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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
A natureza da Igreja
Repensando nossa funcionalidade eclesiástica
Por
Ronaldo Lidório
Ao refletir sobre a natureza da Igreja nos confrontamos imediatamente com algumas claras limitações. A primeira seria uma limitação sociológica, na medida de que todos nós, de alguma forma, temos sido influenciados por 2 fatores construtores da presente sociedade, o hedonismo e o narcisismo. Junto a alguns outros, os tenho chamado de elementos da anti-missão. Isto devido a capacidade que eles tem de postar o homem, e consequentemente a Igreja, no centro do universo, em nosso imaginário. Nos tornarmos, aos nossos próprios olhos, os atores principais do evento histórico.
É natural entender, portanto, que enquanto influenciados por esta limitação sociológica, teremos bastante dificuldade de conceber uma Igreja que seja chamada para servir a Deus com toda a sua alma, suas energias, seu dinheiro e seu tempo. Ao contrário, tal limitação lança-nos a consequências puramente humanistas, como o triunfalismo e ufanismo, e desemboca no orgulho, raiz de grandes males.
O hedonismo é esta tendência humana sociocultural, e teologicamente carnal, que nos leva a crer que existimos para nossa própria realização. Que nossa alegria e felicidade pessoal são os bens mais preciosos, pelo qual vale a pena tudo. Que para nos realizarmos podemos, e devemos, romper com quaisquer valores, religiosos ou sociais, passando por cima da Palavra, da família, do ministério e do relacionamento com o Pai.
A sociedade e seus meios de comunicação, as escolas e os púlpitos de muitas de nossas igrejas se tornaram hedônicos. Vivemos para nós mesmos, pensamos em nós mesmos, investimos em nós mesmos, teologizamos para nós mesmos e, consequentemente, não servimos ao Cordeiro Jesus, mas sim a nós mesmos.
Ainda parte desta limitação sociológica, há outro fenômeno que aqui podemos chamar de narcisismo. É o desejo - e desenfreada busca – pela beleza pessoal e público reconhecimento da mesma. Não basta estar no centro das atenções, é necessário que todos saibam disto. O narcisismo é este elemento da anti-missão que faz com que nós trabalhemos e nos esforcemos para o Senhor e Sua obra, desde que sejamos reconhecidos pelos nossos pares, aplaudidos, elevados em pedestais.
Tanto o hedonismo quanto o narcisismo corrompem não apenas a alma humana, sua integridade e santidade, mas também sua motivação. Há, portanto, muitas igrejas, pastores, líderes e missionários fazendo a coisa certa pela motivação errada.
É necessário neste momento, percebermos, que o desejo do Senhor revelado em toda a Sua Escritura não é formar um povo-escravo para o serviço, nem mesmo um centro qualificado de produção, mas discípulos que o amam, que sejam apaixonados por Seus projetos, e que o sigam. O desejo de Deus não é tão somente nos tornar funcionais, mas santos; não apenas nos tornar produtivos, mas íntegros; não apenas nos tornar servos, mas filhos.
A segunda limitação que temos ao refletir sobre a Igreja e sua natureza é uma limitação teológica, e me refiro aqui à teologia do serviço, ou teologia da missão. A maneira como nós compreendemos o nosso papel no Reino, e nos posicionamos em relação a ele. Para conversarmos sobre esta limitação leiamos o texto que se encontra em Atos 2: 37 a 47
37 - Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?
38 - Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.
39 - Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.
40 - Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.
41 - Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas.
42 - E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
43 - Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos.
44 - Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.
45 - Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.
46 - Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração,
47 - Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.
Atos é um livro teocrático, uma vez que foi escrito para evidenciar que Deus está no controle de todas as coisas. Ele é apresentado aqui neste livro como o Senhor absoluto da história, de nossas vidas e da Sua Igreja. Jamais se surpreende, jamais se corrompe. Esta imutabilidade do caráter de Deus é a certeza de que somos salvos.
Atos é também um livro fidedigno por ter sido escrito de forma a nos mostrar que Deus cumpre todas as suas promessas. Inicia já no capítulo 2 com o cumprimento da promessa do Senhor Jesus de que enviaria o consolador, o parakletos que estaria com a Igreja para conduzi-la a Cristo. O Espírito Santo se manifesta, portanto, para a Igreja e a reveste de autoridade e poder para servir.
Atos 2 pinta o quadro desta Igreja chamada segundo o coração de Deus.
Perceberemos que ela é uma Igreja Koinônica (orientada pela comunhão dos santos); uma igreja Kerygmática (proclamadora do Nome acima de todo Nome); Martírica (que vive segundo aquilo que crê); Proséitica (que tem vida de oração); Escriturística (que ama e segue a Palavra); Diákona (com paixão pelo serviço); Poimênica (que pastoreia o seu povo); e por fim Litúrgica (cuja vida é a adoração do Pai).
Antes de adentrarmos estes desafios bíblicos para nossos corações, podemos nos lembrar da teologia de John Knox quando ele defende que a ponte entre o conhecimento e a transformação é o quebrantamento. Ou seja, muito pode entrar em nossa mente, convencer-nos de verdades bíblicas profundas, mas este conhecimento gerará vidas transformadas somente se houver verdadeiro quebrantamento em nossos corações. E nem quebrantar a nós mesmos nós podemos. Por isto dependemos de Deus. Podemos orar pedindo ao Senhor: quebranta o meu coração para que as verdades da Sua Palavra sejam fogo transformador em nossa alma.
KOINÔNICA – A IGREJA NASCIDA PARA AMAR E CONVIVER COM O DIFERENTE
O verso 44 nos diz que “todos os que creram estavam juntos, e tinham tudo em comum”. A expressão “comum” aqui é koinos de onde temos koinonia, ou “comunhão”. Manifesta que a Igreja neste período histórico pós pentecostes era uma Igreja Koinônica.
Não significa que a Igreja do primeiro século era homogênea. Ao contrário, eram extremamente distintos. Havia intelectuais e gente simples; judeus e gentios; jovens e velhos.
Koinos significa que eles se amavam na diversidade. Que estavam tão deslumbrados com o Senhor Jesus que eram capazes de conviver com o irmão mais diferente, e com ele ter comunhão, porque havia Um que os unia.
Indica que a razão maior da nossa desunião não é sociológica – a percepção do diferente e a intolerância com o mesmo – mas sim teológica, nossa própria carnalidade, desejo de sobressairmos, sobressair nosso pensamento, sobressair nossa denominação, sobressair nosso símbolo. Ao fim, o motivo maior da nossa desunião é espiritual, carência profunda de conhecermos mais a Cristo e sermos como Ele.
O texto diz que esta Igreja louvava de casa em casa e no templo. O templo era o centro do culto formal (aqueles que gostam dos hinos sacros tocados ao piano de caldas) e as casas representavam os ajuntamentos informais (a turma do violão e dos cânticos contemporâneos, digamos assim).
O verso 32 nos diz que era um só coração (kardia, sentimentos) e uma só alma (psiche, pensamentos).
Durante o encontro do CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas) em 2008, houve uma cena cativante no último dia. Era a ceia do Senhor. Irmãos de 47 etnias distintas, além dos não indígenas de várias nacionalidades, como uma pequena multidão de 1.200 pessoas ao redor da mesa de Cristo. Alguns cantavam, outros oravam, alguns traduziam o que estava acontecendo para a língua da sua etnia, e a mensagem era claríssima. Era como se todos declarassem: “somos diferentes, mas amamos a Jesus”.
Divisões, partidarismo, esquemas de superioridade teológica ou prática no Corpo de Cristo sempre será um problema de ordem espiritual. É um reflexo, um triste sinal, de que não estamos deslumbrados com o Jesus ao ponto de sua simples presença ser o suficiente para encher nossos corações e amar profundamente os deslumbrados como nós.
KERYGMÁTICA E MARTÍRICA – A IGREJA NASCIDA PARA AMAR E PROCLAMAR JESUS
Nos versos 40 e 41, lemos que “com muitas palavras deu testemunho e exortava-os dizendo: salvai-vos desta geração perversa. Então, os que aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas”.
