domingo, 13 de fevereiro de 2011

PARÁBOLA DAS OVELHAS E DOS BODES


Por
Romildo Gurgel

Leitura Bíblica: (Mt.25:31-46)

I - INTRODUÇÃO:
Estritamente falando, a passagem a respeito do juízo das nações é muito uma profecia . Apenas a parte que fala das ovelhas e dos cabritos pode ser considerada uma parábola.

II – PANO DE FUNDO HISTÓRICO

Jesus se refere a uma cena comum em seus dias. O pastor reúne ovelhas e cabritos em um rebanho. Em áreas onde a grama é escassa por causa da seca, os cabritos preferem comer as folhas os rebento mais do que pastar. Eles ficam no mesmo rebanho com as ovelhas, mas nem os cabritos nem as ovelhas se misturam. Ao entardecer , as ovelhas atendem ao chamado do pastor, mas os cabritos, muitas vezes, o ignoram. Quando cai noite, as ovelhas preferem ficar ao ar livre, ao contrário dos cabritos, que não suportam o frio e precisam se abrigar.
O pastor põe as ovelhas à direita e os cabritos à esquerda. As ovelhas valem mais que os cabritos, e sua lã branca não se confunde com a pele malhada dos cabritos.

III – QUE ENSINA O TEXTO

a) O bode sempre é associado com o mal. O Velho Testamento retrata o bode como o portador do pecado, que é enviado para o deserto .

(LV 16:20) - Havendo, pois, acabado de fazer expiação pelo santuário, e pela tenda da congregação, e pelo altar, então fará chegar o bode vivo.
(LV 16:21) - E Arão porá ambas as suas mãos sobre a cabeça do bode vivo, e sobre ele confessará todas as iniqüidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, e todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem designado para isso.
(LV 16:22) - Assim aquele bode levará sobre si todas as iniqüidades deles à terra solitária; e deixará o bode no deserto.

b) O lado direito sempre da uma conotação significando algo que é bom, porém o lado esquerdo pode se referir a algo sinistro, sombrio, mau e vil.

 O tema de separação e do juízo se desenvolve através de todo o Evangelho de Mateus.
Exemplos:

 O trigo é ajuntado no celeiro, mas a palha é queimada em fogo que não se extingue – (Mt.13:12)
 O joio é separado do trigo e atado em feixes para ser queimado, enquanto o trigo é recolhido no celeiro – (Mt.13:30)
 No final dos tempos, os anjos separarão os justos dos maus, e os ímpios serão lançados na fornalha acesa – (Mt.13:49-50)
 As cinco virgens néscias encontram a porta fechada e ouvem a voz do noivo dizer: “Não vos conheço”- (Mt.25:12)
 O servo negligente, que enterrou seu único talento, é lançado fora,na escuridão – (Mt.25:30)
 E agora nesta parábola da ovelha e dos cabritos, o princípio da separação e do julgamento é claramente aplicado como as outras demais.

c) Todas as nações do mundo são comparadas as ovelhas e cabritos que são separados pelo pastor no fim do dia.

d) Ao comando divino, os anjos reunirá os eleitos dos quatro ventos e os apresentarão diante o trono do juízo

(MT 13:41) - Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade.
(MT 13:42) - E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.

(MT 24:31) - E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.

(2TS 1:7) - E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder,
(2TS 1:8) - Como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo;

IV - ENTRE OS MUITOS JULGAMENTOS NA BÍBLIA, HÁ TRÊS QUE SÃO GERALMENTE CONFUNDIDOS UNS COM OS OUTROS E SÃO DISTINTOS:

a) O trono do julgamento de Cristo, que acontecerá quando o Senhor voltar nos ares. Esse julgamento está relacionado com a Igreja verdadeira. Somente os salvos estão presentes para a revisão e recompensa pelo serviço fiel prestado -
(RM 14:10) - Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo.

(2CO 5:10) - Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.

b) O julgamento das nações viventes (a parábola em estudo), que acontecerá quando Cristo retornar à terra e assumir o seu reino. Nessa sessão do tribunal todas as nações justas e injustas serão congregadas, quando serão anunciadas as recompensas e as rejeições.

c) O julgamento do Grande trono Branco que acontecerá no fim dos tempos, após o reino milenar de Cristo e a última rebelião de Satanás (Ap.20:11). Todas as almas perdidas serão convocadas a esse terrível julgamento, para ouvir a promulgação da sentença que lhes caberá.

Comentário:
Se participarmos do primeiro julgamento, não seremos julgados no segundo nem no terceiro. Se tivermos perdido o primeiro, deveremos comparecer ao segundo, se tivermos vivos quando Cristo voltar à terra; mas com toda certeza os que comparecerem ao terceiro ouvirão a sua condenação ser ratificada.

V - JESUS VIRÁ COMO JUÍZ, EM GLÓRIA COM OS SEUS ANJOS – (vs.31)

a) Juiz – Jesus será o juiz neste julgamento de âmbito internacional

 Ele estava assentado no trono de sua glória desde sua ascensão –

(HB 1:3) - O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;

 Ele estava no aguardo até que todos os seus inimigos fossem colocados com estrado de seus pés –
(Salmos Cap: 110)

(SL 110:1) - DISSE o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.
(SL 110:2) - O SENHOR enviará o cetro da tua fortaleza desde Sião, dizendo: Domina no meio dos teus inimigos.
(SL 110:3) - O teu povo será mui voluntário no dia do teu poder; nos ornamentos de santidade, desde a madre da alva, tu tens o orvalho da tua mocidade.
(SL 110:4) - Jurou o SENHOR, e não se arrependerá: tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque.
(SL 110:5) - O Senhor, à tua direita, ferirá os reis no dia da sua ira.
(SL 110:6) - Julgará entre os gentios; tudo encherá de corpos mortos; ferirá os cabeças de muitos países.
(SL 110:7) - Beberá do ribeiro no caminho, por isso exaltará a cabeça.

VI – O TEXTO USA TÍTULOS PARÁBÓLICOS QUE DESIGNAM A FUNÇÃO DE JESUS.

a) FILHO DO HOMEM – (vs.31 – “E quando o Filho do Homem vier em glória...”)
Aqui Ele Se assenta no trono de sua glória como Filho do homem

 Este título tem uma conotação RACIAL, pois ele representa muito bem a raça humana
(1CO 15:45) - Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.
(1CO 15:46) - Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual.
(1CO 15:47) - O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu.

 Ele esteve em pé diante de pilatos para ser julgado e condenado. Ele surge para emitir julgamento sobre todos os homens.

 Como Filho do Homem, toda a autoridade de Julgar lhe foi atribuída por seu Pai –
(JO 5:22) - E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo;
(JO 5:23) - Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.

