nasci, fui batizado e fiz a primeira comunhão. Em minhas premonitórias inquietações com os dogmas religiosos, pedi explicações a um padre sobre algumas práticas que não faziam muito sentido para mim: a veneração dos santos, as rezas diante de imagens de escultura e, principalmente, a transubstanciação da eucaristia, na missa. O sacerdote deu-me as costas, mas advertiu: “Meu filho, afaste-se dos protestantes, eles são um problema!”.
Lendo a Bíblia, decidi sair do catolicismo; um escândalo para uma família que tinha padres e freiras na árvore genealogia e nenhum “crente”. Acabei participando da Igreja Presbiteriana Central de Fortaleza porque meus únicos amigos crentes eram de lá. Enfronhei-me totalmente como membro atuante: freqüentei sua escola dominical, trabalhei com outros jovens na impressão dos boletins, organizei retiros e acampamentos, tentei cantar no coral, liderei a União de Mocidade; enfim, fiz tudo o que podia dentro daquela estrutura. Fui calvinista e acreditei, por muito tempo, que Deus, ao criar todas as coisas, ordenou que o universo inteiro se movesse de acordo com sua presciência e soberania, inclusive as pessoas que vão para o céu e para o inferno. Essa doutrina fazia muito sentido para mim, até porque acreditava ser um dos eleitos. Numa situação bem confortável, podia descansar: minha salvação estava segura. Mesmo que caísse na gandaia, no último dia, de um jeito ou de outro, a graça me resgataria. O propósito de Deus para minha vida nunca seria frustrado, me garantiam.
Mas, numa determinada noite, o Espírito Santo visitou-me com sua ternura. Senti-me imerso no amor de Deus e causei escândalo em nossa comunidade reverente e bem comportada. Sob o impacto daquele batismo, fui intimado a comparecer a uma versão moderna da Inquisição. Numa minúscula sala, pastores e presbíteros exigiram que eu negasse minha experiência, sob pena de ser estigmatizado como pentecostal e sofrer o primeiro processo de expulsão da igreja desde seu estabelecimento, no século XIX. Ainda adolescente e debaixo daquele escrutínio opressivo, ouvi um xeque mate pouco misericordioso: “Peça para sair, evite o trauma de um julgamento sumário. Poupe-nos de nos transformarmos em algozes”. Às duas da madrugada, capitulei e pedi minha saída. A partir daquele momento, não seria mais presbiteriano.
De novo, encontrava-me no exílio. Meu melhor amigo, presidente da Aliança Bíblica Universitária, pertencia a Assembléia de Deus e desembarquei lá. Em meu êxodo, procurava abrigo, sequioso por uma comunidade onde desenvolvesse minha fé. Cedo, vi que a Assembléia de Deus estava engessada. Sobravam legalismo, politicagem interna e ânsia de poder temporal. Não custou reparar que a instituição se achava acorrentada por uma tradição farisaica e, pior, iludia-se com sua grandeza numérica. Já pastor da Betesda, atentei que eu me tornava um estorvo para os processos que mantinham um espírito de boiada. Eu denunciava a gerontocracia assembleiana que amordaçava os crentes e inibia o senso crítico, produzindo uma geração de pastores parecidos com vaquinhas de presépio: sempre a balançar a cabeça em aprovação aos desmandos dos que se encastelavam no poder. Mais uma vez, encontrava-me numa sinuca e precisei romper com a maior denominação pentecostal do Brasil. Dessa vez, caminhei na companhia de minha querida Betesda.
Agora, que sinto necessidade de me distanciar do movimento evangélico, já não tenho tanto medo. Minhas rupturas anteriores não foram suficientes para azedar minha alma e nem tão fortes que me roubassem a fé – “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso”.
Quem me conhece, principalmente os membros da Betesda, minha comunidade de fé, não precisa temer. Estou cada dia mais empolgado com as verdades bíblicas que revelam o Jesus de Nazaré; aumenta minha vontade de caminhar ao lado de gente humana que ama o próximo; sinto-me estranhamente atraído à beleza da vida. Procuro mentores, busco mais amigos que me inspirem a alma.
Então, por que uma ruptura radical se não quero nutrir a intolerância e evito tornar-me um casmurro rabugento? Não desejo ser um crítico que não cabe em lugar nenhum. Não me considero dono da verdade, nem palmatória do mundo. Pelo contrário,cresce minha consciência de como sou imperfeito. Luto para não deixar que minha covardia me afaste de confrontar meus próprios paradoxos. Não nego que sou incapaz de viver tudo o que prego - reconheço que a mensagem que anuncio é muito mais excelente do que minha vida. Sei que o modelo de igreja que pastoreio ainda tem grandes dificuldades. Contudo, insisto com a necessidade de rescindir, pelas seguintes razões:
1. Vejo-me incapaz de tolerar que o Evangelho se transforme em negócio e o nome de Deus vire uma marca que vende bem. Não posso aceitar passivamente que tentem converter os cristãos em consumidores e a igreja, num balcão de serviços religiosos. Entendo que o movimento evangélico nacional se apequenou e não consegue vencer a tentação de lucrar como empresa. Não vou continuar esmurrando pontas de facas.
2. Não consigo mais admirar a enorme maioria dos formadores de opinião dentro do movimento evangélico (principalmente os que usam da mídia). Conheço muitos deles fora dos palcos e dos púlpitos. Sei de histórias horrorosas, presenciei fatos inenarráveis e testemunhei decisões execráveis. Sei que muitas eleições nas altas cupulas denominacionais aconteceram com casuísmos eleitoreiros imorais. Estive em uma eleição para presidente de uma enorme denominação e vi quando dois zeladores do centro de convenção foram aliciados por dinheiro, receberam crachás, e votaram como pastores. Já ajudei em “cruzadas” evangelísticas cujo objetivo não passava de filmar a multidão para mostrar nos Estados Unidos, levantar dinheiro, e manter os evangelistas em luxos nababescos. Sou testemunha ocular de pastores que, depois de orarem por gente sofrida e miserável, debocharam, às gargalhadas, das mesmas pessoas. Horrorizei-me com o programa da CNN em que algumas das maiores lideranças do mundo evangélico americano apoiaram a guerra do Iraque. Naquela noite revirei na cama sem dormir. Parecia impossível acreditar que homens de Deus colocariam a mão no fogo por uma política beligerante e mentirosa de bombardear um país, principalmente porque ela vinha, satanicamente, apoiada pela indústria do petróleo.