Há duas palavras que andam de mãos dadas no Novo Testamento. Observei este importante detalhe durante o período de trabalho na tradução do Novo Testamento para a língua Limonkpeln de Gana. São elas Kerygma, normalmente traduzida por pregação ou proclamação (aponta para a proclamação audível e inteligível da mensagem), e martyria, traduzida por testemunho (modo de vida).
Curiosamente sempre que uma delas aparece, a outra a acompanha, e isto em todo o Novo Testamento. Dá-nos, assim, a clara impressão de que na mente de Cristo Ele construía uma Igreja que pudesse proclamá-lo de forma audível e inteligível em todo o mundo, mas que ao mesmo tempo pudesse vivê-Lo.
O Apóstolo Paulo parece ter compreendido bem esta parte da natureza da Igreja. Ele tanto ensina o povo de Deus que deve falar de Cristo a tempo e fora de tempo como grita a plenos pulmões: já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.
O desejo de Cristo, portanto, é sermos uma Igreja que tenha fiel teologia e também vida devocional. Uma Igreja habilidosa mas também piedosa. Uma Igreja que prega a Palavra, mas que vive a Palavra que prega. Enfim, uma Igreja kerygmática e martírica.
Um dos perigos imediato, e corruptor da natureza da Igreja é termos o melhor conteúdo, o melhor ministério, a mais expressiva Igreja, o mais relevante ensino, mas não termos vida com Deus. Isto nos leva à soberba, orgulho e arrogância. Mata o espírito, mata a fé, destrói a piedade e nos achamos em um vale seco onde nada se move; com estruturas lindas, mas sem vida com Deus; com colunas de mármore mas sem o Espírito Santo.
Paradoxalmente, vida piedosa e espírito quebrantado, com sinceridade e devoção, sem um sólido ensino da Palavra, sem zelo pelas Escrituras, provocará uma enxurrada de ações, em nome de Deus, que não são de Deus. Este é outro perigo imediato, e igualmente corruptor da Igreja: buscarmos a piedade e vida com Deus, sem o temor e ensino da Palavra, produzindo, assim, uma Igreja dinâmica e crescente, mas antropocêntrica e herética. Uma das igrejas que mais cresce em Gana é chamada Igreja do Espírito Santo. É a Igreja mais missionária, evangelizadora e que se envolve com ações sociais. Mas esta Igreja crê que seu fundador é a encarnação do Espírito Santo na terra. Quando ele fala é o Espírito Santo quem fala.
Portanto o desafio que temos é de não partirmos ao meio a nossa eclesiologia. É de termos uma boa doutrina, mas também uma vida piedosa; é conhecermos teologia, mas também praticarmos a fé cristã; é sermos kerygmáticos – que pregam em alto e bom som; mas também martíricos – que adoram o Nome acima de todo nome no secreto da sua casa; é sermos zelosos pelo culto e pelo texto bíblico, mas também colocarmos a mão no arado para o serviço e a missão.
Um dos relatos que mais me desafiou nos últimos tempos foi o testemunho de um juiz federal – por assim dizer – no interior da China. Ele foi preso, acusado de ser um cristão que praticava a evangelização em sua pequena cidade. Para que fosse humilhado publicamente foi levado a pé e algemado por alguns policiais, de sua casa até a central de polícia. Quem observou aquela caminhada testemunhou que todos estavam cabisbaixos, envergonhados e constrangidos pela prisão de um homem de tamanha importância, e muito querido na sua cidade. A multidão por onde ele passava, os soldados que o conduziam, todos cabisbaixos. O único com a cabeça erguida era o juiz cristão, que a medida que caminhava levantava também suas mãos gritando: Eu amo o Senhor Jesus!
DIÁKONA E POIMÊNICA – A IGREJA NASCIDA PARA SERVIR
O verso 45 nos diz que “vendiam suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade”. A expressão original para “à medida que” significa que os irmãos tinham olhos abertos para discernir onde e como poderiam servir.
O conhecimento das Escrituras e verdadeira espiritualidade desembocam no serviço, na missão.
As vezes compreendemos mal o conceito de missão e serviço. Servir a Cristo não é uma questão de desejo, oportunidade ou decisão pessoal. Servir a Cristo é uma questão de obediência. Se você estiver contente em servir ao Mestre, faça isto pela alegria que sente. Mas no dia em que faltarem alegria e prazer, sirva-o pela obediência. Isto porquê servir a Cristo não é um passeio no parque. Demanda, não raramente, morrermos mais e mais para nós mesmos.
Ao nosso redor observamos em um relance ambientes de injustiça, situações de profunda carência humana e desconhecimento do Senhor Jesus. É neste plano que a Igreja é chamada para servir. Para denunciar a injustiça, para saciar a fome daquele que nada tem e para anunciar o precioso Nome de Jesus.
CONCLUSÃO
Voltamos às primeiras palavras. Os elementos da anti-missão – hedonismo e narcisismo – que são expressões da obra da carne,e que nos preterem de sermos a Igreja segundo o coração de Deus.
A inércia que experimentamos não provém do nosso desconhecimento da necessidade humana ou do mandato de Deus, mas sim da nossa falta de paixão deslumbrante pelo Senhor Jesus.
Há no mundo hoje mais de 2.000 povos que não conhecem sobre Jesus. Falam mais de 3.000 línguas e dialetos sem nada da Palavra em seus idiomas. No Brasil temos 121 etnias indígenas ainda pouco ou não evangelizadas, e 95 sem presença missionária. Há mais de meio milhão de ciganos em nossa pátria que não conhecem a Palavra. As tribos urbanas nas grandes cidades relativizam a vida e, ao contrário de se tornarem ateus, passam a crer em tudo. Vivem a procura de um deus utilitário para saciar uma sociedade humanista.
Jim Eliott, mártir entre os Auca no Equador, em uma carta que escrevera à sua igreja na América do Norte, concluiu dizendo: “viva de tal forma, que ao chegar o dia da sua morte, nada mais tenha a fazer para Deus, a não ser morrer”.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
NOVO ATEÍSMO
Por Ricardo Barbosa de Souza
Hoje, o ateu não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina. O novo ateísmo não precisa negar a fé; apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador"
Sabemos que existem vários tipos de ateus. Existem aqueles que não crêem em Deus por não encontrarem respostas para os grandes dilemas da humanidade como violência, miséria e sofrimento. Não conseguem relacionar um Deus de amor com o sofrimento humano. Outros não crêem porque não encontram uma razão lógica e racional que explique os mistérios da fé, como a criação do mundo, o dilúvio, o nascimento virginal, a ressurreição, céu, inferno, etc. Diante de temas tão complexos que requerem fé num Deus pessoal, Criador e Redentor, muitos não conseguem crer naquilo que lhes parece racionalmente absurdo.
Os dois tipos de ateus já mencionados são inofensivos. Na verdade, são pessoas que buscam respostas, são honestos e não aceitam qualquer argumento barato como justificativa para suas grandes dúvidas. São sinceros e lutam contra uma incredulidade que os consome, uma falta de fé que nunca encontra resposta para os grandes mistérios da vida e de Deus.
No entanto há um outro tipo de ateu, mais dissimulado, que cresce entre nós, que crê em Deus e não apresenta nenhuma dúvida quanto aos mistérios da fé, nem em relação aos grandes temas existenciais. Ele vai à igreja, canta, ora e chega até a contribuir. É religioso e gosta de conversar sobre os temas da religião. Contudo, a relevância de Cristo, sua morte e ressurreição para a vida e a devoção pessoal é praticamente nula. São ateus crédulos. O ateu moderno não é mais somente aquele que não crê, mas aquele para quem Deus não é relevante.
Este é um novo quadro que começa a ser pintado nas igrejas cristãs. Saem de cena os grandes heróis e mártires da fé do passado e entram os apáticos e acomodados cristãos modernos. Aqueles cristãos que entregaram suas vidas à causa do Evangelho, que deixaram-se consumir de paixão e zelo pela Igreja de Cristo, que viveram com integridade e honraram o chamado e a vocação que receberam do Senhor, que sofreram e morreram por causa de sua fé, convicções e amor a Cristo, fazem parte de uma lembrança remota que às vezes chega a nos inspirar.