(JO 5:27) - E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem.

 O Filho do Homem julgará as nações conforme as suas obras -
(MT 16:27) - Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras.

(Eu) tive fome, e não me deste de comer
(Eu) tive sede, e não me deste de beber
Sendo forasteiro, não me hospedastes;
Estando nu, não me vestiste;
Achando-me enfermo e preso, não foste ver-me - (vss.42 e 43)

b) PASTOR – (vs.32 – “...apartará uns dos outros COMO PASTOR aparta dos bodes as ovelhas.”)
Bode – O macho da cabra
Ovelha – Fêmea do carneiro. O cristão em relação ao seu pastor espiritual

 Aqui, a função é de um pastor como aparta as Ovelhas dos Bodes

 Enquanto esteve na terra, ele viu os homens como ovelhas sem pastor
(MT 9:36) - E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm PASTOR.

 O pastor tem os olhos em todo lugar contemplando maus e bons –
(PV 15:3) - Os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons.

 Ele não confundirá ao julgar as nações, porque ele vê o coração e não a aparência –
(1SM 16:7) - Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração.

c) REI – (vs. 34 – “Então dirá o Rei aos que estiverem a sua direita:...”)

 Aqui, este título é usado para aqueles que obedeceram a vontade de Deus e deixaram que Jesus reinassem sobre eles no período da grande tribulação.

 Os justos trataram Jesus como Senhor (vs. 37 –“Então os justos lhe responderão: SENHOR quando te vimos...”)

 Jesus é rei para aqueles que foram transportados do reino das trevas para o reino de sua Luz –
(CL 1:13) - O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor;

 Reinaremos com Cristo –

(1CO 6:2) - Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas?
(1CO 6:3) - Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?

(AP 1:6) - E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém.

VII - A COMITIVA DE JESUS NA SUA VINDA

a) OS ANJOS E OS SEUS SANTOS – (vs.31 – “... e todos os santos anjos com ele...”) –

 Todos os anjos irão servi-lo quando ele julgar as nações –
(HB 12:22) - Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos;
(HB 12:23) - À universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados;

(AP 19:11) - E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça.
(AP 19:12) - E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo.
(AP 19:13) - E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus.
(AP 19:14) - E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. (ESSES EXÉRCITOS SÃO OS ANJOS)
(AP 19:15) - E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso.
(AP 19:16) - E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.

(JD 1:14) - E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos;
(JD 1:15) - Para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele.

VIII - A SENARIO DO JULGAMENTO

a) O local é na terra, particularmente a região conhecida como Terra Santa –
(ZC 14:4) - E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul.
(ZC 14:5) - E fugireis pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azel; e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o SENHOR meu Deus, e todos os santos contigo.

b) Mas os que serão julgados são todos os povos de todas as nacionalidade –

(JL 3:1) - PORQUE, eis que naqueles dias, e naquele tempo, em que removerei o cativeiro de Judá e de Jerusalém,
(JL 3:2) - Congregarei todas as nações, e as farei descer ao vale de Jeosafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam entre as nações e repartiram a minha terra.

(JL 3:11) - Ajuntai-vos, e vinde, todos os gentios em redor, e congregai-vos. Ó SENHOR, faze descer ali os teus fortes;
(JL 3:12) - Suscitem-se os gentios, e subam ao vale de Jeosafá; pois ali me assentarei para julgar todos os gentios em redor.

 Parece que estas nações estarão ali reunidas com o propósito de sitiar Israel e subjugá-lo. Mas o Senhor intervirá isso com a sua vinda e ali mesmo ajuizará as nações pelos povos representados –
(ZC 14:1) - EIS que vem o dia do SENHOR, em que teus despojos se repartirão no meio de ti.
(ZC 14:2) - Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres forçadas; e metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será extirpado da cidade.
(ZC 14:3) - E o SENHOR sairá, e pelejará contra estas nações, como pelejou, sim, no dia da batalha.
(ZC 14:4) - E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul.
(ZC 14:5) - E fugireis pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azel; e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o SENHOR meu Deus, e todos os santos contigo.

(ZC 14:9) - E o SENHOR será rei sobre toda a terra; naquele dia um será o SENHOR, e um será o seu nome.

COMENTÁRIO:
Pode-se entender que o Rei convocará todas as nações para que se reúnam, possivelmente fazendo esta convocação através de seus representantes, a fim de eliminar as fronteiras existentes. A ONU (organização das Nações Unidas) com sede em Nova Yorque será o veículo para reunir todos os representantes de quase todas as nações do mundo onde tratam ali os assuntos de nível nacional e internacional. Portanto, parece que o julgamento das nações viventes será como se fossem colocadas à parte e julgadas nas pessoas de seus governantes e representantes. (Comentário de Herbert Lockyer pg.284 do livro Todas as parábolas da Bíblia, Editora Vida)

c) As nações dessa época não serão tão populosas como os dias de hoje –

 Os profetas referem-se às desolações e às mortes mundiais –
(SL 46:6) - Os gentios se embraveceram; os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e a terra se derreteu.
(SL 46:7) - O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. (Selá.)
(SL 46:8) - Vinde, contemplai as obras do SENHOR; que desolações tem feito na terra!
(SL 46:9) - Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo.
(SL 46:10) - Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra.

 João mostra como a vasta população mundial será reduzida a um número mínimo, em conseqüência das intervenções divinas –
(AP 6:8) - E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra.

(AP 8:9) - E morreu a terça parte das criaturas que tinham vida no mar; e perdeu-se a terça parte das naus.

(AP 8:11) - E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas.

(AP 9:15) - E foram soltos os quatro anjos, que estavam preparados para a hora, e dia, e mês, e ano, a fim de matarem a terça parte dos homens.

(AP 9:18) - Por estes três foi morta a terça parte dos homens, isto é pelo fogo, pela fumaça, e pelo enxofre, que saíam das suas bocas.


 De Israel restará nada menos de que um pequeno remanescente -
(IS 1:9) - Se o SENHOR dos Exércitos não nos tivesse deixado algum remanescente, já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra.

(ZC 13:8) - E acontecerá em toda a terra, diz o SENHOR, que as duas partes dela serão extirpadas, e expirarão; mas a terceira parte restará nela.
(ZC 13:9) - E farei passar esta terceira parte pelo fogo, e a purificarei, como se purifica a prata, e a provarei, como se prova o ouro. Ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: É meu povo; e ela dirá: O SENHOR é o meu Deus.

d) Qual será o critério do julgamento das nações –

 Campbel Morgan, teceu o seguinte comentário:
Acredita ele que a pergunta feita a Pilatos deve ser feita, de um ponto de vista nacional: “Que farei então com Jesus ? Essa deve ser a pergunta as nações: O que estão fazendo com Jesus ? O que estão fazendo com a sua mensagem ? O que estão fazendo com os seus mensageiros ? O que estão fazendo com todas as forças morais que ele liberou, e devem operar através de seu povo, nessa dispensação ? Será com esse critério que o seu julgamento será emitido.