3. Concordo que no momento em que o sal perde seu sabor, para nada presta senão para ser jogado fora e pisado pelos homens. Não desejo me sentir parte de uma igreja que perdeu sua credibilidade por centralizar sua mensagem na promessa irresponsável de prosperidade; que busca se especializar na mecânica de fazer preces poderosas; de ensinar a virtude como mero degrau para o sucesso. Não suporto conviver em ambientes onde se geram culpa e paranóia como pretexto de ajudar as pessoas a reconhecerem sua necessidade de Deus.
4. Não consigo identificar-me com o determinismo teológico que impera na maioria das igrejas evangélicas e que enxerga tudo como parte da providência. Há algum tempo, repenso algumas categorias teológicas que me serviram de óculos para a leitura da Bíblia e entendo que esse meu exercício se tornou ameaçador para muitos. Portanto, preciso de lateralidade para contemplar as contribuições das ciências e de outros ângulos para ler as Escrituras. Não agüento cabrestos, patrulhamentos e cenhos franzidos. Desejo a companhia amiga de qualquer pessoa que molde sua vida, consciente ou inconsciente, pelos valores do Reino de Deus e não tenha medo de pensar, sonhar, sentir, rir e chorar. Desejo muito construir minha espiritualidade sem a canga pesada do legalismo, sem o hermetismo fundamentalista dos dogmáticos e sem a estreiteza ideológica de quem gosta de rótulos.
Não, não vou deixar de ser pastor, não abandonarei minha comunidade e nem desistirei de minha vocação missionária. Posso não saber ainda para onde vou, mas estou cada dia mais certo dos caminhos por onde não devo ir.
Soli Deo Gloria.
Fonte: www.vidaacademica.net
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
ORAÇÃO DE CORAÇÃO
Por Romildo Gurgel
Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. (Mt.7:7)
As três expressões, em conjunto, ensinam claramente qual a disposição amorosa de Deus no que diz respeito a atender às orações. (Russel P. Shedd)
E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. - (João 14:13) Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. - (João 14:14)
A verdade desses versículos é que Jesus dará o que se pede em seu nome, afim de que o Pai seja glorificado no Filho.
O que realmente é importante na oração, não é simplesmente orar, pedir, buscar, utilizando as petições no nome de Jesus. O nosso desafio para obtermos a resposta não é cumprir cabalmente o que os versículos estão sugerindo.Sem dúvidas as sugestões dos versículos nos traduz a praticar as verdades ensinadas, mas isso não garantirá ainda sermos respondidos. Mas se você aceitar a tarefa de procurar Deus em seu próprio coração, e se sinceramente abandonar seus pecados, de modo que possa aproximar-se Dele, você infalivelmente O encontrará. Mas se você procura o Senhor e, todavia, não quer parar de pecar, não O encontrará. Por quê? Porque você O procura em um lugar onde Ele não está. Você poderá me dizer: Mas Deus é onipresente, Ele esta em todos os lugares. – É verdade, mas também é verdade que Ele não responde a pecadores.
A grande questão de muitas orações não serem respondidas é porque não estão sendo feitas de coração. Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei. - (Jeremias 29:12)
E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração. - (Jeremias 29:13)
Clamei de todo o meu CORAÇÃO; escuta-me, SENHOR, e guardarei os teus estatutos. - (SL 119:145)
A espécie de oração que estou me refirindo não é uma oração que vem da mente. É uma oração que começa no coração. Não vem do seu entendimento ou de seus pensamentos. Oração oferecida ao Senhor, que sai da sua mente, simplesmente não será adequada. Por quê? Porque sua mente é muito limitada. A mente pode dar atenção a somente uma coisa de cada vez. A oração que brota do coração não é interrompida pelo pensamento! Ela vai muito longe e nada poderá interromper uma oração feita assim. Há uma coisa que pode interromper. Desejos egoístas podem fazer com que esta oração não seja respondida.
O que se precisa saber é como procurá-Lo. Quando achar o modo de buscá-lo, na próxima vez será bem mais fácil, o exercício fará com que se torne algo bem natural. Porém a oração terá que ser feita de coração. Descobrir em como se orar de coração é o que vai fazer toda diferença. Isto pode envolver, zê-lo, profunda sinceridade, fé, respeito, intensa reverência, a verdade da Sua vontade somado com profundo interesse, estar aberto interiormente a ser ajudado imediatamente por Deus. Contudo, afirmo que o seu coração não permitirá se relacionar com Deus com problemas. O Espírito Santo agirá de tal forma no seu interior (coração), que conduzirá a oração, através de confissões, arrependimentos, intensas intregas, promessas de se relacionar com Deus de uma forma mais intensa. Quero lembrar que isso não provém da mente humana, mas do coração, da verdade da ação do Espírito Santo no seu coração em ajudá-lo em suas fraquezas.
UM MODO SIMPLES DE ORAR
Leia um texto ou uma passagem das Escrituras Sagrada, extraia do texto as verdades que poderão ser utilizadas na oração. Não caia no erro de ler o texto e desprezá-lo na oração. A passagem lida revela a vontade de Deus a ser colocada na oração como verdade para conduzi-lo focado na vontade de Deus. Alimente o seu coração da verdade do texto, quanto mais você digerir apoie a sua fé nesta verdade, aplique para sua vida, procurando achar sentido no coração através da oração. Mergulhe nas profundezas da oração meditativa até que um doce aroma desça sobre você. Orar com as Escrituras é encontrar Jesus por aquilo que você esta lendo. Os sentimentos de verdade do texto ou da passagem poderão ser imprimidos no seu interior. Uma vez imprimido, o Espírito Santo lhe ajudará. Não faça isso tão rápido, tenha tempo para orar, não permita a sua mente controlar o horário, ore com forte propósito de buscar o Senhor de todo coração. Coloque o coração diante do Senhor e não na mente. Com certeza você irá encontrá-lo. Isto é prático. Tome Deus a sério. Experimente.
COMO FAZER?
Se isole em um local de sua casa onde você não for incomodado. Um bom local é o seu próprio quarto.
Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. - (Mateus 6:6)
Decidindo assim, se dobre com o propósito de ter comunhão com Deus, leia uma passagem das escrituras, da medida que for lendo, coloque a sua mente na passagem. Você está lendo a fim de voltar sua mente das coisas exteriores para as regiões profundas de seu ser. Não o está fazendo, na realidade, para aprender ou para ler, mas sim para experimentar a presença do Senhor. Pela fé você poderá manter o coração na presença do Senhor. Você encontrará o Senhor no seu coração, no seu espírito humano.
Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele. (1Co.6.17)
Uma vez que seu coração se tenha voltado, interiormente, para o Senhor, você terá uma noção de Sua presença. Será capaz de notar Sua presença mais agudamente, porque seus sentidos exteriores se tornaram agora muito calmos e tranqüilos. Uma vez sua mente ocupada com o que leu, Deus tocará em seu espírito. Se sua mente lhe distrair, foque-a novamente ao texto, digerindo-o no coração. Depois de praticar algumas vezes, se transformará em um hábito, e você poderá voltar profundamente para dentro com mais facilidade do que na primeira vez. Conforme os textos expostos até aqui, o Senhor tem o desejo de se revelar a você e fazer com que você desfrute de sua graça e presença.
O salmista foi um homem segundo o coração de Deus. O seu segredo é que facilmente ele se voltava ao Senhor de todo o coração. Confira esta seleção de textos:
Ensino do coração
Bendido o Senhor, que me aconselha; pois até durante a noite o meu coração me ensina. (Salmos 16:7)
Alegria do coração
Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também a minha carne repousará segura. – (Salmos 16:9)
O Senhor prova o coração
Provaste o meu coração; visitaste-me de noite; examinaste-me, e nada achaste; propus que a minha boca não transgredirá. – (Salmos 17:3)
Falar de coração
Quando tu disseste: Buscai o meu rosto; o meu coração disse a ti: O teu rosto, SENHOR, buscarei. - (Salmos 27:8)
Confiar e saltar de prazer no coração
O SENHOR é a minha força e o meu escudo; nele confiou o meu coração, e fui socorrido; assim o meu coração salta de prazer, e com o meu canto o louvarei. - (Salmos 28:7)
Clamor para que o Senhor conduza o coração
Desde o fim da terra clamarei a ti, quando o meu coração estiver desmaiado; leva-me para a rocha que é mais alta do que eu. – (Salmos 61:2)
Derramar o coração a Deus
Confiai nele, ó povo, em todos os tempos; derramai perante ele o vosso coração. Deus é o nosso refúgio. (Selá.) – (Salmos 62:8)
Unir o coração ao temor do Senhor
Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e andarei na tua verdade; une o meu coração ao temor do teu nome. – (Salmos 86:11) Louvar-te-ei, Senhor Deus meu, com todo o meu coração, e glorificarei o teu nome para sempre. – (Salmos 86:12)
Buscar de todo coração e focar-se nos mandamentos
Com todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos. - (Salmos 119:10)
Armazenar no coração os estatutos do Senhor
Inclinei o meu coração a guardar os teus estatutos, para sempre, até ao fim. - (Salmos 119:112)
Clamor de todo o coração
Clamei de todo o meu coração; escuta-me, SENHOR, e guardarei os teus estatutos. - (Salmos 119:145)
ORAR SEM CESSAR
“Orai sem cessar”. (1 Tessalonicenses 5.17)
É a oração que o discípulo a todo tempo esta com o seu coração concentrado no Senhor. Esta concentração intencional esta no fato do discípulo estender e fazer todas as suas demais atividades por intermédio do seu coração, além do ambiente do seu quarto. O discípulo além de orar nos seu aposento, poderá manter este relacionamento mesmo quando se ausentar dali. A experiência do quarto poderá ir além dessa fronteira e se tornar uma experiência com a mesma intensidade da isolada. Lembre-se que é só você intimamente que ora (no coração). Embora você esteja fora do quarto, poderá manter-se dentro (coração) em todos os seus afazeres.
“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor, e não para homens,” (Colossenses 3.23)
O ambiente do trabalho, na vida comum no lar, ou em qualquer outra atividade ou setor da sua vida, poderá ser levado essa dimensão de oração de uma forma constante e piedosa. Na oração existem inúmeros momentos: Louvor, silêncio, meditação, gestos solenes, desfrute da presença do Senhor, conforto, júbilo extravagante e muito mais. No coração todos esses acontecimentos poderão ser desfrutados, tornando a sua vida uma constante oração. Então, traga a experiência do quarto para o seu dia a dia, muita gente que estiver ao seu redor, será também abençoada. Você poderá trabalhar, estudar, escrever, relacionar-se com as pessoas, comer em um restaurante, se divertir, etc... . Tudo isso pode ser praticado de uma forma mental, mas tente levar para estes locais a experiência da oração de coração. Jesus habita em nosso coração e recebemos no coração o penhor do Espírito. Onde você for você leva-O consigo, mas fazer uso do coração fará toda a diferença. Toda experiência que um cristão possa ter, é proveniente dali, do coração.
“O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau, do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que o coração esta cheio.” (Lucas 6.45)
“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor, e não para homens,” (Colossenses 3.23)
“Seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível de um espírito manso e tranqüilo, que é de grande valor diante de Deus” (1Pedro 3.4)
É do interesse do Senhor conduzir os corações daqueles que lhes pertencem.
“Ora, o Senhor conduza os vossos corações ao amor de Deus e à constância de Cristo.” (2Tessalonicenses 3.5)
A sua parte e dever é:
“antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso corações, estando Sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir Razão da esperança que há em vós”. (1Pedro 3.15)
Deus abençoe Romildo Gurgel
Bibliografia. O assunto do presente texto foi elaborado tendo como base uma adaptação extraída do livro “experimentando as profundezas de Jesus Cristo através da oração”. De Madame Guyon
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
APOSTASIA DOS ÚLTIMOS DIAS
1 – Definição.
Romildo Gurgel
Separação ou deserção do corpo constituído de uma instituição, de um partido, de uma corporação ao qual se pertencia. Abandono da fé, especialmente a cristã. (Dic.Aurélio XXI). O dicionário da Bíblia Online também confirma isso. No léxico grego de Strong menciona duas palavras, a primeira “apostasia” concorda com os dicionários mencionados aqui, encontra-se na Bíblia em (At.21.21) e (2Tss. 2.3). e outra palavra “aphistemi” tem um significado ainda melhor: retroceder, afastar-se, remover, ir embora, abandonar, etc. Encontrada em (1Tm 4.1).
