quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

PARÁBOLA DOS TRABALHADORES DA VINHA


Por
Romildo Gurgel

LEITURA BÍBLICA: (Mt. 20:1-16)

INTRODUÇÃO:
Esta parábola foi ensinada por Jesus aos seus discípulos. Isto vemos claramente nos versículos anteriores a parábola, quando Jesus ensina a seus discípulos algumas verdades acerca da entrada no reino (Mt.19:16-30). A parábola foi ensinada pelo fato de Pedro perguntar a Jesus o que ganharia por ter renunciado tudo para seguí-lo (Mt.19:27-30)

I – NARRAÇÃO HISTÓRICA

O proprietário de uma vinha resolveu colher suas uvas, em um determinado dia. Todos os seus servos, que trabalhavam para ele, regularmente durante o ano, saíram para a vinha às seis horas da manhã, enquanto o dono foi até à praça da cidade próxima, ao romper da aurora. Ele precisava encontrar alguns trabalhadores desempregados que estivessem dispostos a trabalhar por dia, pela soma razoável de um denário. Bem cedo, entre cinco e seis horas da manhã, alguns homens dispostos a trabalhar já permaneciam pela praça à espera de algum empregador que viesse oferecer-lhe trabalho. O proprietário da vinha falou com os homens, mencionou o pagamento diário de um denário, com o qual todos concordaram e foram levados para uma jornada de trabalho de 10 horas de trabalho.
Nos dias de Jesus, os trabalhadores se consideravam privilegiados ao conseguir um salário. Passar horas ociosas na praça, significava para o trabalhador que ele e sua família teriam que contar com a caridade dos empregadores. Com isso, um dia de trabalho era uma bênção para o trabalhador e sua família.
Enquanto os servos e os novos contratados estão ocupados trabalhando na vinha, o proprietário volta à praça para ver se consegue encontrar mais alguns trabalhadores. São entre oito e nove horas, e muitos estão ainda à toa, na praça. O empregador pergunta-lhes se trabalhariam o resto do dia em sua vinha. Ele não diz quanto vai pagar, mas promete um salário justo. Os trabalhadores conhecendo a reputação do dono da vinha, confiam nele plenamente e sabem que não ficarão desapontados ao fim do dia.
A medida que o trabalho progride, o proprietário calcula o número de horas de trabalho necessário ainda para terminar a tarefa antes que a noite caia. Fica evidente que o proprietário queria fazer a colheita toda naquele único dia. O dono da vinha sabe exatamente quando certas uvas devem ser colhidas. Se forem deixadas na videira por mais um ou dois dias acumularão açúcar demais perdendo assim o valor de mercado, pois a grande maioria das uvas eram para fabricação de vinho. Se o dia da colheita cai na sexta-feira, o fazendeiro faz tudo o que pode para conseguir trabalhadores adicionais e completar a tarefa antes do sábado.
Idas à praça próxima se repetem a intervalos regulares, ao meio dia e as três da tarde, com sucesso variado. Ao entardecer, parece que o projeto ainda não estará completo com os empregados já contratados até o cair da noite, ao menos que mais trabalhadores sejam contratados. O proprietário volta a praça as cinco horas e encontra alguns homens por ali. Pergunta por que estão na praça, àquela hora do dia. Eles respondem que ninguém veio contratá-los. O empregador diz: “Ide também vós para a vinha”. Não faz nenhuma menção ao pagamento.

II – OBSERVANDO PONTOS IMPORTANTES DA PARÁBOLA

a) Na parábola toda o empregador é a figura dominante – Suas atitudes, seus procedimentos são manifestos do inicio até o fim da parábola.

b) Várias questões surgem a respeito da administração da vinha. Porque o proprietário volta a praça por pelo menos cinco vezes.

 Madrugada (entre 4 e 5 h. da manhã) – Saiu para assalariar , valor de um denário por dia– vss.1
 Terceira hora (9 h. da manhã) – Valor contratado “vos darei o que é justo” – vss. 3 e 4
 Hora sexta e hora nona ( meio dia e três horas da tarde) – Valor contratado “foi da mesma forma da hora terceira” – “vos darei o que é justo” – vss. 5
 Hora undécima ( 5 h. da tarde) – O valor do contrato aqui não foi estipulado, mais o empregado parece saber que pelo menos no final, mesmo por ter trabalhado somente por uma hora, receberia o proporcional e poderia levar alguma coisa para casa. O empregado confia na reputação do empregador e aceita o serviço e confia na generosidade do dono da vinha.

c) O empregador observava a norma bíblica de não reter o pagamento do trabalhador diarista –
(Lv.19: 13) - Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã.

(Dt.24: 14 ) - Não oprimirás o trabalhador pobre e necessitado, seja ele de teus irmãos, ou seja dos estrangeiros que estão na tua terra e dentro das tuas portas.
15 No mesmo dia lhe pagarás o seu salário, e isso antes que o sol se ponha; porquanto é pobre e está contando com isso; para que não clame contra ti ao Senhor, e haja em ti pecado.

d) A lei da procura e da oferta é sem dúvida observada – Menos trabalhador, aumenta a jornadas de dias de trabalho, mais energia será gasta por cada trabalhador, o rendimento depois de certo tempo de trabalho diminui consideravelmente por ser um trabalho braçal. Contratando-se trabalhadores mais tarde, chegam a vinha mais descansados e com energia para gastar, a colheita mantém um rítimo até o fim, a produção da colheita aumenta e diminui a jornada de trabalho.

e) O empregador ciente dessas injunções, circunstâncias, dá instruções a seu capataz (chefe de um grupo de trabalhadores braçais) para que pague aos trabalhadores o seu salário.

A recomendação foi :

 “Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até os primeiros”. Vs. 8

III – O PAGAMENTO DOS TRABALHADORES

 Os da hora undécima ( 5 h. da tarde) – Receberam um denário por uma hora de trabalho – vs.9 – ficaram felizes, contentes e cheios de gratidão por causa da generosidade do dono da vinha.

 Os das 3 h. da tarde, meio dia e das nove da manhã – receberam um denário cada grupo – vs.10 - Se contentaram com o que receberam. A bíblia não diz que eles fizeram alguma objeção com o capataz e o dono da vinha, tudo indica que ficaram satisfeito pela bondade do dono da vinha.

 Os contratados a madrugada –Pensavam que receberiam mais do que os últimos contratados. Portanto receberam um denário cada um. A sua indignação manifestou-se imediatamente.

IV - A MURMURAÇÃO DOS TRABALHADORES DE MADRUGADA

(Mt. 20:10) - Vindo, então, os primeiros, pensaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um denário cada um.
11 E ao recebê-lo, murmuravam contra o proprietário, dizendo:
12 Estes últimos trabalharam somente uma hora, e os igualastes a nós, que suportamos a fadiga do dia inteiro e o forte calor.

V - O EMPREGADOR NÃO SE DEMONSTRA OFENDIDO CHAMA-OS DE AMIGO COM UM TOM AMIGÁVEL

(Mt.20: 13) - Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não ajustaste comigo um denário?
14 Toma o que é teu, e vai-te; eu quero dar a este último tanto como a ti.
15 Não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?
16 Assim os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.

QUE VEMOS NO TEXTO ?

a) A conotação é de reprovação, mas com tom amigável – VS.13

b) O fazendeiro se mostra Senhor da situação – Vs.14-15

c) O trabalhador insatisfeito pode concorrer à justiça, mas não teria êxito, pois as evidências do contrato eram claros: “ tendo ajustado com os trabalhadores a um denário por dia”- vss.2

d) O empregador não discute, não se explica e nem se justifica. Simplesmente faz a pergunta que o outro tem que responder afirmativamente: “Não combinaste comigo um denário ?” “Não me é lícito fazer o que quero do que é meu ?”.

e) Se há alguém que sacrificou a parte econômica pela benevolência, este é o proprietário da vinha. Teria sido melhor para ele se tivesse pago a quantia exata merecida.

f) O dono da vinha é acusado pela sua generosidade. “Ou são mau os teus olhos porque eu sou bom?” Com esta pergunta, o administrador põe à mostra a falsidade dos empregados da madrugada desapontados e demonstra sua bondade e gentileza enquanto eles mostraram inveja a avareza. Eles permanecem cegos à bondade do proprietário até que a máscara que escondia seu descontentamento é removida pela questão: “ou são maus os teus olhos porque eu sou bom?”.

g) Aqui temos o conceito do mundo e o conceito do reino: No mundo, o conceito é o do que trabalha mais, recebe mais. Isso é justo. Mas no reino de Deus, os princípios do mérito e da capacidade são postos de lado para que a GRAÇA PREVALEÇA.