 Tudo quanto deixaram de fazer aos irmão de Jesus, deixaram de fazer a Jesus
(Eu) tive fome, e não me deste de comer
(Eu) tive sede, e não me deste de beber
Sendo forasteiro, não me hospedastes;
Estando nu, não me vestiste;
Achando-me enfermo e preso, não foste ver-me - (vss.42 e 43)

(MT 25:40) - E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

 Por se recusarem a socorrer os seguidores de Cristo, os ímpios da tribulação se colocam fora da esfera das bênçãos de Deus. Recusaram a ver a Cristo quando os seus seguidores chegaram até eles. Fecharam seus olhos e endureceram seus corações, quando os seguidores de Jesus estavam precisando de ajuda para suas necessidades básicas. –
(MT 25:45) - Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.

 A compreensão da palavra pequenino irmão do (vs.40 e 45) –

IRMÃO É UM DISCIPULO UM SEGUIDOR DE JESUS
(MT 25:40) - E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

(MT 12:46) - E, falando ele ainda à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe.
(MT 12:47) - E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te.
(MT 12:48) - Ele, porém, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?
(MT 12:49) - E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos;
(MT 12:50) - Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe.

(MT 23:8) - Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos.

 Os Irmãos do rei, também estão presentes no julgamento. Quem são eles ?
(MT 19:28) - E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel.

 A parábola encerra-se descrevendo o futuro depois dessa grande divisão entre ovelhas e bodes
(MT 25:46) - E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.

Pr.Romildo Gurgel

PARÁBOLA DA FIGUEIRA ESTERIL



Por Romildo Gurgel


1 – LEITURA BÍBLICA: (Lc.13:1-9)

2 – INTRODUÇÃO:
Esta parábola não deve ser entendida ou confundida com o milagre parabólico da figueira que Jesus amaldiçoou (Mt.21:18-22; Mc.11:12-26). O único vinculo que há entre as duas é o fato de que não havia figos em ambas as árvores. Sabemos que Jesus constantemente usava a figueira como ilustração (Mt.24:32-33; Mc.13:28-29; Lc.21:29-30).

3 – O MOTIVO DA PARÁBOLA
A parábola surgiu depois que alguns analisavam o que Jesus acabara de dizer em (Lc.11:59). Eles estavam a comentar com Jesus sobre a matança dos galileus que foram mortos por Pilatos. Parece que alguns homens da Galiléia tinham subido para Jerusalém para adorar, e foram mortos pelo governador enquanto estavam no ato de oferecer sacrifício e o sangue deles se misturou ao do sacrifício (vs.1). O motivo da matança não se sabe ao certo, mas pressupõe-se que estes estavam revoltosos e se rebelaram contra a opressão romana. Os seus ouvintes pensavam que esta matança foi um juízo de Deus contra os pecadores galileus que tinham mais pecados que aqueles que ficaram vivos. A resposta de Jesus foi taxativa, “pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas ? Não eram, eu vo-lo afirmo: se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis”.(Lc.13:2-3)
A parábola ressalta tanto a necessidade do arrependimento quanto a longanimidade de Deus quanto a castigar. O texto enfatiza a importância do arrependimento, e esta ilumina o fato de que a oportunidade não dura para sempre.

4 - PANO DE FUNDO HISTÓRICO

O proprietário da vinha é este certo homem a que Jesus aludiu. Este homem tinha uma figueira em sua vinha, coisa muito comum em Israel. Depois de ter sido plantada, ele teve que esperar três anos até que a árvore começasse a produzir. Por causa da sua localização, deduzimos que a árvore tinha sido muito bem cuidada. Ela ocupava uma certa área do terreno que podia ter sido usado para as videiras. Cada ano a árvore permanecia estéril significava prejuízo para o lavrador. Ela absorvia umidade e nutrientes que serviam para as videiras. A figueira era como uma dívida que aumentava à medida em que se passavam os anos. Outra árvore ou videira poderia ser plantada ali e, dentro de alguns anos, produzirem frutos. Há um tempo limite para a paciência do fruticultor. Então basta !
O proprietário deu instruções ao homem que cuidava da vinha para que cortasse a figueira. Mas ele pediu ao dono que tivesse ainda um pouco mais de paciência. Queria dar mais um ano à árvore, durante o qual cavaria o solo ao seu redor e a adubaria. “Se vier a dar fruto, bem está, se não, mandarás cortá-la”.

5 – A EXPLICAÇÃO DA PARÁBOLA

a) A figueira tinha um papel importante na vida de um israelita, representava prosperidade e abastança –

ERA MUITO COMUM PARA CADA ISRAELITA TER PELO MENOS UMA EM SUA CASA
(1RS 4:25) - E Judá e Israel habitavam seguros, cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, desde Dã até Berseba, todos os dias de Salomão.

(MQ 4:4) - Mas assentar-se-á cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a boca do SENHOR dos Exércitos o disse.

b) O contrário também era verdadeiro. Quando Deus se desagradava de seu povo por causa de sua infidelidade, tornava isso conhecido, referindo-se à falta de fruto na videira e na figueira – Os textos abaixo elucida essa verdade.

(JR 8:13) - Certamente os apanharei, diz o SENHOR; já não há uvas na vide, nem figos na figueira, e até a folha caiu; e o que lhes dei passará deles.

(OS 9:10) - Achei a Israel como uvas no deserto, vi a vossos pais como a fruta temporã da figueira no seu princípio; mas eles foram para Baal-Peor, e se consagraram a essa vergonha, e se tornaram abomináveis como aquilo que amaram.

(HC 3:17) - Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;

c) A nação de Israel não correspondeu ao privilégio e o que é pretendido pelo dono da figueira, foi pretendido pelo dono da vinha. Veja contraste dos textos abaixo -

(LC 13:7) - E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho. Corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente?

(Isaías Cap: 5)
(IS 5:1) - AGORA cantarei ao meu amado o cântico do meu querido a respeito da sua vinha. O meu amado tem uma vinha num outeiro fértil.
(IS 5:2) - E cercou-a, e limpando-a das pedras, plantou-a de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre, e também construiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, porém deu uvas bravas.
(IS 5:3) - Agora, pois, ó moradores de Jerusalém, e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha.
(IS 5:4) - Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? Por que, esperando eu que desse uvas boas, veio a dar uvas bravas?
(IS 5:5) - Agora, pois, vos farei saber o que eu hei de fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derrubarei a sua parede, para que seja pisada;
(IS 5:6) - E a tornarei em deserto; não será podada nem cavada; porém crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela.
(IS 5:7) - Porque a vinha do SENHOR dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das suas delícias; e esperou que exercesse juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor.


d) Os desastres não provam uma culpa ou um estado de maior pecaminosidade das vítimas –
JESUS NA PORÁBOLA DIZ:
(LC 13:4) - E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém?
(LC 13:5) - Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.