2 - A Bíblia fala de varias apostasias:
a) Da verdade (2Tm 2:16-18)
b) Do Caminho (2Pd.2.15)
c) Da fé (1Tm 6.10,21)
d) De Deus (Hb 3.12)
e) Da congregação (Hb 10.25-27)
3 - A apostasia pode seguir em duas direções:
a) A apostasia moral (volta a práticas pecaminosas). - É o abandono da comunhão salvívica com Cristo e o envolvimento com o pecado e a imoralidade. Esses apóstatas poderão até anunciar a sã doutrina bíblica, e mesmo assim nada terem com os padrões morais de Deus (cf. Is 29.13; Mt 23.25-28). Muitas igrejas permitirão quase tudo para terem muitos membros, dinheiro, sucesso e prestígio (cf. 1Tm 4.1). O evangelho da cruz, com o desafio de sofrer por Cristo (cf. Fp 1.29), de renunciar todo pecado (cf. Rm 8.13), de sacrificar-se pelo reino de Deus e de renunciar a si mesmo será algo raro (cf. Mt 24.12; 2Tm 3.1-5; 4.3).
b) A apostasia doutrinária ou teológica (negação ou deturpação das verdades bíblicas). É o desvio de parte ou totalidade dos ensinos de Cristo e dos apóstolos, ou a rejeição delas (cf. 1Tm 4.1; 2Tm 4.3). Os apostatas apresentarão uma salvação fácil e uma graça divina sem valor, desprezando as exigências de Cristo quanto ao arrependimento, à separação da imoralidade, e à lealdade a Deus e seus padrões (cf, 2Pe 2.1-3,12-19). Nestes últimos dias, os falsos evangelhos, voltados para os interesses humanos e alvos egoístas, estão gozando de popularidade). Essa apostasia como fermento leveda toda uma massa, ou seja, comunidades inteiras poderão ser levadas por essas dissimulações (cf. judas v.4).
4 - Quem abandona a fé, é o cristão ou o não cristão?
Baseados no significado da palavra que acabamos de ver, não tem como um ímpio abandonar algo que nunca abraçou. A Bíblia diz que a natureza humana está destituída da glória de Deus e sua presença (cf. Efésios 2.4-13). O apóstolo Pedro menciona “aquele que depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se o ultimo estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes for não conhecerem o caminho da justiça do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado. Deste modo, sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz; O cão voltou ao seu próprio vômito; a porca lavada, ao espojadouro de lama” (2Pedro .20-22). Então, só o cristão pode apostatar de sua fé. Como a salvação é um dom de Deus o pecador a recebe por meio da fé. Uma fez recebendo torna-se um Cristão salvo. Porém assim como ele recebeu também pode devolver ou desperdiçar o recebido, fazendo com que a operosidade do poder transformador e regenerador seja estancados. Deus não a toma (cf. Romanos 11.29), mas não pode mantê-la com alguém que não esteja disposto a dar continuidade de acreditar. Confira ainda o texto de (Hebreus 6.4-8) onde poderemos extrair as seguintes conclusões:
a) No vs.4 diz que essa pessoa salva, foi iluminada e experimentou o dom celestial e se tornou participante do Espírito Santo. Observe que esse cristão recebeu tanto iluminação como o dom e também o Espírito Santo de Deus.
b) No vs. 5 diz que essa pessoa provou a boa palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, ou seja, essa pessoa experimentou a palavra de Deus no seu cotidiano e também daquelas propostas escatologias que empoderará o povo de Deus no futuro, no reino eterno de Deus.
c) Já vs. 6 fala da apostasia desse suposto cristão com a afirmativa de que é impossível que tais pessoas sejam reconduzidas ao arrependimento e aí cita o motivo.
d) No vs.8 conclui com uma metáfora das bênçãos que são enviadas, afim de que o povo de Deus possa frutificar e serem poupadas do fogo.
5 – Apostasia pede ser parcial ou total.
Exemplos de uma apostasia parcial –
a) As Igreja da Asia – (Apocalipse. 2 , 3.1-22) - Os motivos dos desvios são alistados, como por exemplo:
- Abandono do primeiro amor.
- O erro de declarar que são (judeu) e na verdade não o são.
- Sustentam falsas doutrinas, como as de Balaão e dos Nicolaitas.
- Toleram a mulher profetisa Jezabel que ensina a praticar a prostituição e a comer coisas sacrificadas a ídolos.
- Dizem que estão vivos, mas estão mortos. Nesta comunidade os poucos que vivem estão com os seus dias contatos. Muita gente morre por lá.
-Não são quentes e nem frio, mas morno. esta comunidade se diz que é rica abastada, mas o Senhor diz que ela é infeliz, miserável, pobre, cega e nua.
b) Parábola do filho pródigo – (Lucas 15.11-24). Como vemos, nesta parábola o filho ainda não havia se consumado, haja vista que o filho voltou para a casa de seu pai. Tipificando o retorno do cristão desviado aos caminhos do Senhor. Entretanto o texto é claro em dizer que ele “... estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado...” (v.24). Não podemos dizer que alguém apostatou parcialmente se não houver retorno.
Exemplo de apostasia total
a) (Hebreus 6:1-6) – Como vemos no texto, o cristão que abandona a sua fé totalmente não há possibilidade de retorno. Como diz o texto “...é impossível outra vez renová-los para arrependimento” (v.6). Não podemos dizer que alguém apostatou totalmente enquanto houver oportunidade de retorno.
6 – A importância da advertência – (Ezequiel 3.20,21)
a) É fundamental advertir aqueles que apostaram da fé. Devemos trazê-los de volta com uma certa rapidez. Lembro que trazer de volta é trazer para o retorno da fé em Cristo e não para uma denominação, pois elas não salvam absolutamente ninguém, ela simplesmente é um ambiente onde o povo de Deus se reúne e trafega por lá. Portanto, o retorno é para Jesus Cristo, salvador de nossas almas.
b) Em (Tiago 5:19,20) traduz que o desvio é da verdade e não do ambiente. Sair do ambiente não interpreta-se ainda desvios da verdade, embora a interpretação denominacional enxergue desvios desse modo. Claro que o desvio da verdade poderá levar essa pessoa a se ausentar das reuniões, mas o que dizer dos que estão nas reuniões destituídos da verdade??
c) Jesus disse que se alguém não permanecer n’Ele será cortado (João 15.6)
d) O apóstolo Paulo comenta em (Romanos 11:17-22) da rejeição de Israel da salvação em Cristo Jesus.
e) O autor de Hebreus pergunta ...como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?...” (Hebreus 2.3).
f) Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada (cf. Mateus 12.31). O Dr. Russel Shedd comenta que a blasfêmia contra o Espírito Santo é a rejeição das mais claras provas de que as obras de Jesus que revelam a aproximação do reino de Deus, foram feitas pelo poder do Espírito Santo. (Bíblia Shed, pg.1347).
g) Portanto, devemos conservar e permanecer firmes na fé, não nos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvimos.... (cf. Colossenses 1.23). h) “...os que deixam o Senhor perecerão (cf. Isaias 1,28).