VI – AS LIÇÕES DA PARÁBOLA

a) A graça vale mais do que a justiça imparcial e as práticas lucrativas de negócio.

b) Ao ensinar a parábola, Jesus mostrou que Deus não trata os homens de acordo com o princípio do mérito, da justiça ou da economia. Deus não está interessado em lucros. Deus não trata o homem na base do “toma lá dá cá”, ou “uma boa ação merece recompensa”. Na graça de Deus não circulam porcentagens, porque “todos temos recebido da sua plenitude, e graça sobre graça”. (Jo.1:16).

c) A parábola ensina que no reino dos céus a igualdade é a regra. “muitos primeiros serão os últimos” (Mt.19:30) . “Os últimos serão primeiros”( Mt.20:16). Mesmo que o trabalho possa variar, a graça é suficientemente para todos.

 Todos fomos comprados por preço de sangue
 Todos foram batizados em um só corpo, e este corpo não é dividido
 Todos somos possuidores de um só Senhor
 Todos temos uma só fé
 Todos temos a mesma vestimenta de santidade

d) Os trabalhadores queixosos podem ser comparados com o irmão mais velho da parábola do Filho pródigo (Lc.15:11-32). Juntos contavam com o comportamento de alguns fariseus que, por causa de seu zelo na observação da lei de Deus, contavam ter um lugar privilegiado no reino de Deus.
e) Esta parábola nunca será aceita por aqueles que querem impor à salvação regras e estipulações feitas pelos homens. No reino dos céus não existe a burocracia humana. A graça de Deus é plena e livre e superior de que qualquer cálculo.

VII – A APLICAÇÃO DA PARÁBOLA

a) A parábola é a explicação de (Mt.19:30)

b) O homem dono de casa, denota a Cristo que é o dono da Igreja

c) Os trabalhadores denotam os discípulos que foram chamados para o serviço na vinha

d) A contratação de trabalhadores em diversos horários do dia, diz respeito ao chamado de diversos discípulos no decorrer da história da Igreja até ao arrebatamento para o prêmio (paga) pelos serviços prestados.

e) O contrato firmado para os empregados foi feito por sangue, e a paga seria certa, veja a especulação de Pedro em (Mt.19:27).

f) A vinha denota o reino

g) O denário diz respeito ao galardão que o Senhor ofereceu a Pedro no seu acordo em (Mt.19:27-30)

h) No vs.3 de Mt.20, mostra pessoas ociosas na praça, isto fala que os que não trabalham no reino de Deus, ficam ociosos no mundo. É um reflexo, uma repercussão. Primeiro se busca o reino e as outras demais coisas serão acrescentadas. O não trabalho no reino deixa as pessoas ociosas no mundo.

i) A praça, representa o mundo.

j) Os diferentes horários que os trabalhadores foram contratados, representa os discípulos que foram salvos no decorrer da história da Igreja

k) Fora do reino de Deus, nenhum ser humano é empregado por Deus. Se não foi contratado, não esta no reino. O contrato tem que ser firmado. Pacto de sangue.

l) Mesmo próximo do final, onde o Senhor virá buscar a Igreja, até mesmo na ultima hora, muitas pessoas estão sendo contratadas e igualmente como os primeiros receberão os seus galardões como os primeiros. Os últimos serão os primeiros

BIBLIOGRAFIA
1 – KISTEMAKER, Simon J. As parábolas de Jesus. Casa Editora Presbiteriana, 1a Edição; São Paulo – SP
2 - Os Evangelhos – Versão Restauração. Editora Arvore da Vida.
3 – Bíblia Vida Nova – Editora Vida
4 – Bíblia de Estudo Plenitude – Sociedade Bíblica do Brasil
5 – LOCKYER. Herbert. Todas as Parábolas da Bíblia. Editora Vida, 3a impressão; São Paulo/SP

Elaborado por
Romildo Gurgel

PARÁBOLA DO JUÍZ INIQUO


Por
Romildo Gurgel

1 – LEITURA BÍBLICA: (Lc.18:1-8)

2 – INTRODUÇÃO.

Esta parábola também é conhecida como a parábola da mulher persistente. É companheira daquela de (Lc.11:5-8). Lucas apresenta as duas como relatos semelhantes: uma sobre um homem, a outra sobre uma mulher. Além disso, o assunto oração aparece na parábola do fariseu e do publicano (Lc.18:9-14) que vem logo a seguir.

3 – PANO DE FUNDO HISTÓRICO

Jesus contou a seus discípulos sobre uma viúva de certa cidade, que não tinha ninguém para apoiá-la contra seu adversário, a não ser um juiz iníquo. Seu adversário não tinha nem mesmo que comparecer no tribunal, o que é indício de que se tratava de uma questão de dinheiro. Ela não podia pagar um advogado. Então, se dirigiu diretamente ao juiz e queria que ele lhe servisse de advogado e juiz.
Em vez de ir ao tribunal da comunidade, ela procurou o juiz, que era conhecido por todos pela sua má reputação. De acordo com a lei dos fariseus, o judeu estava proibido de procurar tribunais não judaicos. Paulo revela que na igreja primitiva esta mesma regra devia ser seguida (1Co.5:12; 6:8). Muitas vezes, o povo procurava juízes gentios “se por esse intermédio, apelando para algum argumento político ou fiscal, pudessem ter frustrados os direitos de seus oponentes ou pudessem forçá-los a fazer o que a lei ordinária deixara de fazer”. Este juiz não tinha princípios religiosos e se mostrava imune à opinião pública. Simplesmente não dava a mínima importância ao que falasse Deus ou o homem. Assim era o juiz que a viúva procurou.

4 – INTERPRETAÇÃO

a) Apenas duas pessoas representam os papéis principais: a viúva importuna e o juiz injusto. O adversário apenas é mencionado.

b) Quando procuramos dividir a parábola temos:

 A viúva importuna
 O juiz injusto
 O juiz Divino e Justo

c) Parece que as viúvas, em Israel, passavam por grande dificuldade; as numerosas leis protetoras indicam que eram oprimidas e passavam grande privação. (Êx.22:22-24)

 O próprio Deus defende a causa da viúva –

(DT 10:17) - Pois o SENHOR vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas;
(DT 10:18) - Que faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa.

 Amaldiçoa o homem que perverter seu direito –

(DT 27:19) - Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva. E todo o povo dirá: Amém.

 A viúva tomava o lugar do marido falecido e, no tribunal, era considerada como tendo os mesmos direitos de um homem –

(NM 30:9) - No tocante ao voto da viúva, ou da repudiada, tudo com que ligar a sua alma, sobre ela será válido.

(SL 68:5) - Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no seu lugar santo.

 As viúvas eram maltratadas. O profeta Isaías queixa-se de que os governantes da terra são rebeldes e ladrões –

(IS 1:23) - Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva.

 O profeta Malaquias diz que Deus será testemunha veloz contra aqueles que oprimem a viúva e o órfão –

(ML 3:5) - E chegar-me-ei a vós para juízo; e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente, contra os que defraudam o diarista em seu salário, e a viúva, e o órfão, e que pervertem o direito do estrangeiro, e não me temem, diz o SENHOR dos Exércitos.

 Na nova Aliança, a religião pura inclui o cuidado para com as viúvas em sua aflição –

(TG 1:27) - A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.

d) O juiz iníquo – A conduta desse juiz testifica:

 A desorganização e corrupção generalizadas da justiça que prevaleciam sob o governo da Galiléia e Peréia na época.

 O que temos aqui era um homem que não tinha Deus.

 Não era religioso nem humanitário.

 Cuidava apenas de si mesmo.

 Como judeu ele agia em contradição a lei a qual decretava que se estabelecesse juizes nas cidades em todas as tribos, e proibia rigorosamente juízos distorcidos –

(DT 16:18) - Juízes e oficiais porás em todas as tuas cidades que o SENHOR teu Deus te der entre as tuas tribos, para que julguem o povo com juízo de justiça.
(DT 16:19) - Não torcerás o juízo, não farás acepção de pessoas, nem receberás peitas; porquanto a peita cega os olhos dos sábios, e perverte as palavras dos justos.
(DT 16:20) - A justiça, somente a justiça seguirás; para que vivas, e possuas em herança a terra que te dará o SENHOR teu Deus.

 O juiz era descaradamente corrupto, julgou o caso da viúva não pela justiça mas pela importunação e insistência da viúva.

e) O juiz divino e justo – Examinando como o Senhor aplicou essa sua parábola, torna-se surpreendente que ele tenha comparado os negócios de Deus não com os de um bom homem, mas com os de um homem mau e sem Deus.
 Há um contraste muito grande entre tudo o que o juiz era e o que Deus não é. Tudo o que Deus é, o juiz não era. Deus é exatamente o oposto em caráter a tudo o que o juiz era.
 Em algumas partes das escrituras sagradas observamos verdades ensinadas utilizando contrastes –

(LC 11:6) – pois que um amigo meu, estando em viagem, chegou a minha casa, e não tenho o que lhe oferecer;
(LC 11:7) - Se ele, respondendo de dentro, disser: Não me importunes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para tos dar;
(LC 11:8) - Digo-vos que, ainda que não se levante a dar-lhos, por ser seu amigo, levantar-se-á, todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará tudo o que houver mister.