JOÃO BATISTA (O QUE PREPAROU O CAMINHO DO SENHOR)
(MT 3:2) - E dizendo: ARREPENDEI-VOS, porque é chegado o reino dos céus.

(MT 3:8) - Produzi, pois, frutos dignos de ARREPENDIMENTO;


JESUS
(MT 4:17) - Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: ARREPENDEI-VOS, porque é chegado o reino dos céus.

(MT 9:13) - Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao ARREPENDIMENTO.

(MC 2:17) - E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao ARREPENDIMENTO.

O APÓSTOLO PEDRO
(AT 2:38) - E disse-lhes Pedro: ARREPENDEI-VOS, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;

(AT 3:19) - ARREPENDEI-VOS, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do SENHOR,

e) A parábola ensina que o homem que não se arrepende perecerá no juízo de Deus – “...se, porém não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis”.(vs.3b)

“...se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis”. (vs.5b

 Após a morte, segue-se o juízo –
(HB 9:27) - E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,

 Os que sem motivo se encolerizar contra o seu irmão será réu no juízo -
(MT 5:22) - Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de JUÍZO; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.

 Da medida com que medirdes sereis medido no juízo -
(MT 7:2) - Porque com o JUÍZO com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.

 Os que não se arrependerem de seus pecados por uma palavra evangelística, serão rigorosamente ajuizados -
(MT 10:12) - E, quando entrardes nalguma casa, saudai-a;
(MT 10:13) - E, se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz.
(MT 10:14) - E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.
(MT 10:15) - Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para o país de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.

f) A parábola ensina que o proprietário da vinha (certo homem) tinha um projeto na sua plantação –
 Ter lucro garantido em tempo determinado
 Fazer com que todas as plantações produzissem seus frutos. Para isso, ele supervisionava a terra, adubava as arvores, etc.

 Assim como Israel tem uma conotação de ligação com uma videira ou uma figueira, Deus esta ligado em Jesus bem como Jesus esta ligada com a sua Igreja. - (vd. Jo.15:1-6: Sl. 1) – Deus é o agricultor e Jesus a videira.

 Paulo diz que era cooperador com Deus. fazia um trabalho de agricultor e os homens que recebia o tratamento do agricultor, eram conotados como lavoura –

Lavoura – (dic. Aur.) - 1. Preparação do terreno para a sementeira ou plantação;

(1CO 3:9) - Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois LAVOURA de Deus e edifício de Deus.

g) A parábola ensina que há um tempo designado por Deus para que o homem se arrependa e produza frutos – Havia um objetivo que dominava o homem que plantou a figueira na vinha, que era o de colher o fruto no seu devido tempo

 Por três anos seguidos o agricultor procurava os frutos ansiosamente – (vs.7)
 Se estivermos ligados com o Senhor, produziremos frutos –
(JO 15:4) - Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.
(JO 15:5) - Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
(JO 15:6) - Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.

(SL 1:3) - Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.

 Há tempo de plantar e tempo de colher –
(EC 3:2) - Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de PLANTAR, e tempo de arrancar o que se plantou;

 A um tempo designado para tudo, até para ser um mestre na palavra de Deus –
(HB 5:12) - Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento.

h) A parábola ensina também que o proprietário mandou o viticultor cortar a figueira que não produzia frutos – “...pode cortá-la; poque está ela ainda ocupando inutilmente a terra ?”. (vs.7b)

UMA PESSOA QUE CHEGA A FALECER, É VISTA NAS ESCRITURAS COM UM CORTE
(Jó:27:8) – “Porque qual será a esperança do ímpio, quando lhe for cortada a vida, quando Deus lhe arrancar a alma ?

(MT 3:10) - E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.

(MT 18:8) - Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno.

(RM 11:22) - Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado.

(1CO 11:30) - Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem.

I) A parábola ensina que o viticultor que cuidava da lavoura pediu ao agricultor que não cortasse – “...Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la. (vs.8-9)

 A arvore estéril é uma advertência para um crente infrutífero –

(MT 3:8) - Produzi, pois, FRUTOS dignos de arrependimento;

(MT 7:16) - Por seus FRUTOS os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?

(JO 15:8) - Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos.

(JO 15:16) - Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.

(GL 5:22) - Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.

J) O apóstolo Paulo nos ensina que um é o que planta, outro o que rega, mas Deus é o que dá o crescimento. Tudo isso está dentro de um tempo designado. Vale salientar que Deus é soberano sobre todas as coisas e muito rico em misericórdia, atribuindo sempre novas chances para que os homens arrependam-se de seus pecados e produzam frutos para a sua glória.

(1CO 3:6) - Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.
(1CO 3:7) - Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.
(1CO 3:8) - Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho.
(1CO 3:9) - Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