7 - No livro Teologia Sistemática pg.378 tece o seguinte comentário:
“João diz que a vida eterna não é possessão do crente, independente de ele ter a Cristo (cf. 1João 5.11,12). O Pai deu também ao Filho ter a vida em si mesmo no mesmo sentido em que o Pai tem a vida por seu próprio direito e natureza (cf. João 5.26). A nós não foi concedido esse direito. A vida eterna é a vida de Cristo em nós, e nós a possuímos somente à medida que estamos em Cristo”. Conforme (Romanos 8:1) que diz: “Agora pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. Portanto, a salvação é mediante a fé. O cristão tem que conservar a sua fé em Cristo. A apostasia é uma realidade que tange todos os filhos de Deus a se afastarem dessa grande salvação. Compete ao cristão, manter-se de pé, nutrindo a sua fé nas verdades da palavra de Deus e na oração, sujeitando-se ao Senhor, que é poderoso para nos conservar de qualquer tropeço. Ligados nessa dimensão, jamais seremos afastados do amor de Deus, como diz o apóstolo Paulo em (Rm. 8.35-39) – Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? (v.36) - Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro.
(v.37) - Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.
(v.38) - Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir,
(v.39) - Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.
Em Cristo
Romildo Gurgel
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
A natureza da Igreja
Repensando nossa funcionalidade eclesiástica
Por
Ronaldo Lidório
Ao refletir sobre a natureza da Igreja nos confrontamos imediatamente com algumas claras limitações. A primeira seria uma limitação sociológica, na medida de que todos nós, de alguma forma, temos sido influenciados por 2 fatores construtores da presente sociedade, o hedonismo e o narcisismo. Junto a alguns outros, os tenho chamado de elementos da anti-missão. Isto devido a capacidade que eles tem de postar o homem, e consequentemente a Igreja, no centro do universo, em nosso imaginário. Nos tornarmos, aos nossos próprios olhos, os atores principais do evento histórico.
É natural entender, portanto, que enquanto influenciados por esta limitação sociológica, teremos bastante dificuldade de conceber uma Igreja que seja chamada para servir a Deus com toda a sua alma, suas energias, seu dinheiro e seu tempo. Ao contrário, tal limitação lança-nos a consequências puramente humanistas, como o triunfalismo e ufanismo, e desemboca no orgulho, raiz de grandes males.
O hedonismo é esta tendência humana sociocultural, e teologicamente carnal, que nos leva a crer que existimos para nossa própria realização. Que nossa alegria e felicidade pessoal são os bens mais preciosos, pelo qual vale a pena tudo. Que para nos realizarmos podemos, e devemos, romper com quaisquer valores, religiosos ou sociais, passando por cima da Palavra, da família, do ministério e do relacionamento com o Pai.
A sociedade e seus meios de comunicação, as escolas e os púlpitos de muitas de nossas igrejas se tornaram hedônicos. Vivemos para nós mesmos, pensamos em nós mesmos, investimos em nós mesmos, teologizamos para nós mesmos e, consequentemente, não servimos ao Cordeiro Jesus, mas sim a nós mesmos.
Ainda parte desta limitação sociológica, há outro fenômeno que aqui podemos chamar de narcisismo. É o desejo - e desenfreada busca – pela beleza pessoal e público reconhecimento da mesma. Não basta estar no centro das atenções, é necessário que todos saibam disto. O narcisismo é este elemento da anti-missão que faz com que nós trabalhemos e nos esforcemos para o Senhor e Sua obra, desde que sejamos reconhecidos pelos nossos pares, aplaudidos, elevados em pedestais.
Tanto o hedonismo quanto o narcisismo corrompem não apenas a alma humana, sua integridade e santidade, mas também sua motivação. Há, portanto, muitas igrejas, pastores, líderes e missionários fazendo a coisa certa pela motivação errada.
É necessário neste momento, percebermos, que o desejo do Senhor revelado em toda a Sua Escritura não é formar um povo-escravo para o serviço, nem mesmo um centro qualificado de produção, mas discípulos que o amam, que sejam apaixonados por Seus projetos, e que o sigam. O desejo de Deus não é tão somente nos tornar funcionais, mas santos; não apenas nos tornar produtivos, mas íntegros; não apenas nos tornar servos, mas filhos.
A segunda limitação que temos ao refletir sobre a Igreja e sua natureza é uma limitação teológica, e me refiro aqui à teologia do serviço, ou teologia da missão. A maneira como nós compreendemos o nosso papel no Reino, e nos posicionamos em relação a ele. Para conversarmos sobre esta limitação leiamos o texto que se encontra em Atos 2: 37 a 47
37 - Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?
38 - Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.
39 - Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.
40 - Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.
41 - Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas.
42 - E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
43 - Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos.
44 - Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.
45 - Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.
46 - Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração,
47 - Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.
Atos é um livro teocrático, uma vez que foi escrito para evidenciar que Deus está no controle de todas as coisas. Ele é apresentado aqui neste livro como o Senhor absoluto da história, de nossas vidas e da Sua Igreja. Jamais se surpreende, jamais se corrompe. Esta imutabilidade do caráter de Deus é a certeza de que somos salvos.
Atos é também um livro fidedigno por ter sido escrito de forma a nos mostrar que Deus cumpre todas as suas promessas. Inicia já no capítulo 2 com o cumprimento da promessa do Senhor Jesus de que enviaria o consolador, o parakletos que estaria com a Igreja para conduzi-la a Cristo. O Espírito Santo se manifesta, portanto, para a Igreja e a reveste de autoridade e poder para servir.
Atos 2 pinta o quadro desta Igreja chamada segundo o coração de Deus.
Perceberemos que ela é uma Igreja Koinônica (orientada pela comunhão dos santos); uma igreja Kerygmática (proclamadora do Nome acima de todo Nome); Martírica (que vive segundo aquilo que crê); Proséitica (que tem vida de oração); Escriturística (que ama e segue a Palavra); Diákona (com paixão pelo serviço); Poimênica (que pastoreia o seu povo); e por fim Litúrgica (cuja vida é a adoração do Pai).
Antes de adentrarmos estes desafios bíblicos para nossos corações, podemos nos lembrar da teologia de John Knox quando ele defende que a ponte entre o conhecimento e a transformação é o quebrantamento. Ou seja, muito pode entrar em nossa mente, convencer-nos de verdades bíblicas profundas, mas este conhecimento gerará vidas transformadas somente se houver verdadeiro quebrantamento em nossos corações. E nem quebrantar a nós mesmos nós podemos. Por isto dependemos de Deus. Podemos orar pedindo ao Senhor: quebranta o meu coração para que as verdades da Sua Palavra sejam fogo transformador em nossa alma.