(LC 11:11) - E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?
(LC 11:12) - Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
(LC 11:13) - Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?

5 - Ensinamentos da parábola –

a) Deus tem boa vontade em ouvir a oração dos seus filho –

 Para isso Ele nos ensinou a orar –
(Mt.6: 5) - E, quando [orar]des, não sejais como os hipócritas; pois gostam de [orar] em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.
(Mt.6:6) - 6 Mas tu, quando [orar]es, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

(Lc.11: 2) - Ao que ele lhes disse: Quando [orar]des, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu reino;

b) Ele tem prazer em responder quando oramos conforme a sua vontade –

(Mt.6: 8 ) - Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho [pedir]des.

(Mt.18: 19) - Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que [pedir]em, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus.

(Mt.21: 22) - e tudo o que [pedir]des na oração, crendo, recebereis.

(Mc.10: 35) - Nisso aproximaram-se dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: Mestre, queremos que nos faças o que te [pedir]mos.
(MC 10:36) - E ele lhes disse: Que quereis que vos faça?
(MC 10:37) - E eles lhe disseram: Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda.
(MC 10:38) - Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis; podeis vós beber o cálice que eu bebo, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado?
(MC 10:39) - E eles lhe disseram: Podemos. Jesus, porém, disse-lhes: Em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado;
(MC 10:40) - Mas, o assentar-se à minha direita, ou à minha esquerda, não me pertence a mim concedê-lo, mas isso é para aqueles a quem está reservado.

(Jo.11: 22) - E mesmo agora sei que tudo quanto [pedir]es a Deus, Deus to concederá.

(Jo.14: 13) - e tudo quanto [pedir]des em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
(Jo.14: 14) - Se me [pedir]des alguma coisa em meu nome, eu a farei.

(Jo.15: 16) - Vós não me escolhestes a mim mas eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto [pedir]des ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.

(Jo.16: 23) - Naquele dia nada me perguntareis. Em verdade, em verdade vos digo que tudo quanto [pedir]des ao Pai, ele vo-lo concederá em meu nome.

(Jo.16: 26) - Naquele dia [pedir]eis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai;

(Rm.8: 26) - Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de [pedir] como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis.


6 – A parábola tem também um aspecto escatológico –

 Os crentes perseguidos e injustiçados são incentivados a orarem confiantes a Deus, durante o intervalo que há entre a ascensão e a segunda vinda de Cristo

7 – Um outro aspecto escatológico da iminência da vinda de Cristo é : “Quando vier o Filho do Homem, achará fé na terra” ?

 A fé entregue aos santos será um artigo raro na volta do Senhor. Nosso dever supremo, apesar de toda oposição e tribulações, é manter a fé – Tende fé em Deus ( Mc. 11:22-24).

Elaboração
Romildo Gurgel

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

PARÁBOLA DO AMIGO IMPORTUNO


Por
Romildo Gurgel

LEITURA BÍBLICA: (Lc.11:1-13)

I – INTRODUÇÃO
Todo o texto diz respeito a oração ensinada por Jesus. O pai nosso aqui, é mais resumido do que esta em Mateus. Apenas Lucas menciona a parábola do amigo que vem à meia noite.

II – PANO DE FUNDO HISTÓRICO

O cenário está colocado numa pequena aldeia onde não há lojas. Cada lar assaria seus próprios pães todas as manhãs. Jesus retrata um lar que já usou todo o seu suprimento, que recebe uma visita inesperada de um amigo que está viajando. É meia-noite, provavelmente significa que o amigo tinha viajado depois do escurecer a fim de evitar o calor do dia. O homem deve alimentar o amigo, pois a hospitalidade era um dever sagrado. Sendo assim, vai para um vizinho amigo, pedindo três pães, i.e, três pãezinhos que bastariam para um homem. Mas este segundo chefe de lar já travara sua porta e fora para a cama com seus filhos. Evidentemente era um homem pobre que vivia numa casa de um cômodo só. A família inteira dormiria numa plataforma elevada numa extremidade do cômodo, possivelmente com os animais no nível do chão. Um homem em semelhante situação não poderia levantar-se sem perturbar a família inteira. O homem, porém, é persistente, não foi embora e nem deixou seu amigo dormir. E onde a amizade não pode prevalecer sua importunação ganha a vitória.

III – OS ENSINAMENTOS DA PARÁBOLA

a) A parábola mostra na realidade quatro amigos.
• O que pratica a hospitalidade a um amigo
• O que hospedou-se na casa do amigo
• O amigo vizinho
• Jesus o amigo verdadeiro, que na parábola ensinar que nos ama e que esta unido a nós mais do que um irmão para o que venhamos a pedir ao Pai.

b) A parábola ensina a orar de uma maneira perseverante -

NÃO COMO OS HIPÓCRITAS
(MT 6:5) - E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.

ORAR A PARTE
(MT 14:23) - E, despedida a multidão, subiu ao monte para ORAR, à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só.

ORAÇÃO PERSEVERANTE
(MT 26:36) - Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além ORAR.
(MT 26:37) - E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito.
(MT 26:38) - Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo.
(MT 26:39) - E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.
(MT 26:40) - E, voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então nem uma hora pudeste velar comigo?

O ESPINHO NA CARNE DE PAULO LEVOU-O A ORAR POR TRÊS VEZES
(2CO 12:7) - E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.
(2CO 12:8) - Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim.
(2CO 12:9) - E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.

 Quantas vezes você ora quando esta doente. Você admite a doença ? Paulo não admitia.

PEDIR E RECEBER
(MT 21:22) - E, tudo o que pedirdes na ORAÇÃO, crendo, o recebereis.

ORAR PARA DESESTRUTURAR A AÇÃO DEMONIACA
(MC 9:29) - E disse-lhes: Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com ORAÇÃO e jejum.

c) O significado do termo importune e importunação – (vs.7 e 8 )

Importunar – (dic. Aurélio) - Incomodar com súplicas repetidas; aborrecer com pedidos insistentes.
No grego – Significa não ter vergonha, destemido. Que não se envergonha para pedir duas ou mais vezes.

A PERSEVERANÇA DA IMPORTUNAÇÃO DA MULHER CANANÉIA
(MC 7:24) - E, levantando-se dali, foi para os termos de Tiro e de Sidom. E, entrando numa casa, não queria que alguém o soubesse, mas não pôde esconder-se;
(MC 7:25) - Porque uma mulher, cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se aos seus pés.
(MC 7:26) - E esta mulher era grega, siro-fenícia de nação, e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demônio.
(MC 7:27) - Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.
(MC 7:28) - Ela, porém, respondeu, e disse-lhe: Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos.
(MC 7:29) - Então ele disse-lhe: Por essa palavra, vai; o demônio já saiu de tua filha.
(MC 7:30) - E, indo ela para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, e que o demônio já tinha saído.

A PERSEVERANÇA DA IMPORTUNAÇÃO DO CEGO DE JERICÓ
(MC 10:46) - Depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando.
(MC 10:47) - E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim.
(MC 10:48) - E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais: Filho de Davi! tem misericórdia de mim.
(MC 10:49) - E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, que ele te chama.
(MC 10:50) - E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus.
(MC 10:51) - E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista.
(MC 10:52) - E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.

A LUTA DE JACÓ COM O ANJO DURANTE TODA UMA NOITE QUANDO O SEU IRMÃO ESAÚ O PERSEGUIA
(GN 32:22) - E levantou-se aquela mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, e passou o vau de Jaboque.
(GN 32:23) - E tomou-os e fê-los passar o ribeiro; e fez passar tudo o que tinha.
(GN 32:24) - Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu.
(GN 32:25) - E vendo este que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele.
(GN 32:26) - E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares.
(GN 32:27) - E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó.
(GN 32:28) - Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste.
(GN 32:29) - E Jacó lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali.
(GN 32:30) - E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva.
(GN 32:31) - E saiu-lhe o sol, quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa.

d) Dois fatos foram observados por Jesus que levaram com que o amigo importunado viesse a dar o que lhe pedira.