GÊNESE DA IGREJA DE CRISTO


Pr.Romildo Gurgel

1 – IGREJA NOME E SIGNIFICADO
A palavra Igreja é proveniente do grego, ecclesia, significando os chamados para fora. Ecclesia trata-se de uma reunião ou assembléia de um grupo de pessoas em um determinado local com uma determinada finalidade. Como por exemplo em Atos 7:38 observa-se a congregação dos Israelitas com Moisés no deserto (Nm.14:3-4). Já em Atos 19:32, 40, ecclesia fala de uma assembléia, ajuntamento de pessoas contra o apóstolo Paulo em Éfeso. Das 115 ocorrências da palavra ecclesia no Novo Testamento, 111 referencia-se a igreja cristã. No entanto, só existem dois versículos apenas que citam o nome ecclesia nos evangelhos (cf. Mateus 16:18 e 18:17). Para Jesus, ecclesia é a comunidade de pessoas (discípulos) que possuem a revelação de que Jesus Cristo é o filho de Deus que se fez carne, e que esta revelação, fará com que as portas do inferno (qualquer idéia ou conceito fora da revelação da pessoalidade de Jesus Cristo) não prevaleça contra a Igreja ecclesia comunidade de discípulos. Então, qualquer conceito fora da verdade da revelação da ecclesia, é de fora. Ecclesia é o chamado para fora dos conceitos e definições dos de fora que não possuem a revelação acerca de Jesus no ajuntamento. Quando saímos para fora entramos para a revelação, a verdadeira ecclesia é chamada para fora e a entrada para dentro da verdade (revelação). A ecclesia se concretiza na encarnação do Verbo e na fé dos homens, que assumem os limites da comunidade dos que acreditam, no tempo, no espaço geográfico e na cultura. A Igreja ecclesia também é dom, porque ela parte de Deus e se inicia a partir de Deus, porque não é carne e sangue que trás a revelação, mas Deus. A Igreja não é só dom, mas também é aceitação humilde do homem desta revelação (este é o nosso arbítrio, nossa parte). A verdade deve ser considerada, pensada e assumida interiormente no coração. A fé é o ato que o homem se abre para Deus e acolhe a revelação, e os dois termos revelação e fé, juntos é igual à SALVAÇÃO. A fé é o homem assumindo a realidade constituidora da Igreja. Para uma pessoa salva, o inferno não prevalece.
O apóstolo Paulo emprega a mesma expressão Igreja de diversas formas:
a) No nível familiar como a igreja que se reúne nos lares – (Rm.16:3-5; Cl.4:15; Filemom 1:2; ICo.16:19).
b) No nível da cidade, a igreja que esta em Corinto, a igreja de Esmirna e Filadelfia – (1Co.1:7; 2Co.1:1; Apc.2:8; e 3:7).
c) No nível de uma província, como a igreja que esta na Galácia, em Macedônia, na Ásia – (1Co.14:34; 2Co.8:1; 1Co.16:19).
d) No nível de igrejas distribuídas em várias regiões do império – (Rm.16:23; 16:16; Cl.1:24). O significado mais profundo e menos admirado é a igreja universal, o corpo de Cristo. Nesta definição a igreja é o organismo espiritual composto de todos os regenerados através da fé em Cristo. Cristo é a cabeça da Igreja e a igreja é o seu corpo (Ef.1:22,23; 4:15-16).

Concluindo, a igreja, que é o corpo de Cristo, a comunidade da revelação, se realiza se manifesta concretamente de múltiplas formas, onde seus fiéis se reúnem para expressar sua fé, celebrar a presença do Espírito e comungar com os irmãos. A comunidade receptora da revelação do caminho, enveredou-se nela, e no caminho, ainda estão a caminho de forma imperfeita, porém santa e salva, sujeita a encurvamentos por seus pecados até que o seu Senhor venha buscá-la.

2 – COMUNIDADE DA FÉ E CULTURA

Conforme exposto acima, compreendemos que Deus deu a revelação, o homem reagiu a esta revelação (fé) e se reuniu criando assim uma cultura.
¹(Souza p.56), define cultura como sendo um complexo diverso e ao mesmo tempo unitário que inclui todo comportamento, capacidades e hábitos adquiridos por indivíduos que tomam parte de uma sociedade formalmente definida. Considera ainda que a realidade da fé de uma comunidade não pode ser confessada fora de uma mediação cultural, porém ao exteriorizar-se a comunidade corre o risco de demonstrar uma fé empobrecida, porque ela mescla-se com o indivíduo e o resultado é o aparecimento dos dois (testemunho). Para se enxergar claramente, é preciso conhecer os dois, tanto a revelação como o portador dela (discernimento).
Comenta ainda (Souza p.57) que no livro de Gênesis Deus incentiva o homem a produzir cultura na forma de permitir que ele institua atos, nomear nomes, exercer tarefas, classificar e dividir o tempo, inventar modos de exercer domínio sobre os outros seres. Dessa forma, uma cultura ou um comportamento instituído como: Santa ceia, batismo, ritos, liturgias, testemunho da fé, circuncisão, etc., podem ser inspirados por Deus, porém o modo e os meios de realização serão sempre uma decisão humana culturalmente influenciada.
A revelação bíblica como um bem a ser comunicado, acondiciona um mandato cultural sob diversos sentidos:
a) Não existe revelação sem mediação cultural – A medida que a revelação deixa de ser sentimento e torna-se linguagem simbólica, ela só assumirá identidade no mundo humano senão por meio dos recursos disponíveis no universo cultural na felicidade de ser compreendida, percebida para poder ser sentida. A crença só será veiculada por intermédio da cultura, intercâmbio dos fluxos. O Verbo, que era Deus, para revelar-se aos homens fez-se carne e manifestou-se culturalmente, trazendo o conhecimento da glória de Deus.
b) O testemunho cristão é comunicação - Não haverá contato com o mundo sem um sistema simbólico inteligível que permita a circulação da informação. Ela tem que assumir uma língua, um gesto, ela assume a ética e a moral.
c) A instituição da igreja socialmente organizada, por mais simples que seja, é inquestionavelmente um processo de aculturação - A Igreja ao instalar-se entre as cidades e nações não faz missão sem interagir com os padrões culturais de suas comunidades, ela ao mesmo tempo assimila, nega, transforma e assume tais padrões. A presença da Igreja no contexto cultural só acontece em processos de adaptação da revelação ao mundo da cultura.

3 – FÉ E INSTITUCIONALIZAÇÃO

Em Jesus temos a definição de fé como o exercício das possibilidades ilimitadas. Já no livro de hebreus define como sendo o firme fundamento das coisas que se esperam e a certeza de fatos que se não vêem. Instituir significa congelar comportamentos e disciplinar as ações dos indivíduos. Se entendermos que a fé é ilimitada, então ela não é objeto de institucionalização. A fé não expressa a institucionalização, mas a instituição dita as práticas e as ações coletivas, que nem sempre são coerentes com a fé, ou seja, a institucionalização não esta na ordem da fé. Na instituição as pessoas não precisam necessariamente de uma revelação para criar uma igreja. Igreja socialmente organizada, no contexto de uma cultura religiosa, não tem como garantir a canonicidade da revelação sem impor ao fato revelado uma perda de qualidade (Souza, p.60)¹. Concluindo, seja qual for a representação cultural da igreja de Jesus Cristo aqui, ela subtrai enormes quantidade de bens da natureza da revelação de Deus.