KOINÔNICA – A IGREJA NASCIDA PARA AMAR E CONVIVER COM O DIFERENTE
O verso 44 nos diz que “todos os que creram estavam juntos, e tinham tudo em comum”. A expressão “comum” aqui é koinos de onde temos koinonia, ou “comunhão”. Manifesta que a Igreja neste período histórico pós pentecostes era uma Igreja Koinônica.
Não significa que a Igreja do primeiro século era homogênea. Ao contrário, eram extremamente distintos. Havia intelectuais e gente simples; judeus e gentios; jovens e velhos.
Koinos significa que eles se amavam na diversidade. Que estavam tão deslumbrados com o Senhor Jesus que eram capazes de conviver com o irmão mais diferente, e com ele ter comunhão, porque havia Um que os unia.
Indica que a razão maior da nossa desunião não é sociológica – a percepção do diferente e a intolerância com o mesmo – mas sim teológica, nossa própria carnalidade, desejo de sobressairmos, sobressair nosso pensamento, sobressair nossa denominação, sobressair nosso símbolo. Ao fim, o motivo maior da nossa desunião é espiritual, carência profunda de conhecermos mais a Cristo e sermos como Ele.
O texto diz que esta Igreja louvava de casa em casa e no templo. O templo era o centro do culto formal (aqueles que gostam dos hinos sacros tocados ao piano de caldas) e as casas representavam os ajuntamentos informais (a turma do violão e dos cânticos contemporâneos, digamos assim).
O verso 32 nos diz que era um só coração (kardia, sentimentos) e uma só alma (psiche, pensamentos).
Durante o encontro do CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas) em 2008, houve uma cena cativante no último dia. Era a ceia do Senhor. Irmãos de 47 etnias distintas, além dos não indígenas de várias nacionalidades, como uma pequena multidão de 1.200 pessoas ao redor da mesa de Cristo. Alguns cantavam, outros oravam, alguns traduziam o que estava acontecendo para a língua da sua etnia, e a mensagem era claríssima. Era como se todos declarassem: “somos diferentes, mas amamos a Jesus”.
Divisões, partidarismo, esquemas de superioridade teológica ou prática no Corpo de Cristo sempre será um problema de ordem espiritual. É um reflexo, um triste sinal, de que não estamos deslumbrados com o Jesus ao ponto de sua simples presença ser o suficiente para encher nossos corações e amar profundamente os deslumbrados como nós.
KERYGMÁTICA E MARTÍRICA – A IGREJA NASCIDA PARA AMAR E PROCLAMAR JESUS
Nos versos 40 e 41, lemos que “com muitas palavras deu testemunho e exortava-os dizendo: salvai-vos desta geração perversa. Então, os que aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas”.
Há duas palavras que andam de mãos dadas no Novo Testamento. Observei este importante detalhe durante o período de trabalho na tradução do Novo Testamento para a língua Limonkpeln de Gana. São elas Kerygma, normalmente traduzida por pregação ou proclamação (aponta para a proclamação audível e inteligível da mensagem), e martyria, traduzida por testemunho (modo de vida).
Curiosamente sempre que uma delas aparece, a outra a acompanha, e isto em todo o Novo Testamento. Dá-nos, assim, a clara impressão de que na mente de Cristo Ele construía uma Igreja que pudesse proclamá-lo de forma audível e inteligível em todo o mundo, mas que ao mesmo tempo pudesse vivê-Lo.
O Apóstolo Paulo parece ter compreendido bem esta parte da natureza da Igreja. Ele tanto ensina o povo de Deus que deve falar de Cristo a tempo e fora de tempo como grita a plenos pulmões: já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.
O desejo de Cristo, portanto, é sermos uma Igreja que tenha fiel teologia e também vida devocional. Uma Igreja habilidosa mas também piedosa. Uma Igreja que prega a Palavra, mas que vive a Palavra que prega. Enfim, uma Igreja kerygmática e martírica.
Um dos perigos imediato, e corruptor da natureza da Igreja é termos o melhor conteúdo, o melhor ministério, a mais expressiva Igreja, o mais relevante ensino, mas não termos vida com Deus. Isto nos leva à soberba, orgulho e arrogância. Mata o espírito, mata a fé, destrói a piedade e nos achamos em um vale seco onde nada se move; com estruturas lindas, mas sem vida com Deus; com colunas de mármore mas sem o Espírito Santo.
Paradoxalmente, vida piedosa e espírito quebrantado, com sinceridade e devoção, sem um sólido ensino da Palavra, sem zelo pelas Escrituras, provocará uma enxurrada de ações, em nome de Deus, que não são de Deus. Este é outro perigo imediato, e igualmente corruptor da Igreja: buscarmos a piedade e vida com Deus, sem o temor e ensino da Palavra, produzindo, assim, uma Igreja dinâmica e crescente, mas antropocêntrica e herética. Uma das igrejas que mais cresce em Gana é chamada Igreja do Espírito Santo. É a Igreja mais missionária, evangelizadora e que se envolve com ações sociais. Mas esta Igreja crê que seu fundador é a encarnação do Espírito Santo na terra. Quando ele fala é o Espírito Santo quem fala.
Portanto o desafio que temos é de não partirmos ao meio a nossa eclesiologia. É de termos uma boa doutrina, mas também uma vida piedosa; é conhecermos teologia, mas também praticarmos a fé cristã; é sermos kerygmáticos – que pregam em alto e bom som; mas também martíricos – que adoram o Nome acima de todo nome no secreto da sua casa; é sermos zelosos pelo culto e pelo texto bíblico, mas também colocarmos a mão no arado para o serviço e a missão.
Um dos relatos que mais me desafiou nos últimos tempos foi o testemunho de um juiz federal – por assim dizer – no interior da China. Ele foi preso, acusado de ser um cristão que praticava a evangelização em sua pequena cidade. Para que fosse humilhado publicamente foi levado a pé e algemado por alguns policiais, de sua casa até a central de polícia. Quem observou aquela caminhada testemunhou que todos estavam cabisbaixos, envergonhados e constrangidos pela prisão de um homem de tamanha importância, e muito querido na sua cidade. A multidão por onde ele passava, os soldados que o conduziam, todos cabisbaixos. O único com a cabeça erguida era o juiz cristão, que a medida que caminhava levantava também suas mãos gritando: Eu amo o Senhor Jesus!
DIÁKONA E POIMÊNICA – A IGREJA NASCIDA PARA SERVIR
O verso 45 nos diz que “vendiam suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade”. A expressão original para “à medida que” significa que os irmãos tinham olhos abertos para discernir onde e como poderiam servir.