 O peso da amizade - O amigo importuno esperava que o seu amigo vizinho iria se levantar naquela hora de suma maneira bem generosa, embora o horário fosse inconveniente –
 A perseverança na insistência - Se o vizinho não se levantasse porque era tarde da noite, ele insistiria por repetidas vezes até vencer –
 Então, se não levantasse por amizade, levantaria por insistência.

e) A parábola ensina que devemos pedir sem duvidar -

Se o amigo importuno duvidasse que o vizinho não lhe emprestaria os pães, talvez ele não fosse acordá-lo –
(TG 1:6) - Peça-a, porém, com fé, em nada DUVIDAndo; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte.
(TG 1:7) - Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa.
(TG 1:8) - O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos.

f) A parábola estimula o crente a:

 Pedir e receber - Orar de um modo geral
 Buscar e achar – Suplicar de um modo específico  (Mt.6:33)
 Bater – exigir de um modo mais íntimo – (vd.vs.14)

g) Jesus ilustra a parábola tirando exemplos da conduta humana

Qual o pai dará coisas danificantes (pedra ou serpentes) ao filho que lhe peça pão ou um ovo –
(LC 11:11) - E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?
(LC 11:12) - Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
(LC 11:13) - Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?

h) Outros ensinos acerca da parábola

• O amigo vizinho dormia, Deus não dorme -
(SL 121:3) - Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não tosquenejará.
(SL 121:4) - Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel.

Torquenejar – (dic.Aurélio) Cabecear com sono, abrindo e fechando os olhos

• Ouvir as orações dos seus servos não molesta a Deus, antes, Deus tem prazer em ouvi-los –

• Deus não empresta. Ele dá gratuitamente e sem lançar em rosto.

• Devemos persistir se não acharmos resposta imediata.

BIBLIOGRAFIA

1. Os Evangelhos, versão restauração. Comentários Witness Lee – Living Stream Ministry – Anaheim, California – EUA. Editora Arvore da Vida

2. KISTEMAKER, Simon J. As parabolas de Jesus. 1a Ed.1992, Sao Paulo: Casa Editora Presbiteriana.
3. Bíblia Vida Nova – Edição Revista e Atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil, Editor responsável Russell P. Shedd

4. Lockyer, Herbert. Todas as Parábolas da Bíblia; Editora Vida ; 3° impressão 2001 – São Paulo.

5. A Bíblia em Bytes Shammah – Bíblia computadorizada

6. Dicionário Aurélio século XXI – computadorizado

7. Morris, Leon L. LUCAS, introdução e comentário. Editora Mundo Cristão.1ª Edição, 1983. São Paulo/SP.

8. Chave Bíblica; Sociedade Bíblica do Brasil, 1970.

Elaborado por
Romildo Gurgel

PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA


Atualizado em 07/05/2013   Autor:  Romildo Gurgel

I – Leitura Bíblica: (Mateus.18:1-14; Lucas.15:4-7)

II– Pano de fundo histórico.

O Senhor Jesus fez uso de algumas ilustrações tomando o exemplo de uma criança, para responder aos questionamentos de seus discípulos sobre quem é o maior no reino dos céus, ou a prerrogativa de se querer ter privilégios espirituais acima dos seus irmãos. Em (Mateus.20:20-28) consta o pedido da mãe de Tiago e João  a Jesus para que os seus filhos sentassem um a direita e outro a esquerda no seu reino, solicitação essa bem intrigante para o resto dos discípulos que ficaram bem irritados com essa intenção por parte dela (vd. v.20). Mas a resposta do Senhor foi  reveladora. A atribuição desse consentimento estava em Deus, que destinou a Jesus o primeiro a beber este cálice,  facultado também aos discípulos a beberem de igual modo. Conforme (Efésios 2:6) diz: "e juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus". Este é o resultado de que os verdadeiros discípulos tomaram também o cálice que também foi dado a Jesus Cristo beber.

Já a  parábola em si nasceu devido a uma respostas elaborada pelos discípulos descrita em (Mt.18:1) -"Aproximando-se  de Jesus os seus discípulos  perguntando:  Quem é por ventura, o maior no reino dos céus?". Da resposta dada pelo  Senhor, quero destacar alguns ensinos  que considero importante:

a) A ilustração da pedra de moinho, a da amputação de um membro do corpo e  de arrancar fora um olho em (Mt.18:1-11; e em  Mc.9:42-49) - Nos ensinados aspectos de despojamento,  de acolhimento e humildade.

b) A ilustração da ovelha desgarrada em (Mt.18:12-14)  nos ensina sobre a recuperação e o reacolhimento   que resultará em galardão por esse serviço.

c) A maneira do Senhor buscar a desgarrada – Parábola do filho pródigo em (Lc.15:11-31). – Resulta em alegria e festividades pela recuperação.

Ao empregar a ilustração da ovelha perdida, Jesus intencionou  o valor da postura de uma criança,  figura essa que  demonstra o conceito de grandeza do seu reino. Crianças, por serem filhos, não devem ser negligenciadas ou desprezadas por mais simples e trabalho que dê, pois não é da vontade do Pai que nenhuma delas pereça. 
Pelo padrão divino, o valor das crianças é sugerido pelo fato de que o Pai, o Filho e os anjos, estão em comunhão constante entre eles, porque elas precisam de um cuidado mais especial, são crianças. Seus anjos sempre contemplam a face do Pai, e têm acesso a ele a favor das crianças que estão sob os seus cuidados. O Filho, que é o Bom Pastor, está sempre em busca dos pequeninos; o Pai não quer que nenhuma  delas pereça. Aqueles que são semelhantes às crianças o coração possui a saúde espiritual, característica das crianças, na humildade, simplicidade e na ausência da malícia, puro de espírito e intenção. 

III – A pessoa do Pastor e sua função. - (Jo.10:1-16)

a) Possuía 100 ovelhas, um número razoável e comum a outros pastores. Uma pessoa que possuísse cem ovelhas não possuía muitos recursos, ele mesmo tomava conta do rebanho.
b) O pastor estava pastoreando as ovelhas em certo lugar enquanto elas se alimentavam.
c) O Pastor se distraiu por um momento com o rebanho enquanto uma das ovelhas se afastou, abocanhando algo aqui e ali, até que estava completamente desgarrada.
d) Por um momento, olhando as paisagens e a forma das ovelhas se alimentarem, aproximou-se do horário de recolhê-las para o aprisco, começou a contá-las, foi quando percebeu a ausência de uma.
e) Observando que faltava uma, escolheu um local para deixar as 99.  No evangelho de Mateus descreve este local como sendo nos montes, já no evangelho de Lucas, descreve que foram deixadas no deserto. Isto implica que o pastor não deixou as ovelhas desprotegidas. O local parece ser  bem conhecido pelo pastor para deixá-las  em um lugar razoavelmente seguro.
f) O Pastor sai a procura da ovelha desagregada até achá-la, porque conhece as suas ovelhas. (Jo.10:1-16). isto traduz que o pastor deva ter ido a um local que a encontraria ali.
g) O prazer do pastor foi em achar a ovelhas desgarradas -  ( Mt.18:13)
h) O acolhimento da desgarrada, é compartilhado em uma festividade – (Lc.15:5-7)

IV – A condição das ovelhas

a) Estão sempre juntas no rebanho. São animais gregários (andam juntas em grupo)
b) Quando se desgarram, ficam desnorteadas. Deitam no chão imóvel, esperando o pastor.
c) Receber os cuidados e o pastoreio é uma prova de ser liderada pelo pastor.
d) Alimenta-se dos pastos direcionados pelo seu pastor. Enquanto comem o pastor fica de vigia.
e) Reconhece a voz do seu pastoreio, sabe que o pastor sabe o seu nome e esta pronto para protegê-la.

V – O ensino da parábola

a) Aprender de fato quem é o maior no reino de Deus  conforme (Mateus.18:2-4)
Através de outras citações, apresento outros contextos:

Através da conversão (mudança de vida, nascer de novo) –
(Mateus 18:3) - E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.

Pela percepção que o  maior é o que se torna como criança –
(Mateus 18:4) - Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus.

O maior é o que serve aos irmãos –
(Mateus 23:11) - O maior dentre vós será vosso servo.

O maior é o que se torna servo e o ultimo de todos –
(Marcos 9:33) - E chegou a Cafarnaum e, entrando em casa, perguntou-lhes: Que estáveis vós discutindo pelo caminho?
(Marcos 9:34) - Mas eles calaram-se; porque pelo caminho tinham disputado entre si qual era o maior.
(Marcos 9:35) - E ele, assentando-se, chamou os doze, e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.
(Marcos 9:36) - E, lançando mão de um menino, pô-lo no meio deles e, tomando-o nos seus braços, disse-lhes:

O maior mandamento é amar o próximo da forma que ama a si mesmo –
(Marcos 12:31) - E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.

O maior é o que se considera o menor de todos -
(Lucas 9:46) - E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior.
(Lucas 9:47) - Mas Jesus, vendo o pensamento de seus corações, tomou um menino, pô-lo junto a si,
(Lucas 9:48) - E disse-lhes: Qualquer que receber este menino em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me receber a mim, recebe o que me enviou; porque aquele que entre vós todos for o menor, esse mesmo é grande.
(Lucas 9:49) - E, respondendo João, disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco.