4 – IGREJA, ESTRUTURA, MODELOS E APARÊNCIA

Não são poucos os pastores e estudiosos da Bíblia Sagrada que suspeitam que o modelo da igreja local dentro do senso comum existentes atualmente, não combinam com o que a igreja (eclésia) deve ser e fazer. Suspeitam que os costumes, estruturas e formas de igreja local às vezes tem sido uma barreira que vai de contra aos propósitos originais da sua gênese.
(Horrell, p.9), em um de seus textos intitulado “A essência da igreja”, comentou que um grupo de pastores chegou à conclusão que a igreja gira em torno de quatro conceitos centrais: O templo, o sábado cristão (que no nosso caso é o domingo), o culto e o clero.
a) Igreja como templo – É ter terreno, ter prédio, estar sediado no que chamamos casa de Deus, o templo. O que fazemos para Deus se faz lá.
b) Ser igreja é guardar o domingo, o dia em que se centraliza nosso culto e serviço ao Senhor. Quando se faz algo fora desse dia, parece até que se esta dando um brinde a Deus.
c) Ser igreja é ter culto, considerado como reunião principal dos crentes e também apresentar como palco Deus para o incrédulo. A idéia é que no culto é que encontramos Deus.
d) Ser igreja é ter clero, quem nos leva a Deus e traz Deus a nós. O pastor é o homem de Deus, profeta, intercessor pelo povo.
Sem esses quatro fundamentos não há igreja. Na realidade somos mais veterotestamentarios do que neotestamentários em nosso pensamento sobre a igreja. È de se admitir não tenha dúvida que certos elementos da igreja local são absolutamente prescritos no Novo testamento: no mínimo, deve existir uma liderança qualificada, o batismo e a ceia do Senhor. Esses são inegociáveis. Importante também salientar dentro de uma perspectiva prática que a forma da igreja local é necessária para que se concretizem os propósitos de Deus na vida de seus membros (grifo meu). Sendo assim ressalto que a igreja deva através de seus ministérios facilitar o aperfeiçoamento de cada membro para eles andarem como Cristo andou nesse mundo.
O propósito, o modelo e a aparência da igreja refletem, para o mundo, o tipo de Deus que adoramos. Deus é um ditador espiritual sobre suas ovelhas? È sorridente, buscando continuamente ser aceito pelo povo? Ele é austero, sempre negativo? Ele é animador de festas, com gritos, danças, sapateados e gritos de aleluias? Ele é desorganizado? È superorganizado? Só gosta do antigo? Só gosta do novo? È intolerante? Deus só quer nosso dinheiro? Ama só quem tem terno, gravata ou usa roupas da moda? Ama o favelado e o pobre? Por meios das formas e do funcionamento da igreja, a nossa aparência leva infinidades de informações sobre a natureza de Deus que a comunidade desfruta e diz servir. Infelizmente são justamente essas coisas que ofuscam as Boas Novas de Jesus Cristo no que tange ser a igreja de Jesus. As pessoas não conseguem enxergar a igreja criada por Jesus, ela foi substituída por outra, ao invés da revelação de Cristo, da verdadeira espiritualidade, do fruto amor, caráter, da ética, da moral, a ênfase dos propósitos da igreja voltam-se mais para a sua forma, seu dogma, sua tradição, sua aparência estética e seu modelo institucional. Relativizaram o absoluto e absolutizaram aquilo que é relativo.
Todos concordam que há certas distinções entre a maneira de que Deus operava através de Israel e através da igreja depois do pentecostes.
Adoração centralizadora - Com o estabelecimento da monarquia de Israel, a adoração e o serviço a Deus ficaram orientados em torno de Jerusalém. As nações foram convidadas a reconhecer Israel como o mediador de Deus na terra. Para cultuar o verdadeiro Deus, os gentios deveriam chegar a Israel, e não apenas a Israel, mas a Jerusalém. A partir disso, o culto foi orientado à cidade de Sião, ao templo e ao Santo dos Santos. Havia uma hierarquia de levitas, sacerdotes e sumo-sacerdotes que se tornaram os mediadores entre Deus e o homem. Eles eram os especialistas e profissionais tanto dos sacrifícios, cerimônias como também da lei mosaica. Havia dias especiais, festas religiosas e o sábado, que marcavam, diante dos povos, a aliança entre Isael e Deus. Para o israelita, pelo menos em princípio, o exterior era a concretização do interior. As realidades físicas era os meios de expressar vividamente sua fé e adoração ao Senhor Deus. Tudo isso, essa forma de adoração foi detalhadamente prescrita pelo próprio Deus na Lei, era o que Deus exigia. Portanto, essa era a maneira de cultuar e servir a Deus de uma forma centralizadora, ela centralizava-se racionalmente nos judeus, na geografia, na cidade de Jerusalém, no templo, no sábado e em certas festas religiosas, nas hierarquias religiosas mediadoras, pois sem sacerdotes era ilícito oferecer sacrifícios.
Adoração descentralizadora – Quando comparamos a Igreja do Novo Testamento, observa-se claramente a inversão desta forma antiga do reino de Deus.
a) Igreja povo de Deus – Ao invés de centralizar-se nos judeus, a Igreja se tornou aberta para todos os povos. De Judeus e gentios, Deus fez um povo só, não existe mais parede de separação, agora existe uma nova raça eleita, uma nova nação santa, uma comunidade espiritual (1Pe. 2:9). Temos filiação direta com Deus.
b) Igreja lugar - Ao invés de centralizar-se geograficamente em Israel, Jerusalém e templo, os cristãos foram mandados de Jerusalém para Judá e Samaria, até os confins da terra. Com isso, aprendemos que os cultos de hoje não devem unicamente se restringir ao prédio da igreja. Esquecemos que, na igreja primitiva as reuniões eram nas casas residenciais e quando acontecia no templo ou sinagoga, havia conflitos de interpretação e confusão. A geografia não é tão importante, pois onde há um cristão, ou dois ou três, o templo de Deus está ali (1Pe.2:5).
c) Dia – Ao invés de centralizar-se temporariamente no sábado e nas festas judaicas, a fé cristã se tornou algo a ser praticado no dia-a-dia, liberando o cristão para escolher quando adorar (Rm.14:5-6)
d) O clero – Ao invés de centralizar-se numa hierarquia sacerdotal, cada cristão é declarado sacerdote, com acesso direto ao Deus Pai através de Jesus Cristo (1Pe.2:5). O novo testamento destaca a necessidade de uma liderança através de bispos, presbíteros, pastores e anciãos (todos esses termos são sinônimos, confira (At.20:17,28; 1Pe.5:1-4), e também de diáconos (1Tm.3:8-11). Portanto o lider neotestamentário não afunila todos os esforços e recursos do rebanho para a igreja local (ou para os planos dele), no entanto é o que mais se vê por aí. O líder não assume uma posição de rei ou sacerdote, nem executivo ou chefão, ao contrário, a liderança foi concedida ao Corpo de Cristo para aperfeiçoar cada membro da igreja como sacerdote neste mundo (cf.Ef.4:11-16). Ela equipa e liberta os membros para servirem o Senhor nas diversas atividades da vida. Finalmente, ao contrário do Antigo testamento, a Igreja cristã é um organismo centralizado somente em Jesus Cristo e caracterizado cada vez mais no Novo Testamento. Então, o povo, o templo, o dia e de uma certa forma o clero são periféricos aos propósitos centrais da igreja.
Diante desta exposição, fica o desafio: Será que é assim que funciona a igreja evangélica de hoje? As suas formas estão equipando os santos para viverem Cristo no mundo? Será que estão sendo verdadeiros irmãos e irmãs espirituais de outros irmãos? Será que como pastores estamos mais preocupados em construir e aumentar nossos templos? Será que canalizar a energia dos membros para os cultos e programas da igreja local aos domingos é o ministério principal da igreja? Será que estamos crescendo pelo fato de assegurar a fidelidade dos membro na denominação? Isso deve ser respondido com embasamento bíblico, coragem e oração.