Os cristãos modernos crêem como os outros creram, mas não se entregam como se entregaram. Partilham das mesmas convicções, recitam o mesmo credo, freqüentam as mesmas igrejas, cantam os mesmos hinos e lêem a mesma Bíblia, mas o efeito é tragicamente diferente. É raro hoje encontrar alguém em cujo coração arde o desejo de ver um amigo, parente, colega de trabalho ou escola convertendo-se a Cristo e sendo salvo da condenação eterna. Os desejos, quando muito, se limitam a visitar uma igreja, buscar uma "bênção", receber uma oração; mas a conversão a Cristo, o discipulado com todas as suas implicações, são coisa que não nos atraem mais.
Os anseios pela volta de Cristo, o desejo de nos encontrarmos com Ele e ver restaurada a justiça e a ordem da criação ficaram para trás. Somente alguns saudosos dos velhos tempos lembram-se ainda dos hinos que enchiam de esperança o coração dos que aguardavam a manifestação do Reino. A preocupação com a moral e a ética, com o bom testemunho, com a vida santa e reta não nos perturba mais - somos modernos, aprendemos a respeitar o espaço dos outros. O cuidado com os irmãos, o zelo para que andem nos caminhos do Senhor, as exortações, repreensões e correções não fazem parte do elenco de nossas preocupações. Afinal, cada um é grande e sabe o que faz.
Enfim, somos ateus modernos, o pior tipo de ateu que já apareceu. Citamos com convicção o Credo Apostólico, mas o que cremos não tem nenhuma relevância com a forma como vivemos. A pessoa de Cristo para muitos é apenas mais uma grife religiosa, não uma pessoa que nos chama para segui-lo. O ateísmo moderno se caracteriza pela irrelevância da fé, das convicções, do significado da igreja e da comunhão dos santos.
A irrelevância de Deus para a vida moderna é intensificada pela cultura tecnocrática. Temos técnicas para tudo: para ter um matrimônio perfeito, criar filhos felizes e obedientes, obter plena satisfação sexual no casamento, passos para uma oração eficaz, como conseguir a plenitude do Espírito Santo e muitos outros "como fazer" que entopem as prateleiras das livrarias e o cardápio dos congressos. A sociedade moderna vem criando os métodos e as técnicas que reduzem nossa necessidade de Deus, a dependência dEle e a relevância da comunhão com Ele. Chamamos uma boa música de adoração, um convívio agradável de comunhão, uma moral sadia de santificação, assiduidade nos programas da igreja de compromisso com o Reino de Deus.
As técnicas não apenas criam atalhos para os caminhos complexos da vida, como procuram inverter os pólos de atenção e dependência. Tornamo-nos mais dependentes de nós do que de Deus, acreditamos mais na eficiência do que na graça, buscamos mais a competência do que a unção, cremos mais na propaganda do que no poder do Evangelho. Tenho ouvido falar de igrejas que são orientadas por profissionais de planejamento estratégico. Estudam o perfil da comunidade, planejam seu desenvolvimento, arquitetam seu crescimento e, de repente, descobrem que funcionam, crescem, são eficientes, e não dependem de Deus para nada do que foi planejado. Com ou sem oração a igreja vai crescer, vai funcionar. Deus tornou-se irrelevante. Tornamo-nos ateus crentes.
A minha preocupação não é simplesmente criticar o mundo religioso abstrato, superficial e impessoal que criamos ou criticar a tecnologia moderna que, sem dúvida, pode e tem nos ajudado. Minha preocupação é com o coração cada vez mais distante, mais abstrato, mais centralizado naquilo que não é Deus, mais dependente das propagandas e estímulos religiosos, mais interessado no consumo espiritual do que numa relação pessoal com Deus.
Como disse, o ateu hoje não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina, não precisa da comunhão dEle para a vida. A sutileza do novo ateísmo é que ele não precisa negar a fé, apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador. Este ateu está muito mais presente entre nós do que imaginamos.
domingo, 9 de outubro de 2011
A FIGUEIRA QUE NÃO DEU FRUTO
Leitura Bíblica:
(MT 21:17-22) - E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, e ali passou a noite.
E, de manhã, voltando para a cidade, teve fome;
E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela, e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. E os discípulos, vendo isto, maravilharam-se, dizendo: Como secou imediatamente a figueira?
Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito;
E, tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis.
Este evento ocorreu nas proximidades da cidade de Betânia, onde provavelmente Jesus ficou hospedado na casa de Lázaro. Jesus vinha de uma cidade vizinha, e intencionou retornar para lá tão logo o dia clareasse. A pretensão de Jesus era ensinar aos seus discípulos a por a sua fé em pratica. Claro que existe diversas formas de praticar nossa fé, mas o que é revelado aqui, aponta para uma fé que pode se tornar um experimento funcional. O ensino de Jesus era para seus discípulos não somente acreditar na possibilidade de seu mestre resolver os problemas das pessoas, mas também que eles tomassem a mesma atitude de fé que poderá ser pratica em o SEU NOME. Jesus deseja que os seus discípulos no seu relacionamento com Deus ajam da mesma forma que Ele agiu. Neste episodio Jesus achou na figueira infrutífera a oportunidade de repassar para eles a prática desse ensino. Penso que acreditar nas mensagens de Jesus pode ser fácil, mas praticá-los pode não ser tão fácil assim, pois exige uma atitude de nossa parte que vai além da fé mental e sentimental. Pensar e crer é muito bom e é fácil, mas a prática é onde habita a diferença. O que se deve considerar neste texto é se o discípulo acredita que pode fazer o mesmo ensinado por Jesus ou desconsiderar o ensinado. O texto não sugere em momento algum a crença inativa por parte do discípulo. Ao contrario, o texto é muito claro que devemos ter uma fé evidenciada em atitudes, a fé precisa ser colocada para fora, e ser colocada no problema para que haja o poder de Deus agindo ali, até que venha a transformação. Jesus esta nos ensinando que assim como ele fez secar uma figueira por uma palavra, causando grande admiração dos seus discípulos, espera que assim façamos também. Ele garante que se tivermos esta fé prática, não seremos frustrados. Ele diz: “se tiverdes fé”, aqui não se trata da fé de Jesus, mas a nossa fé. Jesus simplesmente ensina a forma que devemos praticar. Ele deseja que cada um assuma a sua fé e fale para as montanhas de dificuldades que surgirem em suas vidas. Aqui não se trata de palavras positivas ou negativas. Pois esta forma não é uma atitude de fé na prática, nem tão pouco meras repetições dessa verdade. Isto não é uma mágica de palavras verbalizadas, não se trata disso. Mas o poder esta na palavra de Deus, portanto, devemos considerar que o evangelho é anunciação, é pregação, é a palavra de Deus em estado de verbalização em fé, é a mensagem poderosa de salvação e libertação. A pregação do evangelho é o poder de Deus em ação para salvação a todo aquele que crer, seja quem for (cf. Rm.1.16). Então, levar a mensagem que traz sentido de verdade aos ouvintes poderá ser seguido de oração. Entretanto, a pregação não pode ser de qualquer maneira, tem que existir a pregação da fé (sentimento que diz que é verdade e dá convicção e certeza), porque se não houver fé desta forma, não haverá resultados, tanto para os que pregam como para os que ouvem (veja o que diz. Hebreus 4.2 - "Pois as boas novas foram pregadas também a nós, tanto quanto a eles; entretanto, a mensagem que eles ouviram de nada lhes valeu, pois não foi acompanhada de fé por aqueles que a ouviram".