O maior é o que se porta como jovem, sem utilizar de prerrogativas de adulto espiritual 
(Lucas 22:24) - E houve também entre eles contenda, sobre qual deles parecia ser o maior.
(Lucas 22:25) - E ele lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores.
(Lucas 22:26) - Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve.
(Lucas 22:27) - Pois qual é maior: quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve.

Há uma  bem aventurança para os que praticam este ensino –
(João 13:15) - Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.
(João 13:16) - Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou.
(João 13:17) - Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.

O maior é o que ama é o que dá a vida em prol de seus amigos –
(João 15:13) - Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.

Maturidade reside em se fazer escravos de todos para ganhar o maior número possível –
(1 Coríntios 9:19) - Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais.

O que recebe mais graça são os humildes, porque Deus resiste aos soberbos 
(Tiago 4:6) - Antes, ele dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.

b) A prática da humilde é o topo de quem é grande no reino dos céus –
(Mateus 18:4) - Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus.

O reino de Deus é formado por gente humilde –
(Mateus 5:3) - Bem-aventurados os pobres de espírito (humildes), porque deles é o reino dos céus;

O descanso esta em aprender humildade –
(Mateus 11:29) - Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.

O Senhor eleva os humildes e abate os soberbos –
(Lucas 1:51) - Com o seu braço agiu valorosamente; Dissipou os soberbos no pensamento de seus corações.

(Lucas 1:48) - Porque atentou na baixeza de sua serva; Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada,

Devemos não ambicionar coisas altas –
(Romanos 12:16) - Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos;

Os humildes serão exaltados –
(Tiago 1:9) - Mas glorie-se o irmão abatido na sua exaltação,

Deus dá maior graça aos humildes-
(Tiago 4:6) - Antes, ele dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.

Devemos nos cingir de humildade –
(1 Pedro 5:5) - Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.

c) Maturidade está em acolher as crianças (ovelhas recém nascidas, e às vezes desobedientes)  –
(Mateus 18:6) - Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar.

(Mateus 18:10) - Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus.
(Mateus 18:11) - Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido.

Acolher para ser cooperador da verdade –
(3 João 1:8) - Portanto, aos tais devemos receber, para que sejamos cooperadores da verdade.

Devemos receber uns aos outros como Cristo nos recebeu –
(Romanos 15:7) - Portanto recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para glória de Deus.

Devemos ter o cuidado para não perder o fruto do nosso trabalho –

(2 João 1:8) - Olhai por vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o inteiro galardão.

d) A Parábola ensina ainda, o grau de importância que possuem as crianças, ou filhos ou ovelhas  aos olhos de Deus pelo fato de seus anjos estarem vendo a face do Pai nos céus –
(MT 18:10) - Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus.

e) Ensina ainda do perigo que as ovelhas passam por pessoas que as fazem tropeçar - 
(MT 18:5) - E qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe.
(MT 18:6) - Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar.
(MT 18:7) - Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!

f) Ensina o perigo de ovelhas tropeçarem e levarem outras do mesmo rebanho -
(MT 18:7) - Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!
(MT 18:8) - Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno.
(MT 18:9) - E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno.
(MT 18:10) - Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus.

g) Ensina que o nosso Pai celeste não deseja que nenhuma ovelha se perca –
(MT 18:14) - Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca.

(JO 17:12) - Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse.

VI –Ensina  como tratar a ofensa de irmão para irmão ?
(MT 18:15) - Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão;
(MT 18:16) - Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada.
(MT 18:17) - E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.
(MT 18:18) - Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.
(MT 18:19) - Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus.
(MT 18:20) - Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.

Amem!!
Romildo Gurgel

PARÁBOLA DA FIGUEIRA

Atualizado em 19/02/2013


Por
Romildo Gurgel

LEITURA BÍBLICA: (Mt.24:32-35; Mc.13:28-31; Lc.21:29-33)

INTRODUÇÃO:

Já estudamos nas três ultimas parábolas anteriores, a parábola dos dois filhos (Mt.21:28-32), parábola dos lavradores maus (Mt.21:33-46) e a Parábola das bodas. Esta série de três parábolas foram ensinadas quando Jesus se encontrava no templo com os seus discípulos, os sacerdotes e ancião dos povos (Mt.21:23). E agora, após aquela reunião ao sair do templo os discípulos para compreender melhor acerca do que Jesus dissera no templo, começam a mostrar-lhe as construções, com o propósito de extrair algum comentário do seu mestre (Mt.24:1). A partir daí, Jesus tece o sermão profético sobre a destruição do templo, fala sobre os princípios das dores, sobre a grande tribulação, sobre a sua segunda vinda após a grande tribulação e também compôs esta parábola que passaremos a estudá-la.

1 - PANO DE FUNDO HISTÓRICO

Provavelmente Jesus ensinou esta parábola durante a primeira semana de abril, exatamente quando as árvores começam a dar os primeiros sinais de vida. Quando os seus ramos se renovam e as folhas brotam, esta era a linguagem que os seus ouvintes entendiam. A questão era se o povo era capaz de interpretar este sinal espiritualmente. Certa vez Jesus censurou os fariseus por serem incapazes de interpretar o aspecto do céu; porém não serem capazes de discernir os sinais dos tempos (Mt.16:2-3). Saberiam seus discípulos reconhecer o sinal da figueira ao florescer ?

2 – INTERPRETAÇÃO

A) Comparação do texto de Mateus e Lucas
 No texto de Mateus, a ênfase na interpretação esta na figueira
(Mateus 24:32) - Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão.

 Já em Lucas, a ênfase esta na figueira e em todas as arvores
(Lucas 21:29) - E disse-lhes uma parábola: Olhai para a figueira, e para todas as árvores;

 Essa ilustração simples tirada da natureza, assegurou aos seus discípulos judeus que, após o inverno do desprazer”, que sua nação tinha experimentado, haveria um verão de bênção nacional. Israel ainda se tornará a sua glória. No entanto, Lucas acrescenta quatro palavras à parábola: “Para todas as arvores”. Atualmente com o renascimento de Israel (em 1948), há também, paralelamente, uma manifestação de nacionalismo por todo o mundo. Povos que desde há muito não eram identificados como nações, agora reivindicam e recebem independência nacional. (Todas as parábolas da Bíblia, Ed. Vida, pg.268-269)

 Atualmente um povo que esta correndo atrás da sua independência é o povo palestino.
 A ênfase dada no texto de Lucas, não é somente Israel (1948) , que é data que a figueira brotou, mas também todas as arvores, ou seja, outros povos que ainda faltam brotar, que estão correndo atrás da sua independência.

B) O SIGNIFICADO DE “QUANDO VIRDES ACONTECER TODAS ESTAS COISAS”

(Mateus 24:33) - Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas.

(Lucas 21:31) - Assim também vós, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o reino de Deus está perto.

Diz respeito a:
(Mt.24:1-2) – Destruição do templo
(Mt.24:3-14) – Princípio de dores
(Mt.24:15-28) – A grande tribulação
(Mt.24:29-31) – Manifestação do filho do homem

C) O SIGNIFICADO DA PALAVRA “NÃO PASSARÁ ESTA GERAÇÃO” –

(Mateus 24:34) - Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam.

 Todas estas coisas preditas no sermão sobre o final dos tempos vão muito além do tempo dos contemporâneos de Jesus. O termo "esta geração" não é como alguns se arriscam em contar como 40 anos para o povo judeu, 100 anos para o povo gentio. A contagem diz respeito ao período da graça, ou seja, a contagem da geração da igreja, porta esta que será fechada na volta de Jesus, ou seja, com o arrebatamento da Igreja, onde se dará o início da grande tribulação .

D) O SIGNIFICADO DA IMAGEM DA FIGUEIRA FLORESCENTE

• Diz respeito a um período de bênção –
(JL 2:22) - Não temais, animais do campo, porque os pastos do deserto reverdecerão, porque o arvoredo dará o seu fruto, a vide e a figueira darão a sua força.
(JL 2:23) - E vós, filhos de Sião, regozijai-vos e alegrai-vos no SENHOR vosso Deus, porque ele vos dará em justa medida a chuva temporã; fará descer a chuva no primeiro mês, a temporã e a serôdia.
(JL 2:24) - E as eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de mosto e de azeite.
(JL 2:25) - E restituir-vos-ei os anos que comeu o gafanhoto, a locusta, e o pulgão e a lagarta, o meu grande exército que enviei contra vós.
(JL 2:26) - E comereis abundantemente e vos fartareis, e louvareis o nome do SENHOR vosso Deus, que procedeu para convosco maravilhosamente; e o meu povo nunca mais será envergonhado.
(JL 2:27) - E vós sabereis que eu estou no meio de Israel, e que eu sou o SENHOR vosso Deus, e que não há outro; e o meu povo nunca mais será envergonhado.
(JL 2:28) - E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.
(JL 2:29) - E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito.
(JL 2:30) - E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça.
(JL 2:31) - O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR.
(JL 2:32) - E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar.