BIBLIOGRAFIA

¹ - HORRELL, J.Scott. Ultrapassando Barreiras: Novas opções para a Igreja Brasileira na virada do século XXI. 1ª Ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 1994.

BOOF, Leonardo. Eclesiogênese: A reivenção da Igreja. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.

Missão integral, Segundo Congresso Brasileiro de Evangelização, Editora Ultimato, Edição 2004.

domingo, 30 de janeiro de 2011

OLHOS, A CANDEIA DO CORPO



Certa vez, uma senhora ao perceber que as esposas dos pastores de uma igreja estavam todas juntas, comentou: “olha só que coisa, pensam que são melhores que as outras pessoas, não se misturam”. Outra senhora vendo a mesma cena comentou: “olha só que lindo! Todas as esposas sentadas juntas, isso que chamo de união”.
Em outra ocasião, a esposa do pastor estava bem arrumadinha e uma senhora comentou com a que estava a seu lado: “olha só, sempre arrumadinha, quer aparecer”. Uma jovem olhou para a mesma mulher e comentou: “quero ser como ela! Mulher de Deus, linda por dentro e por fora”.
Um dia, mudaram os pastores daquela igreja e a esposa de um deles chegou para a reunião, mas ela não havia tido tempo de ir em casa se arrumar. A mesma senhora olha para a “nova” esposa e comenta com a amiga: “olha só que coisa mais feia, que falta de consideração, nem se arrumou para vir à igreja. Envergonhando a Deus e ao marido dela!”. Uma jovem a olha e pensa: “ela parece cansada, que Deus lhe dê forças”.
Sabe qual a moral da história?
Se seus olhos forem bons, todo seu corpo será luminoso. – (Mt.6:22)
Os lábios falam do que está cheio o coração. – (Lc.6:45)
Diga-me com quem tu andas que direi quem és.
Olhos podres, lábios podres. Olhos bons, lábios doces.

Autor anônimo

sexta-feira, 18 de junho de 2010

CRISTIANISMO DE RELACIONAMENTOS

Por Josué Campanhã

Quando olhamos para o texto de Atos 2.42-47, vemos os primeiros passos dos cristãos primitivos na constituição da Igreja. A Bíblia mostra centenas de pessoas reunidas em torno de um único objetivo: glorificar a Deus.

Eles desejavam ser uma Igreja viva para o Senhor. Não queriam realizar uma porção de atividades para que isso os caracterizasse como igreja.

Ser uma igreja para glorificar ao Senhor fazia com que eles se reunissem nas casas, onde os cristãos se relacionavam. Eles queriam estar juntos porque isso fazia bem a todos e, ao mesmo tempo, fortalecia-lhes a fé individual.

Tal relacionamento próximo fazia com que os primeiros cristãos sentissem as necessidades uns dos outros. Assim, essa sensibilidade gerava comunhão espiritual e repartir do pão - eles chegavam ao ponto de vender as propriedades particulares para ajudar os que precisavam.

Aqueles cristãos sentiam as dores e alegrias uns dos outros, tudo através do relacionamento mútuo que mantinham.

Os apóstolos não precisavam promover um programa especial, uma campanha, uma reunião dos jovens ou das senhoras para apelar às pessoas que olhassem as necessidades umas das outras.

Além disto, os apóstolos não se reuniam para traçar um extenso calendário de atividades espirituais, esportivas e sociais que envolvessem os membros da igreja ou aqueles que dela estivessem afastados.

A Bíblia diz que "perseveravam unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração".

De quando em quando é bom lembrarmos como vivia a Igreja primitiva e compará-la com o que vivemos hoje.

Eles experimentavam um cristianismo de relacionamento e nós, muitas vezes, praticamos um cristianismo de atividades.

Ao invés de nos relacionarmos uns com os outros, sentindo as necessidades dos irmãos e procurando crescer mutuamente na fé, precisamos que a liderança da igreja marque uma porção de atividades que nos unam para fazermos aquilo que deveria acontecer espontaneamente.
Só existe cristianismo de relacionamento quando estamos dispostos a ser discípulos e a fazer discípulos.

O discipulado é o tipo de relacionamento que Jesus estabeleceu e nos deixou para nos relacionarmos com outros cristãos.

Há algumas questões que nos confrontam quanto ao tipo de envolvimento que temos com nossos irmãos.

Por exemplo - no último mês, você iniciou um relacionamento com um novo crente e se dispôs a discipulá-lo?

Você orou pessoalmente ou por telefone, esta semana, por (com)alguém?

Nos últimos 15 dias, você contou para as pessoas algo que Deus fez em sua vida? E você sabe quais foram as coisas mais marcantes que Deus fez na vida das pessoas que estão próximas a você na igreja?

Conforme a profundidade das respostas é que poderá ser medido o tipo de relacionamento que você mantém com as pessoas. Pense nisso e comece a mudar.

ECLÉSIA - ANO 9 - EDIÇÃO 100

domingo, 7 de fevereiro de 2010

--> A MISSÃO INTEGRAL

A proposta da missão integral como agenda ministerial para a Igreja é mais do que evangelismo pessoal e assistência social; é convocação para rendição ao senhorio de Cristo, para perdão dos pecados e recebimento do dom do Espírito Santo