Você já parou para pensar o que acontecerá se você for a um determinado locar com o intuito de falar sobre a salvação para alguém? Se você falar as palavras de Jesus para os perdidos, alguns poderão ser salvos! Isto não é fantástico? Veja que quem irá pregar as palavras do evangelho é você, Sendo assim, Deus lhe conduzirá, inspirando-o e o Espírito Santo convencerá os ouvintes de sua condição pecaminosa e serão salvos. A salvação só chegará para eles se você pregar, concorda? (Leia Rm.10.8 e vs.17). Se na sua jornada, você se encontrar com algum enfermo, sua obrigação é orar pelo enfermo (cf. Mc.16.18), e Deus confirmará a palavra por meio de sinais (fc.Mc.16.20). Pois bem, segure em seu coração a conclusão que Jesus ensinou aos seus discípulos: “Então Jesus explicou-lhes: Com certeza vos asseguro que, se tiverdes fé e não duvidardes, podereis fazer não apenas o que foi feito à figueira, mas da mesma forma ordenardes a este monte: ergue-te daqui e lança-te no mar, e assim acontecerá. E tudo o que pedirdes em oração, se crerdes, recebereis” (Mt.21.21-22 KJA).
Deus lhe abençoe
Romildo Gurgel
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
JESUS NÃO DEIXOU UMA IGREJA INSTITUCIONALIZADA, MAS ENSINOU QUE SEUS DISCÍPULOS DEVERIAM ASSUMIR E SE ORGANIZAR EM COMUNIDADES
1 - O PERCURSO DA IGREJA DE JESUS NA HISTÓRIA
A igreja cristã em todas as épocas, quer na passada, presente ou futura, é formada por todos aqueles que crêem em Jesus de Nazaré, como Filho de Deus e salvador. No ato de crer está implícita a humildade de segui-lo como salvador, obedecê-lo como o príncipe do reino de Deus sobre toda a terra. A Igreja teve seu início na historia como um movimento de caráter mundial, no dia de Pentecostes, no fim da primavera do ano 30, cinqüenta dias após a ressurreição do Senhor Jesus, e dez dias depois de sua ascensão ao céu. Durante o tempo em que Jesus exerceu seu ministério, os discípulos criam que Jesus era o almejado Messias de Israel, o Cristo. Messias é palavra hebraica e Cristo é palavra grega. Mas ambas significam “O Ungido”. Apesar de Jesus haver aceito esse título de seus seguidores mais chegados, contudo proibiu de proclamarem essa verdade entre o povo antes que ele ressuscitasse de entre os mortos. Antes, eles deveriam esperar o batismo do Espírito Santo, para então serem testemunhas em todo o mundo. Percebe-se que o efeito do dia de pentecostes nos que estavam reunidos foi tríplice: a) Iluminou a mente dos discípulos dando-lhes um novo conceito do reino de Deus. b) Compreenderam que este reino não era um império político, mas um reino espiritual, na pessoa de Jesus ressuscitado, que governava de forma invisível a todos aqueles que nasciam para Deus (novo nascimento). c) Aquela manifestação revigorou a todos, repartindo com eles o fervor do Espírito, e o poder de expressão que fazia de cada testemunho um motivo de convicção naqueles que os ouviam. Depois destes fatos acontecerem, o Espírito Santo, desde então ficou morando permanentemente na vida dos cristãos, e não em sua organização e mecanismos, mas como possessão individual e pessoal do verdadeiro cristão.
A igreja teve seu início na cidade de Jerusalém e suas atividades nos primeiros anos limitavam-se àquela cidade e aos arredores dela. Não se tem registro na história que indique as reuniões das primeiras comunidades como organização, nem o reconhecimento de tais grupos como instituição. As sedes gerais da igreja (como comunidade) eram o Cenáculo, Monte de Sião, e o Pórtico de Salomão, no Templo.
A leitura dos primeiros seis capítulos do livro dos Atos dos Apóstolos dá a entender que durante esse período o apóstolo Simão Pedro era o dirigente daquela comunidade em Jerusalém. Em todas as ocasiões era Pedro quem tomava a iniciativa de pregar, de operar milagres e de defender a igreja que então nascia. Sob a direção de Pedro, Paulo e seus sucessores imediatos, a igreja (como comunidade) foi estabelecida no espaço de tempo de duas gerações, em quase rodos os países, desde o Eufrates até ao Tigre, desde o Mar Negro até o Nilo.
Durante o período que se seguiu à Era Apostólica, e que durou duzentos anos, a igreja (como comunidade) esteve sob a espada da perseguição. Portanto, durante o segundo, terceiro e parte do quarto século, o império Romano exerceu todo o seu poder e influência para destruir aquilo que chamava de a “superstição cristã”. Durante sete gerações, um enorme exército de mártires conquistou suas coroas sob as espadas de seus inimigos, das feras nas arenas e nas ardentes fogueiras e crucificações. Contudo, em meio a tantas mortes e perseguições, os seguidores de Cristo aumentavam em número, até alcançar metade do Império Romano. Finalmente, o imperador Constantino subiu ao trono e por meio de um decreto conteve a onda de mortes. A igreja perseguida passou a ser a igreja imperial. A Cruz tomou o lugar da Águia como símbolo da bandeira da nação e o Cristianismo converteu-se em religião do Império Romano. O imperador cristão exercia autoridade suprema, cercado de uma corte formada de cristãos professos. Dessa forma passaram os cristãos, de um momento para outro, do anfiteatro romano onde tinham de enfrentar os leões, ocupar lugares de honra junto ao trono que governava o mundo. Com tal fato, o cristianismo foi beneficiado e muito com a atitude do governo do império:
a) Cessaram todas as perseguições.
b) Alguns templos nos períodos das perseguições foram recuperados e novamente abertos em toda parte.
c) Todos os templos que ainda existiam quando Constantino subiu ao poder, foram restaurados e aqueles que tinham sido destruídos, foram pagos pelas cidades em que estavam.
d) Em todo o império os templos dos deuses do paganismo eram mantidos pelo tesouro público, mas com a mudança que se operaram, esses donativos passaram a ser concedidos às igrejas e ao clero cristão. Em pequena escala a principio, mas logo depois de maneira generalizada e de forma liberal, os dinheiros públicos foram enriquecendo as igrejas, e os bispos, os ministros, todos os funcionários do culto cristão eram pagos pelo Estado. Era uma dádiva bem recebida pelo igreja, porém, de benefício duvidoso.
e) Muitos privilégios foram concedidos ao clero, onde pouco depois se transformou em lei esses benefícios.
f) O primeiro dia da semana (domingo) foi proclamado como dia de descanso e adoração, que em pouco tempo se generalizou por todo o império.
g) A crucificação foi abolida.
h) As lutas dos gladiadores foram abolidas.
Apesar dos triunfos do Cristianismo haver proporcionado boas coisas ao povo, contudo a sua aliança com o Estado, inevitavelmente devia trazer, como de fato trouxe, maus resultados para a igreja. Se o término da perseguição foi uma bênção, a oficialização do Cristianismo como religião do Estado foi, não há dúvida, maldição.
Todos queriam ser membros da igreja e quase todos eram aceitos. Tanto bons como os maus, os que buscavam a Deus e os hipócritas buscando vantagens, todos se apressavam em ingressar na comunhão. Homens mundanos, ambiciosos e sem escrúpulos, todos desejavam postos na igreja, para, assim, obterem influência social e política. O nível moral do Cristianismo no poder era muito mais baixo do que aquele que distinguia os cristãos nos tempos de perseguição. Os cultos de adoração aumentaram em esplendor, porém eram menos espirituais e menos sinceros do que no passado.
Hoje, a Igreja de Jesus Cristo esta sendo questionada e discutida praticamente em todas as denominações e até mesmo os que estão fora dela. O surgimento de milhares de denominações evangélicas, o poderio apostólico de igrejas neo-pentecostais, a institucionalização, a secularização das denominações no geral, a profissionalização do ministério pastoral, a busca de diplomas teológicos reconhecidos pelo estado, a variedade infindável de métodos de crescimento das igrejas tradicionais, o fracasso das igrejas emergentes – tudo isso tem levado muitos a se desencantarem com a igreja institucional e organizada. É verdade que Jesus Cristo não deixou uma igreja institucionalizada neste mundo. Todavia ele disse algumas coisas a seus discípulos a se organizarem em comunidades ainda mesmo no período apostólico e muito antes de Constantino.