• A ênfase da parábola não esta na calamidade que vai ocorrer antes que venha o reino, mas na exultação do reino
(Lucas 21:28) - Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima.

(Lucas 21:31) - Assim também vós, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o reino de Deus está perto.
 O termo redenção e reino de Deus, neste contexto, diz respeito a consumação da salvação

E) O DIA E A HORA NINGUÉM SABE
(Mateus 24:36) - Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai.

 Nunca se sabe quando alguém está para ser levado , por morte súbita, ou arrebatado quando Cristo voltar. Um total de seis parábolas foi deixado para nós como ilustração para termos uma atitude de vigilância

1 – O porteiro –
(Marcos 13:35) - Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã,
(Marcos 13:36) - Para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo.
(Marcos 13:37) - E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai.

2 – O pai da família –
(Mateus 24:43) - Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.
(Mateus 24:44) - Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis.

3 – O servo fiel –
(Mateus 24:45) - Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo?
(Mateus 24:46) - Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim.
(Mateus 24:47) - Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.
(Mateus 24:48) - Mas se aquele mau servo disser no seu coração: O meu senhor tarde virá;
(Mateus 24:49) - E começar a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os ébrios,
(Mateus 24:50) - Virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe,
(Mateus 24:51) - E separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes.

4 – As dez virgens – (Mt. 25:1:13)
5 – Os talentos – (Mt.25:14-30)
6 – As ovelhas e os bodes – (Mt.25:31-46)

 Vigiar, segundo o que se vê aqui, inclui o fiel exercício de todas as virtudes cristãs: aguardar a volta de Cristo, cumprindo o dever, desenvolvendo talentos, e amparando os aflitos. (Comentário extraído da Bíblia vida nova, NT pg.36 nota de roda pé)

F) O MUNDO SERÁ PEGO DE SURPRESA
(Mateus 24:38) - Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca,
(Mateus 24:39) - E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.

• Uns serão deixados e outros tomados –
(Mateus 24:40) - Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro;
(Mateus 24:41) - Estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra.
(Mateus 24:42) - Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.

BIBLIOGRAFIA

KISTEMAKER, Simon J. As Parábolas de Jesus. Casa Editora Presbiteriana. 1a Edição – 1992. São Paulo – SP

LOCKYER, Herbert. Todas as Parábolas da Bíblia. Editora Vida. 3a Edição 2001. São Paulo – SP.

Os Evangelhos – Versão restauração. Editora Arvore da Vida. 1a Edição 1999 . São Paulo – SP
Bíblia Vida Nova – Edições Vida Nova. 2a Edição 1997. São Paulo – SP

A Bíblia Explicada – CPAD

Bíblia em Bytes – Bertolini Informática

Elaborado por
Romildo Gurgel

PARÁBOLA DA GRANDE CEIA


Por
Romildo Gurgel

1 – LEITURA BÍBLICA: (Lc.14:15-25)

2 – INTRODUÇÃO:
Essa grande ceia que o texto se refere, é diferente das bodas em (Mt.22:2-14). As bodas de Mateus visa o galardão no reino. A ceia aqui é para a plena salvação de Deus.

3 – PANO DE FUNDO HISTÓRICO.

Uma pessoa abastada, preparou cuidadosamente uma grande ceia. No dia da ceia, o homem mandou seu servo avisar os convidados que já estava preparada a festa. Ele chegou à casa do primeiro convidado, e disse: “Vinde, porque tudo já está preparado”. Infelizmente o convidado tinha um compromisso e, com tristeza, teve que recusar o convite. Disse ao servo: “Comprei um campo, e preciso ir vê-lo”. Realmente, queria dizer: “Sinto muito, mas não posso comparecer ao banquete. Os negócios vêm antes do prazer. Rogo-te que me tenhas por escusado”. Mandou lembranças ao anfitrião, e esperou que este o compreendesse.
O servo procurou o segundo convidado, e chamou-o para a ceia, pois o anfitrião estava à espera: “Vinde porque tudo já está preparado”. O homem pareceu surpreso, ao ouvir o convite. Estava tratando de negócios. Tinha acabado de pagar uma quantia razoável por cinco juntas de bois e se preparava para experimentá-las. Não podia sair, pois os homens que conduziam os bois dependiam dele. Era o único que podia tomar decisões. Era o chefe, ali. Sair de sua fazenda naquele momento, para tomar parte em u banquete, seria muita irresponsabilidade. Ele expressou profundo pesar e pediu ao servo que levasse suas saudações ao anfitrião. Tinha certeza de que o outro entenderia sua situação embaraçosa.
O servo continuou, e bateu à porta do terceiro convidado. A esta altura já estava preparado para receber resposta negativa ao convite de seu senhor. Quando fez ao convidado, o chamado para o banquete, ficou sabendo que este se casara durante aquela semana, e estaria ocupado com suas próprias festas. Realmente, ele nem precisava se justificar. Ninguém estranharia o fato de o noivo querer ficar ao lado de sua noiva.
Depois de ter falado com todos os convidados, o servo voltou ao anfitrião e transmitiu-lhe toda a desculpa e lembrança enviada. Compreensivelmente, o dono da casa não se sentiu satisfeito. Ficou muito zangado. Não podia perder toda a comida preparada. Não tinha outra escolha senão encher sua casa com outros convidados. Assim ordenou ao servo que fosse às ruas e becos da cidade e trouxesse para a ceia os mendigos, aleijados, cegos e coxos, que encontrasse. O servo cumpriu as ordens do seu amo, mas, quando os convidados já estavam assentados, ainda sobrava lugar. O senhor o enviou,para que buscasse todo os marginalizados pela sociedade, que encontrasse pelos caminhos e atalhos da cidade. O anfitrião queria que todos os lugares do banquete fossem ocupados, de modo que se algum daqueles que convidara antes chegasse atrasado, não poderia entrar, pois não haveria mais lugar.

4 – O AMBIENTE DA PARÁBOLA –
Na residência de um escriba. Mesma casa onde Jesus foi convidado após o culto de sábado (cf. Lc.14:1-14) . Neste local, Jesus havia tecido duas parábolas que no final delas, um dos convidados que estavam ali disse: “Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus”.
5 - O MOTIVO DA PARÁBOLA –
A parábola surgiu depois do comentário sobre as Bem-aventuranças daquele que come pão no reino de Deus.

6 – O QUE ENSINA A PARÁBOLA

a) Jesus ensina nesta parábola que os cuidados da vida fazem com que os homens optem em primeiro lugar ao invés do reino -
(Mt.6:33) - Mas buscai [primeiro] o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

(MT 8:21) - E outro de seus discípulos lhe disse: Senhor, permite-me que primeiramente vá sepultar meu pai.
(MT 8:22) - Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus mortos.
(MT 8:23) - E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram;

(MT 22:37) - E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
(MT 22:38) - Este é o primeiro e grande mandamento.
(MT 22:39) - E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

b) Ensina também que embora os homens prometam se relacionar com Deus, as nossas desculpas surgem devido o acúmulo de responsabilidades –
(MT 26:69) - Ora, Pedro estava assentado fora, no pátio; e, aproximando-se dele uma criada, disse: Tu também estavas com Jesus, o galileu.
(MT 26:70) - Mas ele negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes.
(MT 26:71) - E, saindo para o vestíbulo, outra criada o viu, e disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno.
(MT 26:72) - E ele negou outra vez com juramento: Não conheço tal homem.
(MT 26:73) - E, daí a pouco, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente também tu és deles, pois a tua fala te denuncia.
(MT 26:74) - Então começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou.
(MT 26:75) - E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente.

c) Ensina que as nossas obrigações, relacionamentos e conveniências contrariam, freqüentemente, a promessa de amar a Deus, servi-lo. –
(JO 21:15) – E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros.
(JO 21:16) – Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.
(JO 21:17) – Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: SENHOR, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.
(JO 21:18) – Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras.

d) Ensina que satisfazemos os nossos próprios interesses e esperamos que Deus nos dê uma segunda oportunidade. –
(Fp.2:21) - Pois todos [buscam] o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus.


e) Ensina que as desculpas apresentadas pelos convidados não tinha fundamento e sustentação verdadeira . Examinemos as três desculpas separadamente:

 Desculpa n° 1
“Comprei um campo e preciso ir vê-lo”

Implicações dessa desculpa;

 Como pode um judeu fazer uma compra de um campo sem antes ir vê-lo. Certamente ele seria a última pessoa do mundo a comprar gato por lebre.
 Além disso, se ele comprara o campo sem vê-lo, como poderia enxergá-lo no escuro ? Desde que ele fora convidado para uma ceia, que é uma refeição feita a noite, a melhor ocasião para olhar o campo seria à luz do dia.
 É provável também que aquele homem tivesse visto o campo antes de comprá-lo e que estivesse mais preocupado com o seu investimento.
(Mt.6:24) - Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às [riquezas].