O conhecimento das Escrituras e verdadeira espiritualidade desembocam no serviço, na missão.
As vezes compreendemos mal o conceito de missão e serviço. Servir a Cristo não é uma questão de desejo, oportunidade ou decisão pessoal. Servir a Cristo é uma questão de obediência. Se você estiver contente em servir ao Mestre, faça isto pela alegria que sente. Mas no dia em que faltarem alegria e prazer, sirva-o pela obediência. Isto porquê servir a Cristo não é um passeio no parque. Demanda, não raramente, morrermos mais e mais para nós mesmos.
Ao nosso redor observamos em um relance ambientes de injustiça, situações de profunda carência humana e desconhecimento do Senhor Jesus. É neste plano que a Igreja é chamada para servir. Para denunciar a injustiça, para saciar a fome daquele que nada tem e para anunciar o precioso Nome de Jesus.
CONCLUSÃO
Voltamos às primeiras palavras. Os elementos da anti-missão – hedonismo e narcisismo – que são expressões da obra da carne,e que nos preterem de sermos a Igreja segundo o coração de Deus.
A inércia que experimentamos não provém do nosso desconhecimento da necessidade humana ou do mandato de Deus, mas sim da nossa falta de paixão deslumbrante pelo Senhor Jesus.
Há no mundo hoje mais de 2.000 povos que não conhecem sobre Jesus. Falam mais de 3.000 línguas e dialetos sem nada da Palavra em seus idiomas. No Brasil temos 121 etnias indígenas ainda pouco ou não evangelizadas, e 95 sem presença missionária. Há mais de meio milhão de ciganos em nossa pátria que não conhecem a Palavra. As tribos urbanas nas grandes cidades relativizam a vida e, ao contrário de se tornarem ateus, passam a crer em tudo. Vivem a procura de um deus utilitário para saciar uma sociedade humanista.
Jim Eliott, mártir entre os Auca no Equador, em uma carta que escrevera à sua igreja na América do Norte, concluiu dizendo: “viva de tal forma, que ao chegar o dia da sua morte, nada mais tenha a fazer para Deus, a não ser morrer”.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
NOVO ATEÍSMO
Por Ricardo Barbosa de Souza
Hoje, o ateu não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina. O novo ateísmo não precisa negar a fé; apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador"
Sabemos que existem vários tipos de ateus. Existem aqueles que não crêem em Deus por não encontrarem respostas para os grandes dilemas da humanidade como violência, miséria e sofrimento. Não conseguem relacionar um Deus de amor com o sofrimento humano. Outros não crêem porque não encontram uma razão lógica e racional que explique os mistérios da fé, como a criação do mundo, o dilúvio, o nascimento virginal, a ressurreição, céu, inferno, etc. Diante de temas tão complexos que requerem fé num Deus pessoal, Criador e Redentor, muitos não conseguem crer naquilo que lhes parece racionalmente absurdo.
Os dois tipos de ateus já mencionados são inofensivos. Na verdade, são pessoas que buscam respostas, são honestos e não aceitam qualquer argumento barato como justificativa para suas grandes dúvidas. São sinceros e lutam contra uma incredulidade que os consome, uma falta de fé que nunca encontra resposta para os grandes mistérios da vida e de Deus.
No entanto há um outro tipo de ateu, mais dissimulado, que cresce entre nós, que crê em Deus e não apresenta nenhuma dúvida quanto aos mistérios da fé, nem em relação aos grandes temas existenciais. Ele vai à igreja, canta, ora e chega até a contribuir. É religioso e gosta de conversar sobre os temas da religião. Contudo, a relevância de Cristo, sua morte e ressurreição para a vida e a devoção pessoal é praticamente nula. São ateus crédulos. O ateu moderno não é mais somente aquele que não crê, mas aquele para quem Deus não é relevante.
Este é um novo quadro que começa a ser pintado nas igrejas cristãs. Saem de cena os grandes heróis e mártires da fé do passado e entram os apáticos e acomodados cristãos modernos. Aqueles cristãos que entregaram suas vidas à causa do Evangelho, que deixaram-se consumir de paixão e zelo pela Igreja de Cristo, que viveram com integridade e honraram o chamado e a vocação que receberam do Senhor, que sofreram e morreram por causa de sua fé, convicções e amor a Cristo, fazem parte de uma lembrança remota que às vezes chega a nos inspirar.
Os cristãos modernos crêem como os outros creram, mas não se entregam como se entregaram. Partilham das mesmas convicções, recitam o mesmo credo, freqüentam as mesmas igrejas, cantam os mesmos hinos e lêem a mesma Bíblia, mas o efeito é tragicamente diferente. É raro hoje encontrar alguém em cujo coração arde o desejo de ver um amigo, parente, colega de trabalho ou escola convertendo-se a Cristo e sendo salvo da condenação eterna. Os desejos, quando muito, se limitam a visitar uma igreja, buscar uma "bênção", receber uma oração; mas a conversão a Cristo, o discipulado com todas as suas implicações, são coisa que não nos atraem mais.
Os anseios pela volta de Cristo, o desejo de nos encontrarmos com Ele e ver restaurada a justiça e a ordem da criação ficaram para trás. Somente alguns saudosos dos velhos tempos lembram-se ainda dos hinos que enchiam de esperança o coração dos que aguardavam a manifestação do Reino. A preocupação com a moral e a ética, com o bom testemunho, com a vida santa e reta não nos perturba mais - somos modernos, aprendemos a respeitar o espaço dos outros. O cuidado com os irmãos, o zelo para que andem nos caminhos do Senhor, as exortações, repreensões e correções não fazem parte do elenco de nossas preocupações. Afinal, cada um é grande e sabe o que faz.
Enfim, somos ateus modernos, o pior tipo de ateu que já apareceu. Citamos com convicção o Credo Apostólico, mas o que cremos não tem nenhuma relevância com a forma como vivemos. A pessoa de Cristo para muitos é apenas mais uma grife religiosa, não uma pessoa que nos chama para segui-lo. O ateísmo moderno se caracteriza pela irrelevância da fé, das convicções, do significado da igreja e da comunhão dos santos.
A irrelevância de Deus para a vida moderna é intensificada pela cultura tecnocrática. Temos técnicas para tudo: para ter um matrimônio perfeito, criar filhos felizes e obedientes, obter plena satisfação sexual no casamento, passos para uma oração eficaz, como conseguir a plenitude do Espírito Santo e muitos outros "como fazer" que entopem as prateleiras das livrarias e o cardápio dos congressos. A sociedade moderna vem criando os métodos e as técnicas que reduzem nossa necessidade de Deus, a dependência dEle e a relevância da comunhão com Ele. Chamamos uma boa música de adoração, um convívio agradável de comunhão, uma moral sadia de santificação, assiduidade nos programas da igreja de compromisso com o Reino de Deus.