(Lopes, Augusto Nicodemus, em seu artigo Os Desigrejados, Teceu alguns comentários bíblicos, que são suficientes para se constatar que a Igreja que Jesus Cristo fundou foi realmente organizada pela sua comunidade de discípulos, muito antes que a igreja fosse institucionalizada por Constantino.
FORMA PROPOSTA POR JESUS E OBEDECIDA PELOS SEUS DISCIPULOS QUANTO A ORGANIZAÇÃO DE SUAS COMUNIDADES.
1 – Jesus disse aos seus discípulos que sua igreja seria edificada sobre a declaração de Pedro, que ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16:15-19). A Igreja foi fundada sobre esta pedra que é a verdade sobre a pessoa de Jesus (!Pe.2:4-8) . Os que não aceitam esta verdade, não é igreja cristã. Os apóstolos estavam prontos para defender a comunidade de pensamentos gnósticos e judaizantes e libertinos desobedientes, como o seguidores de Balão e os nicolaítas (cf.2Jo10; Rm 16.17; !Co.5.11; 2Ts 3.6; 3.14; Tt 3:10; Ap 2.14; 2.6,15). Fica praticamente impossível nos mantermos sobre a rocha, Cristo, e sobre a tradição dos apóstolos registrada nas escrituras, sem sermos igreja, onde somos ensinados, corrigidos, admoestados, advertidos, confirmados, e onde os que se desviam da verdade apostólica são rejeitadas.
2 - A declaração de Jesus acima, que a sua igreja se ergue sobre a confissão acerca de sua Pessoa, nos mostra a ligação estreita, orgânica e indissolúvel entre ele e sua igreja. Em outro lugar, ele ilustrou esta relação com a figura da videira e seus galhos (João 15). Esta união foi muito bem compreendida pelos seus discípulos, que a compararam à relação entre a cabeça e o corpo (Ef. 1.22-23), a relação marido e mulher (Ef. 5.22-33) e entre o edifício e a pedra sobre o qual ele se assenta (1Pe. 2.4-8). Os que estão sem igreja(comunidade), querem Cristo, mas não querem sua comunidade (igreja). Querem o noivo, mas rejeitam sua noiva. Mas, aquilo que Deus ajuntou, não o separe o homem. Não podemos ter um sem o outro.
3 - Jesus instituiu também o que chamamos de processo disciplinar, quando ensinou aos seus discípulos de que maneira deveriam proceder no caso de um irmão que caiu em pecado (Mt.18.15-20). Após repetidas advertências em particular, o irmão faltoso, porém endurecido, deveria ser excluído da “igreja” – pois é, Jesus usou o termo – e não deveria mais ser tratado como parte dela (Mt.18.17). Os apóstolos entenderam isto muito bem, pois encontramos em suas cartas dezenas de advertências às igrejas que eles organizaram para que se afastassem e excluíssem os que não quisessem se arrepender dos seus pecados e que não andassem de acordo com a verdade apostólica. Um bom exemplo disto é a exclusão do “irmão” imoral da igreja de Corinto (1Co. 5). Como pode um cristão ter o cuidado de ser punido para a recuperação estando fora de uma comunidade?
4 - Jesus determinou que seus seguidores fizessem discípulos em todo o mundo, e que os batizassem e ensinassem a eles tudo o que ele havia mandado (Mt.28.19-20). Os discípulos entenderam isto muito bem. Eles organizaram os convertidos em igrejas, os quais eram batizados e instruídos no ensino apostólico. Eles estabeleceram líderes espirituais sobre estas igrejas, que eram responsáveis por instruir os convertidos, advertir os faltosos e cuidar dos necessitados (At.6.1-6; At.14.23). Definiram claramente o perfil destes líderes e suas funções, que iam desde o governo espiritual das comunidades até a oração pelos enfermos (1Tm. 31-13; Tt. 1.5-9; Tg. 5.14).
5 - Não demorou também para que os cristãos apostólicos elaborassem as primeiras declarações ou confissões de fé que encontramos (cf. Rm. 10.9; 1Jo 4.15; At. 8.36-37; Fp 2.5-11; etc.), que serviam de base para a catequese e instrução dos novos convertidos, e para examinarem e rejeitarem os falsos mestres. Veja, por exemplo, João usando uma destas declarações para repelir livres-pensadores gnósticos das igrejas da Ásia (2Jo 7-10; 1Jo 4.1-3). Ainda no período apostólico já encontramos sinais de que as igrejas haviam se organizado e estruturado, tendo presbíteros, diáconos, mestres e guias, uma ordem de viúvas e ainda presbitérios (1Tm.3.1; 5.17,19; Tt.1.5; Fp.1.1; 1Tm.3.8,12; 1Tm.5.9; 1Tm.4.14). O exemplo mais antigo que temos desta organização é a reunião dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém para tratar de um caso de doutrina – a inclusão dos gentios na igreja e as condições para que houvesse comunhão com os judeus convertidos (At.15.1-6). A decisão deste que ficou conhecido como o “concílio de Jerusalém” foi levada para ser obedecida nas demais igrejas (At.16.4), mostrando que havia desde cedo uma rede hierárquica entre as igrejas apostólicas, poucos anos depois de Pentecostes e muitos anos antes de Constantino.
6 - Jesus também mandou que seus discípulos se reunissem regularmente para comer o pão e beber o vinho em memória dele (Lc. 22.14-20). Os apóstolos seguiram a ordem, e reuniam-se regularmente para celebrar a Ceia (At.2.42; 20.7; 1Co.10.16). Todavia, dada à natureza da Ceia, cedo introduziram normas para a participação nela, como fica evidente no caso da igreja de Corinto (1Co.11.23-34). Não sei direito como os desigrejados celebram a Ceia, mas deve ser difícil fazer isto sem que estejamos na companhia de irmãos que partilham da mesma fé e que crêem a mesma coisa sobre o Senhor.
7 - É curioso que a passagem predileta dos desigrejados – “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt.18.20) – foi proferida por Jesus no contexto da igreja organizada. Estes dois ou três que ele menciona são os dois ou três que vão tentar ganhar o irmão faltoso e reconduzi-lo à comunhão da igreja (Mt.18.16). Ou seja, são os dois ou três que estão agindo para preservar a pureza da igreja como corpo, e não dois ou três que se separam dos demais e resolvem fazer sua própria igrejinha informal ou seguir carreira solo como cristãos.
8 O meu ponto é este: que muito antes do período pós-apostólico, da intrusão da filosofia grega na teologia da Igreja e do decreto de Constantino – os três marcos que segundo os desigrejados são responsáveis pela corrupção da igreja institucional – a igreja de Cristo já estava organizada, com seus ofícios, hierarquia, sistema disciplinar, funcionamento regular, credos e confissões. A ponto de Paulo se referir a ela como “coluna e baluarte da verdade” (1Tm.3.15) e o autor de Hebreus repreender os que deixavam de se congregar com os demais cristãos (Hb.10.25). O livro de Atos faz diversas menções das “igrejas”, referindo-se a elas como corpos definidos e organizados nas cidades (cf. At.15.41; 16.5; veja também Rm.16.4,16; 1Co. 7.17; 11.16; 14.33; 16.1; etc. – a relação é muito grande).
9 No final, fico com a impressão que os desigrejados, na verdade, não são contra a igreja organizada meramente porque desejam uma forma mais pura de Cristianismo, mais próxima da forma original – pois esta forma original já nasceu organizada e estruturada, nos Evangelhos e no restante do Novo Testamento. Acho que eles querem mesmo é liberdade para serem cristãos do jeito deles, acreditar no que quiserem e viver do jeito que acham correto, sem ter que prestar contas a ninguém. Pertencer a uma igreja organizada, especialmente àquelas que historicamente são confessionais e que têm autoridades constituídas, conselhos e concílios, significa submeter nossas idéias e nossa maneira de viver ao crivo do Evangelho, conforme entendido pelo Cristianismo histórico. Para muitos, isto é pedir demais.