(Mt.13:22) - E o que foi semeado entre os espinhos, este é o que ouve a palavra; mas os cuidados deste mundo e a sedução das [riquezas] sufocam a palavra, e ela fica infrutífera.

(Mc.10:24) - E os discípulos se maravilharam destas suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é [para os que confiam nas [riquezas]] entrar no reino de Deus!
 Desculpa n° 2
“Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los”

Implicações dessa desculpa:

 As cinco juntas de boi poderiam ser experimentadas no dia seguinte.
Se o fazendeiro não tivesse experimentado a junta de boi, teria feito uma grande tolice, depois de comprado experimentar.

 Desculpa n° 3
“Casei-me e por isso não posso ir”.

Implicações dessa desculpa:

 Esta desculpa foi vazia pois quando um homem casa é convidado, a esposa também esta incluído no convite. Se ele não fosse tão egoísta, teria ido a festa com a esposa e proporcionado a ela uma noite agradável.
 Esta terceira homem é a imagem daquelas preocupações e responsabilidades domésticas que tanto controlam o nosso tempo e pensamentos.
 O relacionamento precioso da vida familiar torna-se ainda mais desejável e doce para nós, quando o Senhor é o Cabeça do lar. (cf.Ef.5:25-28; Cl.3:19; 1Pe.3:7)


f) As três desculpas são uma espécie de espinho que crescem e sufocam a palavra - isto lembra a parábola do semeador – (Mt.13:1-8)

g) Hoje milhões de pessoas estão sendo convidada para esta festa, mas muitas pessoas recusam porque olham para si, seus negócios e suas responsabilidades. As vezes também olham para quem esta chamando, ao invés de olhar para o anfitrião que os convida (Jesus).

h) O dono da casa ficou por demais triste e irritado quando recebeu a notícia da recusa dos convidados – (v.21)

i) Os primeiros convidados representam a rejeição em geral de Israel e a oportunidade aos gentios a receberem este convite de salvação.- (vd. Rm11 todo o capítulo)

7 – TRÊS PONTOS CURIOSOS QUE OBSERVAMOS NESTA PARÁBOLA

 - Na primeira chamada que foi rejeitada, o convite foi simplesmente VINDE –

(LC 14:17) - E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado.

 Isto representa a salvação oferecida aos judeus, mas eles rejeitaram o salvador conforme já visto pouco acima.

 - Na segunda chamada lemos: “TRAZE AQUI”

(LC 14:21) - E, voltando aquele servo, anunciou estas coisas ao seu senhor. Então o pai de família, indignado, disse ao seu servo: Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos.

 Este segundo chamado aos pobres, aleijados, mancos e cegos, simboliza os pecadores e meretrizes gentílicos que acolheram o Filho de Deus e se esforçam para entrar no seu reino.
(Mt.21:31) - Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram eles: O segundo. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as [meretrizes] entram adiante de vós no reino de Deus.

 - Finalmente na terceira chamada lemos: “FORÇA-O A ENTRAR”.

(LC 14:23) - E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e força-os a entrar, para que a minha casa se encha.

 Este terceiro chamado foi ainda uma classe mais baixa: vagabundo e andarilhos cujo lar eram as estradas e valados, os quais representam os que vagam na periferia do mundo gentio, as “ovelhas negras”.

Elaboração:
Pr.Romildo Gurgel

PARÁBOLA DOS LAVRADORES MAUS


Por
Romildo Gurgel

LEITURA BÍBLICA: (Mt. 21:33-46; Mc.12:1-12; Lc. 20:9-19)

1 - INTRODUÇÃO:
De acordo com, Mateus, Marcos e Lucas, Jesus contou a parábola dos lavradores maus, durante a última semana de sua vida na terra. O evangelho apócrifo de Tomé apresenta também esta parábola (citação 65 e 66).

2. PANO DE FUNDO HISTÓRICO

Um dono de terra tinha um terreno e decidiu transformá-lo num vinhedo. Depois de plantado os brotos de uva, ele os protegeu cercando-a com estacas, arbustos e ramos, para que os animais selvagens, tais como raposas e os javalis não comecem quando as uvas brotassem. Também equipou a vinha com um lagar e uma torre. A torre era usada durante a colheita na vigilância contra os ladrões e animais. O lagar era um local onde se colocava as uvas após a colheita para espremê-las para se extrair o suco.
O projeto todo duraria cerca de uns cinco anos até que a vinha viesse a produzir uvas. Portanto o dono da terra, sabendo disso, arrendou a vinha a lavradores, dando garantia de sustentação dos lavradores, dos adubos e suprimentos para a vinha, e esperar que o quinto ano lhes desse algum lucro. Um vinhedo recém plantado e construído não traria retorno financeiro imediato.
O fazendeiro saiu para viajar durante um longo período. Na sua ausência os lavradores cultivariam a vinha, podariam os galhos e cuidariam da plantação durante os primeiros anos. Os trabalhadores trabalhavam de meia e tinham direito a uma parte do que fosse produzido. O lucro restante pertencia ao proprietário. Os lavradores tinha feito um contrato com o dono da terra para cultivar a vinha. Durante os quatro primeiros anos, seriam sustentados pelo proprietário. Passados esses anos de trabalho árduo, a vinha poderia se tornar uma fonte de lucro para o dono.
Quando se aproximou a época da colheita, no quinto ano, o fazendeiro enviou seu servo para receber o lucro da vindima. Os contatos entre o proprietário e os arrendatários devem ter sido mínimos, durante os primeiros quatro anos. A falta de aproximação gerou alienação (domínio, posse) através dos quatro anos. Por isso, o servo foi agarrado, espancado e mandado de volta a seu Senhor. O fato serviu ao proprietário como mensagem de que os arrendatários não tinham a intenção de pagar o lucro exigido, proveniente da colheita das uvas. Eles queriam guardar para si o lucro total, talvez como recompensa pelos anos de trabalho e cuidado dispensados a vinha.
O proprietário, portanto, mandou um outro servo aos arrendatários, com o mesmo pedido. Ele, sem dúvida, se referiu ao contrato assinado entre os arrendatários e o proprietário, que expunha claramente os termos. Mas eles o receberam do mesmo modo como tinham recebido seu predecessor. Bateram-lhe na cabeça, trataram-no insultuosamente e, também, o enviaram de volta com as mãos vazias (Lc.20:11). Uma vez mais se demonstraram abertamente desafiadores: não queriam partilhar com ninguém o lucro obtido na colheita. O proprietário diante de tais acontecimentos demonstra elogiável tolerância . Ele não opôs força a força, nem declarou nulo ou cancelado o contrato, como tinham feito os arrendatários. Depois de algum tempo, talvez na safra seguinte, o proprietário enviou um terceiro servo. Outra vez, os lavradores se recusaram a ceder ao pedido do proprietário; foram violentos, ferindo (Lc.20:12). Enquanto o dono continuava enviando os servos, os arrendatários, ferindo-os e matando-os (Mc.12:5), tornavam conhecido o fato de que a vinha permanecia em suas mãos.
O proprietário entendeu que os arrendatários estavam agindo como donos legítimos da propriedade que era sua. Como ultimo recurso ele enviou seu filho, dizendo a si mesmo que os lavradores reconheceriam sua autoridade, quando se confrontasse com seu filho. “A meu filho respeitarão”, Os simples servos não impunham o mesmo respeito que seria devido a um filho.
Os arrendatários, no entanto, não estavam dispostos a abrir mão da vinha. Quando viram o filho se aproximando, devem ter pensado que o dono tinha morrido e que seu filho tinha tomado seu lugar. Se o filho fosse afastado, os arrendatários, então, poderiam proclamar que tinham cuidado da vinha fielmente, que não haviam pago aluguel algum durante vários anos, e que o legítimo proprietário das terras tinha morrido. No tempo legal, os lavradores estariam habilitados à posse exclusiva da propriedade. Os juízes locais mui provavelmente favoreceriam os lavradores e dariam como legal a operação.
Os arrendatários decidiram matar o herdeiro e tomar para si a herança. Eles o receberam na vinha, mas, depois, para não macular a vinha com sangue, eles o mataram fora.
A paciência do dono da terra se esgotou. Os arrendatários tinham cometido erro desastroso ao matar seu filho. Medidas foram tomadas para arrancá-los da terra e levá-los à justiça, e o proprietário, reclamando plena posse da propriedade, escolheu outros lavradores para tomar conta da vinha, para que no devido tempo lhes dê a parte estipulada da colheita.