As técnicas não apenas criam atalhos para os caminhos complexos da vida, como procuram inverter os pólos de atenção e dependência. Tornamo-nos mais dependentes de nós do que de Deus, acreditamos mais na eficiência do que na graça, buscamos mais a competência do que a unção, cremos mais na propaganda do que no poder do Evangelho. Tenho ouvido falar de igrejas que são orientadas por profissionais de planejamento estratégico. Estudam o perfil da comunidade, planejam seu desenvolvimento, arquitetam seu crescimento e, de repente, descobrem que funcionam, crescem, são eficientes, e não dependem de Deus para nada do que foi planejado. Com ou sem oração a igreja vai crescer, vai funcionar. Deus tornou-se irrelevante. Tornamo-nos ateus crentes.
A minha preocupação não é simplesmente criticar o mundo religioso abstrato, superficial e impessoal que criamos ou criticar a tecnologia moderna que, sem dúvida, pode e tem nos ajudado. Minha preocupação é com o coração cada vez mais distante, mais abstrato, mais centralizado naquilo que não é Deus, mais dependente das propagandas e estímulos religiosos, mais interessado no consumo espiritual do que numa relação pessoal com Deus.
Como disse, o ateu hoje não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina, não precisa da comunhão dEle para a vida. A sutileza do novo ateísmo é que ele não precisa negar a fé, apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador. Este ateu está muito mais presente entre nós do que imaginamos.
domingo, 9 de outubro de 2011
A FIGUEIRA QUE NÃO DEU FRUTO
Leitura Bíblica:
(MT 21:17-22) - E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, e ali passou a noite.
E, de manhã, voltando para a cidade, teve fome;
E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela, e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. E os discípulos, vendo isto, maravilharam-se, dizendo: Como secou imediatamente a figueira?
Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito;
E, tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis.
Este evento ocorreu nas proximidades da cidade de Betânia, onde provavelmente Jesus ficou hospedado na casa de Lázaro. Jesus vinha de uma cidade vizinha, e intencionou retornar para lá tão logo o dia clareasse. A pretensão de Jesus era ensinar aos seus discípulos a por a sua fé em pratica. Claro que existe diversas formas de praticar nossa fé, mas o que é revelado aqui, aponta para uma fé que pode se tornar um experimento funcional. O ensino de Jesus era para seus discípulos não somente acreditar na possibilidade de seu mestre resolver os problemas das pessoas, mas também que eles tomassem a mesma atitude de fé que poderá ser pratica em o SEU NOME. Jesus deseja que os seus discípulos no seu relacionamento com Deus ajam da mesma forma que Ele agiu. Neste episodio Jesus achou na figueira infrutífera a oportunidade de repassar para eles a prática desse ensino. Penso que acreditar nas mensagens de Jesus pode ser fácil, mas praticá-los pode não ser tão fácil assim, pois exige uma atitude de nossa parte que vai além da fé mental e sentimental. Pensar e crer é muito bom e é fácil, mas a prática é onde habita a diferença. O que se deve considerar neste texto é se o discípulo acredita que pode fazer o mesmo ensinado por Jesus ou desconsiderar o ensinado. O texto não sugere em momento algum a crença inativa por parte do discípulo. Ao contrario, o texto é muito claro que devemos ter uma fé evidenciada em atitudes, a fé precisa ser colocada para fora, e ser colocada no problema para que haja o poder de Deus agindo ali, até que venha a transformação. Jesus esta nos ensinando que assim como ele fez secar uma figueira por uma palavra, causando grande admiração dos seus discípulos, espera que assim façamos também. Ele garante que se tivermos esta fé prática, não seremos frustrados. Ele diz: “se tiverdes fé”, aqui não se trata da fé de Jesus, mas a nossa fé. Jesus simplesmente ensina a forma que devemos praticar. Ele deseja que cada um assuma a sua fé e fale para as montanhas de dificuldades que surgirem em suas vidas. Aqui não se trata de palavras positivas ou negativas. Pois esta forma não é uma atitude de fé na prática, nem tão pouco meras repetições dessa verdade. Isto não é uma mágica de palavras verbalizadas, não se trata disso. Mas o poder esta na palavra de Deus, portanto, devemos considerar que o evangelho é anunciação, é pregação, é a palavra de Deus em estado de verbalização em fé, é a mensagem poderosa de salvação e libertação. A pregação do evangelho é o poder de Deus em ação para salvação a todo aquele que crer, seja quem for (cf. Rm.1.16). Então, levar a mensagem que traz sentido de verdade aos ouvintes poderá ser seguido de oração. Entretanto, a pregação não pode ser de qualquer maneira, tem que existir a pregação da fé (sentimento que diz que é verdade e dá convicção e certeza), porque se não houver fé desta forma, não haverá resultados, tanto para os que pregam como para os que ouvem (veja o que diz. Hebreus 4.2 - "Pois as boas novas foram pregadas também a nós, tanto quanto a eles; entretanto, a mensagem que eles ouviram de nada lhes valeu, pois não foi acompanhada de fé por aqueles que a ouviram".
Você já parou para pensar o que acontecerá se você for a um determinado locar com o intuito de falar sobre a salvação para alguém? Se você falar as palavras de Jesus para os perdidos, alguns poderão ser salvos! Isto não é fantástico? Veja que quem irá pregar as palavras do evangelho é você, Sendo assim, Deus lhe conduzirá, inspirando-o e o Espírito Santo convencerá os ouvintes de sua condição pecaminosa e serão salvos. A salvação só chegará para eles se você pregar, concorda? (Leia Rm.10.8 e vs.17). Se na sua jornada, você se encontrar com algum enfermo, sua obrigação é orar pelo enfermo (cf. Mc.16.18), e Deus confirmará a palavra por meio de sinais (fc.Mc.16.20). Pois bem, segure em seu coração a conclusão que Jesus ensinou aos seus discípulos: “Então Jesus explicou-lhes: Com certeza vos asseguro que, se tiverdes fé e não duvidardes, podereis fazer não apenas o que foi feito à figueira, mas da mesma forma ordenardes a este monte: ergue-te daqui e lança-te no mar, e assim acontecerá. E tudo o que pedirdes em oração, se crerdes, recebereis” (Mt.21.21-22 KJA).
Deus lhe abençoe
Romildo Gurgel
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