Conclusão.
A Igreja como corpo de Cristo, esta espalhada nos quatro cantos da terra, porém quanto a sua forma de aparecer, traz no seu testemunho os seus traços culturais incorporadas conjuntamente com as verdades da palavra de Deus, que foram recebidas pela comunidade. Não existe comunidade perfeita, estamos no caminho e a caminho da perfeição, no entanto, estamos ainda trafegando através de uma comunidade fraterna onde despejamos os nossos dons e funções em prol do corpo de Cristo (sua Igreja). Todo cristão que se diz ser cristão, deve se reunir com outros que tenha a mesma regra de fé e confissão. Todos nós como discípulos de Jesus precisamos que outros irmãos lavem também os nossos pés. Estou vendo que a toalha e a bacia do Senhor Jesus esta sendo desprezada atualmente por muitos cristão que não se reúnem mais, mas o que autentica a nossa união com Cristo é a comunhão com o seu corpo seja qual for a forma que a comunidade esteja organizada. Todos nós que estamos na esperança da segunda vinda de Jesus, aguardamos em humildade o seu retorno como discípulos obedientes as suas instruções. Precisamos enquanto estamos a caminho e no caminho, ser corrigidos, instruídos, moldados, conduzidos, exortados, edificados, consolados, desvendados por muitos outros que estão lado a lado com a mesma carreira que nos foi proposta. Que Deus nos ajude a entender onde estamos ao cumprir os propósitos de Deus como sua Igreja.
No amor de Cristo,
Romildo Gurgel
Bibliografia:
1 - Hurlbut, Jesse Lu[yman - História da Igreja Cristã. Editora Vida, 13ª edição, 2001. 2 - Augusto Nicodemus Lopes – artigo Os Desigrejados
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
AS INTERFACES DA IGREJA COMO DENOMINAÇÃO E A IGREJA DE JESUS CRISTO

Por Romildo Gurgel
O rosto das denominações aparecem através dos seus costumes, crenças, doutrinas, tradições que foram escritas, estudadas, debatidas e aprovadas por intermédio de reuniões a luz da interpretação que seus líderes tiraram da Bíblia sagrada. Todo material juntado nestas reuniões se transforma em estatuto (instrumento normativo que dita a regra do seu funcionamento e o porque da sua existência). Os estatutos na sua grande maioria difere uma das outras, porque nelas estão explicitadas as normas de convivência e de interagir com os seus membros. Geralmente as denominações possuem sede própria ou não. Os segmento denominacionais, cresceram de tal forma que se tornaram quase impossível de se enumerar a enorme quantidade que existem ao redor do mundo inteiro. Elas vão desde as mais antigas, tradicionais, como a Igreja católica, protestante (dissidente da católica), evangélicas (diversas e na sua grande maioria dissidente uma das outras evangélicas, até as mais modernas. È impossível citá-las pois são muitas espalhadas por todos os lugares. Cultuar a Deus nelas, apesar de ser bom, se nota uma verdadeira concorrência, elas pregam a Cristo, mas se defendem uma das outras. Umas são extremamente fechadas, guardadora das suas tradições, outras são dogmáticas, rígidas quanto a sua doutrina e forma de se fazer culto, já outras são abertas, outras são mais liberais, outras são modernas, outras pós-moderna, algumas a ênfase esta no louvor, outras na pregação expositiva, outras no estudo da palavra, outras em ação social, outras no evangelismo, outras na captação de recursos, outras funcionam como máquina de comercialização da fé, outras vendem os seus produtos. Sendo que várias outras são verdadeiros impérios, não precisa nem citar o nome delas, outras são tão pobres, que olham para as mais forte copiando seus modelos de sucesso, se não optarem em criar outra denominação. Diante de tantas faces denominacionais, doutrinas, concorrências, divisões, surge a grande indagação: Onde esta a Igreja que Jesus Cristo fundou? Porque Existe tantas doutrinas acerca da verdade em Jesus Cristo? O que os homens convertidos estão fazendo com a verdade? Para se ter estas respostas, é preciso sair da zona de conforto teológico denominacional interpretativa e olhar para a Bíblia sem a roupagem hermenêutica denominacional e extrair exclusivamente das escrituras essas respostas e comparar para saber se o que estão confessando e pregando, é o evangelho de Jesus Cristo! Não pretendo nesta pequena reflexão, criticar as denominações em si, mas fazer uma amostragem sobre as faces das igrejas, principalmente as históricas, e conviver entre elas com amor, diálogo e abertura mantendo assim a comunhão entre o povo de Deus que transita por elas.
O evangelho de Jesus é o d’Ele, as denominações perdem muito da verdade quando ela prega ela mesma e diz que a solução é entrar para ela. Não tem nada demais se filiar a uma denominação, desde que haja a liberdade do diálogo, sem que a verdade ensinada por Jesus concorra com os estatutos impostos por homens. O Caminho a verdade e a vida esta em Jesus Cristo. O que vemos por aí é Jesus sendo pregado como salvador só para colocarem o maior número possível de pessoas para dentro das igrejas. Não vejo também nada demais nisso, mas não deveríamos colocá-las primeiramente dentro da pessoa de Cristo, que é bem mais fácil? Dois fatos acontecem na conversão, um nos céus e o outro na terra. Muitas pessoas estão com os seus nomes arrolados nos céus e muitas estão arroladas como rol de membro. Qual será o mais importante para o cristão? Com isso não estou afirmando que o cristão arrolado no livro da vida do cordeiro não precisa se membrar a uma igreja. Pode até pertencer não somente a uma, mas a muitas. O que vale é ter comunhão com todas as outras denominações, seja qual for, visto que elas são ambientes onde o povo de Deus trafega. Ela serve somente para transitar o povo para comunhão. Os dois ofícios ensinados por Jesus para o seu povo é o batismo nas águas (testemunho exterior do que aconteceu no interior do cristão, novo nascimento, nova vida, participação de um novo reino, tendo Jesus como cabeça e fundador). Enquanto a igreja como denominação não é um fim em si mesma, a igreja como habitação de Deus no Espírito humano é o resultado da salvação de Jesus para a humanidade, (como fim e consumação salvívica). Deixar de trafegar por uma ou outra, não significa de que esta pessoa esteja desviada de Jesus Cristo.Porque o caminho é Cristo e o andar do cristão é em Cristo. Trafegar nas igrejas ou fora dela, deve ser bênção e oportunidade para o cristão revelar a quem pertence. Os homens podem até tirar o nome de algum cristão do rol de membros, mas será que o nome deles são apagados também no livro do cordeiro de Deus? Essa discussão deixa transparecer que não existe cristão sem denominação. Ou será que as denominações tornam as pessoas genuinamente cristãs? O que torna uma pessoa cristã é CRISTO, e por sua vez o homem em resposta obediente deve segui-lo como discípulo. As igrejas não existiriam se não existisse o membro confessional nelas. Então com que direito as igrejas que julgam que o cristão que não esta nela esta desviada? O que se espera de uma pessoa membro de uma igreja é o fato dessa pessoa ter um envolvimento genuíno com Jesus Cristo, ou seja, ter nascido de novo (o novo nascimento é promovido por Deus) e se tornar um seguidor de Jesus através de seus ensinos (lado de Deus), ter comunhão com os irmãos dentro e fora dela (mesa do Senhor, ceia, resposta de nossa obediência a Cristo). Mas será que isso sempre acontece? É fácil deixar a obediência principal (Missão de Jesus) e se apegar a obediência secundária (missão das igrejas). Jesus é o salvador de todos os cristão mas quem ganha crédito maior é as igrejas, que divide o povo na sua fidelidade missional com a do Senhor. A Igreja não deveria represar o povo no intuito de focar toda mão de obra evangelística em prol dela mesma. Ou você já viu se ganhar almas para Jesus e colocá-las em uma outra que não seja a sua denominação? Os seus líderes iriam se chocar com tal cristão e ainda mesmo censurá-lo.