3 – O SIGNIFICADO DA PARÁBOLA

a) Quando Jesus diz no primeiro versículo ATENTAI OUTRA PARÁBOLA –
 Parece que os líderes judaizastes já não tinham ouvido o bastante para desmascará-los.
 No entanto lá esta Jesus sacudindo sal na reputação deles, já dolorosamente ferida pela parábola anterior – (Mt.21:28-32)

b) Os líderes religiosos ao ouvirem esta parábola, sabiam que esta parábola se aplicava a eles – (Mt.21:45)

c) Ao Jesus falar a parábola, os líderes devem ter reconhecido rapidamente a citação de Isaías. –
(IS 5:1) - AGORA cantarei ao meu amado o cântico do meu querido a respeito da sua vinha. O meu amado tem uma vinha num outeiro fértil.
(IS 5:2) - E cercou-a, e limpando-a das pedras, plantou-a de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre, e também construiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, porém deu uvas bravas.
(IS 5:3) - Agora, pois, ó moradores de Jerusalém, e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha.

(IS 5:4) - Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? Por que, esperando eu que desse uvas boas, veio a dar uvas bravas?

(IS 5:5) - Agora, pois, vos farei saber o que eu hei de fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derrubarei a sua parede, para que seja pisada;
(IS 5:6) - E a tornarei em deserto; não será podada nem cavada; porém crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela.
(IS 5:7) - Porque a vinha do SENHOR dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das suas delícias; e esperou que exercesse juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor.

d) Os judaizastes sabiam que Israel era comparado a uma videira -
(SL 80:8) - Trouxeste uma vinha do Egito; lançaste fora os gentios, e a plantaste.
(SL 80:9) - Preparaste-lhe lugar, e fizeste com que ela deitasse raízes, e encheu a terra.
(SL 80:10) - Os montes foram cobertos da sua sombra, e os seus ramos se fizeram como os formosos cedros.
(SL 80:11) - Ela estendeu a sua ramagem até ao mar, e os seus ramos até ao rio.
(SL 80:12) - Por que quebraste então os seus valados, de modo que todos os que passam por ela a vindimam?
(SL 80:13) - O javali da selva a devasta, e as feras do campo a devoram.
(SL 80:14) - Oh! Deus dos Exércitos, volta-te, nós te rogamos, atende dos céus, e vê, e visita esta vide;
(SL 80:15) - E a videira que a tua destra plantou, e o sarmento que fortificaste para ti.

e) O dono da casa é Deus – (Mt.21:33)

f) O proprietário cercou-a com uma sebe – (Mt.21:.33)
Sebe - Cerca de arbustos, ramos, estacas ou ripas entrelaçadas, para vedar terrenos

 Isto diz respeito a lei com todas as suas ordenanças, e que por meio delas a nação judaica foi separada –
(DT 7:8) - Mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito.

 Aqui Deus fala da separação de seu povo a um local que lhes foi prometido

 Na Nova Aliança essa parede de separação foi derrubada
(EF 2:14) - Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio,

g) Construiu um lagar – (Mt.21:33)
Lagar - Espécie de tanque onde se espremem e se reduzem a líquido certos frutos, esp. as uvas

O lagar, pode ilustrar aqui os verdadeiros frutos de consagração extraido por meio da lei.

h) Construiu uma torre – (Mt.21:33)
A vinha toda podia ser vista da torre de vigia, símbolo do proprietário divino, o Senhor da vinha.

(SL 127:1) - SE o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão VIGIA a sentinela.

 Após os Israelitas serem libertos do Egito, receberam a lei e tomaram posse de Canaã, a partir daí, não receberam mais a manifestação extraordinária da presença de Deus –
 Na vinha, ocorreu o mesmo fato, foi arrendada aos lavradores e o proprietário saiu do país – (Mt.21:33)

i) Os lavradores – Eram os chefes e príncipes de Israel

OS TEXTOS ABAIXO FALAM DO ISOLAMENTO DE ISRAEL TOMANDO A VINHA SÓ PARA SI
(EZ 34:2) - Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza, e dize aos pastores: Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar as ovelhas?

(ML 2:7) - Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens buscar a lei porque ele é o mensageiro do SENHOR dos Exércitos.

(MT 23:2) - Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus.
(MT 23:3) - Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem;

j) Quando Jesus citou que enviou vários servos e, eles foram maltratados, surrados e mortos, os líderes entenderam que eram os profetas enviados por Deus –
Como por exemplo:

 ZACARIAS – foi assassinado no pátio do templo, entre o santuário e o altar ;
(2CR 24:20) - E o Espírito de Deus revestiu a Zacarias, filho do sacerdote Joiada, o qual se pôs em pé acima do povo, e lhes disse: Assim diz Deus: Por que transgredis os mandamentos do SENHOR, de modo que não possais prosperar? Porque deixastes ao SENHOR, também ele vos deixará.
(2CR 24:21) - E eles conspiraram contra ele, e o apedrejaram por mandado do rei, no pátio da casa do SENHOR.
(2CR 24:22) - Assim o rei Joás não se lembrou da beneficência que Joiada, pai de Zacarias, lhe fizera; porém matou-lhe o filho, o qual, morrendo, disse: O SENHOR o verá, e o requererá

 ISAÍAS – Foi serrado em partes
 JEREMIAS – Foi apedrejado
 AMÓS – Foi assassinado com um bastão
 JOÃO BATISTA – Foi decapitado
 ESTEVAM – Morto por apedrejamento

k) O filho do proprietário que foi morto, representa a Cristo – (Mt.21:38)

l) Jesus foi morto fora de Jerusalém; os lavradores arrastaram-no para fora da vinha – (Mt.21:39)
(HB 13:12) - E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta.

m) Ao Jesus perguntar aos religiosos: “Quando, pois, vier o Senhor da vinha, que fará àqueles lavradores ?” Eles responderam :
(MT 21:41) - Dizem-lhe eles: Dará afrontosa morte aos maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe dêem os frutos.

 Os fariseus auto-sentenciaram-se sem perceber o que faziam e agora são informados não apenas do seu destino, mas também de que os seus privilégios acabaram. O reino de Deus seria tomado deles e da nação e seria dado a outro.

(SL 118:22) - A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a cabeça da esquina.
(SL 118:23) - Da parte do SENHOR se fez isto; maravilhoso é aos nossos olhos.

 Sobre isso os discípulos do Senhor disseram:

PEDRO
(AT 4:11) - Ele é a PEDRA que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina.

(1PE 2:6) - Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a PEDRA principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido.
(1PE 2:7) - E assim para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, A PEDRA que os edificadores reprovaram, Essa foi a principal da esquina,
(1PE 2:8) - E uma PEDRA de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados.

PAULO
(RM 9:33) - Como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma PEDRA de tropeço, e uma rocha de escândalo; E todo aquele que crer nela não será confundido.

(EF 2:20) - Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal PEDRA da esquina;

 Este tropeço foi a rejeição dos judeus (lavradores) que Paulo falou em sua carta –

(RM 11:15) - Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?
(RM 11:16) - E, se as primícias são santas, também a massa o é; se a raiz é santa, também os ramos o são.
(RM 11:17) - E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira,
(RM 11:18) - Não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti.

(RM 11:19) - Dirás, pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado.
(RM 11:20) - Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé. Então não te ensoberbeças, mas teme.
(RM 11:21) - Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que não te poupe a ti também.
(RM 11:22) - Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado.
(RM 11:23) - E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar.

n) Jesus disse que o reino lhes seria tirado da mão desses lavradores e dariam a outros que produzissem os respectivos frutos – (Mt.21:43)

Quem é este povo que produzirá os respectivos frutos ou os novos arrendatários da vinha ?

(1PE 2:9) - Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;
(1PE 2:10) - Vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia.

(AP 1:6) - E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém.

o) Contudo, a Igreja, mesmo ocupando uma posição bem mais privilegiada do que Israel, precisa cuidar para não perder sua posição –

(RM 11:22) - Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado.

(AP 2:5) - Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.

(AP 3:16) - Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.

BIBLIOGRAFIA

OS EVANGELHOS – Editora Arvore da Vida, primeira edição, 1999. São Paulo/SP

KISTEMAKER,Simon J. As Parábolas de Jesus. Casa Publicadora Presbiteriana. 1a Edição 1992. São Paulo/SP

LOCKYER, Herbert. Todas as Parábolas de Jesus. Editora Vida.3a Impressão, São Paulo/SP

Biblia em Bytes – Bertoline Informática

Novo Testamento – Sociedade Bíblica do Brasil, Revista atualizado do Brasil, 2a Edição, Barueri/SP.

Elaboração
Pr.Romildo Gurgel