A Teologia Evangelical – Missão integral, a partir de seu lema “O Evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens”, definido no Congresso Internacional de Evangelização, realizado em 1974, em Lausanne, na Suíça, oferece uma lente através da qual lemos as Escrituras Sagradas em busca de referenciais para a presença do cristão e da comunidade cristã no mundo: “Assim como o Pai me enviou ao mundo, também eu vos envio” ( João 17.18; 20.21). Creio que são pelo menos os referenciais oferecidos pela teologia da missão integral: soteriologia, eclesiologia, missiologia, antropologia e kerigma.
A soteriologia da missão integral é o domínio de Deus, de direito e de fato, sobre todo o universo criado, através daqueles restaurados à imagem de Jesus Cristo – o primogênito dentre muitos irmãos. A salvação é o Reino de Deus em plenitude, onde a vontade do Senhor é realizada ou concretizada em perfeição. A redenção pessoal é apenas uma parcela do que o Novo Testamento chama salvação: o novo céu e a nova terra.
A eclesiologia da missão integral é o novo homem coletivo. Deus não está apenas salvando pessoas; está, principalmente, restaurando a raça humana. Estar em Cristo é não apenas ser nova criatura, mas também e principalmente ser nova humanidade – não mais descendência de Adão, mas de Cristo, o novo homem e homem novo. O caos do universo é fruto da rebeldia da raça humana em relação ao Deus criador; a redenção do universo – fazer convergir todas as coisas em Cristo – é resultado da reconciliação da raça humana com Deus. Deus estava em Cristo reconciliando consigo a humanidade. No cristianismo, a salvação é pessoal, a peregrinação espiritual é comunitária, e nada, absolutamente nada, é individual. A Igreja é a unidade dos redimidos que são transformados de glória em glória pelo Espírito Santo, até que todos cheguem juntos à estatura de ser humano perfeito.
A missiologia da missão integral é a sinalização histórica do Reino de Deus, que será consumado na eternidade. A Igreja, o corpo de Cristo, é o instrumento prioritário através do qual Jesus, o cabeça, exerce seu domínio sobre todas as coisas, no céu, na terra e debaixo da terra, não apenas neste século, mas também no vindouro. A missão da Igreja é manifestar aqui e agora a maior densidade possível do Reino de Deus que será consumado ali e além. O convite ao relacionamento pessoal com Deus é apenas uma parcela da missão. A missão integral implica a ação para que Cristo seja Senhor sobre tudo, todos, em todas as dimensões da existência humana.
A antropologia da missão integral é a unidade indivisível do pó da terra com o fôlego da vida; as dimensões física e espiritual do ser humano. “Corpo sem alma é defunto; alma sem corpo é fantasma”; “Cristo veio não só a alma do mal salvar, também o corpo ressuscitar”. A ação missiológica e pastoral da Igreja afeta a pessoa humana em todas as suas dimensões: biológica, psicológica, espiritual e social – a pessoa inteira em seu contexto, o homem e suas circunstâncias.
O kerigma, evangelização, na missão integral é a proclamação de que Jesus Cristo é o Senhor, seguida da convocação ao arrependimento e à fé, para acesso ao Reino de Deus. A oferta de perdão para os pecados pessoais é o início da peregrinação espiritual, porta de entrada para o relacionamento de submissão radical a Jesus Cristo, a partir do que a pessoa humana e tudo quanto ela produz passam a servir aos interesses do Reino de Deus, existindo e funcionando em alinhamento ao caráter perfeito do Senhor.
A proposta da missão integral como agenda ministerial para a Igreja é mais do que o mix evangelismo pessoal mais assistência social (geralmente como isca ou argumento evengelístico). O referencial da missão integral para a presença do cristão e da comunidade cristã no mundo é mais do que a construção ou multiplicação de igrejas locais, para onde os cristãos se retiram do mundo e passam a exercer funções que a viabilizam – ela, igreja, instituição religiosa – como um fim em si mesmo. A convocação da missão integral é para a rendição ao senhorio de Jesus Cristo, para perdão dos pecados e recebimento do dom do Espírito Santo, a partir do que se passa a integrar um corpo, o corpo de Cristo, ambiente para a experimentação coletiva dos benefícios da cruz. É este corpo o responsável por transbordar tais benefícios ao mundo, como anúncio profético do novo céu e da nova terra. O caminho missiológico e pastoral da missão integral é afetivo – relacional, em detrimento de metodológico –; operacional; comunitário, em detrimento de institucional; devocional, em detrimento de gerencial.
Sob o imperativo de levar o evangelho todo para o homem todo, para todos os homens, de acordo com o consenso de Lausanne, a Igreja é a comunidade da graça. Comunidade terapêutica; agência de transformação social; sinal histórico do Reino de Deus, instrumentalizada pelo Espírito Santo, enquanto serve incondicionalmente a Jesus Cristo, Rei dos reis, Senhor dos senhores, a quem seja glória eternamente, amém.

Ed René Kivitz
é escritor conferencista e pastor da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo

--> A PARÁBOLA DOS PESCADORES SEM PEIXES

Autor desconhecido

Era uma Associação de Pescadores, que viviam no meio de rios e lagos, cheios de peixes famintos. Eles se reuniam regularmente para discutir sobre o chamado para pescar, a abundância de peixe e a emoção de pegar peixes. Ficavam muito animados com o assunto da pescaria.

Alguém sugeriu que o grupo precisava de uma filosofia de pesca. Assim, cuidadosamente, definiram e redefiniram a pesca e o propósito da pescaria. Desenvolveram estratégias e táticas. De repente perceberam que haviam começado de trás para frente – haviam se interessado pela pescaria do ponto de vista do pescador, e não do ponto de vista do peixe. Como o peixe vê o mundo? Como vê o pescador? O que e quando o peixe come? Era importante entender essas coisas. Por isso, iniciaram estudos e pesquisas. Participaram de conferências sobre a pescaria. Muitos viajaram a lugares longínquos para estudar diferentes tipos de peixes, com diferentes hábitos. Alguns obtiveram Ph.D. em piscicultura.

Contudo, ninguém havia ido pescar. Formou-se, então, um comitê para enviar pescadores. Havia muito mais lugares propícios para pescar do que pescadores. Por isso, o comitê precisava determinar prioridades. A lista de prioridades foi colocada em quadros de avisos em todos os salões da Associação.

Mas, como antes, ninguém estava pescando ainda. Foi feita uma pesquisa para saber por quê. A maioria não respondeu ao questionário, mas, entre os que responderam, descobriu-se que alguns se sentiam chamados para estudar a pesca, outros para fornecer equipamentos de pesca e outros, ainda, para encorajar os pescadores. E, com tantas reuniões, conferências e seminários, simplesmente não tiveram tempo para pescar.

Jacó era novato na Associação de Pescadores. Depois de uma reunião muito animada, ele foi pescar. Fez algumas tentativas, pegou o jeito e conseguiu pegar um lindo peixe! Na reunião seguinte, ele contou sua história e foi elogiado pelo sucesso. Acabou sendo convidado para falar em todos os núcleos da Associação e contar como havia sido a sua pescaria. Assim, com tantos compromissos e por ter sido eleito para a diretoria da Associação, Jacó nunca mais teve tempo para pescar.

No entanto, não demorou muito e ele começou a se sentir intranqüilo e vazio. Teve saudades da pesca propriamente dita, de sentir o puxão no anzol. Assim, decidiu deixar a diretoria da Associação, bem como os demais compromissos com os núcleos, e convidou um amigo para ir pescar com ele. Os dois foram – sozinhos – e pegaram peixes.

Os membros da Associação de Pescadores eram muitos e os peixes eram abundantes. Mas os pescadores continuavam sendo muito poucos.

Fonte: Ultimato