AS DENOMINAÇÕES É UMA QUESTÃO DE INTERFACES
Acredito que as igrejas (denominacionais) não precisariam ter sua missão. Isto porque a igreja não precisa fazer uma elaboração da sua missão própria, para concorrer com a proposta por Cristo.Muitas das nossas atividades de manter os crentes freqüentando iria desaparecer, você não acha? A verdade sobre esse assunto é que a igreja no seu ato de obediência deve abraçar a missão que vem de Deus (Missio Dei) e não a focada por ela. O que ocorre neste assunto é que ela se esquece que o que leva a igreja a cumprir a missão de Deus é o movimento livre de seus membros no cumprimento de seus dons. Mas, existe até problemas no que diz respeito a esse tema, visto que as interpretações ministeriais são muito divergentes quanto aos minstérios que Jesus distribui a seu povo. Como resolver esses problemas?
A missão da Igreja, é uma questão de interface, é só olhar para o aspecto funcional das sete igrejas da Asia em apocalipse e a Igreja de Jerusalém e de Antioquia, bem como as outras implantadas pelo apóstolo Paulo em suas viagens, que cada uma delas possuíam problemas que eram bem comuns e outros problemas mais específicos, entretanto possuíam suas peculiaridades no testemunho, isto dá para se observar com uma simples leitura. A Igreja esta o tempo todo lançando para fora a sua vida, o Ide de Jesus é para fora sem se conformar com esse mundo. A forma que a igreja mostra a sua cara é a revelação da sua interface. Abaixo estão enumeradas algumas mais comuns entre as igrejas.
ESTRUTURAS DAS INTERFACES DAS IGREJAS FRENTE
AO CUMPRIMENTO DA MISSÃO
1 – UMAS ENTENDEM MISSÃO COMO EVANGELISMO.
Esta é a igreja que evangeliza e leva a salvação de Jesus na sua proclamação. Todo o mover dessa igreja gira em torno do tema da salvação. A ênfase é no que traz resultados, no discurso da transformação dos indivíduos. Os que entram nessa igreja são os salvos com forte tendência para o isolacionismo. A ênfase local é tão forte que o membro pensa que se sair dessa igreja voltou para o mundo. Sair da comunidade resulta em apostasia. Permanecer nela, é perseverar na fé.
2 – OUTRAS ENTENDEM MISSÃO COMO AÇÃO SOCIAL
Esta igreja entende como missão fazer transformações sociais. Para isso fazem uma lista enorme de ações sociais. A maioria dos membros dessa igreja, são os pobre alcançados por intermédio desses programas sociais. Geralmente são poucos os salvos genuinamente, pois a convivência e os programas é que fazem com que o grupo se mantenha unido, ou vivo. Ocupar o povo e fazer parte dela é o seu lema principal.
3 – ALGUMAS ENTENDEM MISSÃO COMO EVANGELISMO E AÇÃO SOCIAL
Esta forma de missão se resume na gestão de unir evangelismo e ação social. Não se pode separar a proclamação da demonstração, ou o evangelismo da ação social. Pode parecer que isso seja possível, mas não é. Os dois são inseparáveis. Os dois é o que dá sentido a teologia da missão integral. Uma panificadora em um artigo comercial dizia que o pão integral é o pão de onde nada foi retirado. A proclamação e o envolvimento social são elementos essenciais da missão ou tarefa da igreja. Se deixarmos um desses elementos de fora, a atividade deixa de ser uma verdadeira“missão”. Tulo Raistrick, comentou que a face de uma igreja possuidora da missão integral são enumerados por oito atitudes.
1. Necessidades básicas supridas – atendendo as principais necessidades básicas das pessoas, assim como por alimentos, água, saneamento, saúde, moradia, educação e informação.
2. Participação e empoderamento – criando condições para que as pessoas pobres façam escolhas, participem em ações e decisões que afetam as suas vidas e se tornem agentes de transformação.
3. Bom gerenciamento de recursos – usando e distribuindo recursos ambientais de forma sustentável e compassiva, garantindo que as necessidades materiais de todos sejam supridas hoje e no futuro.
4. Defesa e promoção de direitos – engajando pessoas no trabalho de defesa e promoção de direitos para combater as injustiças estruturais e proteger as pessoas vulneráveis.
5. Mudança de valores – ajudando as pessoas a reconhecerem o seu verdadeiro valor por terem sido formadas à imagem e semelhança de Deus, desafiando e transformando os valores e a visão de mundo das mesmas.
6. Envolvimento da igreja local – incentivando comunidades cristãs sustentáveis em seu compromisso com Jesus Cristo através da adoração, da oração e do ato de servir as pessoas pobres.
7. Oportunidades para conhecer a fé cristã – criando oportunidades para que as pessoas encontrem, reconheçam e sigam o senhorio de Jesus Cristo.
8. Cristãos em funções de liderança – cristãos servindo as suas comunidades e ocupando funções de liderança e responsabilidade fora do contexto da igreja.
4 – MUITOS ENTENDEM MISSÃO COMO EVANGELIZ-AÇÃO-SOCIAL
Só entram os que se doam para o mundo e os que precisam. Os ministérios são voltados para a transformação do individuo (TI) e a transformação da sociedade (TS). Esta Igreja acredita que os indivíduos sendo transformados, a sociedade também se transformará.
A pregação do evangelho é uma tarefa de todos os salvos em Jesus Cristo e não somente dos oficiais da igreja. Jesus Cristo preparou doze homens e estes transformaram o mundo da sua época. A interface deles eram em ter comunhão, uns com os outros. Naquela época os cristão viviam a dinâmica da comunhão de uma forma bem mais ampla e aberta do que o que estamos experimentando na atualidade. O que diferenciava de um cristão do não cristão era a forma de se amarem e da transformação que Jesus fazia na vida de cada deles. Os cristãos daquela época não negociavam com a palavra de Deus, funcionavam como luz, resplandecendo a glória de Jesus nos seus gestos e atitudes. Eram preocupados com as necessidades dos santos e de ser instrumento de cumprir a missão de Deus. Ajudavam comunidades mais carentes, abrindo mãos dos seus bens, gostavam de orar, gostavam de jejuar, de alcançar outras regiões onde Jesus não era conhecido, o uso dos dons do Espírito era a dinâmica da vida da igreja. Quando sofriam pela perseguição, não se intimidavam quando eram afrontados, colocavam suas vidas ainda mais em prol do evangelho e da obediência a Jesus Cristo.
Que Deus nos ajude a entender as faces da igreja na atualidade e a igreja e seus líderes estimulem os seus membros a amarem a Jesus e a obedecê-lo sem reservas.
Deus abençoe.
Romildo Gurgel
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Não Quero Mais Ser Evangélico!
Por:Ariovaldo Ramos
"Irmãos, uni-vos! Pastores evangélicos criam sindicato e cobram direitos trabalhistas das Igrejas". Esse, o título da matéria, chocante, publicada pela revista Veja de 9 de junho de 1999 anunciando formação do "Sindicato dos Pastores Evangélicos no Brasil".
Foi a gota d'água! Ao ler a matéria acima finalmente me dei conta de que o termo "evangélico" perdeu, por completo, seu conteúdo original. Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais ser praticante e pregador do Evangelho (Boas Novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um segmento do Cristianismo, com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante - o segmento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo. O significado de ser pastor evangélico, então, é melhor nem falar, para não incorrer no risco de ser grosseiro.
Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai porque, segundo Jesus, são estes os que o Pai procura e, não, por mão de obra especializada ou por "profissionais da fé". Voltemos à consciência de que o Caminho, a Verdade e a Vida é uma Pessoa e não um corpo de doutrinas e/ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa Pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro: uma leitura bíblica que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra. Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter.
Chega dessa "diabose"! Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado. Voltemos à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar: voltemos às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado da alma resgatada.
Voltemos ao amor, à convicção de que ser cristão é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos: voltemos aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam - em profundo amor e senso de dependência: quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome "meu", mas, o pronome "nosso".
Para que os títulos: "pastor", "reverendo", "bispo", "apóstolo", o que eles significam, se todos são sacerdotes? Quero voltar a ser leigo! Para que o clericalismo? Voltemos, ao sermos servos uns dos outros aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; ao, "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu lá estarei" de Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes - chega de show! Voltemos aos presbíteros e diáconos, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da igreja local, cuidam da ministração da Palavra, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. Chega de ministérios megalômanos onde o povo de Deus é mão de obra ou massa de manobra!
Para que os templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Voltemos às catacumbas, à igreja local. Por que o pulpitocentrismo? Voltemos ao "instruí-vos uns aos outros" (Cl 3. 16).
Por que a pressão pelo crescimento? Jesus Cristo não nos ordenou a sermos uma Igreja que cresce, mas, uma Igreja que aparece: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. "(Mt 5.16). Vamos anunciar com nossa vida, serviço e palavras "todo o Evangelho ao homem... a todos os homens". Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que "acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos", sem adulterar a mensagem.
Ariovaldo Ramos
www.ariovaldoramos.com.br
"Irmãos, uni-vos! Pastores evangélicos criam sindicato e cobram direitos trabalhistas das Igrejas". Esse, o título da matéria, chocante, publicada pela revista Veja de 9 de junho de 1999 anunciando formação do "Sindicato dos Pastores Evangélicos no Brasil".
Foi a gota d'água! Ao ler a matéria acima finalmente me dei conta de que o termo "evangélico" perdeu, por completo, seu conteúdo original. Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais ser praticante e pregador do Evangelho (Boas Novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um segmento do Cristianismo, com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante - o segmento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo. O significado de ser pastor evangélico, então, é melhor nem falar, para não incorrer no risco de ser grosseiro.
Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai porque, segundo Jesus, são estes os que o Pai procura e, não, por mão de obra especializada ou por "profissionais da fé". Voltemos à consciência de que o Caminho, a Verdade e a Vida é uma Pessoa e não um corpo de doutrinas e/ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa Pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro: uma leitura bíblica que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra. Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter.
Chega dessa "diabose"! Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado. Voltemos à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar: voltemos às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado da alma resgatada.
Voltemos ao amor, à convicção de que ser cristão é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos: voltemos aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam - em profundo amor e senso de dependência: quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome "meu", mas, o pronome "nosso".
Para que os títulos: "pastor", "reverendo", "bispo", "apóstolo", o que eles significam, se todos são sacerdotes? Quero voltar a ser leigo! Para que o clericalismo? Voltemos, ao sermos servos uns dos outros aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; ao, "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu lá estarei" de Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes - chega de show! Voltemos aos presbíteros e diáconos, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da igreja local, cuidam da ministração da Palavra, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. Chega de ministérios megalômanos onde o povo de Deus é mão de obra ou massa de manobra!
Para que os templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Voltemos às catacumbas, à igreja local. Por que o pulpitocentrismo? Voltemos ao "instruí-vos uns aos outros" (Cl 3. 16).
Por que a pressão pelo crescimento? Jesus Cristo não nos ordenou a sermos uma Igreja que cresce, mas, uma Igreja que aparece: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. "(Mt 5.16). Vamos anunciar com nossa vida, serviço e palavras "todo o Evangelho ao homem... a todos os homens". Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que "acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos", sem adulterar a mensagem.
Ariovaldo Ramos
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
Mais Cristo, menos cristianismo
Toda religião está estruturada em dogmas, rituais e códigos morais. O Cristianismo também. Mas não são os dogmas, os rituais e os códigos morais que definem a experiência pessoal com Cristo. O apóstolo Paulo esclareceu que os seguidores de Jesus não podem ser reduzidos a observadores de rituais e padrões morais: Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das luas novas ou dos dias de sábado. Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo […] Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que, como se ainda pertencessem a ele, vocês se submetem a regras: “Não manuseie!”, “Não prove!”, “Não toque!”? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne [Colossenses 2.16,17,20-23].
A experiência mística do Cristo crucificado e ressurreto, comunhão com Ele, viver nEle, estar nEle, andar nEle [1Coríntios 1.9; Colossenses 1.2, 26,27; 2.6,7; 3.2], enfim, a devoção e a adoração a Cristo importam mais que a defesa do Cristianismo, isto é, dos dogmas, rituais e códigos morais considerados cristãos.
A imitação de Cristo é a essência do seguimento de Jesus, e importa mais que a adesão ao Cristianismo. Consta que Mahatma Gandhi teria afirmado a respeito dos protestantes ingleses: “Aceito seu Cristo, mas não aceito seu Cristianismo”. Eis aí uma constatação interessante: não poucas vezes a maneira como pretendemos servir a Cristo implica trair o espírito de Cristo. Talvez tenha sido isso o que Friedrich Nietzsche quis dizer ao afirmar que “se mais remidos se parecessem os remidos, mais fácil me seria crer no Redentor”.
O apóstolo Paulo estava ciente desse perigo e, por isso, recomendou aos cristãos: Vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador. Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita escravo e livre, mas Cristo é tudo e está em todos. Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito. Que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração, visto que vocês foram chamados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos. Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração. Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai [Colossenses 3.5-17].
Há muitas pessoas que se declaram adeptas da religião Cristianismo, mas não se comprometem a viver como Jesus Cristo viveu e ensinou. Não estão ocupadas em guardar (obedecer) todas as coisas que ele ordenou [Mateus 20.18-20], nem tampouco em andar como Ele andou [1João 2.6]. A respeito dessas pessoas, o próprio Jesus declarou: Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! [Mateus 7.21-23].
Cristo é maior que o Cristianismo. Por essa razão, a adoração a Cristo é mais importante que a defesa do Cristianismo, e a imitação de Cristo é mais importante que a adesão ao Cristianismo. Ser como Cristo e fazer mais por Cristo, eis as legítimas aspirações de todo aquele que se comprometeu com o caminho de Cristo.
Ed. Réne Kivitz
A experiência mística do Cristo crucificado e ressurreto, comunhão com Ele, viver nEle, estar nEle, andar nEle [1Coríntios 1.9; Colossenses 1.2, 26,27; 2.6,7; 3.2], enfim, a devoção e a adoração a Cristo importam mais que a defesa do Cristianismo, isto é, dos dogmas, rituais e códigos morais considerados cristãos.
A imitação de Cristo é a essência do seguimento de Jesus, e importa mais que a adesão ao Cristianismo. Consta que Mahatma Gandhi teria afirmado a respeito dos protestantes ingleses: “Aceito seu Cristo, mas não aceito seu Cristianismo”. Eis aí uma constatação interessante: não poucas vezes a maneira como pretendemos servir a Cristo implica trair o espírito de Cristo. Talvez tenha sido isso o que Friedrich Nietzsche quis dizer ao afirmar que “se mais remidos se parecessem os remidos, mais fácil me seria crer no Redentor”.
O apóstolo Paulo estava ciente desse perigo e, por isso, recomendou aos cristãos: Vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador. Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita escravo e livre, mas Cristo é tudo e está em todos. Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito. Que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração, visto que vocês foram chamados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos. Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração. Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai [Colossenses 3.5-17].
Há muitas pessoas que se declaram adeptas da religião Cristianismo, mas não se comprometem a viver como Jesus Cristo viveu e ensinou. Não estão ocupadas em guardar (obedecer) todas as coisas que ele ordenou [Mateus 20.18-20], nem tampouco em andar como Ele andou [1João 2.6]. A respeito dessas pessoas, o próprio Jesus declarou: Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! [Mateus 7.21-23].
Cristo é maior que o Cristianismo. Por essa razão, a adoração a Cristo é mais importante que a defesa do Cristianismo, e a imitação de Cristo é mais importante que a adesão ao Cristianismo. Ser como Cristo e fazer mais por Cristo, eis as legítimas aspirações de todo aquele que se comprometeu com o caminho de Cristo.
Ed. Réne Kivitz
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